Itacuruba

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Município de Itacuruba
Bandeira indisponível
Brasão de Itacuruba
Bandeira indisponível Brasão
Hino
Aniversário 20 de dezembro
Fundação 1963 (54 anos)
Gentílico itacurubense
Prefeito(a) Bernardo Maniçoba[1] (PMDB)
(2017–2020)
Localização
Localização de Itacuruba
Localização de Itacuruba em Pernambuco
Itacuruba está localizado em: Brasil
Itacuruba
Localização de Itacuruba no Brasil
08° 50' 02" S 38° 42' 14" W08° 50' 02" S 38° 42' 14" W
Unidade federativa  Pernambuco
Mesorregião São Francisco Pernambucano IBGE/2008[2]
Microrregião Itaparica IBGE/2008[2]
Municípios limítrofes Belém de São Francisco (norte e oeste), Estado da Bahia (sul), Floresta (leste)
Distância até a capital 466 km
Características geográficas
Área 430,010 km² [3]
População 4 754 hab. (PE: 183°) –  estatísticas IBGE/2015[4]
Densidade 11,06 hab./km²
Altitude 292 m
Clima Semiárido Bsh
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,595 (PE: 88°) – baixo PNUD/2010[5]
PIB R$ 43 016 mil (PE: 181°) – IBGE/2013[6]
PIB per capita R$ 9 264 79 IBGE/2013[6]
Página oficial

Itacuruba é um município do estado de Pernambuco, no Brasil. Localizado no Sertão do São Francisco, é apelidado carinhosamente de "Jardim Sertanejo". A cidade tem aproximadamente 5 000 habitantes.

História[editar | editar código-fonte]

Até o século XVII, o sertão da região Nordeste do Brasil era ocupado por índios pertencentes ao tronco linguístico macro-jê.[7] A partir desse século, os índios da região atualmente ocupada pelo município de Itacuruba passaram a ser catequizados por padres jesuítas.[8] Quando encerrado o episódio jesuítico da Ilha do Sorubabel, passou aquela missão a ser chefiada pelos capuchinhos franceses, que à época dos acontecimentos, já possuíam outras missões no São Francisco, na zona dos índios Rodelas, desde 1673.

A Ilha do Sorubabel em 1702 se encontrava sob a direção do frei Francisco Dumfront, debaixo da proteção de Nossa Senhora do Ó. Nesta missão é que se encontram as raízes e berço da atual formação religiosa local, uma vez que estava situada na foz do rio Pajeú, por onde subiam os índios catequizados pelo frei.

Lá, foi construída, nos primórdios do século XVIII, a igrejinha da missão, na extremidade meridional da ilha, e orientada para o mesmo lado. A capela, de médias proporções, possuía um muro de pedra ao redor.

Com a construção da capela, coube, àquele missionário, a implantação, ali, do culto a Nossa Senhora do Ó. A igreja passou a contar com uma imagem da santa em madeira, imagem que guarda características francesas da era de transição do século XVII para o século XVIII, segundo a opinião de um técnico em assuntos de arte religiosa.

Em 1709, os capuchinhos franceses foram substituídos pelos barbadinhos italianos. Mesmo sem frei Francisco Domfront, a missão de Sorubabel teve vida florescente no século XVIII, irradiando, pelas redondezas, sobretudo através do rio Pajeú, os ensinamentos da religião cristã.

Em 1792, o Rio São Francisco desce com sua maior cheia de todos os tempos. A Ilha do Sorubabel foi totalmente inundada, sua capela destruída e a imagem da Nossa Senhora do Ó arrastada pelas águas. Nas proximidades de Petrolândia, na fazenda Várzea Redonda, a imagem foi colhida por pescadores. Identificada, recolheram-na à igreja da Freguesia de Tacaratu, onde permaneceu durante 97 anos.

Só regressou às margens do rio quando construíram sua capela na atual Itacuruba, da paróquia de Floresta, cuja pedra fundamental foi lançada em 1889 pelo padre Miguel Arcanjo e por Manoel Quirino Leite, considerado o fundador da cidade e que, desde o ano de 1870, vivia a espreitar e incentivar o povo, trabalhando para fundar aquele aglomerado e escolhendo o local favorável. Com visão de desenvolvimento, conseguiu que habitantes da região, notadamente da Bahia, convergissem para aquele local.

A Capela de Nossa Senhora do Ó foi construída com a frente para o Rio São Francisco, onde aquela veneranda imagem possuía colossal "patrimônio imobiliário em ilhas" arrendadas aos agricultores. Manoel Quirino Leite veio a falecer em 1919, aos setenta anos de idade.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Itacuruba" provém do tupi antigo itakuruba, que significa "grão de pedra, seixo", através da composição de itá (pedra) e kuruba (grão).[9]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Localiza-se a uma latitude 08º43'38" sul e a uma longitude 38º41'00" oeste, estando a uma altitude de 292 metros.

