Jaguariúna

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Município de Jaguariúna
"Jaguar"
"Estrela da Mogiana"
Jardim Cruzeiro do Sul, Jaguariúna

Jardim Cruzeiro do Sul, Jaguariúna
Bandeira de Jaguariúna
Brasão de Jaguariúna
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 12 de setembro
Fundação 5 de agosto de 1896 (123 anos)
Emancipação 30 de dezembro de 1953 (65 anos)
Gentílico jaguariunense
Lema Fide et labore
"Fé e trabalho"
CEP 13910-000 a 13919-999
Prefeito(a) Márcio Gustavo Bernardes Reis (Gustavo Reis)
(2017 – 2020)
Localização
Localização de Jaguariúna
Localização de Jaguariúna em São Paulo
Jaguariúna está localizado em: Brasil
Jaguariúna
Localização de Jaguariúna no Brasil
22° 42' 21" S 46° 59' 09" O22° 42' 21" S 46° 59' 09" O
Unidade federativa São Paulo
Região intermediária

Campinas IBGE/2017 [1]

Região imediata

Campinas IBGE/2017

Região metropolitana Campinas
Municípios limítrofes Norte: Santo Antônio de Posse, Holambra
Sul: Campinas
Leste: Pedreira, Amparo
Oeste: Paulínia[2]
Distância até a capital 125 km[3]
Características geográficas
Área 141,391 km² [4]
População 56 221 hab. estimativa IBGE/2018[5]
Densidade 397,63 hab./km²
Altitude 570 m
Clima Tropical de altitude Cfa
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,829 (SP: 36°) – muito alto PNUD/2000[6]
PIB R$ 1 937 262,365 mil (BR: 95º - RMC: 6º) – IBGE/2008[7]
PIB per capita R$ 48 351,78 IBGE/2008[7]

Jaguariúna é um município da Região Metropolitana de Campinas, no estado de São Paulo, no Brasil. Localiza-se a 22º42'20" de latitude sul e 46º59'09" de longitude oeste, a uma altitude de 584 metros. Sua população, conforme estimativas do IBGE de 2018, era de 56 221[5] habitantes.

História[editar | editar código-fonte]

De acordo com as pesquisas arqueológicas mais recentes, os primeiros vestígios de assentamentos humanos na região central do atual estado de São Paulo datam de cerca de 9.500 anos atrás[8], sendo identificados como grupos de caçadores-coletores nômades, produtores de diversos artefatos em pedra lascada. Estes grupos construíam assentamentos provisórios nos vales e margens dos rios Jaguari, Camanducaia e Atibaia, utilizando-os como rotas fluviais e fonte de alimentos[9]. Em geral, esses primeiros grupos são costumeiramente associados às tradições tecnológicas Umbu e Humaitá, devido ao tipo de ferramentas líticas que produziam e utilizavam[10].

Por sua vez, grupos indígenas ceramistas teriam alcançado a região entre Mogi Mirim, Campinas e Jaguariúna a partir do século I da Era Cristã. Em maior número, semi-sedentários e agricultores, baseavam sua dieta alimentar em plantas ricas em carboidratos (como o milho e a mandioca), coleta de frutos, raízes e nozes silvestres, além da proteína obtida através de pesca e caça. Também teriam plantado várias espécies não alimentícias, como cabaças, tabaco, algodão e urucu[11]. Esses grupos indígenas seriam os ancestrais diretos daqueles encontrados pelos colonizadores luso-brasileiros, falantes de línguas filiadas aos troncos Macro-Jê e Tupi-Guarani[12]. Vestígios dessa antiga ocupação da região ainda podem ser observados em sítios arqueológicos locais, onde fragmentos cerâmicos associados às tradições tecnológicas Tupiguarani e Aratu foram identificados[13].

Visto que as primeiras “entradas” e “bandeiras” que atravessaram a região a partir do século XVI pouco geraram de informações sobre estes grupos indígenas, os quais foram paulatinamente escravizados e expulsos para áreas mais interioranas da agora América Portuguesa, pouco se sabe atualmente sobre suas afiliações étnicas e costumes. Ainda assim, embora sejam raros os relatos sobre os primeiros grupos ameríndios encontrados pelos colonos europeus no atual interior paulista, algumas fontes indicam a presença de Tupis e Tamoios[14]. Paralelamente, uma antiga doação de sesmaria, datada de 26 de fevereiro de 1726, aponta a existência de uma aldeia indígena entre os rios Camanducaia e Jaguari[15].

