Jarid Arraes

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Jarid Arraes
Arraes em 2016
Nascimento 12 de fevereiro de 1991 (29 anos)
Juazeiro do Norte
Nacionalidade brasileira
Ocupação escritora, cordelista e poeta
Principais trabalhos
  • As Lendas de Dandara
  • Heroínas Negras Brasileiras em 15 cordéis
  • Um buraco com meu nome
  • Redemoinho em dia quente
Página oficial
http://jaridarraes.com/

Jarid Arraes (Juazeiro do Norte, 12 de fevereiro de 1991) é uma escritora, cordelista e poeta brasileira, autora dos livros As Lendas de Dandara, Heroínas Negras Brasileiras em 15 cordéis, Um buraco com meu nome e Redemoinho em dia quente. Atualmente vive em São Paulo, onde criou o Clube da Escrita Para Mulheres. Até o momento, tem mais de 60 títulos publicados em Literatura de Cordel, incluindo a coleção Heroínas Negras na História do Brasil.[1][2]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Desde a infância teve forte contato com a literatura, sobretudo pela influência do seu avô, Abraão Batista, e de seu pai, Hamurabi Batista, ambos cordelistas e xilogravadores (artistas de xilogravura). Cresceu entre manifestações de cultura tradicional nordestina, frequentando o Centro de Cultura Popular Mestre Noza,[3] associação de artesãos que existe até hoje, mas suas influências literárias não se limitaram ao cordel; leitora de grandes poetas, buscava os livros de Carlos Drummond de Andrade, Paulo Leminski, Manuel Bandeira e Ferreira Gullar como principais interesses. No entanto, foi percebendo, enquanto crescia, que seu acesso a obras de escritoras era precário, o que lhe trouxe motivação para pesquisar e conhecer mulheres que marcaram a história não só como autoras e poetas, mas nas mais diversas áreas do conhecimento, principalmente mulheres negras, que percebia serem ainda mais esquecidas das escolas e mídia.

Começou a publicar seus escritos aos 20 anos de idade, no blog Mulher Dialética. Logo passou a colaborar em blogs como o Blogueiras feministas e o Blogueiras Negras e em 2013 se tornou colunista da Revista Fórum, onde manteve o blog Questão de Gênero até Fevereiro de 2016.[4] Na Revista Fórum, atuava também como jornalista e escrevia matérias sobre as mais diversas ramificações dos Direitos Humanos, como feminismo, movimentos de luta contra o racismo, direitos LGBT, entre outros.

Jarid morou em Juazeiro do Norte/CE até 2014 e participou de coletivos regionais, como o Pretas Simoa (Grupo de Mulheres Negras do Cariri) e o FEMICA (Feministas do Cariri), o qual fundou. Em dezembro de 2014 mudou-se para São Paulo, onde passou a fazer parte da ONG Casa de Lua até o seu fechamento.

Em Julho de 2015, Jarid Arraes publicou As Lendas de Dandara, seu primeiro livro em prosa e em edição independente que contou com ilustrações de Aline Valek. Em menos de 1 ano, a tiragem foi completamente esgotada e a obra foi republicada em dezembro de 2016 pela Editora de Cultura. O livro nasceu da necessidade de resgatar a história de Dandara dos Palmares, contada como esposa de Zumbi dos Palmares, e tem a proposta de misturar lendas e fantasia com fatos históricos sobre a luta quilombola no período da escravidão no Brasil.[5]

Jarid Arraes também criou o Clube da Escrita Para Mulheres em outubro de 2015, realizando encontros periódicos com o objetivo de encorajar mulheres que escrevem ou desejavam começar a escrever.[6] O Clube da Escrita Para Mulheres é um projeto gratuito que se expandiu em 2017 e se tornou um coletivo contando com a participação de outras integrantes e escritoras.