Limites[editar | editar código-fonte]

Noroeste: Belém do São Francisco Norte: Carnaubeira da Penha e Belém do São Francisco Nordeste: Floresta
Oeste: Carnaubeira da Penha Rosa de los vientos.svg Leste: Ibimirim
Sudoeste: Belém do São Francisco Sul: Estado da Bahia Sudeste: Floresta

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

O município está inserido na bacia do Rio São Francisco.[10]

Clima[editar | editar código-fonte]

Gráfico climático para Itacuruba
J F M A M J J A S O N D
 
 
67
 
33
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22
 
 
58
 
34
22
Temperaturas em °CPrecipitações em mm

O clima do município é o clima semiárido, do tipo Bsh. Os verões são quentes e úmidos. É neste período em que praticamente quase toda chuva do ano cai. Os invernos são mornos e secos, com a diminuição de chuvas; as mínimas podem chegar a 15 °C. As primaveras são muito quentes e secas, com temperaturas muito altas, que, em que algumas ocasiões, podem chegar a mais de 40 °C.

Relevo[editar | editar código-fonte]

O município localiza-se na unidade ambiental da depressão sertaneja, com relevo de suave a ondulado.[10]

Vegetação[editar | editar código-fonte]

A vegetação do município é composta por caatinga hiperxerófila.[10]

Solo[editar | editar código-fonte]

Em relação aos solos, nos Patamares Compridos e Baixas Vertentes do relevo suave ondulado, ocorrem os Planossolos, mal drenados, com fertilidade natural média e problemas de sais. Nos Topos e Altas Vertentes, os solos são Brunos não Cálcicos, rasos e fertilidade natural alta. Nos Topos e Altas Vertentes do relevo ondulado, ocorrem os solos Podzólicos, drenados e com fertilidade natural média e as Elevações Residuais com solos Litólicos, rasos, pedregosos e fertilidade natural média.[10]

Geologia[editar | editar código-fonte]

O município de Itacuruba é constituída pelos litotipos dos complexos Gnáissico-migmatítico Sobradinho-Remanso e Riacho Seco, dos gnaisses Arapuá, Bangê e Bogó, do Complexo Saúde, dos Granitóidessin e pós-tectônicos.[10]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Segundo o censo 2013 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Itacuruba possui uma população de 4 643 habitantes, distribuídos numa área de 430,033 quilômetros quadrados (sendo o segundo menor município em população do Estado, atrás apenas de Ingazeira), tendo, assim, uma densidade demográfica de 10,16 habitantes por quilômetro quadrado.[11]

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

Distritos[editar | editar código-fonte]

Bairros[editar | editar código-fonte]

  • Centro
  • Pantanal

Economia[editar | editar código-fonte]

Segundo dados sobre o produto interno bruto dos municípios, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística referentes ao ano de 2011, a soma das riquezas produzidas no município é de 33 725 milhões de reais (181° maior do estado). Sendo o setor de serviços o mais mais representativo na economia itacurubense, somando 25 671 milhões. Já os setores industrial e da agricultura representam 3 873 milhões e 2 838 milhões, respectivamente. O PIB per capita do município é de 7 624,86 mil reais (35° maior do estado).

Usina Nuclear de Itacuruba[editar | editar código-fonte]

Em janeiro de 2011, a Eletronuclear escolheu a cidade de Itacuruba, dentro do chamado Sítio Belém de São Francisco, como a melhor opção para a instalação das primeiras usinas nucleares da Região Nordeste do Brasil. O Programa de Expansão da Energia Nuclear brasileira pré-selecionou dez sítios ao longo do Rio São Francisco, entre os estados brasileiros da Bahia, Pernambuco,Sergipe e Alagoas. Após uma avaliação mais criteriosa, os sítios localizados entre Alagoas e Sergipe foram preteridos.

Itacuruba foi escolhida pelas seguintes características:

A usina nuclear terá uma capacidade de 6 600 megawatts e vida útil de pelo menos 60 anos. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, tentou, junto à Eletronuclear, dividir o empreendimento com o estado vizinho da Bahia, instalando metade da capacidade produtiva na margem oposta do Rio São Francisco, em terras baianas, porém a direção da Eletronuclear descartou a ideia, alegando que tal medida não seria revertida em redução dos custos de instalação do investimento. Apesar dos dados técnicos, a escolha, segundo a Eletronuclear, seria política e caberia à presidente Dilma Rousseff.[12][13]

Estrutura[editar | editar código-fonte]

Educação[editar | editar código-fonte]

A cidade conta com uma unidade de escola estadual com ensino integral e duas escolas municipais de nível fundamental. São elas:

  • Escola de Referência em Ensino Médio Profª Mª de Menezes Guimarães
  • Escola Municipal Cícero Freire da Silva
  • Escola Municipal José Cícero Freire

Saúde[editar | editar código-fonte]

A cidade conta com 3 estabelecimentos de saúde, sendo, todos eles, públicos.[14]

Transportes[editar | editar código-fonte]

O município é cortado pela rodovia BR-316. Está a 148 quilômetros do Aeroporto de Paulo Afonso, no Estado da Bahia.

