Ivo Borges

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Ivo Borges
Ivo Borges em setembro de 1932.
Dados pessoais
Nome completo Ivo Borges Leal
Nascimento 11 de outubro de 1890
Santa Maria, RS, Brasil
Morte 19 de maio de 1980 (89 anos)
Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Nacionalidade Brasileira
Cônjuge Celeste Viegas Borges
Profissão Militar
Serviço militar
Serviço/ramo Força Aérea Brasileira
Anos de serviço 19081956
Graduação Marechal.gif Marechal-do-ar

Ivo Borges Leal (Santa Maria, 11 de outubro de 1890Rio de Janeiro, 19 de maio de 1980) foi um Marechal-do-ar e pioneiro da Força Aérea Brasileira.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Ivo Borges Leal nasceu em Santa Maria, Rio Grande do Sul, em 11 de outubro de 1890. Iniciou sua carreira em 1908 quando se matriculou no Escola Militar de Porto Alegre. Em 1921, iniciou curso na primeira turma de observadores da então nascente Escola de Aviadores do Exército brasileiro. Em 1928, assumiu como comandante o Grupo de Esquadrilhas sediado em Santa Maria.[1][2][3]

Foi um dos lideres e participou ativamente nas articulações do levante armado ocorrido entre julho e outubro de 1932 em São Paulo, que viria a ser denominada Revolução Constitucionalista. O movimento revoltoso foi precedido pela oposição entre as correntes políticas tradicionais entre vários estados brasileiros e também entre facções de tenentes que vislumbravam projeção política no então governo provisório presidido por Getúlio Vargas. Em julho daquele ano, com a eclosão daquele movimento armado, Ivo Borges viajou para São Paulo para assumir o comando das unidades aéreas da aviação do então Exército Constitucionalista que fazia frente ao Exército Federal de Getúlio Vargas.[4][1][5][2][6][3]

Sob o seu comando, a aviação dos revoltosos, embora substancialmente inferior à aviação do Exército Federal e carente de recursos militares elementares, conseguiu obter relativos êxitos naquela campanha, como, por exemplo, tendo abatido aviões adversários no ar e em terra, além de frustrado por diversas ocasiões missões de ataque dos inimigos.[5][2][6][7][3][8]

Durante o armistício daquele conflito, junto com o tenente-coronel, Osvaldo Vilabela, e o Comandante Supremo do Exército Constitucionalista, o General Bertoldo Klinger, participou das negociações para a rendição oficial e o fim definitivo dos combates entre as tropas. Porém, a assinatura do acordo de rendição oficial ocorreu entre a Força Pública Paulista, representada pelo Comandante Herculano de Carvalho e Silva e o Coronel Pedro Aurélio de Góis Monteiro, e ocorreu na cidade de Cruzeiro, em 2 de outubro de 1932. Findo conflito, Ivo Borges foi então para o exílio em Portugal, junto com outros lideres do Movimento Constitucionalista. Com a anistia geral de 1934, retornou ao país e reassumiu o seu posto no Exército Brasileiro.[1][5][2][3]

Em 1935, é promovido a tenente-coronel e é designado ao comando da Escola de Aviação do Exército. Junto com o então tenente-coronel, Eduardo Gomes, Lysias Augusto Rodrigues, Armando Araribia, Aurélio de Lyra Tavares, Antonio Alves Cabral, entre outros, atuou no movimento para a criação da força aérea do país e do Ministério de Estado respectivo. Esse objetivo veio a se concretizar por meio do decreto-lei 2.961 de 20 de janeiro de 1941, assinado por Getúlio Vargas, criando o Ministério da Aeronáutica e as respectivas Forças Aéreas Nacionais, que mais tarde assumiria a denominação Força Aérea Brasileira (FAB).[9][10][1][11]

Em novembro de 1935, atuou na repressão contra revoltosos em uma tentativa de golpe de estado, orquestrada por movimentos de orientação política comunista, posteriormente denominada “Intentona Comunista”. Assim, conteve a onda subversiva entre o corpo de alunos daquela Escola de Aviação, inclusive entre confronto armado. Com a derrota dos revoltosos, decretou a prisão de seus lideres e representantes atuantes naquele órgão militar.[12]

Em 1938, o tenente-coronel aviador foi nomeado ao comando do 3º Regimento de Aviação em Canoas. Contudo, com a criação do Ministério da Aeronáutica, o Borges assume funções como adido aeronáutico nas embaixadas do Brasil da Argentina e do Uruguai.[13]