Além do livro As Lendas de Dandara, suas obras mais conhecidas são os cordéis da Coleção Heroínas Negras da História do Brasil; neles, são resgatadas biografias de grandes mulheres negras que marcaram a história brasileira, como Antonieta de Barros, Carolina Maria de Jesus, Tereza de Benguela, Laudelina de Campos Melo, entre outras. A autora também possui cordéis infantis, como “A menina que não queria ser princesa” e “A bailarina gorda” e “Os cachinhos encantados da princesa”.

Em Junho de 2017, Jarid lançou o livro “Heroínas Negras Brasileiras em 15 cordéis” pela Pólen Livros e realizou eventos de lançamento em São Paulo e no Rio de Janeiro, ambos recorde de vendas da Blooks Livraria com exemplares totalmente esgotados.[7][8] Ainda em 2017, no dia 12 de outubro, a atriz e cantora Thalma de Freitas apresentou um espetáculo musical interpretando o livro “Heroínas Negras Brasileiras” na casa Jazz nos Fundos localizada em São Paulo/SP.[9]

Em Julho de 2018, Jarid Arraes lançou seu primeiro livro de poesia, Um buraco com meu nome, publicado pelo selo Ferina, do qual se tornou curadora.[10] O livro foi apresentado pela primeira vez durante a Festa Literária Internacional de Paraty. A autora foi também a responsável pelas ilustrações de sua obra.

O selo Ferina, da editora Pólen, foi lançado em Maio de 2018 com a proposta de publicar autoras brasileiras. Um Conselho Editorial de mulheres foi formado com profissionais de diversas áreas, incluindo a escritora Márcia Wayna Kambeba, autora indígena, a autora de literatura afrobrasileira Cidinha da Silva, a coordenadora do Museu Afro Brasil Neide Almeida, a designer e ilustradora Raquel Matsushita, a ilustradora venezuelana Valentina Fraiz, a jornalista Jéssica Balbino, a poeta Estela Rosa, a acadêmica em Literatura Heloísa Buarque de Hollanda, a livreira e coordenadora do projeto Leia Mulheres Juliana Gomes, a intelectual Jaqueline Gomes de Jesus e a jornalista Lizandra Magon de Almeida, da Pólen Editora. A formação inicial do Conselho Editorial do selo Ferina representou um marco em diversidade para o mercado editorial brasileiro, por trazer uma autora indígena, autoras negras, uma intelectual transexual, diversidade etária, entre outras.[11]

Em Outubro de 2018, seu livro "As Lendas de Dandara" foi traduzido para o francês e publicado na França, sob o título de "Dandara et les esclaves libre" pela editora Anacaona. [12] Jarid esteve em turnê de lançamento em cidades francesas e participou de eventos em Paris, na Maison de l’Amérique latine, em Rennes, em La Rochelle, no Musée du Nouveau Monde, e em Lille, na Le Bateau Livre, além de ter visitado liceus e universidades.

Em Julho de 2019, lançou seu primeiro livro de contos, “Redemoinho em dia quente”, pela Alfaguara (Companhia das Letras). O primeiro lançamento aconteceu durante a FLIP, para a qual Jarid foi convidada oficialmente. [13]

Na Flip, Jarid Arraes participou da mesa “Vila Nova da Rainha”[14] com participação da escritora cubano-americana Carmen Maria Machado com a mediação da jornalista Adriana Couto, e da mesa "Livro da cabeceira",[15] tradicional mesa de encerramento do evento. Dois livros de Jarid entraram na lista de mais vendidos da Flip: “Heroínas Negras Brasileiras em 15 cordéis” e “Redemoinho em dia quente”[16]. Por sua participação de destaque na Flip, foi capa do caderno de cultura do jornal Estadão,[17] foi entrevistada pela Folha de S.Paulo[18] e saiu em revistas como a Marie Claire,[19] Claudia e Vogue Brasil,[20][21] como um dos nomes mais importantes da Flip e da literatura brasileira.

