Júlia Lopes de Almeida

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Júlia Lopes de Almeida
Nascimento 24 de setembro de 1862
Rio de Janeiro, RJ
Morte 30 de maio de 1934 (71 anos)
Rio de Janeiro
Nacionalidade  brasileira
Ocupação Escritora e abolicionista

Júlia Valentim da Silveira Lopes de Almeida (Rio de Janeiro, 24 de setembro de 1862 — Rio de Janeiro, 30 de maio de 1934) foi uma escritora e abolicionista brasileira.[1][2]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filha do médico Valentim José da Silveira Lopes, mais tarde Visconde de São Valentim, e de Adelina Pereira Lopes, foi casada com o poeta português Filinto de Almeida, e mãe dos também escritores Afonso Lopes de Almeida, Albano Lopes de Almeida e Margarida Lopes de Almeida.

Viveu parte da infância em Campinas. Em 1881 publicou seus primeiros textos na Gazeta de Campinas, apesar de na época a literatura não ser vista como uma atividade própria para mulheres. Numa entrevista concedida a João do Rio entre 1904 e 1905, confessou que adorava escrever versos, mas o fazia às escondidas[3].

Em 28 de novembro de 1887 casou-se com Filinto de Almeida, à época diretor da revista A Semana Ilustrada, editada no Rio de Janeiro. Passou a ser colaboradora sistemática da publicação. Também escreveu para a revista Brasil-Portugal[4] (1899-1914).

Pioneira da literatura infantil no Brasil, seu primeiro livro, Contos Infantis (1886), foi uma reunião de 33 textos em verso e 27 em prosa destinados às crianças, escrito em parceria com sua irmã, Adelina Lopes Vieira. Um ano depois, publicou Traços e Iluminuras, o primeiro dos seus 10 romances[5]

Escreveu também para teatro, com dois volumes publicados e cerca de 10 textos inéditos[6].

Foi presidenta honorária da Legião da Mulher Brasileira, sociedade criada em 1919. Sua coletânea de contos Ânsia Eterna, 1903, sofreu influência de Guy de Maupassant e uma das suas crônicas veio a inspirar Artur Azevedo ao escrever a peça O dote. Em colaboração com o marido, escreveu, em folhetim do Jornal do Commercio, seu último romance, A Casa Verde, em 1932. Morreu dois anos depois, no Rio de Janeiro.

Fundação da ABL[editar | editar código-fonte]

Júlia Lopes de Almeida integrava o grupo de escritores e intelectuais que planejou a criação da Academia Brasileira de Letras. Seu nome constava da primeira lista dos 40 "imortais" que fundariam a entidade, elaborada por Lúcio de Mendonça[7].

Na primeira reunião da ABL, porém, seu nome foi excluído. Os fundadores optaram por manter a Academia exclusivamente masculina, da mesma forma que a Academia Francesa, que lhes servia de modelo. No lugar de Júlia Lopes entrou justamente o seu marido, Filinto de Almeida, que chegou a ser chamado de "acadêmico consorte"[8].

O veto à participação de mulheres só terminou em 1977, com a eleição de Rachel de Queiroz para a cadeira nº 5.

Obras publicadas[editar | editar código-fonte]

Romances[editar | editar código-fonte]

  • A Família Medeiros
  • Memórias de Marta
  • A Viúva Simões
  • A Falência
  • Cruel Amor
  • A Intrusa
  • A Silveirinha
  • A Casa Verde (com Felinto de Almeida)
  • Pássaro Tonto
  • O Funil do Diabo

Novelas e contos[editar | editar código-fonte]

  • Traços e Iluminuras
  • Ânsia Eterna
  • Era uma vez…
  • A Isca (quatro novelas)
  • A caolha

Teatro[editar | editar código-fonte]

  • 1909 - A Herança (peça em um ato)
  • 1917 - Teatro

Diversos[editar | editar código-fonte]

  • Livro das Noivas
  • Livro das Donas e Donzelas
  • Correio da Roça
  • Jardim Florido
  • Jornadas no Meu País
  • Eles e Elas
  • Oração a Santa Dorotéia
  • Maternidade (obra pacifista)
  • Brasil (conferência)

Escolares[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. GUIMARÃES, Alex dos Santos. Júlia Lopes de Almeida e o Cânone Literário: Memória e Exclusão. Anais Eletrônicos - VI Encontro Estadual de História - ANPUHBA, 2013
  2. Júlia Lopes de Almeida, a primeira escritora profissional do Brasil. MultiRio, 26 de agosto de 2014
  3. MENDONÇA, Cátia Toledo. Júlia Lopes de Almeida: A Busca da Liberação Feminina pela Palavra. Revista Letras, Curitiba, n. 60, p. 275-296, jul./dez. 2003. Editora UFPR
  4. Rita Correia (29 de Abril de 2009). «Ficha histórica: Brasil-Portugal : revista quinzenal illustrada (1899-1914).» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 26 de Junho de 2014. 
  5. SILVA, Marcelo Medeiros da. Júlia Lopes de Almeida e Carolina Nabuco: uma escrita bem-comportada? tESE DE dOUTORADO. ufpb, 2011
  6. FANINI, Michele Asnar. Júlia Lopes de Almeida teatróloga: apontamentos sobre a peça inédita "O Caminho do Bem". Rev. Estud. Fem. vol.21 no.3 Florianópolis set./dez. 2013
  7. FANINI, Michele Asnar. Júlia Lopes de Almeida: entre o salão literário e a antessala da Academia Brasileira de Letras. Revista Estudos de Sociologia v. 14, n. 27 (2009)
  8. FANINI, Michele Asnar. Júlia Lopes de Almeida em "retrato e prosa": a propósito dos diálogos entre as imagens da escritora e sua produção literária. Cad. Pagu no.41 Campinas July/Dec. 2013
Wikisource
O Wikisource contém fontes primárias relacionadas com Júlia Lopes de Almeida
Wikisource
O Wikisource contém fontes primárias relacionadas com A Falência