João 2

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Disambig grey.svg Nota: Para as pessoas com este nome, veja João II.
Jesus transformando água em vinho, um dos episódios de João 2.
Séc. XI. Mosaico na Igreja de Chora, em Istambul.

João 2 é o segundo capítulo do Evangelho de João no Novo Testamento da Bíblia e narra algumas das mais famosas histórias sobre Jesus, como as Bodas de Caná e Jesus expulsando os cambistas do Templo de Jerusalém.

Transformando água em vinho[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Bodas de Caná

O segundo capítulo de João começa com o milagre de Jesus transformando água em vinho durante um casamento em Caná. Jesus era um dos convidados juntamente com seus discípulos. Sua mãe também estava lá e pediu-lhe ajuda quando o vinho começou a acabar. Jesus se mostrou irritado por ela ter lhe pedido um milagre e disse que ainda não era a época certa. Mesmo assim, Maria pediu aos servos que fizessem tudo o que Jesus mandasse e pediu-lhes ainda que enchesses os jarros vazios de vinho com água. Depois, o "presidente da mesa" prova o conteúdo destes jarros e diz: «Todo o homem põe primeiro o bom vinho, e quando os convidados têm bebido bastante, então lhes apresenta o inferior; mas tu guardaste o bom vinho até agora.» (João 2:10) Segundo o próprio João, a água estava lá para uso nos rituais de purificação dos judeus.

De acordo com João, este foi o primeiro milagre de Jesus e ocorre logo depois de ele ter dito a Nataniel, no capítulo anterior, «maiores coisas do que estas verás.» (João 1 50:) De acordo com a hipótese do "Evangelho dos Sinais" como uma das fontes dos evangelhos, este milagre estaria originalmente neste documento. João usa a palavra grega "semeion" ("sinal") ou "ergon" ("obra") para fazer referência a um milagre, diferente do termo "dynamis", utilizada pelos evangelhos sinóticos para este fim.[1]

O episódio pode ser visto como João realizando as professias no Antigo Testamento (como Amós 9:13-14 e Gênesis 49:10-11) sobre a abundância de vinho que haverá quano o Messias chegar.[2] Festas de casamento messiânicas também foram mencionadas em Isaías 62:4-5.[3] Em Marcos 2:21:22, Jesus fala sobre "novos odres de vinho", pode também ser interpretado da mesma forma. A mãe de Jesus, cujo nome não aparece neste evangelho, volta a ser citada em João 19, durante a crucificação de Jesus. O próximo milagre ou sinal de Jesus neste evangelho é a cura do filho do oficial em João 4.

O relato segue informando que Jesus seguiu com a mãe, seus irmãos e discípulos para Cafarnaum por "uns poucos dias"', mas não se sabe o que aconteceu ali em seguida. Este milagre só aparece no relato de João e os demais evangelhos sinóticos não mencionam nem Jesus comparecendo a um casamento antes de sua chegada em Cafarnaum e nem a presença de sua mãe e irmãos com ele. Lucas 4 e Mateus 4 narram Jesus indo primeiro a Nazaré e depois a Cafarnaum depois do batismo de Jesus e sua tentação no deserto. Marcos 1 relata que ele foi diretamente para Cafarnaum (depois da Tentação), onde ele reúne seus discípulos (que estavam com ele em Caná) e realiza milagres (1 25:34). Depois de a autoridade e poder de Jesus ter sido demonstrados, ele e seus discípulos vagaram pela Galileia pregando e expulsando demônios (Marcos 1:38-39). Marcos continua relatando que eles retornaram a Cafarnaum.

