João Braga

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João de Oliveira e Costa Braga ComIH (Lisboa, 15 de abril de 1945), conhecido como João Braga, é um fadista português.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Natural do bairro de Alcântara, filho de Óscar José da Costa Braga (1907 - 1985) e de sua mulher Maria de Lourdes de Oliveira e Costa (c. 1920 - 1988), estreou-se em público aos nove anos, como solista do coro do Colégio de São João de Brito. Em 1957 a sua família mudou-se para Cascais, vila onde começou a cantar em casas de fado amador.

Em junho de 1964 João Braga inaugura o Estribo como casa de fados, em parceria com Francisco Stoffel, mudando-se ambos para o bar Cartola, em novembro do mesmo ano. Em 1965 recebe o seu primeiro cachet (mil escudos) nas Festas de Nossa Senhora do Castelo, em Coruche. Conhece Carlos Ramos, João Ferreira Rosa e Carlos do Carmo. É convidado a cantar, juntamente com Teresa Tarouca e António de Mello Corrêa, na festa dos 50 anos de toureio de mestre João Branco Núncio.

Em 1966 abandona os estudos de Direito, que iniciara na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. É também nesse ano que Alfredo Marceneiro, à mesa da casa de fados Tipóia, lhe dita a glosa de Carlos Conde É Tão Bom Ser Pequenino, que João Braga viria a gravar em dezembro do mesmo ano.

1967 é o ano do lançamento de João Braga como intérprete profissional, com o disco É Tão Bom Cantar o Fado, a que se juntam, no mesmo ano, três EP: Tive um Barco, Sete Esperanças, Sete Dias e Jardim Abandonado; e um LP: A Minha Cor.

No mesmo ano, na televisão, João Braga estreia-se a cantar num programa apresentado por Júlio Isidro, na RTP.[1]

Conciliando a música com as atividades de redator d'O Século Ilustrado e d'O Volante, conhece em 1968 Luís Villas-Boas, que viria a tornar-se seu produtor e parceiro na organização do I Festival Internacional de Jazz de Cascais, realizado em 1971. Ainda em 1970, porém, participa no Festival RTP da Canção e funda a revista Musicalíssimo, de que foi editor até 1974.

A 4 de outubro de 1971, em Lisboa, casou com Ana Maria de Melo e Castro (Nobre) Guedes (Lisboa, 23 de Abril de 1945), irmã de Luís Nobre Guedes. Com a Revolução dos Cravos, é emitido um mandato de captura em seu nome, o que leva a família a fixar-se em Madrid, até fevereiro de 1976.

Quando voltou do exílio, abriu o restaurante O Montinho, em Montechoro, que esteve em atividade apenas durante um verão. Em 1978, regressou à capital portuguesa, integrando o elenco do restaurante de fados Pátio das Cantigas, em Lisboa, até 1982.

Desde finais da década de 1970 João Braga dedica-se exclusivamente à sua carreira musical, como assinala o lançamento sucessivo de novos álbuns: Canção Futura (1977), Miserere (1978), Arraial (1980), Na Paz do Teu Amor (1982), Do João Braga Para a Amália (1984), Portugal/Mensagem, de Pessoa (1985) e O Pão e a Alma (1987).

Após o encerramento do Pátio das Cantigas, centrou a sua atividade nos concertos e na composição. Em 1984, surgiu pela primeira vez como autor de melodias, musicando os poemas de Fernando Pessoa, "O Menino da Sua Mãe" e "Prece", o fado "Ai, Amália", de Luísa Salazar de Sousa, e o poema "Ciganos", de Pedro Homem de Mello, num álbum a que chamou Do João Braga para a Amália Também a partir da década de 1980 foi contribuindo para a renovação do panorama fadista, através de convites a jovens intérpretes para integrarem os seus espetáculos, como surgiu com Maria Ana Bobone, Mafalda Arnauth, Ana Sofia Varela, Mariza, Cristina Branco, Katia Guerreiro, Nuno Guerreiro, Joana Amendoeira, Ana Moura ou Diamantina.

Em 1990, o seu primeiro CD, Terra de Fados, que superou as 30 mil cópias vendidas, incluiu poemas inéditos de Manuel Alegre, que pela primeira vez escreveu expressamente para um cantor. Seguiram-se Cantigas de Mar e Mágoa (1991), Em Nome do Fado (1994), Fado Fado (1997), Dez Anos Depois (2001), Fados Capitais (2002), Cem Anos de Fado - vol. 1 (1999) e vol. 2 (2001) - e Cantar ao Fado (2000), onde reúne poemas de Fernando Pessoa, Alexandre O'Neill, Miguel Torga, David Mourão-Ferreira, Manuel Alegre, entre outros.

Além do fado, interpreta um repertório diversificado, incluindo música francesa, brasileira e anglo-saxónica. O seu emocionado estilo interpretativo é caraterizado por um timbre bem pessoal, pela primazia do texto e por uma abordagem melódica imaginativa, sempre atualizada e de constante improviso (muito «estilada», em jargão fadista).