Também aconteceram eventos de lançamento de “Redemoinho em dia quente” no Rio de Janeiro e em São Paulo.[22] No Rio, Jarid conversou com mediadoras do Leia Mulheres Rio de Janeiro na Livraria da Travessa Botafogo; em São Paulo, houve bate-papo com o escritor Marcelino Freire no Centro Cultural São Paulo[23], além de uma exposição fotográfica com fotos clicadas pela própria autora. As fotografias foram feitas em Juazeiro do Norte e Crato-CE, na região do Cariri, terra natal da autora e também onde os contos do livro “Redemoinho em dia quente” estão ambientados. A exposição fotográfica contou com a curadoria da fotógrafa Maria Ribeiro, que também editou as fotos.

As primeiras cinquenta pessoas que compraram o livro “Redemoinho em dia quente” no evento de lançamento ganharam um cordel inédito da autora. O folheto continha duas histórias: o primeiro sendo a versão completa de um cordel que faz parte de um dos contos do livro, “Asa no pé”, e o segundo – baseado livremente nos pensamentos existencialistas de Jean-Paul Sartre – intitulado “Patas vazias”.

Já colaborou com diversos portais e revistas, entre eles a Folha de São Paulo,[24] as revistas impressas Quatro Cinco Um,[25] Caros Amigos, Claudia, Cult e Blooks,[26] teve poesias publicadas em veículos como a Revista Parênteses e a Revista Gueto,[27] participou de uma antologia de poesias da TAG Experiências Literárias. Também escreveu o cordel Chega de Fiu Fiu em parceria com a ONG Think Olga e o titulo "Informação Contra o Machismo" em parceria com a Artigo 19.[28][29]

Lista de obras[editar | editar código-fonte]

  • Heroínas Negras Brasileiras em 15 Cordéis: Desde 2012, a autora Jarid Arraes tem se dedicado a desvendar a história das mulheres negras que fizeram a História do Brasil. E não bastava conhecer essas histórias, era preciso torná-las acessíveis e fazer com que suas vozes fossem ouvidas. Para isso, Jarid usou a linguagem poética tipicamente brasileira da literatura de cordel. E vendeu milhares de seus cordéis pelo Brasil, alertando para a importância da multiplicidade de vozes e oferecendo exemplos de diversidade para as mulheres atuais. Neste livro, reunimos 15 dessas histórias, que ganharam uma nova versão da autora e a beleza das ilustrações de Gabriela Pires.
  • As Lendas de Dandara: Na sociedade do período do açúcar, a casa-grande era a residência do senhor de engenho. Seu conforto contrastava de modo gritante com a miséria e as péssimas condições de higiene das senzalas, onde moravam os escravos. O tratamento dado a eles era cruel, envolvendo castigos sangrentos, ataques sexuais e dolorosas explorações físicas e mentais. Afinal, eles não passavam de semoventes – criaturas que se moviam por si, como os cavalos, as vacas e os cachorros da fazenda. E que podiam ser vendidos, trocados, emprestados ou doados, como qualquer outro animal na posse do senhor branco. É contra essa estrutura odiosa que se ergue Dandara dos Palmares, guerreira e companheira de Zumbi, que luta à frente das formações de palmarinos dispostos a reconquistar a liberdade de a dignidade para si e para seus irmãos escravizados. As Lendas de Dandara é um romance que busca preencher lacunas de uma história do Brasil que nunca foi bem contada.
  • Um buraco com meu nome: Em seu livro de estreia na poesia, a escritora e cordelista Jarid Arraes dedica seus poemas àqueles que não encontram matilha. Àqueles que procuram um buraco para chamar de seu – talvez toca, talvez a cova íntima que nem sempre encontramos quando precisamos de abrigo. Nas quatro partes do livro – Selvageria, Fera, Corpo Aberto e Caverna – Jarid cava fundo, com unhas e presas, em busca desse lugar.
  • Redemoinho em dia quente: Focando nas mulheres da região do Cariri, no Ceará, os contos de Jarid Arraes desafiam classificações e misturam realismo, fantasia, crítica social e uma capacidade ímpar de identificar e narrar o cotidiano público e privado das mulheres. Uma senhora católica encontra uma sacola com pílulas suspeitas e decide experimentar um barato que a leva até o padre Cícero, uma lavadeira tenta entender os desejos da filha, uma mototáxi tenta começar um novo trabalho e enfrenta os desafios que seu gênero representa ― a autora narra a vida de mulheres com exatidão, potência e uma voz única na literatura brasileira contemporânea.

