João Rodrigues (missionário)

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João Rodrigues
Nascimento 1558, 1560 ou 1561
Sernancelhe, Sernancelhe
Morte 1633 ou 1634
Macau
Nacionalidade Português
Ocupação Missionário, Linguista

João Rodrigues (Sernancelhe, 1558, 1560 ou 1561Macau, 1633 ou 1634) foi um sacerdote, um missionário jesuíta, de origem portuguesa, que atuou no Japão e também na China. Foi, também, um linguista, tendo escrito o primeiro dicionário de japonês-português e a primeira gramática da língua japonesa. É conhecido no Japão por João Rodrigues Tçuzu (o Intérprete).

Biografia[editar | editar código-fonte]

Com apenas 14 anos, João Rodrigues embarcou com destino à Índia. Pouco depois da sua chegada ao Japão em 1577, foi iniciado na Companhia de Jesus. Dedicou-se ao ensino da gramática e do latim e à aprendizagem da língua japonesa e alguns anos mais tarde concluiu os estudos em teologia em Nagasaki.

Depois de ordenado sacerdote em Macau regressou ao Japão, onde se tornou comerciante, diplomata, político e intérprete entre os japoneses e os navegadores estrangeiros. A sua fluência no idioma oriental mereceu-lhe uma relação especial com os principais líderes japoneses durante o período de guerra civil e da consolidação do xogunato de Tokugawa Ieyasu. Nesta época também testemunharia à expansão da presença portuguesa nesta nação e à chegada do primeiro inglês, William Adams.

Durante este período, teve a oportunidade de escrever as suas observações sobre a vida japonesa, incluindo eventos políticos da emergência do xogunato e uma descrição detalhada da cerimónia do chá. Nos seus escritos revelou uma abertura de espírito sobre a cultura do seu país anfitrião, chegando a elogiar a santidade dos monges budistas.

João Rodrigues seria expulso do Japão no ano de 1610, como consequência de um incidente com o navio português Madre de Deus. Este navio tinha estado envolvido em um conflito em Macau em 1609, no qual foram mortos marinheiros japoneses. Ao voltar a Nagasaki, as autoridades japonesas tentaram abordar e prender o capitão André Pessoa. Na escaramuça, o navio foi incendiado e afundou ao tentar sair do porto da cidade e, em retaliação pelo incidente diplomático, os missionários cristãos foram expulsos do país.

Regressando a Macau, dedicou-se à investigação das origens das comunidades cristãs estabelecidas no local desde o século XIII. Faleceu a 1 de Agosto de 1633, tendo ficado sepultado na então igreja de São Paulo (hoje Ruínas de São Paulo).

Obras[editar | editar código-fonte]

Considerado um clássico para o conhecimento do Japão e uma das bases para o estudo do japonês arcaico, a obra do padre João Rodrigues é composta por:

  • Vocabvlario da Lingoa de Iapam (Vocabulário da Língua do Japão, Nippo jisho em japonês), o primeiro dicionário de japonês-português (1603).
  • Arte da Lingoa de Iapam (Arte da Língua do Japão, Nihon-dai bunten em japonês), a primeira gramática da língua japonesa (1604).
  • História da Igreja no Japão, em que incluiria também as observações do jesuíta sobre a história e a cultura do Japão da sua época e das décadas anteriores. Partes deste manuscrito foram copiadas (provavelmente transcritas a partir de um ditado oral) em Macau nos meados do século XVII e acabaram por chegar a Lisboa. O original e outra cópia foram enviados para Manila e depois para Madrid. O original continua na capital espanhola mas o segundo passou para as mãos de privados.

Representações na cultura[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • João Rodrigues's Account of Sixteenth-Century Japan, Michael Cooper, London: The Hakluyt Society, 2001 (ISBN 0904180735)
  • Dictionnaire universel d'histoire et de géographie, Marie-Nicolas Bouillet e Alexis Chassang, 1878
  • Rodrigues the Interpreter: An Early Jesuit in Japan and China, Michael Cooper, Weatherhill, 1974
  • The Christian Century in Japan (1951), Charles R Boxer

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]