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Isabel Cristina de Brunsvique-Volfembutel

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Isabel Cristina
Retrato por Johann Gottfried Auerbach, c. 1737
Imperatriz Consorte do
Sacro Império Romano-Germânico
Reinado12 de outubro de 1711
a 20 de outubro de 1740
PredecessoraGuilhermina Amália de Brunsvique-Luneburgo
SucessoraMaria Amália da Áustria
Dados pessoais
Nascimento28 de agosto de 1691
Brunsvique, Ducado de Brunsvique-Luneburgo
Morte21 de dezembro de 1750 (59 anos)
Viena, Áustria, Sacro Império Romano-Germânico
Sepultado emCripta Imperial, Viena, Áustria
MaridoCarlos VI do Sacro Império Romano-Germânico
Descendência
Leopoldo João da Áustria
Maria Teresa da Áustria
Maria Ana da Áustria
Maria Amália da Áustria
CasaGuelfo (por nascimento)
Habsburgo (por casamento)
PaiLuís Rodolfo, Duque de Brunsvique-Volfembutel
MãeCristina Luísa de Oettingen-Oettingen
ReligiãoCatolicismo
(anteriormente Luteranismo)

Isabel Cristina de Brunsvique-Volfembutel (Brunsvique, 28 de agosto de 1691Viena, 21 de dezembro de 1750) foi Princesa de Brunsvique-Volfembutel, Imperatriz do Sacro Império Romano-Germânico, Rainha da Alemanha, Boêmia e da Hungria, e Arquiduquesa da Áustria, entre outros títulos, por seu casamento com Carlos VI do Sacro Império Romano-Germânico.[1]

Ela era conhecida por sua delicada beleza e também por ser mãe da Imperatriz Maria Teresa e avó de José II e Leopoldo II do Sacro Império Romano-Germânico, Maria Carolina da Áustria e Maria Antonieta da França. Foi a imperatriz consorte que reinou mais tempo do Sacro Império Romano-Germânico. Seu reinado, de 12 de outubro de 1711 a 20 de outubro de 1740, durou cerca de sete meses a mais do que o de duas outras imperatrizes de longos mandatos, Beatriz de Borgonha-Ivrea e Leonor Madalena de Neuburgo.

Biografia

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Isabel Cristina nasceu em 28 de agosto de 1691 em Brunsvique, então localizada no Principado de Brunsvique-Volfembutel. Ela foi a primeira filha e a filha mais velha de Luís Rodolfo, Duque de Brunsvique-Volfembutel, e de sua esposa, Cristina Luísa de Oettingen-Oettingen. Teve três irmãos: Carlota Augusta (nascida e falecida em 1692), Carlota Cristina (nascida em 1694) e Antonieta Amália (nascida em 1696).

Aos treze anos, Isabel Cristina ficou noiva do arquiduque Carlos da Áustria, o futuro Sacro Imperador Carlos IV, por meio de negociações entre seu ambicioso avô, Antônio Ulrico, Duque de Brunsvique-Volfembutel, e a cunhada de Carlos, a imperatriz Guilhermina Amália de Brunsvique-Luneburgo, cujo pai era João Frederico, Duque de Brunsvique-Calenberg, pertencente, portanto, a outro ramo da Casa de Guelfo. Entretanto, a noiva luterana protestante se opôs inicialmente ao casamento, pois isso implicava sua conversão ao Catolicismo, mas acabou cedendo.[2] Ela foi instruída na fé católica por sua sogra, a imperatriz Leonor Madalena de Neuburgo, que a introduziu à religião[3] e fez uma peregrinação com ela a Mariazell em 1706. Em 1 de maio de 1707, ela se converteu oficialmente em Bamberg.[carece de fontes?] Foi-lhe exigido jurar o Credo Tridentino em vez de uma versão modificada que ela esperava poder recitar.[3] Antes do casamento, também foi obrigada a se submeter a um exame médico para provar sua fertilidade, conduzido por um médico e pelo confessor Jesuíta do futuro marido.[4]

