Jacques Marcovitch

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Jacques Marcovitch
Jacques Marcovitch. Divulgação.jpg
Nascimento 1947
Ocupação Professor de Administração e Professor de Relações Internacionais

Jacques Marcovitch (1947) é Professor Emérito da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo. Iniciou sua trajetória na Universidade de São Paulo em 1965. Graduou-se no curso de administração na turma de 1968, ano em que presidiu o Centro Acadêmico Visconde de Cairu e a Executiva Nacional dos Estudantes de Administração. Realizou seu mestrado na Owen Graduate School of Management, Vanderbilt University e obteve o grau de Doutor pela USP em 1973.[1]

Atualmente é Professor Sênior da Faculdade de Economia Administração e Contabilidade e do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo, e membro do Conselho Superior do Graduate Institute of International and Development Studies(IHEID) em Genebra, Suiça.[2]

Reitor da USP entre 1997 e 2001, foi presidente das Companhias de Energia do Estado de São Paulo entre 1986 e 1987, e Secretário de Economia e Planejamento do Estado de São Paulo no ano de 2002[1], e Consultor Senior do Fórum Economico Mundial[3] entre diversas outras participações em conselhos nas suas áreas de atuação.

Publicou mais de uma dezena de livros e inúmeros artigos e ensaios com repercussão no meio acadêmico e fora dele. Sua contribuição concentra-se nas áreas de estratégia e inovação, energia, florestas e meio ambiente, governança universitária, pioneirismo empresarial e relações internacionais.

Produção acadêmica[editar | editar código-fonte]

Sua produção acadêmica é amplamente fundamentada no exercício prático da gestão dentro e fora da universidade. Ao longo de sua carreira, os domínios da prática e da reflexão sempre se desenvolveram de forma paralela e complementar. Sua produção pode ser dividida em cinco áreas de interesse:

Estratégia e inovação[editar | editar código-fonte]

Em 1974, recém-concluída sua tese sobre Eficácia Organizacional, precedida pela dissertação sobre o estudo de estratégia em organizações inovadoras, ainda em seu primeiro ano como professor do curso de Administração, estruturou em conjunto com pares de sua geração na FEA o Programa de Administração em Ciência e Tecnologia (PACTo), em um convênio estabelecido entre a USP e a Vanderbilt University.

Durante duas décadas seguintes, ministra a disciplina "Administração de Projetos e Programas". Entre 1980 e 1983, participa da publicação de duas obras sobre o tema da gestão da inovação: Administração do Processo de Inovação Tecnológica (Editora Atlas) e Administração em Ciência e Tecnologia (Editora Edgard Blucher).

O período seguinte é marcado pela liderança de uma entidade internacional, da qual foi o primeiro presidente até o ano de 1992: a ALTEC - Asociación Latino-Iberoamericana de Gestión Tecnológica, uma instituição privada sem fins lucrativos que congrega profissionais e instituições "ativas na reflexão e no exercício da gestão tecnológica"[4] que visa estimular ações de cooperação na região.

Em 1985 integra a Comissão de Política Científica e Tecnológica do Estado de São Paulo, e em 1992, assume a coordenação Internacional do Subprograma (XVI) de Gestión de la Investigación y del Desarrollo Tecnológico del Programa Iberoamericano de Ciencia y Tecnología para el Desarrollo o (CYTED-D). Em 1994, coordena e publica a obra coletiva: "Cooperação Internacional, Estratégia e Gestão” (Edusp). Três anos mais tarde, em 1997, organiza a coletânea "Tecnologia da Informação e Estratégia Empresarial", publicada pelas Editoras Futura e Siciliano, recebendo o seu primeiro Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro.

Em 2016, no marco das comemorações dos 70 anos da FEA/USP, coordena o grupo de trabalho que concebe o Ciclo "Repensar o Brasil"[5][6] dedicado a análise da governança publica e privada, previdência social, desigualdade e o futuro do trabalho.

Energia, florestas e meio ambiente[editar | editar código-fonte]

Entre 1986-87, preside as Companhias Energéticas de São Paulo, CESP/CPFL/Eletropaulo/Comgas, no governo de André Franco Montoro.

Durante conferência da ONU sobre clima e desenvolvimento, realizada em Hamburgo em 1988, o climatologista Wilfred Bach lança um desafio aos integrantes da comitiva brasileira de realizar um programa de recuperação de florestas em uma escala nunca antes proposta. Esse desafio se materializou no programa interinstitucional, multidisciplinar e internacional do IEA: o projeto Floram.

