Janes e Jambres

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Moisés e Aarão convertem seus báculos em serpentes.

Janes e Jambres (em grego antigo: Ἰάννης καὶ Ἰαμβρῆς) são, segundo a tradição judaica e a Segunda Epístola a Timóteo, os nomes dos necromantes que enfrentaram Moisés e Aarão e foram derrotados.

Novo Testamento[editar | editar código-fonte]

Janes e Jambres são citados por nome pela única vez na Bíblia em 2 Timóteo 3:8: «E, como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim também estes resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé.» Orígenes fala que havia um Livro de Janes e Jambres, de onde Paulo teria tirado os nomes. Este livro é conhecido como Apócrifo de Janes e Jambres, os Magos, e existe em fragmentos no Papiro Chester Beatty XVI e em um manuscrito etiópico encontrado em 2014, em que foi revelado uma curiosa passagem em que os magos invocam gigantes da literatura enoquiana, alguns utilizando nomes gregos como Acamas e Ajax, mostrando o sincretismo cultural do judaísmo helenístico.[1][2] O Testamento de Salomão também se refere aos magos por seus nomes.

Antigo Testamento[editar | editar código-fonte]

Os nomes não são citados no Antigo Testamento, mas são atribuídos tradicionalmente aos magos do seguinte excerto:

«Então Moisés e Arão foram a Faraó, e fizeram assim como o Senhor ordenara; e lançou Arão a sua vara diante de Faraó, e diante dos seus servos, e tornou-se em serpente. E Faraó também chamou os sábios e encantadores; e os magos do Egito fizeram também o mesmo com os seus encantamentos. Porque cada um lançou sua vara, e tornaram-se em serpentes; mas a vara de Arão tragou as varas deles.» (Êxodo 7:10-12)[3]

Literatura rabínica[editar | editar código-fonte]

Dois "sábios" são referidos pelos nomes "Joanas e Manre" no Talmude Babilônico.[4] "Janes e Jambres" são mencionados por nome no Targum de Pseudo-Jônatas, especificamente em seus comentários a Êxodo 1:15, Êxodo 7:10-12 e Números 22:2.[5][6] Tradições judaicas preservam outras lendas sobre o par, como a de que seriam filhos de Balaão.[7] O Livro de Jasar, midrash do século XVI, também se refere aos magos por nome.[8]

Referências

  1. Pietersma, Albert (1994). The Apocryphon of Jannes and Jambres the Magicians. Col: Religions in the Graeco-Roman World. 119. Leiden: Brill Publishers. ISBN 9789004099388 
  2. Erho, Ted; Krueger, Frederic; Hoffmann, Matthias (2016). «Neues von Pharaos Zauberern». Welt und Umwelt der Bibel. 2: 70-72. Consultado em 29 de janeiro de 2018 
  3. Bíblia Almeida Corrigida Fiel. São Paulo: Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil. 1994 
  4. Menachoth 85a.
  5. Targum de Pseudo-Jônatas, Seções XIII, XIV e XL.
  6. Clontz, T.E.; Clontz, J. (2008). The Comprehensive New Testament with complete textual variant mapping and references for the Dead Sea Scrolls, Philo, Josephus, Nag Hammadi Library, Pseudepigrapha, Apocrypha, Plato, Egyptian Book of the Dead, Talmud, Old Testament, Patristic Writings, Dhammapada, Tacitus, Epic of Gilgamesh. Mineral Springs, AR: Cornerstone Publications. p. 680. ISBN 9780977873715 
  7. Ginzberg, Louis (1909). «4». The Legends of the Jews. 1. [S.l.: s.n.] 
  8. Sefer haYashar, 79:27