Isaiah Berlin

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Isaiah Berlin
Século XX
Data de nascimento: 6 de junho de 1909
Local: Riga, Império Russo (hoje Letónia)
Morte 5 de novembro de 1997 (88 anos)
Local: Oxford, Reino Unido
Principais interesses: Filosofia política · Filosofia da história · História das ideias · Liberalismo · Ética · Marxismo · História moderna · História da Rússia · Literatura russa · Romanticismo
Influências: Vico · Hamann · Herder · Tolstói · Mill · Wittgenstein

Isaiah Berlin OM, CBE, FBA (Riga, 6 de junho de 1909 - Oxford, 5 de novembro de 1997) foi um teórico social, filósofo e historiador das ideias. Judeu, de nacionalidade russa, veio a naturalizar-se britânico; Embora avesso à escrita, suas aulas e palestras improvisadas foram gravadas e transcritas, com sua palavra falada sendo convertida por seus secretários em ensaios e livros publicados.

Nascido em Riga, na Letónia, em 1909, a família mudou-se para a Rússia, quando Isaiah tinha seis anos, onde veio a testemunhar as revoluções de 1917. Em 1921, seus pais decidem mudar-se para o Reino Unido onde foi educado na St. Paul's School, em Londres e na Corpus Christi College, Oxford. Em 1932, aos 23 anos, Berlim foi eleito para receber uma bolsa de estudos no All Souls College, Oxford. Isaiah traduziu obras de Ivan Turgenev do russo para o inglês e, durante a guerra, trabalhou para o Serviço Diplomático Britânico. De 1957 a 1967 foi Professor de Teoria Social e Política na Universidade de Oxford. Foi presidente da Sociedade Aristotélica de 1963 a 1964. Em 1966, desempenhou um papel na fundação do Wolfson College, em Oxford, tornando-se seu primeiro presidente. Berlim foi nomeado CBE em 1946, nomeado Cavaleiro Celibatário em 1957 e nomeado para a Ordem de Mérito em 1971. Chegou a ser Presidente da Academia Britânica entre 1974 e 1978. Recebeu o Prémio Jerusalém de 1979 por seus escritos sobre liberdade individual, e em Em 25 de novembro de 1994, recebeu o grau honorário de Doutor em Direito na Universidade de Toronto, ocasião em que preparou um "pequeno credo" (como denominou em uma carta a um amigo) conhecido como "Uma Mensagem para o Século XXI", para ser lido em seu nome na cerimônia.[1]

São realizadas palestras anuais dedicadas a Berlin na Sinagoga de Hampstead, no Wolfson College, Oxford, na British Academy, e em Riga. O trabalho de Berlim sobre a teoria liberal e sobre o pluralismo de valores, bem como sua oposição ao marxismo e ao comunismo, teve uma influência duradoura. Em seu obituário do estudioso, o The Independent declarou que:

Biografia[editar | editar código-fonte]

Isaiah Berlin nasceu em uma abastada família judia, em Riga, então Império Russo (hoje Letônia), no período compreendido entre a Revolução de 1905 e a Revolução de 1917. Era filho de Mendel Berlin, um industrial madeireiro e descendente direto de Shneur Zalman (fundador do hassidismo Chabad), e de sua mulher, Marie, nascida Volshonok. Passou sua infância em Riga. Depois viveu em Andreapol, uma pequena cidade madeireira, perto de Pskov, que praticamente pertencia à empresa de sua família,[3] e em Petrogrado (antes São Petersburgo). A família emigrou para o Reino Unido quando tinha 10 anos.[4]

Estudou na Universidade de Oxford, onde iniciou sua carreira acadêmica como filósofo, lecionando teoria social e política. Destacou-se como historiador das ideias. Teve publicados, dentre outros livros, Karl Marx: His Life and Environment (Karl Marx: a Vida e a Época), Four Essays on Liberty, Against the Current Contra a Situação: Ensaios na História das Ideias, Vico e Herder, O sentido de realidade, Pensadores russos e Limites da utopia: capítulos da história das ideias. Seus ensaios mais conhecidos são The Hedgehog and the Fox (O Ouriço e a Raposa: Um Ensaio sobre a Visão da História de Tolstói) e Two Concepts of Liberty, em que examina a distinção entre duas interpretações do termo liberdade:

  • liberdade negativa, ou ausência de impedimentos à ação do indivíduo;
  • liberdade positiva, ou presença de condições para que os indivíduos ajam de modo a atingir seus objetivos.[5]