Suas outras produções são cordéis que abordam temas biográficos e historiográficos acerca de histórias de "heroínas negras brasileiras"; além de cordéis infantis e uma série recente de Lendas da África. São 60 cordéis assinados pela autora.

Referências

  1. «Como cordéis estão sendo usados para debater questões sociais nas escolas - Educação - BOL Notícias». noticias.bol.uol.com.br. Consultado em 10 de março de 2018 
  2. «Cordelista e feminista: Jarid Arraes, protesto contra a opressão». Trip 
  3. «Jarid Arraes: "Escrevo para honrar minha ancestralidade"». cartacapital.com.br. Consultado em 13 de abril de 2018 
  4. «Questão de Gênero - Revista Fórum». Revista Fórum 
  5. «Jarid Arraes, Dandara e a tradição popular - Revista Fórum». Revista Fórum. 26 de agosto de 2015 
  6. «Clube da Escrita para Mulheres». Consultado em 13 de abril de 2018. Arquivado do original em 14 de março de 2018 
  7. «Apagadas da história, heroínas negras se tornam protagonistas em coletânea de cordéis». revistacult.uol.com.br. Consultado em 10 de março de 2018 
  8. «Quando uma escritora negra independente é recorde de lançamento». medium.com. Consultado em 13 de abril de 2018 
  9. «Noite ÁfricaBrasil com Thalma de Freitas e Yannick Delass». Consultado em 13 de abril de 2018. Arquivado do original em 14 de abril de 2018 
  10. «Novo selo enfoca questões femininas». publishnews.com.br 
  11. «Selo Ferina estreia com conselho editorial exclusivo de mulheres». catracalivre.com.br 
  12. «Les Afro-Brésiliennes dans l'Histoire : rencontres avec Jarid Arraea». anacaona.fr 
  13. «Flip anuncia cordelista e escritora Jarid Arraes em sua programação». folha.uol.com.br 
  14. «Corpos e linguagens rumo ao direito de existir». flip.org.br 
  15. «Livro de cabeceira: mesa ganha novo formato e encerra a Flip». flip.org.br 
  16. «A lista mais plural da história da Flip». publishnews.com.br 
  17. «Jarid Arraes faz as pazes com o seu sertão em 'Redemoinho em Dia Quente'». estadao.com.br 
  18. «'Me promovi tão bem que não dava mais para me ignorar', diz Jarid Arraes». folha.uol.com.br 
  19. «Mulheres são destaque na Flip que traz Kristen Roupenian, autora de "Cat Person"». revistamarieclaire.globo.com 
  20. «Jarid Arraes leva a literatura de cordel para o palco da Flip». vogue.globo.com 
  21. «Flip 2019: 5 escritores que fortalecem narrativas periféricas». vogue.globo.com 
  22. «Marque na agenda - 15/07 a 21/07». blogdacompanhia.com.br 
  23. «Bate-papo e lançamento do livro Redemoinho em Dia Quente, de Jarid Arraes». http://centrocultural.pagina-oficial.ws 
  24. «Lady Gaga me ensinou a nascer como escritora, diz Jarid Arraes». Consultado em 29 de julho de 2019 
  25. «Colaboradores: Jarid Arraes - Poeta e cordelista, é autora de Um buraco com meu nome (Ferina).». quatrocincoum.com.br 
  26. «A literatura de cordel como tradição transformadora». Consultado em 29 de julho de 2019 
  27. «cinco poemas de Jarid Arraes». Consultado em 29 de julho de 2019 
  28. «Chega de Fiu Fiu: ciberfeminismo contra o assédio sexual» (PDF). Consultado em 13 de abril de 2018 
  29. «Questão de gênero e acesso à informação». Consultado em 13 de abril de 2018 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]