Isim

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Isim
𒉌𒋛𒅔𒆠
Localização atual
Isim está localizado em: Iraque
Isim
Coordenadas 31° 56' 06" N 45° 16' 07" E
País  Iraque
Região Mesopotâmia

Isim (em sumério: 𒉌𒋛𒅔𒆠; romaniz.: I3-si-inki) [1] foi uma antiga cidade-estado amorita da Baixa Mesopotâmia a cerca de 32 quilômetros ao sul de Nipur.

Localização[editar | editar código-fonte]

O sítio arqueológico encontra-se próximo à moderna cidade de Ixam Albariate (Ishan al-Bahriyat), na Cadésia, Iraque. Hoje pode ser localizada como um "tel", um monte de assentamento arqueológico, com cerca de 1,5 km de diâmetro e com uma altura máxima de 8 metros. Situava no Canal Isinitum, parte de um conjunto de canais que ligavam as cidades da Mesopotâmia.

Histórico de ocupação[editar | editar código-fonte]

Isim foi ocupada pelo menos desde o início do Período Dinástico Arcaico, em meados do terceiro milênio a.C., e possivelmente já no período de al-Ubaid (c. 6500–3800). Quando as plaquetas de argila cuneiformes da época foram encontradas, a primeira referência epigráfica a Isim foi após o período da terceira dinastia de Ur.

Quando a Terceira Dinastia, enfraquecida, finalmente entrou em colapso nas mãos dos elamitas no final do terceiro milênio a.C., foi deixado um vácuo de poder que outras cidades-estado se esforçavam para preencher. O último rei da dinastia Ur, Ibi-Sim, não tinha os recursos nem o governo organizado necessários para expulsar os invasores elamitas. Um de seus funcionários governamentais, Isbi-Erra, mudou-se de Ur para Isim, outra cidade no sul da Mesopotâmia, e estabeleceu-se como governante lá. Um dos nomes de ano de Isbi-Erra relata a derrota sofrida por Ibi-Sim em batalha. [2]

Embora ele não seja considerado parte da Terceira Dinastia de Ur, Isbi-Erra fez algumas tentativas de continuar com essa dinastia, provavelmente para justificar seu governo. [2] no entanto, Isbi-Erra teve má sorte em expandir seu reino, pois outras cidades-estados da Mesopotâmia também queriam chegar ao poder. Esnuna e Assur estavam se desenvolvendo em centros poderosos. No entanto, ele conseguiu repelir os elamitas da região de Ur. Isso deu à dinastia de Isim o controle sobre as cidades culturalmente significativas de Ur, Uruque e o centro espiritual de Nipur. [3]

Por mais de 100 anos, Isim floresceu. Ruínas de grandes edifícios, como templos, foram escavados. Muitos decretos reais e códigos de leis daquele período foram descobertos. A estrutura política centralizada de Ur-III foi amplamente mantida, com os governantes de Isim nomeando governadores e outras autoridades locais para realizar sua vontade nas províncias. As rotas lucrativas de comércio para o Golfo Pérsico continuaram sendo uma fonte crucial de renda para Isim. [4]

Os eventos exatos que cercam a desintegração de Isim como reino são desconhecidos, mas algumas evidências podem ser reunidas. Documentos indicam que o acesso a fontes de água apresentou um enorme problema para o Isim. Isim também sofreu um tipo de golpe interno quando Gungunum, governador nomeado das províncias de Larsa e Lagas, tomou a cidade de Ur. Ur era o principal centro do comércio do Golfo; dessa forma com a perda desse importante comércio Isim ficou economicamente prejudicado. Além disso, os dois sucessores de Gungunum, Abisare e Sumuel (c. 1905–1894), tentaram direcionar as rotas comerciais de Isim para Larsa. Algum momento depois, Nipur também foi conquistada. Isim nunca se recuperaria. Por volta de 1860 a.C, um estranho chamado Enlil-Bani tomou o trono de Isim, encerrando a dinastia hereditária estabelecida por Isbi-Erra a mais de 150 anos antes. [5]

Embora politicamente e economicamente fraca, Isim manteve sua independência de Larsa por pelo menos mais quarenta anos, sucumbindo finalmente a Rim-Sim I. [6]

Depois que a Primeira Dinastia da Babilônia subiu ao poder no início do segundo milênio e capturou Larsa, muitas mudanças significativa foram feitas em Isim. Essas mudanças foram interrompidas quando no 27º ano do reinado de Samsiluna, filho de Hamurabi, a cidade foi destruída e abandonada. [7]

Mais tarde, quando a dinastia cassita tomou posse na Babilônia após 1 531 a.C., retomaram a reconstrução de Isim. [8] O estágio final significativo da atividade ocorreu durante a Segunda Dinastia de Isim, no final do 2º milênio, principalmente pelo rei Adade-Baladã. [9]

Cultura e Religião[editar | editar código-fonte]