Outro tema fundamental de seu pensamento, intimamente ligado à questão da liberdade negativa e positiva, é a defesa do pluralismo axiológico. Segundo Berlin, os valores produzidos pelos homens não são conciliáveis numa única hierarquia, a tentativa de estabelecer um absoluto implica conflitos e tiranias. A razão não pode definir uma ordem de importância dos valores, ou mensurar os valores, de modo universal, portanto o pluralismo é uma necessidade. Se, por exemplo, o princípio da liberdade for levado a extremos, comprometerá o princípio da igualdade, e se o princípio da igualdade for implantado de modo absoluto, implicará no fim da liberdade. O pluralismo é, assim, um princípio da democracia que permite a coexistência pacífica de distintos interesses, convicções e concessões do bem comum. Pluralismo e liberdade, nos termos de Berlin, constituem a expressão filosófica da sociedade liberal. Essa problemática tem despertado o interesse de muitos autores que buscam enfrentar o desafio proposto e compatibilizar valores numa escala comum.[6][7]

Outro elemento fundamental da obra de Berlin é a sua teoria das verdades contraditórias. De acordo com Daniel Gomes de Carvalho, o edifício dessa teoria apoia-se em uma quádrupla rejeição: a rejeição de que as sociedades compõem um todo harmonioso e perfeitamente compatível; a rejeição da ideia de que a verdade é una e de que existe um caminho único e seguro para conhecer essa verdade; a rejeição de que nós possuímos ou possuiremos um corpo impecavelmente coerente de conhecimento, no qual nenhuma proposição pode contradizer a outra; a rejeição da existência de “estruturas” e de “leis do movimento histórico” a partir das quais poderiam ser deduzidas as verdades de nossa vida política social.

Em resumo, quando tratamos de espécie humana, nem todas as coisas boas são compatíveis. Os fins que buscamos em nossas vidas colidem uns com os outros. Há muitas formas de vida que valem a pena ser vividas, e não é possível, nem de longe, viver todas. É impossível construir uma sociedade que contenha, a um só tempo, o máximo de igualdade, o máximo de liberdade individual, o máximo de justiça social e o máximo organização eficiente. Conflitos de valor são elementos intrínsecos e inamovíveis da vida humana. A realização humana total é uma contradição formal, de modo que, de acordo com sua genial formulação, “aqueles que descansam na cama confortável do dogma são vítimas de miopia autoinduzida”. Aliás, nenhum ser humano é capaz de, em seu conhecer, apreender o todo, sob todos os pontos de vista – todo conhecimento científico honesto, por conseguinte, será sempre parcial, dado que só cabe aos seres humanos o conhecimento sobre partes do real. A proposta holística sempre será acientífica, pré-científica ou anti-científica – a ciência que merece esse nome sempre foi (e sempre será) ancorada em escolhas, seleções, recortes e problemas, de modo que suas verdades, sempre provisórias, nunca se tornarão dogmas[8].

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Placa marcando o local onde Berlin passou a infância, em Riga.

A lista de livros e o texto seguinte são cópia traduzida do artigo em inglês. Exceto as anteriores edições de Karl Marx, de The Hedgehog and the Fox e de Unfinished Dialogue, todas as publicações listadas a partir de 1978 em diante foram editadas por Henry Hardy, e todas excepto Karl Marx são compilações ou transcrições de palestras, ensaios, e cartas. Os detalhes dados são da primeira e da última edições do Reino Unido. Muitas das obras estão também disponíveis como e-books. Os 11 títulos marcados com '+' estão disponíveis no mercado dos EUA em edições revistas da Princeton University Press, com material adicional de Berlin, e (exceto no caso de Karl Marx) novos prefácios de escritores contemporâneos; uma nova edição de Karl Marx está também disponível em Portugal.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. The New York Review of Books, October 23th, 2014, "A Message to the 21st Century", http://www.sjpcommunications.org/images/uploads/documents/Isaiah_Berlin.pdf
  2. Hardy, Henry (7 de novembro de 1997). «Obituary: Sir Isaiah Berlin». The Independent. Consultado em 7 de março de 2012 
  3. Michael Ignatieff, Isaiah Berlin: A Life, p. 21.
  4. Philosopher and political thinker Sir Isaiah Berlin dies. BBC News, 8 de novembro de 1997.
  5. Positive and Negative Liberty, Stanford Encyclopedia of Philosophy.
  6. Philosopher and political thinker Sir Isaiah Berlin dies BBC News, 8 de novembro de 1997.
  7. Isaiah Berlin & the history of ideas
  8. «ISAIAH BERLIN E A TEORIA DAS VERDADES CONTRADITÓRIAS». Horizontes Democráticos. 3 de maio de 2021. Consultado em 5 de maio de 2021 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Isaiah Berlin
Ícone de esboço Este artigo sobre uma pessoa é um esboço relacionado ao Projeto Biografias. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.