Jacques Rancière

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Jacques Rancière
Nascimento 1940
Argel, Argélia
Nacionalidade francês
Influências
Escola/tradição Marxismo, Estruturalismo
Ideias notáveis teorias da democracia, igualdade radical

Jacques Rancière (Argel, 1940) é um filósofo francês, professor da European Graduate School de Saas-Fee e professor emérito da Universidade Paris VIII (Vincennes-Saint-Denis). Seu trabalho se concentra sobretudo nas áreas de estética e política

Biografia[editar | editar código-fonte]

Aluno de Louis Althusser, participou, em 1965, da elaboração de Lire le Capital (Ler O Capital), juntamente com Étienne Balibar, Roger Establet, Pierre Macherey, além do próprio Althusser,[1] antes que se rompesse a ligação entre Rancière e seu antigo professor na École normale supérieure. Em 1974, Rancière escreve La Leçon d'Althusser, uma crítica à abordagem althusseriana do marxismo e, ao mesmo tempo, um testemunho sobre as condições do Partido Comunista e da Universidade, na França pós 1968.[2] No final dos anos 1970, Rancière organiza, com outros jovens intelectuais, como Arlette Farge e Geneviève Fraisse, o coletivo Révoltes Logiques que, sob a inspiração do poeta Rimbaud, questiona as representações tradicionais do social e publica a revista, Les Révoltes logiques[3].

Paralelamente, ele volta sua atenção para a emancipação operária e os utopistas do século XIX (notadamente Étienne Cabet), com uma reflexão filosófica sobre educação e política. Desse trabalho nascerá sua tese de doutorado, publicada em 1981, sob o título La Nuit des prolétaires. Archives du rêve ouvrier (A noite dos proletários. Arquivos do sonho operário), sobre os operários saint-simonianos.[4][5]

Um pouco mais tarde, em Le Philosophe plébéien (O filósofo plebeu), ele reúne escritos inéditos de Louis Gabriel Gauny (1806 - 1889), um operário filosófo. [6] Em meados dos anos 1980, Rancière se interessa por um outro personagem pouco convencional : Joseph Jacotot, que, no começo do século XIX questionou radicalmente os fundamentos da pedagogia tradicional. Esse estudo resultará em uma biografia filosófica, Le Maître ignorant (O mestre ignorante), na qual coloca o postulado da igualdade das inteligências e relaciona emancipação operária e emancipação intelectual. Em seguida, Rancière se interessará pela ambiguidade do estatuto do discurso histórico, em Les Mots de l'histoire (As palavras da história). No fim desse período, Rancière, que é também cinéfilo e próximo aos Cahiers du cinéma, iria explorar as ligações entre estética e política. Courts voyages au pays du peuple (Viagens curtas ao país do povo), sob a forma de três novelas filosóficas, é a sua primeira obra sobre as relações entre as imagens e os saberes, a utopia e o real, a literatura e a política.

Obras publicadas em português[editar | editar código-fonte]

  • A noite dos proletários: arquivos do sonho operário. Trad. Marilda Pereira. São Paulo: Cia. das Letras, 1988.
  • Políticas da Escrita. Ed. 34, 1995
  • O desentendimento - Política e Filosofia, trad. Ângela Leite Lopes. São Paulo: Ed. 34, 1996.
  • O Mestre Ignorante: Cinco Lições Sobre a Emancipação Intelectual. Autêntica, 2004
  • A partilha do sensível: estética e política. Trad. Mônica Costa Netto. São Paulo: EXO experimental org.; ed. 34, 2005.
  • O Inconsciente Estético. Ed. 34, 2009
  • O Espectador Emancipado, trad. J. M. Justo, Lisboa, Orfeu Negro, 2010 (2008).
  • Nas Margens do Político, trad. V. Brito, J. P. Cachopo, Porto, Dafne, 2010 (1998).
  • Estética e Política. A Partilha do Sensível, com entrevista e glossário por G. Rockhill, trad. V. Brito. Porto: Dafne, 2010 (2000).
  • O Destino das Imagens, trad. L. Lima, Lisboa, Orfeu Negro, 2011. Contraponto, 2012 (2003).
  • Os Intervalos do Cinema, trad. L. Lima, Lisboa, Orfeu Negro, 2012 (2011).
  • Béla Tarr. O Tempo do Depois, trad. L. Lima, Lisboa, Orfeu Negro, 2013 (2011).
  • A Fábula Cinematográfica, trad. L. Lima, Lisboa, Orfeu Negro, 2014. Papirus, 2013 (2001).
  • As palavras da história - ensaio de poética do saber, trad. Maria-Benedita Basto, Lisboa, Edições Unipop, 2014 (1992).
  • Nomes da Historia. Ensaio de Poetica do Saber. Unesp, 2014
  • O Ódio à Democracia, trad. Mariana Echalar, São Paulo: Ed. Boitempo, 2014 (2014).

Referências

  1. A contribuição de Rancière ("Le concept de critique et la critique de l’économie politique. Des Manuscrits de 1844 au Capital"), assim como as de Establet e Macherey, havia sido suprimida por Althusser em 1968 . Uma edição corrigida e aumentada de Lire le Capital foi publicada em 1973, recuperando as contribuições dos três autores. Ver Mode d’emploi pour une réédition de Lire le Capital, por Jacques Rancière.
  2. (em francês) Jacques Rancière, La leçon d'Althusser (resenha). Por Igor Martinache. Lectures , 22 de agosto de 2012.
  3. As contribuições de Jacques Rancière para essa revista foram reunidas no livro Les Scènes du peuple (Horlieu, 2003).
  4. (em francês) Jacques Rancière, La nuit des prolétaires : archives du rêve ouvrier, Paris, Fayard, 1981 (resenha). Por Michelle Perrot. Histoire de l'éducation. 1981, volume 13 nº 1 pp. 80-83.
  5. A noite dos proletários. Arquivos do sonho operário (resenha). Por Fernando César Teixeira França. Revista de História, São Paulo, nº 122, p. 165-193, jan-jul. 1990.
  6. Le Philosophe plébéien. Louis-Gabriel Gauny. Presses Universitaires de Vincennes.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]