Jardim Botânico de Brasília

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Jardim Botânico de Brasília
Localização SMDB, Área Especial - Lago Sul, Brasília, Brasil
Tipo Público
Administração Secretaria de Meio Ambiente do Distrito Federal – SEMA/DF

O Jardim Botânico de Brasília (JBB) é um jardim botânico brasileiro, localizado em Brasília. Fica aberto de terça a domingo, das 9 as 17 horas.[1]

Foi fundado no dia 8 de março de 1985, apesar de sua área já ter sido prevista desde a construção da cidade. Inicialmente previsto para ficar no Plano Piloto, acabou ficando em uma área de preservação no Lago Sul. Foi o primeiro Jardim Botânico do Brasil com um ecossistema predominante de Cerrado.

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Ao criar o projeto vencedor do Concurso para o Plano Piloto, Lúcio Costa entregou um relatório justificativo contendo diretrizes para a cidade. Entre elas, havia uma menção a um Jardim Botânico, que, portanto, estaria previsto desde a criação da cidade e seria parte de sua escala bucólica.[2]

(...) De um lado o estádio e mais dependências, tendo ao fundo o Jardim Botânico. Do outro, o hipódromo com as respectivas tribunas e vila hípica e, contíguo, o Jardim Zoológico, constituindo estas duas imensas áreas verdes, simetricamente dispostas em relação ao eixo monumental, como que pulmões.
— Lúcio Costa, Diretriz 12 do Relatório do Plano Piloto de 1957

A ideia de Lúcio era criar dois parques, um que cada lado do Eixo Monumental: o Zoológico ficaria ao Sul, onde hoje é o Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek, e ao norte, ficaria o Jardim Botânico, na área próxima a do atual Complexo Poliesportivo Ayrton Senna. Entretanto, poucos meses após a vitória de Lúcio, a ideia já havia sido mudada: a falta de cursos d'água inviabilizaria os locais. Uma outra área foi reservada entre os córregos Bananal e Torto.

Em 1959, o zoólogo João Moojen de Oliveira trás uma nova proposta para não separar fauna e flora, propondo um Parque Zoobotânico na Asa Sul. O parque não foi criado, mas no dia 7 de janeiro de 1961, surge a Fundação Zoobotânica para cuidar dos jardins botânico e zoológico. Entretanto, enquanto o Zoológico já funcionava no espaço reservado desde 1969, o mesmo não acontecia com o Jardim Botânico.[3]

A definição do local[editar | editar código-fonte]

Apenas em 1976 as coisas mudaram para o Jardim Botânico, com a criação de uma comissão para estudo e implantação definitiva. Essa comissão sugere que uma área da Terracap no Lago Sul, já administrada pela Fundação Zoobotânica, que cuidava de diversas áreas relacionadas ao meio ambiente. Essa área era a Estação Florestal Cabeça de Veado (EFCV), no Setor de Mansões Dom Bosco.

A área de 526 hectares com vegetação típica do Cerrado já tinha infraestrutura necessária, tanto em estruturas humanas como eletricidade e telefone, como em natureza, com abundância de água devido ao Córrego Cabeça de Veado, além de ser relativamente próxima ao Plano Piloto.

Cinco anos depois, com a ajuda de profissionais do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e do biólogo Pedro Carlos de Orleans e Bragança, que foi nomeado diretor do Jardim Botânico de Brasília em 1984, os trabalhos avançaram, com o local escolhido no Lago Sul sendo confirmado em 1982 e logo depois iniciando a instalação das estruturas necessárias e trazendo as plantas do Cerrado e de outros biomas do Brasil e do mundo.[4][5]

Inauguração[editar | editar código-fonte]

No dia 8 de março de 1985 o Jardim Botânico foi inaugurado, com a presença de autoridades como o governador do Distrito Federal José Ornelas de Souza Filho e membros da Casa de Orléans e Bragança, já que o diretor do JBB Pedro Carlos fazia parte da família. Também estavam presentes o diretor do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Carlos Alberto Ribeiro de Xavier e a pesquisadora do JBRJ e botânica Graziela Maciel Barroso.[4][5]

Em fevereiro de 1993, deixou de ser subordinado à Fundação Zoobotânica, se tornando um órgão autônomo ligado a Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Distrito Federal.[5]

Estrutura[editar | editar código-fonte]

Centro de Visitantes do Jardim Botânico.