Por sua vez, as primeiras incursões bandeirantes nos sertões paulistas se davam justamente por antigas trilhas terrestres e rotas fluviais indígenas. No final do século XVII, a expedição de Bartolomeu Bueno faz uso justamente destes caminhos, partindo da Vila de Piratininga (São Paulo) e percorrendo o antigo “Caminho dos Batataes” e o dos “Bilreiros” até chegar ao atual estado de Goiás. Quarenta anos mais tarde, a bandeira de Bartolomeu Bueno da Silva (mais conhecido como segundo Anhangüera) refaz a trilha que havia percorrido com o pai em busca de metais preciosos, fundando o “Arraial de Sant’Anna” – posteriormente conhecido como “Villa Boa de Goyaz”[16].

Com a descoberta de ouro nos atuais estados de Mato Grosso e Goiás, já nas primeiras décadas do século XVIII, a região tornou-se rota de passagem para um número cada vez mais frequente de aventureiros e desbravadores de origens distintas. Essa enorme rota ficou conhecida na época como Caminhos dos Goyazes, atravessando rios como o Tietê, Atibaia e Jaguari, bem como contornando parte da serra da Mantiqueira e áreas demasiadamente acidentadas até alcançar o rio Grande. Por conseguinte, pousos, entrepostos e fazendas foram sendo fundados em seu trajeto, os quais estabeleceram uma economia predominantemente voltada para atender as demandas por abrigo e mantimentos desses diversos grupos que se dirigiam às minas de ouro[17].

Um destes vários pousos encontrava-se a quatro dias de viagem de São Paulo, entre os rios Atibaia e Jaguari. Chamado de “Pouso do Jaguary” (atual bairro rural do Tanquinho Velho), o mesmo estava localizado numa região estratégica, logo após a travessia do rio Jaguari, onde as tropas e tropeiros podiam se abastecer e descansar. Além de posto de abastecimento e comércio para sertanistas, o local recebeu um afluxo constante de pequenos posseiros e, aos poucos, tornou-se um acanhado vilarejo, dando início à primeira povoação do município de Jaguariúna[15]. Embora poucos remanescentes materiais desse período tenham sobrevivido até os dias atuais, uma antiga sede de fazenda colonial foi identificada e registrada enquanto sítio arqueológico em 2016[18]. Denominada “Fazenda Serrinha”, essa antiga sede teria sido construída através da técnica de taipa de pilão.

Em fins do século XVIII, o povoado já tinha adquirido um número considerável de habitantes, estando sob jurisdição do clero da Villa de São Carlos, o qual ordenou a construção de uma capela e cemitério[9]. Em geral, a população era constituída por indivíduos e famílias vindos de outras localidades da capitania de São Paulo, refletindo a sociedade estratificada da qual era parte. Tais informações podem ser observadas nos livros paroquiais da época, os quais detalham a chamada “população livre” (proprietários e não-proprietários) e escravos, bem como “os brancos legítimos” e os “pardos naturais e bastardos”[15].

No mesmo período, entre os séculos XVIII e meados do XIX, o plantio da cana-de-açúcar foi a principal atividade econômica regional, sendo posteriormente substituído pelo cultivo do café[19]. O chamado “ouro negro” agrícola contribuiu para a formação de uma elite econômica nacionalmente influente por boa parte do período imperial brasileiro, os denominados “barões do café”[9]. É o caso do Coronel Amâncio Bueno, o qual tinha uma extensa fazenda na região de Jaguari, denominada Fazenda Florianópolis. Tais terras, doadas em sesmaria pela Coroa Portuguesa ainda no período colonial, foram posteriormente loteadas pelo coronel na década de 1880, propiciando o estabelecimento de imigrantes portugueses e italianos no local[20]. Desse mesmo período também data a paulatina substituição da mão-de-obra escrava (até então maciçamente utilizada nas fazendas de café) por imigrantes europeus em diversas regiões do Estado de São Paulo[21].

