Jean Maurice Faivre

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Jean Maurice Faivre
Nascimento 21 de setembro de 1795
Jura
Morte 30 de agosto de 1858
Cidadania Brasil

Jean Maurice Faivre (Combe Raillard, Jura, França, 21 de setembro de 1795 - Colônia Teresa Cristina, 30 de agosto de 1858) foi um médico naturalista e maçom. Fundador da Colônia Teresa Cristina, amigo do Barão de Antonina, de Dom Pedro II, da Imperatriz Teresa Cristina e de Gustave Rumbelsperger.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Vindo de uma família de agricultores, Jean era filho de Pierre Joseph Faivre e de Marie Anne Lemard. Era estudioso e devoto à São Maurício. Se formou em Medicina em 1825 e, no mesmo ano, é iniciado na Maçonaria. Em 1826, vem para o Brasil, onde já consegue um emprego na 7ª Enfermaria no Hospital Militar da Corte. Foi um dos cinco fundadores da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro em 30 de junho de 1829 , que depois passou a ser, em 1835, Academia Imperial de Medicina, por um decreto regencial. Em 24 de abril de 1830, o ato de fundação oficial da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, quando foi lido o Decreto Imperial estiveram presentes o Marques de Caravelas, Ministro e Secretário de Estado e Negócios do Império, José Bonifácio de Andrada e Silva e seu irmão Martim Francisco Ribeiro de Andrada, o Marquês de Maricá, o Marquês de Baependi, e membros honorários como, Auguste de Saint-Hilaire. Jean atendeu a Imperatriz Teresa Cristina, José Bonifácio e outros personagens importantes da Corte. Amigo pessoal de Dom Pedro II, este lhe conferiu a comenda da Imperial Ordem da Rosa e a comenda da Imperial Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo, as duas no grau de Cavaleiro.

Família[editar | editar código-fonte]

Em 1840, já com quarenta e cinco anos, apaixona-se e se casa com Anne Taulois, vinte e cinco anos mais jovem que ele. Ela era filha de Pierre Louis Taulois, irmã de Pedro Luís Taulois e prima de 1º grau de Gustave Rumbelsperger, que viria ser seu braço direito e melhor amigo. Em 28 de março de 1841, Anne entra em trabalho de parto e sua filha Marie nasce morta. Cerca de quarenta e quatro dias após, Anne falece. Este desenlace causa profunda dor e transtorno existencial no Dr. Faivre.

Viagens[editar | editar código-fonte]

Profundamente consternado pela morte da esposa e filha decide realizar viagens, visitando algumas províncias. Esteve durante certo tempo em Mato Grosso. O Ministro da Fazenda, Cândido José de Araújo Viana, o Visconde de Sapucaí, no final de 1841, nomeia Dr. Faivre para realizar um estudo sobre as águas termais de Caldas Novas e Caldas Velhas em Goiás, as quais se diziam ter poderes curativos para a lepra. Depois de dois anos de estudos, Faivre chegou a conclusão que tais águas não curavam a doença, mas que eram excelentes para alguns problemas de pele. Esteve durante sua estadia naquele local, junto aos leprosos que vinham de todas as partes do país, pensando em se curarem nas águas ditas milagrosas. Dr. Faivre estudou a lepra, enviando trabalhos para a Academia de Medicina e para a França. Foram importantes seus estudos sobre lepra. O Dr. Faivre, depois da morte de sua esposa e filha, das quais jamais se esqueceria, resolve abandonar todas as diversões da Corte, as quais eram muitas, seus contatos com barões, viscondes, imperador, imperatriz e etc..., que não lhe significavam muito pois a vida de um médico, por mais que ele seja admirado, em qualquer local ela será sempre sacrificada. Ponderando em cima destes conflitos existenciais põe em ação um sonho antigo seu. Após visitar várias províncias, fundou no interior do Paraná, a Colônia Teresa Cristina.

O Sonho de Faivre[editar | editar código-fonte]

O seu sonho de fundar uma colônia agrícola nos moldes socialistas era antigo. Em suas viagens, conheceu João da Silva Machado, o futuro Barão de Antonina. Um latifundiário, que gozava de prestigio onde era elemento de confiança do governo, e que foi um dos homens que trabalhou para a Emancipação do Paraná. João da Silva Machado tornou-se amigo do Dr. Faivre e nas longas conversas que mantiveram, Faivre se empolgou com as qualidades exuberantes das terras e as grandes possibilidades da exploração fluvial do Rio Ivaí. A convite do futuro barão, Dr. Faivre visitou as terras tão decantadas. Sonhou mais uma vez e decidiu que seria nestas terras que fundaria a colônia. Seria para ele e para as pessoas que acreditavam nele, o verdadeiro eldorado e um local onde não existissem escravos, onde o índio seria civilizado sem passar pelo estágio de escravidão, onde houvesse felicidade, igualdade e todos fossem iguais a todos, uma concepção verdadeiramente socialista, sem ambições de riquezas pessoais, mas sim riqueza e felicidade para todos. Faivre então retorna à França com a esperança de conseguir adeptos que o acompanhassem na sua aventura. A Imperatriz Teresa Cristina o apoiou, achando que trazendo colonos da Europa para o Brasil seria muito interessante para o país, e assim lhe ofereceu seis contos de reis para pagar parte das despesas. Para juntar mais dinheiro, o Dr. Faivre vende todos os seus bens no Rio de Janeiro. Só não vendeu livros e instrumentos médicos. E, com 108 contos de réis, Faivre conseguiu que 64 franceses o ajudassem nessa empreitada, incluindo seus sobrinhos Urban e Lucien Faivre, filhos de sua irmã mais nova Marie Victorine, nascida em 1799. Em 1842, Dom Pedro II, para ajudar o Dr. , enviou o seu amigo engenheiro francês, Gustave Rumbelsperger, para a futura Colônia.

Fim da vida[editar | editar código-fonte]

Em 1847, no Vale do Rio Ivaí, a Colônia Theresa Cristina se desenvolveu rapidamente graças a seus esforços. Muitas famílias brasileiras procuraram estabelecer-se nesta região, todos subordinados ao Dr. Faivre, cuja energia era espantosa. Foi o diretor moral e financeiro da Colônia e ainda mestre dos compatriotas. Todos tinham-lhe grande confiança e dedicavam-lhe sincera estima. Morre em 30 de agosto de 1858, deixando para o cargo de Diretor, seu braço direito, Gustave Rumbelsperger.

A Colônia Thereza foi objeto do livro "Retrato no Entardecer de Agosto" do jornalista e escritor Luiz Manfredini, publicado em setembro de 2016[2].

Referências