O Jardim Botânico do Cerrado foi o primeiro do país a ter o Cerrado e sua preservação como protagonista, valorizando a conservação da biodiversidade do bioma, rico e flora e fauna, que é o segundo maior do país com mais de 6 mil espécies de árvores e 800 espécies de aves estimadas e um dos mais ameaçados, tendo perdido 20% de sua área. Diferente dos modelos vigentes de jardins botânicos brasileiros, que era baseado no modelo europeu focado em estética e lazer com aclimatação de plantas de outros locais, o Jardim Botânico foca no bioma local, apesar de ter uma parte dedicada as plantas brasileiras de outros biomas e estrangeiras, a Alameda das Nações e dos Estados. É o primeiro jardim botânico no mundo a manter coleções de plantas in situ, ou seja, no seu ambiente original.

Sua área é de de cerca de 5.000 hectares, dos quais 526 hectares são abertos à visitação, com plantas nativas e exóticas devidamente identificadas, além de uma trilha ecológica com 4.500 metros. Outros 4.429,63 hectares são ocupados pela Estação Ecológica Jardim Botânico de Brasília (EEJBB), uma área de Cerrado preservado administrada pelo Jardim Botânico. 25% dos mananciais que abastecem a região do Lago Sul, incluindo o Lago Paranoá, ficam na área do JBB.[6][7][8]

Alguns dos espaços do JBB são:

Alameda das Nações e dos Estados[editar | editar código-fonte]

Bosque Kyoto do Jardim Botânico de Brasília

Setor dedicado a plantas de outros estados e países. Foi idealizada por Georges Lodygenski sob a ideia de que Brasília, enquanto capital do Brasil, deveria ter representantes vegetais das nações que tem relações diplomáticas com o Brasil. O projeto foi previsto desde o início do JBB, mas só começou a sair do papel em 2017. Israel foi o primeiro país a instalar sua área. As embaixadas da Sérvia e de Omã já demonstraram interesse.[9][10][11] Por enquanto fazem parte da Alameda:

  • Jardim Polonês, representando a Polônia;[8]
  • A Praça de Israel e o Jardim Bíblico, representando Israel;[12]

Anfiteatro[editar | editar código-fonte]

Fica junto a Alameda das Nações e dos Estados e é voltado a grandes eventos. Experimentos florestais de Eucaliptos e Pinus ficam ao fundo do local.[9]

Jardim Sensorial do Jardim Botânico.

Biblioteca da Natureza[editar | editar código-fonte]

Biblioteca voltada para crianças e adolescentes, tem acervo literário infanto-juvenil, livros didáticos, gibis e brinquedos com temática ambiental. No espaço também fica a Sala Verde, que serve para exposição de vídeos ambientais e oficinas.[9]

Escola Classe Jardim Botânico[editar | editar código-fonte]

Uma escola regular que fica no Jardim Botânico, parte da rede da Secretaria de Educação do Distrito Federal. São oferecidas turmas do primeiro ao quinto ano. Por sua localização, o ensino é muito mais voltado para os cuidados ao meio ambiente.[13]

Bosque de Kyoto[editar | editar código-fonte]

Um bosque onde foram plantadas árvores nativas do Cerrado no ano da assinatura do Protocolo de Kyoto, em apoio e homenagem aos países signatários.[9]

Centro de Excelência do Cerrado (Cerratenses), destinado a pesquisas, exposições itinerantes e projetos ambientais (Elza Fiúza/Agência Brasil)

Casa de Permacultura e Jardim de Cheiros[editar | editar código-fonte]

No Jardim de Cheiros ou Jardim Sensorial os visitantes tem contato com ervas medicinais, aromáticas e condimentares, que estimulam os cinco sentidos.

Na Casa de Permacultura, utilizado por educadores para promoção de encontros e exposições de arte, os visitantes podem observar as plantas e seus sistemas cíclicos e evolutivos. Há ainda um quintal agroflorestal e uma unidade de captação de água da chuva.[9]

Cerratenses - Centro de Excelência do Cerrado[editar | editar código-fonte]

Uma superintendência criada para fortalecer a pesquisa e a disseminação de conhecimento referente ao Cerrado. Fica na parte mais alta do JBB. O Cerratenses foi inaugurado em 2015 com projeto arquitetônico de Roberto Lecomte, Catarina Macedo e Samuel Pinheiro Guimarães [14] Conta com biblioteca, auditório, seis salas de escritório, banheiros, espaços para exposições e um mirante onde se pode ver boa parte da área de Cerrado preservada.[15]

Lago no centro do Jardim de Contemplação.