Por outro lado, visto que as antigas rotas de ligação terrestre e fluvial não comportavam toda a demanda de escoamento da produção das fazendas de café, já a partir da década de 1870 começam a serem construídas as primeiras linhas ferroviárias na região. Em três de maio de 1875, a Companhia Mogyana de Estradas de Ferro e Navegação (organizada em 1872), inaugurou a estrada de ferro ligando Campinas a Jaguari, margeando o rio de mesmo nome. A viagem inaugural foi puxada por uma locomotiva também batizada de “Jaguary”[20].Também em 1875, a já mencionada Companhia Mogyana instalou-se na Vila Bueno após a construção do ramal Campinas Mogi-Mirim, inaugurado em 27 de agosto pelo então imperador Dom Pedro II[15].

Servida por uma estação de trem recém-inaugurada e, portanto, sujeita a um afluxo grande de pessoas e mercadorias, a vila Bueno acaba tornando-se um bairro do município de Mogi Mirim em 1894. No mesmo ano foi encomendada a primeira planta da localidade pelo Coronel Amâncio Bueno, o qual também mandara erguer a capela de Santa Maria (considerada padroeira do atual município de Jaguariúna) em 19 de fevereiro de 1892. Em cinco de agosto de 1896, através da Lei n° 433, é criado o “Distrito de Paz de Jaguary”, sendo posteriormente acrescido o sufixo de origem tupi “una” ao nome em 30 de novembro de 1944, através do Decreto-Lei n.° 14.344[22]. Em 30 de dezembro de 1953, a Lei n.° 2.456 tornou Jaguariúna emancipada de Mojimirim, passando a constituir um município autônomo [23].

Toponímia[editar | editar código-fonte]

"Jaguariúna" é um vocábulo tupi que significa "rio preto das onças", através da junção dos termos îagûara (onça), 'y (água, rio) e un (preto)[22]. Vale destacar que o brasão da cidade, que mostra uma onça preta ao lado de um rio azul, incorre num erro em relação à etimologia tupi do nome da cidade: o correto, do ponto de vista etimológico, seria o brasão mostrar uma onça comum ao lado de um rio negro.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Possui uma área de 141,391 km², o que corresponde a uma densidade populacional de 313,37 habitantes por quilômetro quadrado, em dados de 2010.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Dados do Censo - 2010 [24]

População total: 44.311

  • Urbana: 43.033
  • Rural: 1.277
  • Homens: 22.003
  • Mulheres: 22.307

Densidade demográfica (hab./km²): 207,84

Mortalidade infantil até 1 ano (por mil): 9,05

Expectativa de vida (anos): 75,36

Taxa de fecundidade (filhos por mulher): 2,00

Taxa de alfabetização: 92,47%

Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M): 0,829

  • IDH-M Renda: 0,772
  • IDH-M Longevidade: 0,839
  • IDH-M Educação: 0,877

(Fonte: IPEADATA)

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Rodovias[editar | editar código-fonte]

Ferrovias[editar | editar código-fonte]

Maria Fumaça no Centro Cultural de Jaguariúna

Fica no município de Jaguariúna o terminal da Viação Férrea Campinas-Jaguariúna, uma linha turística com locomotivas a vapor ("marias-fumaça"), mantida pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária.

Turismo[editar | editar código-fonte]

Entre as atrações turísticas de Jaguariúna, o passeio de maria-fumaça[25] é um dos mais tradicionais. Realizado na legítima locomotiva da Cia. Mogiana, fabricada em 1952, percorre as cidades de Jaguariúna a Campinas, passando pelas antigas estações de Anhumas, Pedro Américo, Tanquinho, Desembargador Furtado e Carlos Gomes. Além do passeio, é possível conhecer, na estação de Jaguariúna (conhecida como "Estrela da Mogiana”), o Museu Ferroviário, com peças e fotos sobre a história e tradição das locomotivas na região.

