Júlio Lancellotti

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Júlio Renato Lancellotti
Monsenhor da Igreja Católica
Pároco de São Miguel Arcanjo da Mooca
Vigário Episcopal para o Povo da Rua
Monsenhor Júlio Lancellotti em 2014.
Hierarquia
Papa Francisco
Arcebispo metropolita Odilo Cardeal Scherer
Atividade Eclesiástica
Diocese Arquidiocese de São Paulo
Ordenação e nomeação
Ordenação presbiteral 20 de abril de 1985
São Paulo
Dados pessoais
Nascimento São Paulo, SP São Paulo
27 de dezembro de 1948 (69 anos)
Categoria:Igreja Católica
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo

Monsenhor Júlio Renato Lancellotti (São Paulo, 27 de dezembro de 1948) é um sacerdote católico brasileiro, monsenhor e pároco da Igreja São Miguel Arcanjo no bairro da Mooca, na cidade de São Paulo. Além da paróquia, o monsenhor também é responsável pelas missas realizadas na capela da Universidade São Judas Tadeu, situada no mesmo bairro.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Ordenado sacerdote em 20 de abril de 1985[1], é responsável Vigário Episcopal para o Povo da Rua Arquidiocese de São Paulo que ajuda moradores de rua. É Doutor Honoris Causa pela PUC-SP e recebeu no Rio de Janeiro o Prêmio Alceu Amoroso Lima das mãos do reitor da Universidade Candido Mendes.

Sempre dedicou sua vida ao trabalho social. É formado em pedagogia e teologia. Foi professor primário e universitário e trabalhou no Serviço Social de Menores, que se transformou na Secretaria Municipal de Assistência Social. Participou com Dom Luciano Mendes de toda a fundamentação da Pastoral do Menor da Arquidiocese de São Paulo. Participou dos grupos de fundação da Pastoral da Criança e colaborou na formulação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Atua junto a menores infratores, detentos em liberdade assistida, pacientes com HIV/Aids e populações de baixa renda e em situação de rua. Acredita na pessoa humana acima de tudo, "como imagem e semelhança de Deus" e considera que todos os cidadãos que devem ter seus direitos respeitados.

Em 26 de julho de 1991, fundou a "Casa Vida I" e, posteriormente, a "Casa Vida II", para acolher crianças portadoras do vírus HIV. Como vigário episcopal do Povo da Rua da Arquidiocese de São Paulo, está à frente de vários projetos municipais de atendimento à população carente, como é o programa "A Gente na Rua", formado por agentes comunitários de saúde, ex-moradores de rua.

Prêmios[editar | editar código-fonte]

A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil deu-lhe o Prêmio Franz de Castro Holzwarth em 2000 por seu trabalho contra a violação sistemática dos direitos das crianças e dos adolescentes.[2]

Em 2003, a Casa Vida recebeu o Prêmio OPAS, da Organização Pan-Americana da Saúde.

Em 2004, o Movimento Nacional de Direitos Humanos concedeu-lhe o Prêmio Nacional de Direitos Humanos.[3]

Também em 2004, a Pastoral do Povo de Rua da Arquidiocese de São Paulo ganhou o Prêmio Nacional de Direitos Humanos, na categoria livre.[4]

Em 2005, Pe. Júlio recebeu menção honrosa do Prêmio Alceu Amoroso Lima Direitos Humanos.[5]

Em 2007, o Pe. Júlio recebeu o Prêmio dos Direitos Humanos promovido pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, na categoria “Enfrentamento à Pobreza”.[6]

Pe. Júlio é ainda Doutor Honoris Causa pela Universidade São Judas Tadeu (2004)[7] e pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Escândalo[editar | editar código-fonte]

No dia 16 de outubro de 2007, a imprensa noticiou inquérito aberto pela polícia civil de São Paulo, para apurar a denúncia de extorsão feita pelo padre Júlio Lancelotti contra o ex-interno da FEBEM (atual Fundação CASA) Anderson Marcos Batista, naquela época com 26 anos de idade. Segundo relatado pelo religioso, Anderson havia passado três anos extorquindo constantemente Padre Júlio, ameaçando-o de fazer uma denúncia de pedofilia à imprensa caso não fosse atendido em seus pedidos de dinheiro.[8]

Em entrevista concedida à Agência Folha, Lancelotti afirmou que demorou três anos para denunciar o esquema devido a uma tentativa sua de resolver sozinho a situação. Durante esse período, Lancelotti teria dito que havia despendido R$ 50 mil em pagamentos de extorsão, sendo inclusive fiador e pagador na transação da compra de um automóvel de luxo Mitsubishi Pajero, em nome de Anderson.[9]

O advogado do acusado, Nelson Bernardo Costa, disse em entrevista que seu cliente nega a denúncia do padre. Segundo ele, Anderson se diz perseguido e que o motivo de Júlio seria vingança. Segundo o mesmo advogado, Anderson teria dito que sempre teve amizade com o religioso, ressaltando ser até íntima, e que os recursos sempre foram dados como ajuda. O advogado acha que a motivação das acusações do padre seria as informações que seu cliente deteria e que, quando relatadas, chocariam a sociedade.[10] Após sua prisão, Anderson, em depoimento, relatou manter relações homossexuais de longa data com padre Júlio.