Entre 1988 e 1993, enquanto diretor do IEA - Instituto de Estudos Avançados da USP, integrou o conselho de coordenação do projeto Floram[7]. Nesse período, dedicou-se a liderar o processo de arregimentar os meios e talentos para promover o reflorestamento de uma área aproximada de 14 milhões de hectares em território brasileiro em um horizonte de 30 anos. Entre os idealizadores deste projeto que se alinhava com os debates sobre política ambiental na virada daquela década figuravam nomes como os os professores Aziz Ab'Saber, Leopoldo Rodés e Werner Zulauf.

Em 1992, integra a Comissão Coordenadora da USP para a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a ECO-92.

No ano de 2006, retorna ao tema na academia, com a publicação do livro "Para Mudar o Futuro: Mudanças Climáticas, Políticas Públicas e Estratégias Empresariais" pela Edusp, projeto que tem sequência com a publicação dos trabalhos de alunos do programa de pós-graduação da disciplina “Estratégia Empresarial e Mudanças Climáticas”, do Departamento de Administração da FEA/USP, que trazem análises sobre setores da economia e programas de mitigação de danos ambientais[8]. Em 2014, organiza com os alunos da mesma disciplina a publicação de uma obra coletiva “Fundo Amazônia: cooperação internacional e gestão brasileira”, publicada em e-book pela Mombak Editora, laureada com o Prêmio Dow de Sustentabilidade daquele ano.

Em 2007, organiza e publica o livro “Crescimento Econômico e Distribuição de Renda - Prioridades para Ação” (EDUSP/SENAC), obra coletiva com contribuições de estudiosos de diversos setores trazendo reflexões sobre o tema. Laureado com o Prêmio Jabuti 2008 da Câmara Brasileira do Livro, o livro é também publicado em inglês.

Entre os anos de 2007 e 2011, coordena e elabora, em parceria com os professores Carlos Roberto Azzoni e Eduardo Haddad o projeto Economia das Mudanças Climáticas no Brasil, financiado pela Embaixada Britânica no Brasil. Os resultados desse trabalho estão na origem de outra publicação: "Economia das Mudanças Climáticas no Brasil: Custos e Oportunidades", obra coletiva organizada em colaboração com Sergio Margulis e Carolina B. S. Dubeux (Synergia Ed. RJ).

Em 2008 passa a coordenar o Projeto “Economia das Mudanças Climáticas”, no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (CNPq/Fapesp/Capes).

Em 2011 publica a obra “A Gestão da Amazônia: Ações Empresariais, Políticas Públicas, Estudos e Propostas” (EDUSP), recebento o Prêmio Jabuti 2012 na categoria Economia, Administração e Negócios, e referido por Adalberto Luis Val, então diretor do Instituto de Pesquisas da Amazônia, como "obra indispensável e leitura obrigatória dos que se interessam pelas questões amazônicas”[9].

Participa em 2016 da estruturação do projeto de cooperação DINTER em convênio entre a USP e a Universidade do Estado do Amazonas.

Governança Universitária[editar | editar código-fonte]

Como exemplo de seu compromisso com a reflexão sobre a administração, seu tempo de atuação à frente da reitoria da USP suscitou a publicação de três obras de importância como registro histórico e sobre temas de gestão universitária;

A Universidade (Im)Possível (Futura-Siciliano), editada internacionalmente em língua espanhola pela Cambridge University Press. Sobre esta obra, registre-se o comentário do professor Alfredo Bosi, aclamado crítico e estudioso da cultura e da literatura:

"À vista de tantos exemplos, mostras de um conjunto denso e atual, espero ter dado ao leitor uma imagem da riqueza temática da ‘A Universidade (Im)Possível’, que constitui um marco na bibliografia nacional sobre o ensino superior”.

"A USP e seus desafios" (EDUSP) de 2001, publicado em dois volumes, organizados por Marília Junqueira Caldas, reproduz textos seus e de outros participantes do Fórum de Políticas Universitárias. Sobre outra obra publicada neste ano: "Universidade Viva - Diário de um Reitor" registre-se um testemunho do amigo e bibliófilo José Mindlin, que durante sua gestão encaminhou a doação do seu acervo de livros que integra a coleção da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin:

“Estou convencido de que este livro vai ser uma referência importante para quem queira conhecer uma instituição da magnitude da USP, ou que pretenda estudar a variada messe de problemas que a Universidade oferece, e de providências que exige”.