Durante a Segunda Guerra Mundial, já com a patente de coronel, assumiu no Pará o comando da 1ª Zona Aérea. Em 1945, é promovido a Brigadeiro-do-ar e vindo a assumir o comando da 3ª Zona Aérea, no Rio de Janeiro. Em 1947, também é designado presidente do recém inaugurado Clube de Aeronáutica.[1]

No ano de 1950, chefiou o Departamento de Estudos da Escola Superior de Guerra e posteriormente assumiu a 2ª Zona Aérea, em Recife. Anos depois, assume a 4ª Zona Aérea, respectiva a São Paulo.[13]

Em novembro de 1955, participou de um grupo militar que colaborou na tentativa de impedir a posse do Presidente da Republica, Juscelino Kubitschek, na ocasião recém eleito. Contra essa conspiração, surgiu então o Movimento de 11 de Novembro, um grupo de militares liderados pelo general Henrique Teixeira Lott, então Ministro da Guerra em exercício, que buscava conter aquela facção de militares que se manifestava contrária a posse do presidente eleito e ameaçava um golpe militar. Ivo Borges, integrante dessa facção, chegou a contrariar as instruções do General Lott, assim como as ordens do comandante da 2ª Região Militar, general Olímpio Falconière da Cunha. Contudo, esses militares insatisfeitos foram contidos pelo Ministro da Guerra e bem como malograda a conspiração contra o novo governo. Já no início do governo Kubitschek, Ivo Borges foi para a reserva, com a patente de Marechal-do-ar.[14][1]

Faleceu aos 89 anos, no Rio de Janeiro.[13]

Homenagens[editar | editar código-fonte]

Pelo país há inúmeros logradouros nomeados em memória do Marechal-do-ar e pioneiro da FAB, entre eles, a Rua Ivo Borges, situada no Recreio dos Bandeirantes no Rio de Janeiro. No Clube da Aeronáutica, na capital fluminense, há um salão de eventos nomeado em memória do aviador.[15][16]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Referências

  1. a b c d e f De Abreu, Alzira Alves (2015). Dicionário histórico-biográfico da Primeira República (1889-1930). Rio de Janeiro: CPDOC Fundação Getúlio Vargas 
  2. a b c d Nogueira Filho, Paulo (1982). A Guerra Cívica 1932. São Paulo: José Olympio. 254 páginas 
  3. a b c d Daróz, Carlos Roberto Carvalho (2013). Um céu cinzento: a história da aviação na Revolução de 1932. Recife: Editora Universitária UFPE. 324 páginas 
  4. «Banco de Dados Folha - Acervo de Jornais». almanaque.folha.uol.com.br. Consultado em 25 de julho de 2017 
  5. a b c Donato, Hernâni (2002). História da Revolução Constitucionalista de 1932: comenorando os 70 anos do evento. São Paulo: Ibrasa. 161 páginas 
  6. a b «O emprego do avião na Revolução Constitucionalista de 1932». www.reservaer.com.br. Consultado em 25 de julho de 2017 
  7. «Aviação na Revolução Constitucionalista de 1932». reservaer.com.br. 2012. Consultado em 25 de julho de 2017 
  8. «DefesaNet - Ecos - Guerras, Conflitos, Ações - Rebeldes de 1932 pediram aviões aos EUA». DefesaNet 
  9. Lopes Filho, Hermelindo (2012). «Nas Asas da História daForça Aérea Brasileira"» (PDF). faap.br. Consultado em 25 de julho de 2017 
  10. Vazquez, Vicente. «O 1º Grupo de Aviação de Caça da FAB na Campanha da Itália (1944-1945)». www.jambock.com.br. Consultado em 25 de julho de 2017 
  11. Teixeira, Anderson M. (2015). Força Aérea Brasileira: os Reflexos do Alinhamento Com os Estados Unidos Entre 1941 e 1948. São Paulo: Jurua. 178 páginas 
  12. Távora, Dion de Assis. «A Intentona Comunista de 1935: Levante na Aviação Militar.». reservaer.com.br. Consultado em 25 de julho de 2017 
  13. a b c Brasil, CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação História Contemporânea do. «IVO BORGES LEAL | CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil». CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Consultado em 25 de julho de 2017 
  14. «Escola Superior de Guerra - ESG - Auditorias». www.esg.br (em espanhol). Consultado em 25 de julho de 2017 
  15. «Rua Ivo Borges, Recreio dos Bandeirantes - Rio de Janeiro RJ - CEP 22790-440». www.consultarcep.com.br. Consultado em 25 de julho de 2017 
  16. Góes, Glaucio Mendes de. «Clube de Aeronáutica - RJ - Sede Social - Sede Barra da Tijuca - Sede Lacustre - (21) 2210-3212 - Aluguel de Salões». www.caer.org.br. Consultado em 25 de julho de 2017 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]