Desde os tempos da Musicalíssimo que desenvolveu qtividade na imprensa escrita, tendo sido cronista das revistas Eles & Elas e Sucesso, e dos jornais O Independente, Diário de Notícias, Euronotícias e A Capital. Em 2006, publicou o livro Ai Este Meu Coração. Participa em tertúlias desportivas na televisão, onde defende o seu Sporting Clube de Portugal.

Tem dois filhos, Filipe e Miguel Nobre Guedes Braga.

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Em fevereiro de 2017, João Braga viu-se envolto em polémica por ter escrito o seguinte na sua página do Facebook, a propósito da atribuição do Óscar de Melhor Filme a Moonlight na edição dos Prémios da Academia de 2017: "A distribuição dos Trumps – Agora basta ser-se preto ou gay para ganhar os Óscares". Devido a essas declarações, a associação portuguesa SOS Racismo anunciou a intenção de apresentar uma participação à Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial portuguesa.[2]

Discografia[editar | editar código-fonte]

Singles e EP[editar | editar código-fonte]

  • É Tão Bom Cantar o Fado (EP, Aquila, 1967)
  • Tive um Barco (EP, Aquila, 1967)
  • Sete Esperanças, Sete dias (EP, Aquila, 1967)
  • Jardim Abandonado (EP, Aquila, 1967)
  • Recado a Lisboa (EP, Philips, 1968)
  • Praia Perdida (EP, Philips, 1969)
  • Rua da Sombra Larga (EP, Philips, 1970)
  • "Amor de Raiz" (Single, Philips, 1972)

Álbuns[editar | editar código-fonte]

  • A Minha Cor (LP, Aquila, 1967)
  • João Braga Fados (LP, Philips 1969)
  • Que Povo É Este, Que Povo? (LP, Philips, 1970)
  • João Braga Canta António Calém (LP, Philips, 1971)
  • El Fado (LP, 1972)
  • Canção Futura (LP, Orfeu, 1977)
  • Miserere (LP, Orfeu, 1978)
  • Arraial (LP, Valentim de Carvalho, 1980)
  • Na Paz do Teu Amor (LP, Sasseti, 1982)
  • Do João Braga Para a Amália (LP, Sasseti, 1984)
  • Portugal/Mensagem, de Pessoa (LP, Sasseti, 1985)
  • O Pão e a Alma (LP, Silopor, 1987)
  • Terra de Fados (CD, Edisom, 1990)
  • Cantigas de Mar e Mágoa (CD, Edisom, 1991)
  • Em Nome do Fado (CD, Strauss, 1994)
  • Fado Fado (CD, BMG 1997)[3]
  • Dez Anos Depois (CD, BNC, 2001)
  • Fados Capitais (CD, A Capital, 2002; Reedição de Fado Fado de 1997)[4]
  • Cem Anos de Fado vol. 1 (CD, Farol, 1999)
  • Cem Anos de Fado vol. 2 (CD, Farol, 2001)
  • Cantar ao Fado (CD, Farol, 2000)
  • Fado Nosso (CD, CNM, 2009)

Compilações[editar | editar código-fonte]

Prémios e condecorações[editar | editar código-fonte]

João Braga foi distinguido com vários galardões:

  • Medalha de Mérito Cultural do Governo Português (1990)[1]
  • Prémio Neves de Sousa da Casa da Imprensa (1995)[1]
  • Medalha de Mérito da Cruz Vermelha Portuguesa (1996)[1]
  • Prémio de Carreira da Casa da Imprensa (1999)[1]
  • Comendador da Ordem do Infante D. Henrique (30 de Janeiro de 2006)[1][6]
  • Medalha de Mérito, grau ouro, da Cidade de Lisboa (2014)[7]

Referências

  1. a b c d e f g «Personalidades - João Braga». Lisboa: Museu do Fado. Outubro de 2008. Consultado em 9 de fevereiro de 2015 
  2. Faria, Natália (28 de fevereiro de 2017). «João Braga acusado de racismo e homofobia por comentário aos Óscares». Público. Consultado em 1 de março de 2017 
  3. «Catálogo - Detalhes do registo de "Fado Fado"». Fonoteca Municipal de Lisboa. Consultado em 13 de março de 2016 
  4. «Catálogo - Detalhes do registo de "Fados Capitais"». Fonoteca Municipal de Lisboa. Consultado em 13 de março de 2016 
  5. «Catálogo - Detalhes do registo de "João Braga"». Fonoteca Municipal de Lisboa. Consultado em 13 de março de 2016 
  6. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "João de Oliveira e Costa Braga". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 13 de março de 2016 
  7. Agência Lusa (8 de novembro de 2014). «João Braga canta no S. Luiz e recebe a Medalha de Mérito grau ouro de Lisboa». Sapo24. Consultado em 13 de março de 2016 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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