Iraque Baathista

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جمهورية العراق
República do Iraque
Flag of Iraq (1963-1991).svg
1968 – 2003 Flag of Iraq, 1991-2004.svg
Flag Brasão
Bandeira Brasão
Lema nacional
Wahda, Hurriyah, Ishtirakiyah
("União, Liberdade, Socialismo", 1968–1991)

Allāhu Akbar
("Deus é Grande", 1991–2004)

Hino nacional
Ardulfurataini Watan
("A Terra dos Dois Rios", 1981–2003)


Localização de Jumhūriyat Al-Irāq
Localização do Iraque
Continente Ásia
Região Oriente Médio
País Iraque
Capital Bagdá
Língua oficial Árabe
Governo República presidencialista baathista unipartidaria sobre uma ditadura militar autoritária (1968-1979)

Republica presidencialista Saddamista unipatidaria sobre uma ditadura militar totalitária (1979-2003)

Presidente
 • 1968-1979 Ahmad Hassan al-Bakr
 • 1979-2003 Saddam Hussein
Primeiro-ministro
 • 1968 Abd ar-Razzaq an-Naif
 • 1994-2003 Saddam Hussein
História
 • 1968 Fundação
 • 2003 Dissolução
População
 • 1999 est. 22,427,150 

O Iraque Baathista, formalmente a República Iraquiana até 6 de janeiro de 1992 e a República do Iraque a partir de então, cobre a história do Iraque entre 1968 e 2003, durante o período de governo do Partido Socialista Árabe Ba'ath. Este período começou com alto crescimento econômico e prosperidade crescente, mas terminou com o Iraque enfrentando estagnação social, política e econômica. A renda média anual diminuiu tanto por fatores externos quanto por políticas internas do governo.

O presidente iraquiano, Abdul Rahman Arif, e o primeiro-ministro iraquiano Tahir Yahya, foram destituídos durante o golpe de Estado de 17 de julho liderado por Ahmed Hassan al-Bakr, do Partido Ba'ath, que já havia ocupado o poder em 1963 e era liderado principalmente por al -Bakr, seu líder, e Saddam Hussein. Saddam por meio de seu posto de chefe de facto dos serviços de inteligência do partido, tornou-se o líder de facto do país em meados da década de 1970 e tornou-se líder de jure em 1979, quando sucedeu a al-Bakr no cargo de presidente. Durante o governo de jure de al-Bakr, a economia do país cresceu e a posição do Iraque no mundo árabe aumentou. No entanto, vários fatores internos ameaçavam a estabilidade do país, entre eles o conflito do país com o Irã e facções dentro da própria comunidade muçulmana xiita do Iraque. Um problema externo era uma disputa de fronteira com o Irã.

Saddam se tornou presidente do Iraque, presidente do Conselho do Comando Revolucionário, primeiro-ministro e secretário-geral do Comando Regional do Partido Ba'ath em 1979, durante uma onda de protestos antigovernamentais no Iraque liderados por xiitas. O Partido Ba'ath, que era oficialmente secular por natureza, reprimiu duramente os protestos. Outra mudança de política foi a política externa do Iraque em relação ao Irã, um país xiita. A deterioração das relações acabou levando à Guerra Irã-Iraque, que começou em 1980 quando o Iraque lançou uma invasão em grande escala do Irã. Após a Revolução Iraniana de 1979, os iraquianos acreditavam que os iranianos eram militarmente fracos e, portanto, um alvo fácil para seus militares. Essa noção provou ser incorreta e a guerra durou oito anos. A economia do Iraque se deteriorou durante a guerra, e o país tornou-se dependente de empréstimos estrangeiros para financiar seu esforço de guerra. A guerra terminou em um impasse quando um cessar-fogo foi alcançado em 1988, o que resultou em um status quo ante bellum.

Quando a guerra terminou, o Iraque se viu em meio a uma depressão econômica, devia milhões de dólares a países estrangeiros e não conseguiu pagar seus credores. O Kuwait, que aumentou deliberadamente a produção de petróleo após a guerra, reduzindo os preços internacionais do petróleo, enfraqueceu ainda mais a economia iraquiana. Em resposta a isso, Saddam ameaçou o Kuwait de que, a menos que reduzisse sua produção de petróleo, o Iraque invadiria. As negociações fracassaram e, em 2 de agosto de 1990, o Iraque lançou uma invasão do Kuwait. A resposta internacional resultante levou à Guerra do Golfo Pérsico, que o Iraque perdeu. A Organização das Nações Unidas (ONU) iniciou sanções econômicas no rescaldo da guerra para enfraquecer o regime Baathista Iraquiano. As condições econômicas do país pioraram durante a década de 1990 e, no início dos anos 2000, a economia do Iraque começou a crescer novamente quando vários estados ignoraram as sanções da ONU. Após os ataques de 11 de setembro de 2001, os Estados Unidos proclamaram a Guerra ao Terror e rotularam o Iraque como parte de um "Eixo do Mal". Em 2003, as forças da coalizão liderada pelos EUA invadiram o Iraque e o regime Baathista Iraquiano foi deposto menos de um mês depois.

