João de Portugal, Duque de Valência de Campos

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D. João de Portugal (c. 1346 / 1352Salamanca, 1387 / 1400), filho do rei Pedro I de Portugal e de Inês de Castro. João foi um dos potenciais candidatos à coroa portuguesa durante a crise de 1383-1385. Foi Infante de Portugal e, em Castela, Duque de Valencia de Campos.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Muitos historiadores duvidam do casamento de seus pais. Outros, de acordo com a declaração de Cantanhede, feita pelo rei em 12 de junho de 1360, consideram verdadeiro o casamento secreto do rei com sua mãe, a dama galega D. Inês de Castro. Nesse mesmo ano, foi feito 1.º Senhor de juro e herdade da terra e Julgado de Lafões, das vilas de Seia, Porto de Mós, Gulfar, Sátão, Penalva, Rio de Moinhos, Besteiros, Sever, Fonte Arcada, Benviver, Moimenta, Armamar, Tanha, Riba de Vizela, Figueiredo, Aguiar da Beira, Cerquiz, Oliveira do Conde e Oliveira do Bairro com suas jurisdições e rendas, todas concedidas por mercê de seu pai D. Pedro I, por Carta de data desconhecida de 1360, para ele e seus descendentes. Teve, também, o Senhorio de Gouveia, que lhe deu seu irmão D. Fernando I.[1]

Foi muito favorecido do seu pai e, em menor medida, do seu meio-irmão, o rei D. Fernando I, ao contrario de seu outro irmão D. Dinis, que teve de se desterrar.

Segundo nos informa o cronista Fernão Lopes govaza grande popularidade junto do povo e da nobreza, o que o tornava um candidato potencial ao poder na falta de varão herdeiro do rei D. Fernando I.

Casou secretamente c. 1375 com D. Maria Teles de Meneses, nascida c. 1337 e casada primeira vez com geração c. 1357 com D. Álvaro Dias de Sousa, uma nobre portuguesa da poderosa família dos Meneses, irmã da rainha D. Leonor Teles de Meneses e filha de D. Martim Afonso Teles de Meneses e de sua mulher Aldonça de Vasconcelos.[1] D. João, segundo Fernão Lopes, casou «por palavras de presente», portanto dispensando o casamento publico e a bênção nupcial, não se tratando assim de um casamento absolutamento legítimo. Isto terá necessariamente ocorrido entre 1376 e 1378. Em 1378, Domingos Anes Arrepiado, Cavaleiro de Santarém, teve perdão real porque andava a tratar do casamento do Infante D. João com D. Maria Telles.

Em Novembro de 1379, D. João, talvez mais espicaçado pela visão do trono do que pela infidelidade de sua mulher, assassinou injustamente nos seus Paços de Coimbra, a par de São Bartolomeu, D. Maria Teles, alegadamente por suspeitas de infidelidade, e mais provavelmente com a esperança de um novo casamento, com a Infanta D. Beatriz, filha de D. Fernando I, fortalecendo assim seus direitos ao Trono. Segundo os cronistas, a rainha sua cunhada D. Leonor Teles assim o deixara falsamente esperar por falsas promessas e que, ao mesmo tempo que lhe fazia crer no adultério de sua mulher, lhe prometia a mão de sua filha.[1]

Longe de conseguir tal casamento foi perseguido pelos parentes da mulher e, por sua vez, obrigado pela sua segurançaa deixar a Pátria, fugiu e passou para Castela, onde já se encontrava o seu irmão D. Dinis. Tomou armas contra Portugal, atacando Trancoso e Elvas, o que levou D. Fernando I a julgá-lo por traidor e inimigo da Pátria, com perda de sucessão ao Reino.Se não tivesse sido arrastado ao assassínio de sua mulher, subiria, provavelmente, ao trono, pois era muito estimado dos Portugueses pelas suas boas qualidades e génio.[1]

Casou segunda vez com D. Constança de Castela, la Rica Hembra, Senhora de Alba de Tormes, filha natural do rei D. Henrique II de Castela e de Elvira Íñiguez de la Vega, la Corita, por cujo casamento teve, de juro e herdade, o Condado de Valência de Campos, que ficou conhecido por Valência de Don Juan, com outras terras. O seu pai, em seu Testamento de 29 de Maio de 1374, não menciona o nome de sua mãe. Em 1386 foi feito 1.º Duque de Valência de Campos.[1]

Permaneceu em Castela até à Crise de 1383-1385, durante a qual foi um dos clamantes do reino de Portugal, em concorrência com a Princesa D. Beatriz de Portugal, D. João, Mestre de Avis, e D. João I de Castela. Mas este, temendo que voltasse a Portugal e fosse aclamado Rei, encerrou-o numa prisão em Salamanca.[1] Foi preso por ordem deste em Castela no inicio da crise o que o afastou concretamente da luta pelo Trono Português.

