João Pinheiro Freire da Cunha

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João Pinheiro Freire da Cunha (Lisboa, 23 de abril de 1738 - Lisboa, 26 de julho de 1811), gramático e linguista português.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nasceu como filho ilegítimo de João Pinheiro Freire e de Joséfa Caetana da Cunha. Após os seus primeiros estudos nas escolas dos Jesuítas em Lisboa, tomou a Murça de Cónego Secular de São João Evangelista e passou a freqüentar o curso filosófico na Universidade de Évora em 1755. A partir do ano lectivo de 1758 estudou teologia na Universidade de Coimbra mas interrompeu os seus estudos, ao sair da ordem em 1 de fevereiro de 1760.

Tendo-se sujeitado-se ao exame da Direcção Geral do Ensino em 31 de maio de 1760, Pinheiro fez parte dos primeiros mestres particulares da língua latina que foram autorizados a exercer a sua profissão em conformidade com as regras estabelecidas pela Reforma Pombalina do Ensino de 1759. Após sucessivos exames, Pinheiro continuou a exercer a actividade docente até 1772.

Neste ano, uma lei que estabeleceu o ensino da ortografia portuguesa levou Pinheiro a fundar a Academia Ortográfica Portuguesa, uma organização destinada tornar público o ensino da ortografia como disciplina linguística, tendo-se igualmente dedicado à gramática da língua portuguesa. Faziam parte do público-alvo os professores de gramática latina, mas também quaisquer elementos populares e até pessoas indigentes e estrangeiros. Para acompanhar as actividades desta academia que até 1804 contava com mais de 6000 sócios, Pinheiro publicou grande número de livros e folhetos de natureza didáctica ou publicitária.

A sua obra principal é o Breve Tratado da Ortografia Para os que não freqüentaram os estudos: Ou Diálogos Sobre as mais principais regras da Ortografia, úteis para o Povo menos instruído, e para os que não tendo freqüentado as Aulas, se acham hoje empregados nos escritorios públicos, e dezejam acertar na praxe, sem grande multiplicidade de regras, que nam lhes são fáceis de compreender; e muito mais proveitosos aos meninos, que freqüentam as escolas. Esta obra teve pelo menos dez edições desde 1769 e 1814, tendo as primeiras sete edições uma tiragem de dez mil exemplares.

Também publicou entre muitas outras obras: Academia Ortográfica – Confêrencia I e II (1779-1789), Conjugações Portuguesas (1791), Gêneros Portugueses (1794, 1798), Proluzões da Gramática Portuguesa (1794), Adivinhações Curiosas, e Instructivas, nas quais igualmente se contém, e explicam alguns dos mais delicados emblemas, e melhores lugares da fábula para inteligência da historia mitológica (1798-1805), Memórias da Academia Ortográfica (1804), Reino da Poesia (1801, 1806), Genealogia Paperífera (1811).

João Pinheiro Freire da Cunha faleceu em Lisboa em 26 de Julho de 1811, deixando a Academia Ortográfica Portuguesa aos cuidados de seu filho Francisco Pinheiro Freire da Cunha (1777-?). A Academia Ortográfica Portuguesa continuou a existir pelo menos até 1814.

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Kemmler, Rolf (2007a): A Academia Orthográfica Portugueza na Lisboa do Século das Luzes: Vida, obras e actividades de João Pinheiro Freire da Cunha (1738-1811), Frankfurt am Main: Domus Editoria Europaea (Beihefte zu Lusorama; 1. Reihe, 12).