Território[editar | editar código-fonte]

Durante a era do Partido Ba'ath, o Iraque oficialmente manteve a maior parte do território que atualmente faz parte do Iraque. Uma disputa de fronteira com a Arábia Saudita existiu até 1981. De 1980 a 1988, durante a Guerra Irã-Iraque, Iraque ocupou e tentou anexar partes do Irã. De 1990 a 1991, o Iraque ocupou e anexou o Kuwait. A anexação do Kuwait não foi reconhecida e foi declarada como uma violação ilegal da soberania do Kuwait pelas Nações Unidas. A ONU autorizou uma coalizão militar internacional a forçarem as forças militares iraquianas em retirar do Kuwait durante a Guerra do Golfo e, posteriormente, a soberania do Kuwait, foi restaurada.

Cultura e Sociedade[editar | editar código-fonte]

Saddam Hussein e estudantes femininas. O Ba'athismo promoveu maior participação das mulheres na sociedade iraquiana

A era do Partido Ba'ath foi um período de secularização no Iraque. O governo incluiu pessoas de várias confissões religiosas, incluindo os muçulmanos sunitas, xiitas e cristãos, embora os muçulmanos sunitas dominaram o governo. No entanto, o período foi marcado, especialmente no tempo de Saddam Hussein (após 1991), com conflitos étnicos e religiosos sectários entre a minoria muçulmana sunita e os árabes de maioria muçulmana xiita e a minoria curda. O governo promoveu os direitos das mulheres, inclusive permitindo às mulheres o acesso à educação e servir nas forças armadas. O governo buscou o restauro do patrimônio cultural iraquiano, como a reconstrução de réplicas de partes da antiga cidade da Babilônia. Sob Saddam Hussein, a glorificação de Hussein e do governo do Partido Ba'ath era comum na arte patrocinada pelo Estado. O Partido Baath dominou a vida política do país, apesar de uma Frente Nacional Progressista ser proclamada em 1974, para permitir a participação principalmente nominal de valores não-baathistas e dos partidos na política iraquiana.

Durante a Guerra do Golfo, Saddam Hussein tentou obter o apoio da comunidade religiosa muçulmana para o governo e inscreveu o Takbir para a bandeira e brasão de armas, e lema do Iraque.

Militar[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Forças Armadas do Iraque

Até o final da Guerra Irã-Iraque, o Iraque era o quarto maior do mundo em campo militar, com mais de 70 divisões do exército, mais de 800 aeronaves da Força Aérea Iraquiana,[1] e uma frota de pequeno porte, graças ao financiamento dos estados circundantes do Golfo Pérsico e de bilhões em empréstimos e financiamentos concedidos ou garantidos pelos Estados Unidos para apoiar a guerra do Iraque contra o Irã.[2][3] As perdas durante a Guerra do Golfo para a coalizão liderada pelos Estados Unidos resultou na redução das forças do Iraque a uma propriedade de 23 divisões e da força aérea a menos de 300 aeronaves.

História[editar | editar código-fonte]

Presidência de Ahmed Hassan al-Bakr[editar | editar código-fonte]

Após a tomada do poder, al-Bakir prosseguiu uma política de unificação pan-árabe. O Iraque preparou-se para a unificação com o Egito e a Síria), porém os planos nunca se concretizaram devido a tensão mais tarde com a facção síria do Partido Baath que trouxe planos de unificação para um fim. Al-Bakir estabeleceu um governo dominado pelo partido Ba'ath em aliança com o Partido Comunista Iraquiano. Esta aliança turbulenta foi dividida em 1978-1979, e múltiplos comunistas foram perseguidos e presos.

Presidência de Saddam Hussein al-Tikriti[editar | editar código-fonte]

Após pressionar al-Bakir a demitir-se, Saddam Hussein chegou ao poder como presidente. Hussein alterou radicalmente o partido Ba'ath. O partido tornou-se militarizado e membros do partido assumiram uniformes.

Guerra Irã-Iraque[editar | editar código-fonte]

Pouco depois de ganhar o poder, Saddam Hussein declarou guerra ao Irã. A Guerra Irã-Iraque ocorreu de 1980 a 1988.