Júlio Lancelotti revelou que o montante de R$ 50 mil relatado na primeira acusação seria na verdade de 80 mil. Seu advogado,Luiz Eduardo Greenhalgh, confessa, entretanto, que os valores podem chegar a R$ 150 mil, mas enfatiza que seu cliente é a vítima no caso.[11] O advogado do acusado sustenta que esses valores podem chegar a R$ 600 mil. Devido a declaração de Lancelotti de que recebia apenas R$ 1 mil de salário da fundação em que atua, levantaram-se desconfianças de que dinheiro público da ONG Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto poderia ter sido usado nos pagamentos. A polícia decidiu investigar os contratos e contabilidade da associação, além da quebra do sigilo bancário dos envolvidos.[12]

Em 23 de outubro, nova denúncia surge, mas dessa vez contra o padre: uma testemunha, enfermeira e ex-funcionária da ONG de Júlio, cujo nome se encontra sob sigilo de justiça, teria presenciado uma cena de suposto abuso do padre contra um ex-interno da Febem.[13] Novo inquérito foi aberto pela polícia para a investigação.

No dia 23 de maio de 2011, os dois envolvidos na extorsão, Anderson Marcos Batista e Conceição Eletério, foram condenados a sete anos e três meses de prisão por crime de extorsão[14], especialmente pela falta de provas para acusar o padre e a existência de um vídeo que mostra a abordagem agressiva.[15]

Moções de apoio[editar | editar código-fonte]

Setores da Igreja Católica (CNBB I), o Partido dos Trabalhadores e movimentos de sem-teto resolveram fazer um ato de desagravo na Câmara Municipal de São Paulo em apoio ao padre, depois que acusações de desvio de verbas sociais e corrupção de menores passaram a ser feitas contra o religioso.

No dia 11 de novembro de 2007 às 16 horas (véspera do depoimento do padre), foi organizado um movimento em defesa de Lancelotti, realizado em frente à Capela de São Miguel Arcanjo, em que, além dos fiéis e integrantes da Igreja Católica, estiveram presentes representantes de outras religiões.

Um manifesto em solidariedade ao padre Júlio Lancelotti foi feito num documento assinado pelo Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) e por outras 23 entidades ligadas à defesa dos direitos humanos e das crianças e dos adolescentes.[16]

Apoio da CNBB I[editar | editar código-fonte]

A Assembléia das Igrejas do Regional Sul 1, composta por arcebispos, bispos, sacerdotes, religiosos e leigos, (CNBB I) aprovou uma moção de apoio a Lancellotti, dizendo que “Seu trabalho sempre foi uma grande referência para a Igreja e a sociedade. É sinal do amor misericordioso de Deus junto aos irmãos mais sofridos. Semeando amor e esperança, muitos aprenderam com o Pe. Júlio a recomeçar a vida e encarar o futuro com dignidade”.[17] A moção de solidariedade foi assinada, dentre outros, pelo então arcebispo Odilo Scherer, que foi consagrado cardeal pelo papa Bento XVI.

A absolvição

A Justiça condenou na segunda-feira, 23/05/2011, o casal Anderson Batista e Conceição Eletério, por extorsão contra o Pe. Julio Lancellotti. A sentença é de 7 anos e 3 meses de prisão. Anderson estava preso e ficará no Centro de Detenção do Belenzinho; a mulher poderá recorrer em liberdade. Segundo a acusação do Ministério Público, os dois, que já foram detidos anteriormente, voltaram a ameçar o Pe. Julio. No início do ano, chegaram a dizer que dariam um tiro nele se não recebessem dinheiro. A cena foi registrada por câmeras de segurança e houve ameaças também em ligações telefônicas gravadas. O juiz Eduardo Crescenti Abdalla concluiu que Anderson e Conceição “respondem por um delito de extorsão, em sua forma continuada, iniciado com o telefonema de Conceição, seguido pela abordagem direta do marido”. E afirmou que não há porque duvidar do padre, que, apesar de conhecer os acusados, não teria razão para prejudicá-los.


Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]