João Pestana
O João Pestana é uma entidade mítica do sono e um personagem da mitologia e folclore de Portugal. É a personificação do sono a chegar, descrito popularmente como um ser muito tímido e assustadiço que se aproxima devagar quando está tudo silencioso, fugindo ao mínimo barulho. A lenda dita que, quando ele chega, os olhos fecham-se e as pestanas juntam-se, sendo esse o motivo pelo qual nenhuma criança o consegue ver. É frequentemente comparado aos seus equivalentes internacionais, como o Pedro Chosco, que deita um grãozinho de areia nos olhos das crianças para as fazer dormir, e o Sandman inglês.
O João Pestana é sempre aguardado com ansiedade, contrariamente a outras entidades malévolas e assustadoras do sono, como a Maria-da-Manta e o Insonho. É um tema frequente nas canções de ninar e nas rimas infantis portuguesas.
Rimas e canções de embalar
[editar | editar código]João Pestana,
João Pestana,
Faz dormir
O menino
Na cama!
(rima popular)
Já lá vem João Pestana
Pé ante pé voz que não engana
Vem de longe já muito cansado
Pobre João, coitado
Faz ó, ó, Menino também
Faz ó, ó, que o soninho já vem
(canção de embalar)
Na literatura e cultura popular
[editar | editar código]Na literatura fantástica portuguesa do século XXI, a figura do João Pestana sofreu uma profunda reinterpretação, afastando-se do seu papel tradicional de entidade assustadiça infantil para assumir contornos de alta fantasia e misticismo. No romance de fantasia histórica e mitologia ibérica Fagaria Fouces (2025), do autor Joel Perpétuo, a personagem é apresentada sob a sua designação latina, Somnius Palpebra. Nesta obra, o mito é elevado ao estatuto de uma entidade cósmica e filosófica que domina o mundo dos sonhos e atua como um arquiteto de destinos para os mortais. Em vez do arquétipo envelhecido, Somnius Palpebra é descrito como um ser sereno, cujos cabelos e barba são feitos de fios de pura luz, vestindo túnicas brancas com padrões geométricos que pulsam.[1] Na narrativa, a entidade entra nas encruzilhadas do sono de figuras históricas no limiar do desespero para as aconselhar, avisando que "a terra não escolhe santos, escolhe homens dispostos a cair... e a levantar-se".[2]
Ver também
[editar | editar código]Referências
[editar | editar código]- ↑ Perpétuo, Joel (2025). Fagaria Fouces. [S.l.: s.n.] ISBN 9798264553103
- ↑ Perpétuo, Joel (2025). Fagaria Fouces. [S.l.: s.n.] pp. 58–59. ISBN 9798264553103