Foi, contudo, defendido pelo Partido Legitimista-Nacionalista, chefiado por Martim Vasques da Cunha, e seus filhos e irmãos (senhores de Tábua) durante as Cortes de Coimbra de 1385. A alta nobreza defendia a sua nomeação como o legítimo pretendente ao trono.

O Partido Nacionalista, liderado pelo Mestre de Avis, expugnava a hipótese de D. João e de D. Dinis (filhos de D. Pedro e D. Inês de Castro) serem os preteridos ao trono, uma vez que por alturas das guerras entre D. Fernando I (seu meio irmão, pela parte do pai) contra o rei de Castela, estes teriam lutado contra Portugal.

Na altura das Cortes de Coimbra de 1385, este encontrava-se preso em Castela.

Faleceu em Salamanca, Leão, em 1387 ou em 1400, onde foi sepultado no Mosteiro de Santo Estêvão.

Descendência[editar | editar código-fonte]

Do seu primeiro casamento com D. Maria Teles de Meneses, filha de Martim Afonso Telo de Meneses e de sua mulher Aldonça Anes de Vasconcelos, teve um único filho:

Do seu segundo casamento com D. Constança de Castela, Senhora de Alba de Tormes, teve duas filhas:

Castelo de Valencia de Don Juan (Espanha)
  • D. Maria ou Beatriz de Portugal (nascida em 1381), Senhora de Valencia de Campos, de quem descende a família castelhana de Acuña (em português seria da Cunha), Condes de Valencia de Don Juan (título Castelhano), ao ter casado c. 1396 com Martim Vasques da Cunha (c. 1357 - 1417) (precisamente o principal partidário português do seu sogro, referido em cima), filho de Vasco Martins da Cunha, 7.º senhor de Tábua;
  • D. Isabel Brites ou Beatriz de Portugal (nascida em 1382), casada com Pedro Niño, 1.º Conde de Buelna em 1431, falecida em 1454, com geração feminina;
  • D. Joana de Portugal (nascida em 1384), solteira e sem geração.

O Infante D. João teve, ainda, duma mulher desconhecida, um filho e uma filha naturais:

O Infante D. João teve, ainda, doutra mulher desconhecida, dois filhos naturais:

Teve um filho natural de Maria Anes:

Maria Anes foi depois casada com João ..., que podia também ter-se chamado Gonçalo Pires, do qual teve Beatriz Anes (c. 1389 -), casada c. 1404 com Diogo Fernandes de Almeida, 1.º Senhor do Sardoal, do qual foi primeira mulher, com geração, e Luís Anes (c. 1390 -), Cónego da Colegiada de Guimarães e Abade de São Cosme de Garfe, com geração sacrílega.

Casou c. 1395 com Teresa Anes Andeiro (- 8 de Abril de 1440), filha de João Fernandes Andeiro, 2.º Conde de Ourém, e de sua mulher Joana Bezerra ou Maior Fernandes de Moscoso,[4] da qual teve um filho e uma filha:

  • D. Fernando da Guerra, 1.º Senhor de Bragança (nasceu em 1385). A 10 de Janeiro de 1407, D. João I de Portugal doou as terras de Seia, Santa Marinha, São Romão, Folhadal, Penalva, Folhadosa, Vila Cova e Valezim, com suas jurisdições, a D. Fernando da Guerra, seu meio sobrinho, que ora, em 1406, casou com Leonor Vasques Coutinho (c. 1378 -), sem geração, tal como as trouxera seu irmão inteiro mais velho D. Pedro da Guerra, das quais fora o 1.º Senhor, o qual viria ainda a ser Senhor de Povolide, Nespereira, Folgosela e Ribafeita a 30 de Março de 1407.

Referências

  1. a b c d e f Vários. Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira Editorial Enciclopédia, L.da [S.l.] pp. Volume IX. 382. 
  2. Fernão Lopes. Crónica de el-rei D. Pedro I [S.l.: s.n.] pp. Suplemento, Capítulo 3. 
  3. Fernão Lopes. Crónica de el-rei D. João I [S.l.: s.n.] pp. Volume 2, Capítulo 129. 
  4. Lopes 1895-1896, p. 59, Vol. III, Cap. CXXXIV.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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