Imagens[editar | editar código-fonte]

Comunicações[editar | editar código-fonte]

A cidade era atendida pela Telecomunicações de São Paulo (TELESP)[26], que construiu a central telefônica utilizada até os dias atuais. Em 1998 esta empresa foi privatizada e vendida para a Telefônica[27], sendo que em 2012 a empresa adotou a marca Vivo[28] para suas operações de telefonia fixa.

Administração[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «O recorte das Regiões Geográficas Imediatas e Intermediárias de 2017» (PDF). Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 2017. p. 20–34. Consultado em 10 de agosto de 2017 
  2. «IBGE mapas». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Consultado em 10 de janeiro de 2019. Arquivado do original em 1 de agosto de 2012 
  3. «Distâncias entre a cidade de São Paulo e todas as cidades do interior paulista». Consultado em 26 de janeiro de 2011 
  4. «Área da unidade territorial». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 2017. Consultado em 10 de janeiro de 2019 
  5. a b «Estimativa populacional 2018 IBGE». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 29 de agosto de 2018. Consultado em 2 de outubro de 2018 
  6. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2000. Consultado em 11 de outubro de 2008 
  7. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 de dezembro de 2010 
  8. ZANETTINI, Paulo (2010). Mosaico Cultural: Guia do Patrimônio Arqueológico do Estado de São Paulo. São Paulo: [s.n.] 
  9. a b c D'ALESSANDRO, Roberto José (2012). O processo de ordenação do território de Jaguariúna [SP, Brasil] a partir da conformação do espaço produtivo nas bacias dos rios Jaguari e Camanducaia. Campinas: UNICAMP 
  10. PROUS, André (2006). O Brasil antes dos brasileiros: a pré-história do nosso país. Rio de Janeiro: Jorge Zahar 
  11. METRAUX, Alfred; NIMUENDAJU, Curt (1948). The Handbook of South American Indians. Vol. 3: The Tropical Forest Tribes. Washington D.C.: Government Printing Office 
  12. SCHIAVETTO, Solange (2007). A arqueologia guarani: construção e desconstrução de identidade indígena. São Paulo: Annablume/FAPESP 
  13. PALLESTRINI, Luciana (1981–1982). «Cerâmica há 1500 anos, Mogi-Guaçu, São Paulo». Revista do Museu Paulista, MP/USP n° 28 
  14. «Mapa Etno-Histórico de Curt Nimuendaju». Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. 2017. Consultado em 14 de outubro de 2019 
  15. a b c d RIBEIRO, Suzana (2008). Jaguariúna no curso da História. Jaguariúna: Secretaria de Educação de Jaguariúna 
  16. BACELLAR, Rafael; BRIOSCHI, Lucila (1999). Na Estrada do Anhangüera: uma visão regional da história paulista. São Paulo: Humanitas 
  17. ROCHA JÚNIOR, Deusdedith; VIEIRA JÚNIOR, Wilson; CARDOSO, Rafael (2006). Viagem pela Estrada Real dos Goyazes. Brasília: Paralelo 15 
  18. «Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos». Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Consultado em 14 de outubro de 2019 
  19. [1]
  20. a b «Histórico». Prefeitura Municipal de Jaguariúna. Consultado em 14 de outubro de 2019 
  21. FAUSTO, Boris (1995). História do Brasil. São Paulo: Fundação do Desenvolvimento da Educação 
  22. a b NAVARRO, E. A. Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. Terceira edição revista e aperfeiçoada. São Paulo. Global. 2005. p. 42.
  23. «História do Município de Jaguariúna - Caracterização do Uso das Terras e da Agricultura Município de Jaguariúna - SP». www.jaguariuna.cnpm.embrapa.br. Consultado em 14 de outubro de 2019 
  24. «IBGE | Cidades | São Paulo | Jaguariúna». www.cidades.ibge.gov.br. Consultado em 21 de fevereiro de 2017 
  25. ABPF – Regional Campinas. «ABPF – Regional Campinas». ABPF – Regional Campinas. Consultado em 23 de junho de 2015 
  26. «Área de atuação da Telesp em São Paulo». Página Oficial da Telesp (arquivada) 
  27. «Nossa História». Telefônica / VIVO 
  28. GASPARIN, Gabriela (12 de abril de 2012). «Telefônica conclui troca da marca por Vivo». G1 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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