Jean Meslier

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Jean Meslier

Jean Meslier (Mazerny, 15 de junho de 1664 - Étrépigny, 17 de junho de 1729) foi um sacerdote católico francês. Sua notoriedade se deve à autoria de um tratado filosófico promovendo o ateísmo, descoberto após sua morte. Apresentado como um "testamento" aos seus paroquianos e a toda humanidade, o texto denuncia a "falsidade e vanidade de todas as divindades e de todas as religiões do mundo"[1][2].

Dele é a conhecida frase erroneamente atribuída a Voltaire: "O homem só será livre quando o último rei for enforcado nas tripas do último padre", encontrada no livro Extrait des sentiments de Jean Meslier, editado por Voltaire.

Biografia[editar | editar código-fonte]

O abade Jean Meslier nasceu em 1664 na vila Marzeny, localizada no norte da França. Filho de Gerard Meslier, um agricultor com certa notoriedade dono de algumas terras e comerciante de tecidos[3], não obstante, fazia parte da pequena e média burguesia, dedicando seu esforço ao trabalho agrário[4].

Sua infância carece de registro a não ser por sua assinatura como padrinho de batismo de sua irmã aos 8 anos de idade[5]. Ingressou aos 20 anos no seminário de Reims, onde estudou durante 5 anos dando inicio a sua carreira eclesiástica.

Em 1689, Meslier torna-se padre da paróquia de Etrérpigny onde seguiu sua carreira como abade por 4 décadas até sua misteriosa morte em 1729.  Um episodio ocorrido em vida nos chama atenção para o esconso desejo de sublevação do padre contra a nobreza. Em 1716 o senhor Antoine de Touly – acusado por Meslie de despotismo e de cometer iniquidades contra seu servos - reclama para o arcebispo François de Mailly a recusa do abade de cita-lo na homilia. Convocado a retratar no domingo seguinte o padre declarou em tom irônico: 

"Eis a sorte ordinária dos podres curas; os arcebispos, que são grandes senhores, despresam-nos e não os escutam, só têm ouvidos para a nobreza. Oremos pois pelo senhor deste local. Roguemos a Deus por Antoine de Touly; que Ele o converta e lhe conceda a graça de não maltratar o podre e despojar o órfão."[6]

Com isso Touly mais uma vez se queixa ao arcebispo que condena Meslier a 1 mês de reclusão no seminário Reims.

Após seu falecimento, foram encontrados em seu cômodo uma carta dirigida aos párocos da vizinhança, seu testamento posteriormente chamado de Memorias e um pequeno texto intitulado como Anti-fenelon[7]

Referências

  1. Piva, P. J. L. Ateísmo e comunismo: o lugar de Jean Meslier na filosofia política das Luzes. Cadernos de Ética e Filosofia Política 7, 2/2005, p. 99-107
  2. Thinker: Jean Meslier. New Humanist Volume 122 Issue 4 July/August 2007 (em inglês)
  3. MINOIS, Georges (2012). História do ateismo - os descrentes no mundo ocidental, das origens aos nossos dias. São Paulo: UNESP. 359 páginas  Verifique data em: |acessodata= (ajuda);
  4. PIVA, Paulo Jonas de Lima (2006). Ateísmo e revolta - os manuscritos de Jean Meslier. São Paulo: Alameda. 74 páginas  Verifique data em: |acessodata= (ajuda);
  5. Piva, Paulo Jonas de Lima (2006). Ateísmo e revolta - os manuscritos de Jean Meslier. São Paulo: Alameda. 74 páginas  Verifique data em: |acessodata= (ajuda);
  6. MINOIS, Georges (2012). História do ateísmo - os descrentes no mundo ocidental, das origens ao nossos das. São Paulo: UNESP. 360 páginas  Verifique data em: |acessodata= (ajuda);
  7. NASCIMENTO, M. das G. de S. (1985). O estranho testamento de um vigário de província: as Memórias de Jean Meslier. São Paulo: Trans/Form/Ação. pp. 71–72  Verifique data em: |acessodata= (ajuda);

Ligações externas[editar | editar código-fonte]