Na Espanha

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Brasão de armas de Isabel Cristina como consorte do pretendente ao trono espanhol

Na época do casamento, Carlos estava lutando por sua reivindicação ao trono espanhol contra o candidato francês Filipe de Bourbon, e por isso vivia em Barcelona. Isabel Cristina chegou à Espanha em julho de 1708 e casou-se com Carlos em 1 de agosto de 1708, na Igreja de Santa Maria do Mar. Como Filipe já havia tido um filho, Isabel Cristina foi imediatamente pressionada a gerar um herdeiro varão.[4] Durante sua estadia na Espanha, manteve uma longa correspondência com sua mãe, que, segundo relatos, servia de consolo diante da constante pressão para dar à luz um filho.[4]

Em 1711, Carlos partiu para Viena a fim de suceder seu irmão, José I, que havia falecido subitamente, como imperador. Ele deixou Isabel Cristina na Espanha, nomeando-a Governadora-Geral da Catalunha em sua ausência.[5] Ela governou a Catalunha sozinha até 1713, quando a guerra terminou com Filipe sendo reconhecido por todos os aliados da Áustria. Seu papel oficial como regente era sustentar o moral dos súditos catalães de Carlos, mas Martino afirmou que ela, na realidade, governou de maneira mais eficaz do que o próprio Carlos durante seu reinado na Espanha.[5] Após isso, ela reuniu-se ao marido na Áustria.

Na Áustria

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Imperatriz Isabel Cristina por Frans van Stampart, c. 1720

Como imperatriz, Isabel Cristina, assim como sua antecessora, era descrita como talentosa na música, discreta, modesta e diligente, sendo considerada exemplar no cumprimento de seu papel representativo como imperatriz, tanto dentro do protocolo cortesão espanhol de caçadas, bailes e teatro amador, quanto nas jornadas de devoção religiosa da pietas austriaca.[6] Era uma excelente atiradora e participava de competições de tiro, tomava parte em caçadas vestindo, junto de suas damas de companhia, trajes de amazona, e também jogava bilhar.[7] Mais tarde, surgiram rumores de que Isabel Cristina seria uma cripto-protestante, provavelmente por ser patrona de jansenistas como Johann Christoph von Bartenstein.[3]

Carlos VI não lhe permitiu exercer qualquer influência política após sua chegada à Áustria em 1713. Ainda assim, ela era descrita como inteligente e autossuficiente, estabelecendo contatos políticos entre os ministros, especialmente com Guido Starhemberg, e tomando, por iniciativa própria, certa participação em assuntos de Estado. Na década de 1720, parece ter exercido alguma influência nas negociações de um tratado com o czar russo, por meio de suas conexões familiares no norte da Alemanha, além de aliar-se à facção da corte que se opunha aos planos de casar suas filhas com membros da casa real espanhola.[8]

O casamento de Isabel Cristina foi dominado pela pressão para que ela desse à luz um herdeiro varão. Ela conseguiu isso em 1716, com o nascimento do arquiduque Leopoldo João. No entanto, o bebê morreu aos sete meses de idade. Segundo relatos, a situação foi extremamente estressante para ela, e a perda da confiança de Carlos VI a atormentou profundamente.[4] Três anos após o casamento, os médicos da corte receitaram-lhe grandes doses de licor para aumentar sua fertilidade, o que lhe deixou um rubor permanente no rosto.[4] Durante sua gravidez em 1725, Carlos tentou, sem sucesso, decorar o quarto dela com imagens eróticas de beleza masculina para "estimular sua imaginação" e fazê-la conceber um filho homem.[4] Depois disso, os médicos prescreveram uma dieta rica para aumentar sua fertilidade, o que a deixou tão obesa que já não conseguia andar, sofria de falta de ar, insônia e hidropisia, precisando ser colocada em suas cadeiras por meio de uma máquina especialmente construída.[9]