A divindade padroeira de Isim era Nintinuga (Gula, deusa da cura), e um templo para ela foi construído lá. O rei de Isim, Enlil-Bani, relatou a construção de um templo em homenagem a Gula chamado Enidubi (E-ni-dub-bi), um templo dedicado a Ninlil (Sude) chamado Edingalana (E-dim-gal-an-na) e um templo chamado Eurgira dedicado ao deus Ninurta. [5]

Isbi-Erra continuou muitas das práticas cultuais que floresceram no período da terceira dinastia de Ur. Ele continuou encenando o ritual sagrado do casamento todos os anos. Durante esse ritual, o rei fazia o papel do mortal Dumuzi e fazia sexo com uma sacerdotisa que representava a deusa do amor e da guerra, Inana (também conhecida como Istar) como forma de fortalecer o relacionamento do rei com os deuses, o que traria estabilidade e prosperidade a todo o país. [10]

História da pesquisa arqueológica[editar | editar código-fonte]

O Local foi visitado por Stephen Herbert Langdon para realizar uma sondagem em um dia, enquanto estava escavando em Quis em 1924. [11] A maior parte do trabalho arqueológico em Isim foi realizado em 11 temporadas, entre 1973 e 1989, por uma equipe de arqueólogos alemães liderados por Barthel Hrouda. [12] No entanto, como foi o caso em muitos locais no Iraque, a pesquisa foi interrompida pela Guerra do Golfo (1990-1991) e pela Guerra do Iraque (2003-2011). Desde o final das escavações, há relatos de saques intensos no local. Mesmo quando a equipe alemã começou seu trabalho, o local já estava muito saqueado.

Dinastia de Isim[editar | editar código-fonte]

Consta na Lista Real Sumeriana uma dinastia que governou a partir dessa cidade:

Nome Período de reinado Ações
Isbi-Erra reinou por 33 anos, (fl. 2017–1985) Derrotou de Ibi-Sim de Ur
Su-ilisu reinou por 10 anos, (fl. 1920–1911) filho de Isbi-Erra.
Idindagã reinou por 20 anos, (fl. 1910–1890) filho de Su-ilisu
Ismedagã 20 anos filho de Idindagã.
Lipite-Istar 11 anos, (1934–1924) filho de Ismedagã; Elaborou um código de leis.
Ur-Ninurta 28 anos filho de Iscur; Fim do predomínio de Isim.
Bur-Sim 5 anos
Lipite-Enlil 5 anos
Erra-Imiti 8 anos
Enlil-Bani 24 anos
Zambia 3 anos
Iter-Pisa 4 anos
Urdulcuga 4 anos
Sim-Magir 23 anos

Referências

  1. «The Sumerian king list: composite text». The Electronic Text Corpus of Sumerian Literature (University of Oxford). Consultado em 21 de fevereiro de 2020 
  2. a b Crawford, Vaughn E. (1948). «An Ishbī-Irra Date Formula». Journal of Cuneiform Studies. 2 (1): 13–19. ISSN 0022-0256. doi:10.2307/1359230 
  3. Bauer, Susan Wise (2007). The History of the Ancient World:. From the Earliest Accounts to the Fall of Rome (em inglês). [S.l.]: W. W. Norton & Company, p. 141. ISBN 978-0-393-07089-7 
  4. Janzen, David (2004). The Social Meanings of Sacrifice in the Hebrew Bible:. A Study of Four Writings (em inglês). [S.l.]: Walter de Gruyter, p. 248. ISBN 978-3-11-018158-6 
  5. a b Hallo, William W. (1959). «The Last Years of the Kings of ISIN». Journal of Near Eastern Studies. 18 (1): 54–72. ISSN 0022-2968 
  6. Pozzer, Katia (1998). «O reinado de Rim-Sin» (PDF). Phoinix (4): 271-286. ISSN 2527-225X 
  7. Boivin, Odette (2018). The First Dynasty of the Sealand in Mesopotamia (em inglês). [S.l.]: Walter de Gruyter GmbH & Co KG, p. 93. ISBN 978-1-5015-0782-3 
  8. Brinkman, J. A. Political history of Post-Kassite Babylonia (1158-722 b. C.) (A) (em inglês). [S.l.]: Gregorian Biblical BookShop, p. 315 
  9. Nardo, Don (17 de março de 2009). Ancient Mesopotamia (em inglês). [S.l.]: Greenhaven Publishing LLC, p. 15. ISBN 978-0-7377-4625-9 
  10. Toorn, Karel van der; Becking, Bob; Horst, Pieter Willem van der (1999). Dictionary of Deities and Demons in the Bible (em inglês). [S.l.]: Wm. B. Eerdmans Publishing, p. 832. ISBN 978-0-8028-2491-2 
  11. Dougherty, Raymond P. (1 de outubro de 1926). «An Archæological Survey in Southern Babylonia I». Bulletin of the American Schools of Oriental Research. 23: 15–28. ISSN 0003-097X. doi:10.2307/1354958 
  12. «Excavations in Iraq 1972–73». IRAQ (em inglês). 35 (2): 189–204. 1973. ISSN 0021-0889. doi:10.1017/S0021088900005891