Júlia, a Jovem

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Disambig grey.svg Nota: Julila redireciona para este artigo. Para a filha de Druso, veja Júlia (filha de Druso, o Jovem). Para outras pessoas de mesmo nome, veja Júlia César.
Júlia
Cônjuge Lúcio Emílio Paulo
Descendência Júlia PaulaEmília Lépida
Marco Emílio Lépido (possivelmente)
Casa Dinastia júlio-claudiana
Nascimento 19 a.C.
Morte 29 (47 anos)
  Ilhas Tremiti, Apúlia, Itália
Pai Marcos Vipsânio Agripa
Mãe Júlia, a Velha

Júlia, a Jovem (em latim: Julia Caesaris Minor[1]; 19 a.C. - c. 29 (47 anos)), também chamada de Julila ("pequena Júlia") e Vipsânia Júlia Agripina, foi uma nobre romana da Dinastia júlio-claudiana. Ela era filha de Marco Vipsânio Agripa com Júlia, a Velha, a filha do imperador Augusto. Juntamente com sua irmã, Agripina, a Velha, Júlia foi criada e educada pelo avô materno e sua esposa, Lívia Drusa.

Júlia era também cunhada, enteada e nora de Tibério, tia materna de Calígula e da imperatriz Agripina, a Jovem, prima de segundo grau de Cláudio e tia-avó materna de Nero.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Por volta de 5 ou 6 a.C., Augusto arrumou-lhe um casamento com Lúcio Emílio Paulo[2], que era seu parente, ambos netos de Escribônia: a mãe de Júlia era filha dela com Augusto; a de Paulo, Cornélia Cipião, filha dela de um casamento anterior com Públio Cornélio Cipião Salvito.

O casal teve duas filhas, Emília Lépida e Júlia Paula, e possivelmente, um filho, Marco Emílio Lépido (embora este possa também ter sido filho de Marco Emílio Lépido). De acordo com Suetônio, Júlia construiu uma grande e pretensiosa casa de campo, o que desagradou Augusto, que mandou que ela fosse demolida[3].

Em 8, de acordo com os historiadores antigos, Júlia foi exilada por ter cometido o adultério com Décimo Júnio Silano, um senador romano. Ela foi enviada para as Ilhas Tremiti, uma pequena ilha italiana, onde deu à luz um filho. Augusto rejeitou a criança e ordenou que ela fosse exposta[4] (deixada para morrer). Silano se exilou voluntariamente, mas voltou depois durante o reinado de Tibério[5].

Em algum momento entre 1 e 14, Paulo foi executado como conspirador numa revolta[6]. Os historiadores modernos especulam que o exílio de Júlia não teria sido por conta de um adultério e sim pelo seu envolvimento nesta revolta[7]. Lívia, defendendo seus filhos (Tibério e Druso), seria a responsável por destruir a família de Júlia, a Velha, a filha de Augusto com sua esposa anterior, Escribônia, segundo alguns escritores. Em 29, Júlia morreu ainda presa na ilha para onde havia sido enviada vinte anos antes[8]. Por conta da acusação de adultério, Augusto declarou em seu testamento que Júlia jamais deveria ser enterrada em Roma[9]. Ela deixou suas filhas, possivelmente um filho e nove netos.

Variantes pouco habituais de seu nome[editar | editar código-fonte]

Júlia, a Jovem, não nasceu Júlia César: sendo filha de Marcos Vipsânio Agripa, ela seria uma "Vipsânia Agripina", embora não existam fontes antigas que demonstrem que ela tenha alguma vez sido chamada assim. Ela passou a pertencer à Dinastia júlio-claudiana depois de ter sido criada pelo avô materno Augusto[10]. Além disso, Augusto adotou Tibério como seu filho (e herdeiro) e ele se casou com Júlia, a Velha, filha biológica de Augusto. Ele se tornou assim uma espécie de avô paterno dos filhos de Júlia, a Velha, também, incluindo Júlia, a Jovem. Uma adoção formal "na família dos Júlio Césares" entre os filhos de Agripa e Júlia, a Velha, é, contudo, relatada apenas no caso dos irmãos de Vipsânia Júlia, Caio — daí Caio César — e Lúcio — daí Lúcio César[11]. Sua irmã mais nova, Agripina, a Velha, e seu irmão mais novo, Agripa Póstumo, foram batizados em homenagem ao pai biológico. Da mesma forma, as meio-irmãs mais velhas dela, Vipsânia Agripina e Vipsânia Marcela. Seu meio-irmão mais novo, que não foi nomeado nas fontes antigas, foi posteriormente chamado de Tiberilo, homenageando o pai, Tibério, e morreu jovem.

Árvore genealógica[editar | editar código-fonte]


Referências

  1. E. Groag, A. Stein, L. Petersen - e.a. (edd.), Prosopographia Imperii Romani saeculi I, II et III (PIR), Berlin, 1933 - I 635
  2. Suetônio. «LXIV». Vidas dos Doze Césares (em inglês). II. Augustus. [S.l.: s.n.] 
  3. Suetônio. «LXXII». Vidas dos Doze Césares (em inglês). II. Augustus. [S.l.: s.n.] 
  4. Suetônio. «LXV». Vidas dos Doze Césares (em inglês). II. Augustus. [S.l.: s.n.] 
  5. Tácito, Anais III, 24
  6. Suetônio. «XIX». Vidas dos Doze Césares (em inglês). II. Augustus. [S.l.: s.n.] 
  7. Norwood, Frances, "The Riddle of Ovid's Relegatio" Classical Philology (1963) p. 154
  8. Tácito, Anais IV, 71
  9. Suetônio. «CI». Vidas dos Doze Césares (em inglês). II. Augustus. [S.l.: s.n.] 
  10. Suetônio. «LXIV». Vidas dos Doze Césares (em inglês). II. Augustus. [S.l.: s.n.]  – note que Augusto era membro da gens Júlio César através de uma adoção póstuma pelo tio materno de sua mãe (Ácia), Júlio César; Augusto era um Otávio de nascimento (daí seu nome "Otaviano" depois que a adoção se deu)
  11. Tácito, Anais I, 3
  12. Michael Harlan, Roman Republican Moneyers and their Coins 63 BC - 49 BC, Londra, Seaby, 1995, pag. 3.
  13. Ronald Syme, L'aristocrazia augustea, Rizzoli Libri, Milano, 1993, ISBN 978-8817116077, tavola IV.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]