Dentre outros exemplos de boa governança que marcaram a sua gestão na reitoria da USP, destacam-se a elaboração do Código de Ética da Universidade[10], a criação do Instituto de Relações Internacionais da USP e a criação de uma Reserva de Contingência que tem garantido a resiliência das finanças da instituição.

Ainda no campo das contribuições sobre governança universitária, organiza em 2015, com professor Adalberto Américo Fischmann, o seminário "Governança Universitária", destinado a dirigentes da USP, cujos temas abordados resultaram no Dossiê “Universidade em Movimento”[11], publicado no número 105 da Revista USP.

Pioneirismo Empresarial[editar | editar código-fonte]

Em 2001, concebe o Projeto Pioneiros e Empreendedores: A Saga do Desenvolvimento no Brasil O projeto busca apresentar análises de contexto e a história da vida e dos negócios de vinte e quatro personagens e grupos empresariais que marcaram a história econômica do Brasil. Entre 2003 e 2007, foram lançados os três volumes que compõem a coleção, editada pela EDUSP/Saraiva.

Ainda no contexto desse projeto, foi concebida e organizada uma exposição itinerante com objetos e conteúdos da pesquisa, e a publicação de reflexões sobre os processos de musealização dos conteúdos.

Organiza e publica, em 2012, em parceria com a professora Maria Cristina O. Bruno, o livro “Os caminhos e processos da musealização”. Mantendo a parceria lançam em 2016 a obra "O Brasil Reencontra os Pioneiros: Textos e Contextos Regionais”(EDUSP). Ainda no mesmo ano publica o artigo “Os museus no futuro do Brasil” na Revista Estudos Avançados da USP.

Relações Internacionais[editar | editar código-fonte]

Entre 1988 e 1993 coordena o Grupo de Análise da Conjuntura Internacional da USP integrado por Celso Lafer, Gilberto Dupas, Lenina Pomeranz, Geraldo Forbes, Tullo Vigevani. Em 1990 participa da elaboração das diretrizes para um política de cooperação internacional da USP (CCInt - Comissão de Cooperação Internacional).

Durante a sua gestão à frente da Reitoria da Universidade de São Paulo, entre 1997 e 2001, promove a estruturação e criação do Instituto de Relações Internacionais, no qual atualmente é professor sênior. Com o Professor Pedro Dallari, ministra disciplina para alunos de graduação e de pós-graduação: “Temas e Prática em Relações Internacionais”, composta por um programa de seminários com participação de profissionais de agências e organismos internacionais, que apresentam e debatem questões práticas sobre o exercício e contextos de atuação da profissão.

Por ocasião da morte do brasileiro Sérgio Vieira de Mello, em um bombardeio na sede da ONU em Bagdá, no ano de 2003, organiza uma série de artigos do personagem e promove um seminário com especialistas em relações internacionais. O resultado desta iniciativa consolida-se na publicação do livro: “Sérgio Vieira de Mello - Pensamento e Memória” (Edusp/ Saraiva), reunindo alguns de seus artigos e entrevistas mais relevantes traduzidos para o português e ensaios inéditos de intelectuais e diplomatas brasileiros sobre o pensamento do personagem que ocupou nos últimos momentos de sua carreira o cargo de Alto-Comissário de Direitos Humanos da ONU.

O livro e o seminário deram orígem a um projeto de disseminação desses conteúdos por meio de um programa de formação para professores do ensino fundamental e médio, tratando de temas defendidos pelo personagem, como o humanismo e o universalismo como formas de promover esses valores para as gerações futuras. O plano de aulas e textos e outros recursos educacionais estão disponíveis no site do projeto.

Em 2014 publica, em coautoria com o professor Pedro Dallari, a obra coletiva “Relações Internacionais de Âmbito Subnacional: A Experiência de Estados e Municípios no Brasil”, uma coletânea de artigos sobre paradiplomacia, ou diplomacia federativa, publicada pelo IRI/USP.

Prêmios e condecorações[editar | editar código-fonte]

Projetos de pesquisa e extensão[editar | editar código-fonte]

Obras selecionadas (Livros)[editar | editar código-fonte]