Comunicação[editar | editar código-fonte]

O município recebe o sinal de tevê dos municípios de Caruaru, Petrolina e Recife.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Apresenta, além de manifestações próprias do período carnavalesco e de São João, o reisado, o pastoril, a ciranda, a dança de São Gonçalo e o toré (de origem indígena).

Turismo[editar | editar código-fonte]

Praias fluviais e a Ilha do Coité[editar | editar código-fonte]

Localizado às margens do Rio São Francisco, possui vários paraísos naturais, como a Prainha do Coité, famoso ponto de lazer do munícipes e visitantes nos finais de semana.

As Serras[editar | editar código-fonte]

Vistas de mirantes, as serras ressaltam, ainda mais, a paisagem. A cidade tem, como paisagem, uma vegetação de caatinga, destacando-se o pereiro e o xiquexique.

Praça da Matriz[editar | editar código-fonte]

O grande cartão-postal de Itacuruba é a praça da Igreja Matriz, que encanta turistas de todo o mundo. Além disso, a praça convida o visitante a apreciar belíssimas esculturas de barro moldadas pelos artesãos do município Gênese da Silva Pessoa e Antônio Vitorino do Nascimento.

Igreja Nossa Senhora do Ó[editar | editar código-fonte]

A igreja católica, construída em 1988, tem arquitetura moderna em formato de cruz. No altar-mor, possui uma imagem de Nossa Senhora do Ó com apliques folheados a ouro, esculpida em madeira na Holanda.

Serrinha[editar | editar código-fonte]

Com cerca de 400 metros de altura, para chegar ao topo, percorre-se uma trilha na caatinga de mais ou menos 1 quilômetro. O grande atrativo é um afloramento de quartzo rochoso de coloração variada, localizado na parte alta. Do alto da serra, vê-se uma bonita paisagem, avistando-se o reservatório da Barragem de Itaparica.

Artesanato[editar | editar código-fonte]

Destacam-se os bordados, peças em cerâmica e em madeira, trabalhos de crochê e tecelagem (tapetes, colchas, redes e mantas). A Feira Livre, realizada no pátio do mercado público, dispõe de artigos e produtos diversificados, inclusive artesanato e literatura de cordel.

Observatório astronômico[editar | editar código-fonte]

O município possui um dos telescópios mais modernos do país.[15]

Esporte[editar | editar código-fonte]

A cidade de Itacuruba possuiu um clube no Campeonato Pernambucano de Futebol, o Itacuruba Sport Club, que jogava no Estádio Antônio Galdêncio Freire.[16]

Referências

  1. Eleições 2016. Disponível em https://www.eleicoes2016.com.br/candidatos-prefeito-itacuruba-pe/. Acesso em 16 de fevereiro de 2017.
  2. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008 
  3. IBGE (10 de outubro de 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010 
  4. «Estimativa da população 2015 » População estimada » Comparação entre os municípios: Pernambuco». Estimativa Populacional - 2015. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Agosto de 2015. Consultado em 11 de dezembro de 2015 
  5. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 1 de outubro de 2013 
  6. a b «Pernambuco » Itacuruba » Produto Interno Bruto dos municípios - 2013». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 dez. de 2015 
  7. História dos povos indígenas do sertão nordestino. Disponível em https://www.ufpe.br/clioarq/images/documentos/2002-N15/2002a11.pdf. Acesso em 16 de fevereiro de 2017.
  8. Câmara dos deputados. Disponível em http://www.camara.leg.br/internet/sitaqweb/TextoHTML.asp?etapa=3&nuSessao=014.2.55.O&nuQuarto=121&nuOrador=1&nuInsercao=10&dtHorarioQuarto=18:04&sgFaseSessao=OD%20%20%20%20%20%20%20%20&Data=24/02/2016&txApelido=KAIO%20MANI%C3%87OBA&txEtapa=Com%20reda%C3%A7%C3%A3o%20final. Acesso em 16 de fevereiro de 2017.
  9. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 571.
  10. a b c d e f http://www.cprm.gov.br/rehi/atlas/pernambuco/relatorios/ITAC078.pdf
  11. http://www.cidades.ibge.gov.br/xtras/perfil.php?lang=&codmun=260740&search=pernambuco%7Citacuruba
  12. http://blogs.diariodepernambuco.com.br/meioambiente/2012/06/milhares-de-pessoas-protestam-em-itacuruba-contra-a-instalacao-de-uma-usina-nuclear/
  13. http://portaljatoba.com.br/site/geral/item/202-itacuruba-pe-usina-nuclear-que-pode-ser-construida-na-cidade-come%C3%A7a-a-gerar-protestos-depois-do-acontecido-no-jap%C3%A3o
  14. http://www.uniregistro.com.br/cidades-do-brasil/pernambuco/itacuruba/
  15. http://www.on.br/impacton/
  16. http://www.rsssfbrasil.com/tablesfq/pe2003.htm

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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