Jacques Roux

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Jacques Roux, nascido em 21 de Agosto de 1752, morto em 10 de Fevereiro de 1794, na prisão de Bicêtre (suicídio), é uma personalidade da Revolução Francesa, pioneiro do socialismo na França e conhecido como "O Cura Vermelho".

Biografia[editar | editar código-fonte]

Jacques Roux era padre e professor nos primórdios da Revolução Francesa. Quando, em 1790, acontecem motins camponeses e pilhagens de castelos em sua paróquia, é acusado pelo comissário de ter, com suas idéias e sermões, insuflado a revolta no seio de sua congregação e « acusado de ter pregado a doutrina perigosa de que as terras pertencem a todos de forma igual e que se devia recusar pagar os direitos senhoriais » [1]

Transferiu-se então para Paris, foi nomeado vigário de Saint-Nicolas-des-Champs e um dos primeiros padres a prestar juramento à Constituição Civil do Clero. Acompanhou Luís XVI até o cadafalso, junto com Jacques-Claude Bernard, em 21 de Janeiro de 1793, quando o rei foi guilhotinado. Sua facção, a dos "Enragés" (da qual também faz parte Jean-François Varlet), reclama pela taxação e regulamentação dos preços. Roux denuncia a burguesia mercantil, mais terrível, segundo ele, que « a aristocracia nobiliária e sacerdotal ».

Este « padre socialista » (Albert Mathiez) defendia a idéia de que os princípios de liberdade, defendidos pela nova legislação, serviam antes de tudo a uma classe em detrimento da sociedade. A expressão mais completa de seu programa foi, sem dúvida, a contida em seu "Adresse à la Convention Nationale" {fr} (também conhecido como "Manifesto dos Enragés"), de 25 de Junho de 1793 que repousa sobre o conceito que :

Citação: «A Liberdade não é mais que um vão fantasma, quando uma classe de homens pode deixar faminta a outra impunemente. A Igualdade não é mais que um fantasma, quando o rico, pelo monopólio, exerce direito de vida e morte sobre seu semelhante. A República não é mais que um vão fantasma, quando a contra-revolução se opera dia a dia pelo preço dos alimentos, aos quais três quartos da população não pode alcançar sem derramar lágrimas»

Este movimento inquieta a Convenção, Marat - que não hesita em qualificar Roux de « patriota de circunstância » ou de « o incendiário da Secção de Gravilliers » - e mesmo os "Hébertistes". Roux fica cada vez mais isolado. Os Montanheses desencadeiam contra ele uma campanha visando fazê-lo passar por contra-revolucionário. Preso em Setembro de 1793 para ser julgado pelo Tribunal Revolucionário, prefere matar-se com um punhal.

Bibliografia (em francês)[editar | editar código-fonte]

  • Albert Soboul, La Civilisation de la Révolution française, Arthaud, 1988.
  • Maurice Dommanget, Enragés et curés rouges en 1793: Jacques Roux et Pierre Dolivier, Editions Spartacus, 1993.
  • André Berland, Un grand révolutionnaire charentais, l'abbé Jacques Roux : les débuts en Angoumois et en Saintonge du futur chef des Enragés, 1752-1794, Libr. B. Sepulchre, 1988.

Referências

  1. Max Weber, "L’Éthique protestante et l’esprit du capitalisme." seguido de "Les sectes protestantes et l’esprit du capitalisme". Trad. fr., Plon, 1964.
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