Jabuti

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Como ler uma caixa taxonómicaJabuti
Jabuti adulto

Jabuti adulto
Estado de conservação
Status iucn3.1 LC pt.svg
Pouco preocupante (IUCN 3.1)
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Testudinata
Família: Testudinidae
Género: Chelonoidis
Espécie: C. carbonaria

C. denticulata

Nome binomial
Chelonoidis carbonaria
Spix, 1824
Distribuição geográfica
Distribuição geográfica do jabuti-piranga (Chelonoidis carbonaria).
Distribuição geográfica do jabuti-piranga (Chelonoidis carbonaria).

O jabuti é a designação vulgar dos répteis do género Chelonoidis da ordem dos Quelônios, da família dos testudinídeos. O gênero mudou de Geochelone para Chelonoidis.

Habitat e distribuição[editar | editar código-fonte]

São encontradas duas espécies de jabuti nas matas brasileiras, que residem desde o nordeste (subespécie) até ao sudeste:

Os jabutis ocorrem em áreas de cerrado, bordas de mata e florestas.

Características[editar | editar código-fonte]

São animais que possuem casco convexo — carapaça bem arqueada — e pernas grossas. A carapaça é uma estrutura óssea formada pelas vértebras do tórax e pelas costelas. Funciona como uma caixa protetora na qual o animal se recolhe quando molestado. É revestido por escudos (placas) córneas. Os jabutis podem chegar aos 70 cm de comprimento aos 80 anos — aproximadamente o seu tempo de vida, mas também podem atingir os 100 anos.

O jabuti-piranga é de colorido mais vivo que o jabuti-tinga. O primeiro possui duas variedades: os que habitam a caatinga nordestina possuem cabeça vermelha e escamas vermelhas nas patas, enquanto a outra tem cabeça amarela e escamas vermelhas nas patas. O peso do C. carbonaria — cabeça e patas vermelhas — pode chegar em torno de 18 kg, enquanto a outra (cabeça amarela) pode chegar aos 40 kg. Há uma semelhança muito grande entre o carbonaria de cabeça amarela com a C. denticulata, a diferença é que o denticulata tem cabeça e patas amarelas, nariz preto e coloração mais clara.

A carapaça do jabuti é ligeiramente alongada, alta e decorada com um padrão em polígonos de centro amarelo e com desenhos em relevo. A cabeça e as patas retráteis estão cobertas por escudos vermelhos e negros, e amarelos e negros na sua subespécie do nordeste. Os machos são menores que as fêmeas, machos em média com 30 centímetros, e fêmeas com 35 centímetros a 50 centímetros, máximo de 40 a 50 centímetros. O plastrão é reto ou convexo nas fêmeas e côncavo nos machos, justamente para encaixarem nas fêmeas por ocasião da cópula.

Hábitos[editar | editar código-fonte]

Possuem hábitos diurnos e gregários (vivem em bandos) e passam o tempo em busca de alimento, especialmente os de cores vermelha e amarela. Os jabutis não possuem dentes. No lugar deles há uma placa óssea que funciona como uma lâmina.

Sua maturidade sexual situa-se entre 5 e 7 anos. O tempo para incubação dos ovos varia de seis a nove meses. A quantidade de ovos em uma postura varia de 5 a 10, sendo que a subespécie tem uma postura maior, de 10 a 15 ovos. Tempo de vida em torno de 80 anos.

Legislação brasileira[editar | editar código-fonte]

O jabuti é um animal silvestre, por isso pra tê-lo em domicílio, segundo a legislação brasileira, é preciso que seja oriundo de um criadouro e registrado junto ao IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

Aspectos culturais[editar | editar código-fonte]

Na cultura indígena brasileira, o jabuti é o herói invencível em diversas narrativas.[1] [2]

Premiação literária[editar | editar código-fonte]

O Prêmio Jabuti é o mais importante prêmio literário do Brasil, lançado em 1959.

Provérbios e ditos populares[editar | editar código-fonte]

  • Jabuti não pega ema.
  • Jabuti não sobe em árvore.
  • Jabuti quando tem pressa, aprende a voar.

Jargão[editar | editar código-fonte]

Na agricultura, na Região Nordeste do Brasil, jabuti é um dispositivo tosco usado para descaroçar algodão.[3]

No processo legislativo brasileiro, jabuti designa a inserção de norma alheia ao tema principal em um projeto de lei ou medida provisória enviada ao Legislativo pelo Executivo. Este termo surgiu por analogia ao ditado popular “jabuti não sobe em árvore” usado para expressar fatos que não acontecem de forma natural.[4] [5]

Referências

  1. Cascudo, Luís da Câmara. Dicionário do folclore brasileiro. 10 ed. São Paulo: Ediouro, 2000. 930 p. p. 466. ISBN 8500800070
  2. Hartt, Charles Frederick. Os Mitos amazônicos da tartaruga. Recife: Secretaria do Interior e Justiça, 1952. 69 p.
  3. Houaiss, Antônio; Villar, Mauro de Salles; Franco, Francisco Manoel de Mello. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009. 1986 p.
  4. Mandel, Gabriel (9 de outubro de 2013). Jabuti na árvore: Câmara rejeita proposta para acabar com exame de Ordem Consultor Jurídico. Visitado em 29 de maio de 2015.
  5. Renan propõe extinguir ‘jabutis’ de medidas provisórias Portal O Senado Senado Federal (28 de maio de 2015). Visitado em 29 de maio de 2015.


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