Os cambistas[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Jesus expulsando os cambistas

A história de Jesus revirando as mesas dos cambistas no Templo vem em seguida. Jesus viaja para Jerusalém para a Páscoa judaica, a primeira das três vezes relatadas em João. A seguinte em João 7, na qual ele participa da Festa dos Tabernáculos, e a última na ocasião da Paixão). Jesus entra no pátio do Templo, vê as pessoas vendendo gado e trocando dinheiro e explode:

«e tendo feito um azorrague de cordas, expulsou a todos do templo, as ovelhas bem como os bois, derramou pelo chão o dinheiro dos cambistas, virou as mesas e disse aos que vendiam as pombas: Tirai daqui estas coisas; não façais da casa de meu Pai uma casa de negócio.» (João 2:15-16)

João afirma que os discípulos se lembraram de «O zelo da tua casa me devorará» (João 2:17), provavelmente um jogo de palavras com «Pois o zelo da tua casa me consumiu, E as afrontas dos que te afrontam caíram sobre mim.» (Salmos 69:9), novamente implicando em Jesus como o realizador de antigas profecias. Se de fato eles se lembraram disso durante o incidente é incerto.[4]

Logo depois, os judeus pedem que Jesus realize um "milagre" para que ficasse demonstrada sua autoridade para expulsar os cambistas. Em uma de suas mais famosas frases, Jesus responde: «Deitai por terra este santuário, e em três dias o levantarei» (João 2:19). Claramente, o povo acreditava que ele estaria falando do edifício do Templo, mas João afirma que Jesus falava de seu próprio e que seus discípulos se lembraram disso depois da sua ressurreição. João conta que Jesus realizou diversos milagres nesta Páscoa e que muitos creram nele, mas que «o próprio Jesus não confiava neles, porque conhecia a todos, e não precisava que alguém lhe desse testemunho do homem; pois ele mesmo conhecia o que havia no homem.» (João 2:24-25) É possível que João tenha incluído esta passagem para demonstrar que Jesus conhecia a mente e o coração das pessoas, um dos atributos de Deus.[5]

A partir desta seção, começa o antagonismo entre Jesus e "os judeus", como João se refere a eles, um sinal de que o texto provavelmente era dirigido a uma audiência não-judaica. O Templo já havia sido destruído quando João escreveu seu evangelho e ele tenta demonstrar que, desde o começo, o "antigo Templo" estava destinado a ser substituído pelo "novo Templo", o corpo ressuscitado de Jesus, os cristãos e a nova comunidade de fieis. Para muitos estudiosos, isto já demonstraria uma divisão entre o judaísmo em geral e a nova comunidade de João. Alguns dos manuscritos do Mar Morto também se referem a uma comunidade como um "templo".[6]

João menciona o incidente com os cambistas como tendo ocorrido no princípio do ministério de Jesus enquanto os evangelhos sinóticos o relatam como tendo ocorrido pouco antes da crucificação de Jesus. Alguns estudiosos insistem que teria havido dois incidentes. É provável que João tenha realocado a história para o começo do ministério para demonstrar que a prisão de Jesus teria sido por causa da ressurreição de Lázaro (em João 11) e não pelo incidente no Templo, que nos demais evangelhos acontece em Marcos 11:12-19, Mateus 21:12-17 e Lucas 19:45-48.[7]

Ver também[editar | editar código-fonte]


Precedido por:
João 1
Capítulos da Bíblia
Evangelho de João
Sucedido por:
João 3

Referências

  1. Brown 339
  2. Brown 340
  3. Brown et al. 954
  4. Miller 204
  5. Brown et al. 955
  6. Brown et al. 954
  7. Brown et al. 954

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Brown, Raymond E. (1997). An Introduction to the New Testament. [S.l.]: Doubleday. ISBN 0-385-24767-2 
  • Brown, Raymond E.; et al. (1990). The New Jerome Biblical Commentary. [S.l.]: Prentice Hall. ISBN 0-13-614934-0 
  • «John 2». NIV at biblegateway.com. Consultado em 5 de setembro de 2005 
  • «John 2». KJV at etext.lib.virginia.edu. Consultado em 5 de setembro de 2005. Arquivado do original em 22 de julho de 2001 
  • Miller, Robert J. (1994). The Complete Gospels. [S.l.]: Polebridge Press. ISBN 0-06-065587-9 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]