Ataque com gás venenoso a Halabja[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Massacre de Halabja

Durante a Guerra Irã-Iraque, as forças armadas iraquianas lançaram um ataque com gás venenoso contra a cidade curda de Halabja em 1988. O ataque matou instantaneamente de 3200 a 5000 pessoas e feriu de 7000 a 10000, a maioria deles civis.[4][5]

Guerra do Golfo[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Guerra do Golfo

Em agosto de 1990, Saddam Hussein declarou guerra ao Kuwait, baseando o ataque à alegação de que o Kuwait fez ilegalmente uma perfuração inclinada de seus poços de petróleo em território iraquiano. Após a ocupação do Kuwait, Saddam declarou que o Kuwait foi anexado ao Iraque. As Nações Unidas denunciaram a ocupação como ilegal e repetidamente ordenou ao Iraque quea retirasse suas forças militares do Kuwait e reconhecesse a soberania do Kuwait. As sanções foram impostas ao Iraque pela ONU para pressionar o Iraque a se retirar. Em 1991, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma ação militar internacional para restaurar a soberania do Kuwait. A coalizão liderada pelos Estados Unidos atacaram e derrotaram as forças iraquianas no Kuwait, causando baixas graves ao Iraque. O Iraque em resposta lançou ataques táticos de mísseis balísticos contra Israel e a Arábia Saudita, dois aliados dos EUA no Oriente Médio. Com a retirada das forças iraquianas, os poços de petróleo do Kuwait foram sabotados provocando grandes incêndios em campos de petróleo do Kuwait. As forças da coalizão causaram danos graves, tanto aos civis como na infra-estrutura do Iraque.

Revolta xiita[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Revoltas no Iraque de 1991

Logo após o fim da Guerra do Golfo em 1991, membros da comunidade xiita do Iraque se rebelaram contra o governo iraquiano. Forças do governo iraquiano esmagaram com brutalidade a revolta.

Desarmamento, inspecções de armas das Nações Unidas e sanções[editar | editar código-fonte]

Após ser derrotado militarmente na Guerra do Golfo, Saddam Hussein submeteu-se para permitir as inspeções de armas da ONU, o desarmamento das supostas armas de destruição em massa, e as zonas aéreas interditadas sobre as áreas norte e sul do Iraque.

Em 1998, o Iraque acusou as inspeções de armas da ONU de serem infiltradas por espiões estadunidenses e os inspetores de armas da ONU foram forçados a deixar o Iraque. Como resposta, os EUA e o Reino Unido lançam a Operação Raposa do Deserto. Em 2002, o Conselho de Segurança da ONU emitiu a Resolução 1441, ordenando o Iraque para restaurar imediatamente inspeções de armas da ONU e se comprometam a demonstrar o seu compromisso com o desarmamento das armas de destruição em massa. A resolução 1441 foi apresentado ao Iraque como "uma oportunidade final para cumprir suas obrigações de desarmamento", que tinha sido previsto em diversas resoluções anteriores.[6] O Iraque permitiu aos inspetores de armas da ONU liderados por Hans Blix, chefe da Comissão das Nações Unidas de Vigilância, Verificação e Inspeção (UNMOVIC), para investigar locais suspeitos de armas ou materiais potencialmente de terem armas.

Guerra do Iraque[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Guerra do Iraque
Militares iraquianos do exército baathista em um blindado MT-LB um mês antes da invasão anglo-americana.

Os Estados Unidos, Reino Unido e outros países não estavam satisfeitos com o compromisso do Iraque para a resolução 1441 e afirmaram que o Iraque não tinha cumprido as suas obrigações, autorizando a ação militar no âmbito da autorização da Resolução 1441, e afirmando que levariam a cabo uma ação militar, independentemente da posição do Conselho de Segurança da ONU. No entanto, a posição dos Estados Unidos e do Reino Unido, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU foi contestada por outros membros permanentes, incluindo a República Popular da China, França e Rússia, que se opuseram à intervenção militar no Iraque. Entre os membros não-permanentes, a Espanha apoiou a intervenção militar, a Alemanha se opôs à intervenção militar. Os restantes membros não-permanentes, incluindo Angola, Camarões, Chile, Alemanha, Guiné, México, Paquistão e Síria ficam neutros na questão, favorecendo mais tempo para inspeções de armas da ONU para identificar se o Iraque estava em cumprimento de suas obrigações. Era altamente suspeito de que uma resolução para autorizar uma ação militar contra o Iraque seria um fracasso no Conselho de Segurança devido a vetos da República Popular da China, França e Rússia, membros permanentes. A votação não foi lançada, porém, como os defensores da intervenção militar abandonados insistindo para a nova resolução. Além disso, os Estados Unidos, Reino Unido e outros países já acumulavam forças militares em todo o Iraque, preparados para a invasão.

Os Estados Unidos, Reino Unido, e uma coalizão de países que referiram-se como a "Coligação dos Voluntários", declararam guerra contra o Iraque, alegando que a Resolução 1441 não foi cumprida pelo Iraque e que nos termos da Resolução 1441, a coligação foi autorizada a obrigar o Iraque a cumprir as suas obrigações. O Presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou que esse cumprimento só poderia vir pela remoção de Saddam Hussein e do Partido Baath do poder e o estabelecimento de um novo governo que iria cumprir com as responsabilidades das Nações Unidas.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências