Jiboia-constritora

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Como ler uma caixa taxonómicaBoa constrictor
Boa constrictor

Boa constrictor
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Subreino: Eumetazoa
Filo: Chordata
Subfilo: Vertebrata
Superclasse: Tetrapoda
Classe: Sauropsida
Subclasse: Diapsida
Ordem: Squamata
Subordem: Serpentes
Infraordem: Alethinophidia
Superfamília: Henophidia
Família: Boidae
Género: Boa
Espécie: B. constrictor
Nome binomial
Boa constrictor
Linnaeus, 1758
Subespécies

Boa c. amarali (STULL 1932)
Boa c. constrictor LINNAEUS 1758
Boa c. mexicana JAN 1863
Boa c. nebulosa (LAZELL 1964)
Boa c. occidentalis PHILIPPI 1873
Boa c. orophias LINNAEUS 1758
Boa c. ortonii COPE 1877

A jiboia-constritora (Boa constrictor) ou simplesmente jiboia[1] é uma serpente que pode chegar a um tamanho adulto de 2 metros (Boa constrictor amarali) a 4 metros (Boa constrictor constrictor), raramente chegando a este tamanho máximo. Existe no Brasil, onde é a segunda maior cobra (a maior é a sucuri) e pode ser encontrada em diversos locais, como na Mata Atlântica, restingas, mangues, no Cerrado, na Caatinga e na Floresta Amazônica.

No Brasil, existem duas subespécies: a Boa constrictor constrictor (Forcart, 1960) e a Boa constrictor amarali (Stull, 1932). A primeira é amarelada, de hábitos mais pacíficos e própria da região amazônica e do nordeste. A segunda, jiboia-amarali, pode ser encontrada mais ao sul e sudeste do país, sendo encontrada algumas vezes em regiões mais centrais do país.

É basicamente um animal com hábitos noturnos (o que é verificável por possuir olhos com pupila vertical), ainda que também tenha atividade diurna.

É considerado um animal vivíparo porque, no final da gestação, o embrião recebe os nutrientes necessários do sangue da mãe. Alguns biólogos desvalorizam essa parte final da gestação e consideram-nas apenas ovovivíparas porque, apesar de o embrião se desenvolver dentro do corpo da mãe, a maior parte do tempo é dedicado à incubação num ovo separado do corpo materno. A gestação pode levar meio ano, podendo ter de 12 a 64 crias por ninhada, que nascem com cerca de 48 centímetros de comprimento e 75 gramas de peso.

Detecta as presas pela percepção do movimento e do calor e surpreende-nas em silêncio. Alimenta-se de pequenos mamíferos (principalmente ratos), aves e lagartos que matam por constrição, envolvendo o corpo da presa e sufocando-a. A sua boca é muito dilatável e apresenta dentes serrilhados nas mandíbulas, dentição áglifa. A digestão é lenta, normalmente durando sete dias, podendo estender-se a algumas semanas, durante as quais fica parada, num estado de torpor.

Animal muito dócil, apesar de ter fama de animal perigoso, não é peçonhenta (apesar de sua mordida ser dolorosa e poder causar infecção)[1] e não consegue comer animais de grande porte, sendo inofensiva. É muito perseguido por caçadores e traficantes de animais, pois tem um valor comercial alto como animal de estimação, além de sua pele poder ser usada na confecção de artefatos de couro.[1] Uma jiboia nascida em cativeiro credenciado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis pode custar de 1 050 a 6 000 reais, às vezes mais, de acordo com sua coloração.

Existe um mercado negro de animais silvestres no Brasil, pois as leis dificultam sua criação em cativeiro, apesar do baixo risco de acidentes envolvidos na criação deste animal. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis suspendeu a licença para venda de jiboias no Estado de São Paulo, apesar de os estudos internacionais demonstrarem que o comércio regulamentado é a maneira mais eficiente de se combater o tráfico de animais exóticos.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Jiboia" provém do tupi y'bói,[1] que significa, literalmente, "cobra do arco-íris" (îy'yba, "arco-íris" + mboîa, "cobra").[1] "Constritora" é uma referência ao modo como a jiboia mata suas vítimas: apertando-as e sufocando-as.

Alimentação[editar | editar código-fonte]

As serpentes são animais que se alimentam de roedores, aves e lagartos. A frequência e quantidade de alimentos variam de acordo com o tamanho do animal.

Quando em cativeiro, é comum alimentar as jiboias com pequenos roedores, como camundongos e ratazanas jovens. Quando maiores, podem ser alimentadas com lebres, ratazanas adultas e aves (frangos).

Manuseio[editar | editar código-fonte]

Normalmente, são dóceis e bem adaptáveis, aceitando bem o manejo. É preciso se observar bem algumas orientações:

  • Sempre lavar as mãos, antes e depois de se manusear o animal;
  • Manter o terrário sempre limpo;
  • Trocar a água diariamente;
  • Retirar o animal do terrário sempre com um gancho apropriado;
  • Tomar cuidado com os olhos, pois acidentes (mordidas) podem ocorrer, e essa seria a região mais perigosa a ser afetada.
  • Sempre manter movimentos lentos e, no primeiro momento, pegar a jiboia sempre por trás da cabeça, primeiro com o dedo indicador e depois fazendo uma pinça com o dedão, evitando que a serpente se assuste e tente morder. Nunca tente vir pela frente da jiboia, pois ela pode morder.
  • Se ela for selvagem, coloque um pano sobre ela, apoie o gancho por cima de onde está a cabeça (sempre por trás) e pegue primeiro com o dedo indicador e depois fazendo uma pinça com o polegar.
  • É importante, um dia antes de se alimentar a jiboia, colocar ela para se exercitar, pois ela passará os próximos dias imóvel a fazer digestão. O ideal é que seja a cada 10 dias, no final de tarde (após as 16 horas), em gramado baixo.

Em geral, os animais são dóceis, mas o temperamento pode variar entre cada indivíduo e de acordo com o modo de tratamento dispensado a ele.

Variedades[editar | editar código-fonte]

No mundo, existe várias jiboias, sendo diferenciadas pela região onde são encontradas e pelos diferentes padrões de coloração:

  • Boa constrictor amarali (STULL 1932)
  • Boa constrictor constrictor LINNAEUS 1758
  • Boa constrictor mexicana JAN 1863
  • Boa constrictor nebulosa (LAZELL 1964)
  • Boa constrictor occidentalis PHILIPPI 1873
  • Boa constrictor orophias LINNAEUS 1758
  • Boa constrictor ortonii COPE 1877[2]

Doenças[editar | editar código-fonte]

As serpentes são animais susceptíveis a uma grande diversidade de doenças causadas por vírus, bactérias, parasitas, fungos, protozoários, pentastomídeos, helmintos, miíases, ácaros e carrapatos.

Vírus[editar | editar código-fonte]

As viroses são o principal problema em jiboias, devido à gravidade do quadro e também à capacidade de disseminação de alguns vírus. Diversos tipos de vírus foram descritos em jiboias, como adenovírus e herpesvírus causadores de lesão hepática e alguns retrovírus causadores de enterite e lesões hepáticas. Um dos principais vírus causadores de mortes é o paramixovírus. Esses vírus levam a quadros de pneumonia bastantes graves, que, frequentemente, levam o animal à morte.

Os sintomas são febre, boca semiaberta, dificuldade respiratória e até hemorragia na boca.

Referências

  1. a b c d e FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.988
  2. «Boa constrictor». The Reptile Database. Consultado em 2015-12-27. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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