Retrato da Imperatriz Isabel Cristina por Rosalba Carriera, 1730

Apesar de sua saúde ter sido severamente prejudicada pelos diversos tratamentos para conceber outro filho, Carlos VI aparentemente se importava com ela: continuou a chamá-la por seu apelido carinhoso White Liz ('Liz Branca'), expressava sincera preocupação com sua saúde em seu diário e deixou-lhe uma renda independente em seu testamento.[9] Antes do casamento, Carlos teve uma amante, além de vários amantes homens, entre eles o Conde Althann.[10]

Isabel Cristina mantinha excelente relação com sua sogra, Leonor, e com sua cunhada, Guilhermina Amália, as três imperatrizes eram conhecidas por se apoiarem mutuamente: Guilhermina Amália cuidou de Isabel Cristina quando esta contraiu varíola, e Isabel Cristina, por sua vez, cuidou de Loenor em seus últimos dias.

Apesar de sua falta de influência política, ela teve sucesso em arranjar o casamento de sua sobrinha Isabel Cristina, filha de sua irmã Antonieta Amália, com o príncipe herdeiro da Prússia e futuro rei Frederico, o Grande, em 1732,[11] e também o casamento de seu sobrinho Antônio Ulrico de Brunsvique com Ana Leopoldovna, herdeira da imperatriz russa Ana, em 1739. No entanto, a reaproximação austro-prussiana que ela esperava durou apenas até a morte de Frederico Guilherme I da Prússia, em maio de 1740, e de seu marido, o imperador, em outubro do mesmo ano. Em 16 de dezembro, seu sobrinho por casamento, Frederico II, invadiu a Silésia dos Habsburgo, desencadeando a Primeira Guerra da Silésia.

Imperatriz-viúva

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Embora a visão tradicional afirme que Isabel Cristina mantinha uma boa relação com sua filha, a imperatriz Maria Teresa, na realidade não há nada que confirme isso. Enquanto Maria Teresa era conhecida por expressar livremente seu afeto por aqueles de quem gostava, ela jamais o fez em relação à mãe; visitava-a regularmente, mas as visitas eram formais, e durante esses encontros comportava-se estritamente de acordo com o protocolo da corte espanhola.[12] Em 1747, o embaixador da Prússia afirmou que Isabel Cristina era politicamente ativa, "sem despertar a suspeita de que tenta se intrometer"[5] em assuntos políticos. Isabel Cristina faleceu em Viena.

Referências

  1. «Charles VI». InfoPlease 
  2. Ingrao & Thomas 2004, pp. 111–112.
  3. a b c Ingrao & Thomas 2004, p. 122.
  4. a b c d e f Ingrao & Thomas 2004, p. 114.
  5. a b c Ingrao & Thomas 2004, p. 123.
  6. Ingrao & Thomas 2004, pp. 116–118.
  7. Ingrao & Thomas 2004, p. 118.
  8. Ingrao & Thomas 2004, p. 125.
  9. a b Ingrao & Thomas 2004, p. 115.
  10. Backerra, Charlotte (13 de dezembro de 2019). «Disregarding Norms: Emperor Charles VI and His Intimate Relationships». Royal Studies Journal (em inglês). 6 (2). ISSN 2057-6730. doi:10.21039/rsj.206 
  11. Atkinson, Emma Willsher: Memoirs of the Queens of Prussia, London: W. Kent, 1858
  12. Crankshaw, Edward: Maria Theresa. Longmans, Londres (1969)

Bibliografia

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  • Ingrao, Charles W.; Thomas, Andrew L. (2004). "Piety and Power: The Empresses-Consort of the High Baroque". In Campbell Orr, Clarissa (ed.). Queenship in Europe 1660-1815: The Role of the Consort. Cambridge University Press. pp. 107–130. ISBN 0-521-81422-7.