Biblioteca do Jardim Botânico de Brasília

A principal biblioteca do Jardim Botânico tem aproximadamente 2.700 volumes, entre livros, enciclopédias, mapas, periódicos, manuais, fotografias, teses e documentos digitais.[9]

Escola Superior do Cerrado

Oferece cursos de graduação e pós-graduação de curta duração como Gestão Ambiental e Gestão de Recursos Hídricos e de Resíduos Sólidos.[8]

Jardim de Contemplação e Jardim Japonês[editar | editar código-fonte]

A Casa de Chá.

Os dois espaços foram inaugurados juntos em 2012. Em torno de um lago central ficam seis jardins que representam seis biomas brasileiros - Mata Atlântica, Cerrado, Pampas, Floresta Amazônica, Caatinga e Pantanal - com espécies vegetais de cada um deles, permitindo ao visitante contemplar uma parcela da biodiversidade brasileira.[9] Já o Jardim Japonês é um jardim temático. Ambos são usados para educação ambiental, projetos de pesquisa e lazer.[16]

Jardim Evolutivo[editar | editar código-fonte]

Em uma área circular de aproximadamente de 3 hectares, apresenta a evolução das plantas segundo seu sistema reprodutivo baseado no Modelo Filogenético do botânico George Ledyard Stebbins, sendo bastante didático, com as plantas mais evoluídas nas bordas e as menos, no centro.[9]

Outros espaços:[editar | editar código-fonte]

  • Bosque dos Ipês;
  • Casa de Chá;
  • Centro de Visitantes;
  • Espaço Guido Pabst, com coleção de orquídeas nativas e exóticas;
  • Espaço Oribá - Área de Piquenique;
  • Estufas;
  • Jardim em movimento;
  • Herbário Ezechias Paulo Heringer
  • Horto Medicinal
  • Museu de História Natural.[9]

Referências

  1. «Horários e Ingressos». Jardim Botânico de Brasília. 20 de julho de 2020. Consultado em 12 de agosto de 2020 
  2. «Relatório para o Plano Piloto». (texto integral). brazilia.jor.br. Consultado em 30 de julho de 2020 
  3. «PLANILHA DE PARÂMETROS URBANÍSTICOS E DE PRESERVAÇÃO» (PDF). seduh.df.gov.br. Consultado em 28 de julho de 2020 
  4. a b «História do Jardim Botânico de Brasília». Jardim Botânico de Brasília. Consultado em 11 de agosto de 2020. Arquivado do original em 28 de setembro de 2008 
  5. a b c «História». Jardim Botânico de Brasília. Consultado em 11 de agosto de 2020 
  6. «Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos do Distrito Federal – Brasília Ambiental». Consultado em 14 de novembro de 2008. Arquivado do original em 29 de dezembro de 2008 
  7. «Visitação pública do Jardim Botânico de Brasília». Consultado em 14 de novembro de 2008. Arquivado do original em 4 de outubro de 2008 
  8. a b c «Jardim Botânico de Brasília inaugura Escola Superior do Cerrado». Jardim Botânico de Brasília. Consultado em 12 de agosto de 2020 
  9. a b c d e f g h i «Conheça o Jardim Botânico». Brasília.gov.br. Consultado em 11 de agosto de 2020 
  10. «Alameda das Nações e dos Estados». Escritório de Assuntos Internacionais do Governo do Distrito Federal. 14 de novembro de 2017. Consultado em 12 de agosto de 2020 
  11. «Escola no Jardim Botânico de Brasília inclui educação ambiental na rotina dos alunos». Agência Brasília. 12 de setembro de 2020. Consultado em 7 de maio de 2017 
  12. «Jardim contará a história de Israel por meio de referências bíblicas». Correio Braziliense. 15 de agosto de 2018. Consultado em 12 de agosto de 2020 
  13. «Escola no Jardim Botânico de Brasília inclui educação ambiental na rotina dos alunos». Agência Brasília. 7 de maio de 2017. Consultado em 12 de agosto de 2020 
  14. «Centro de Excelência do Cerrado é inaugurado em Brasília». ICMBio. 2015. Consultado em 12 de agosto de 2020 
  15. «Centro de Excelência do Cerrado». Jardim Botânico de Brasília. Consultado em 12 de agosto de 2020 
  16. «Jardim Botânico de Brasília inaugura espaço 'japonês' e de 'contemplação'». G1. 26 de maio de 2012. Consultado em 12 de agosto de 2020 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]