Joana D'Arc Félix de Souza

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Joana D'Arc Félix de Souza
Nascimento 22 de outubro de 1963 (55 anos)
Franca, São Paulo, Brasil
Nacionalidade brasileira
Alma mater Universidade Estadual de Campinas
Instituições Escola Técnica Estadual (ETEC) Prof. Carmelino Corrêa Júnior
Campo(s) Química

Joana D'Arc Félix de Souza (Franca, 22 de outubro de 1963) é uma química, professora e cientista brasileira. Recebeu o Prêmio Kurt Politzer de Tecnologia, na categoria "Pesquisadora do Ano", em 2014.

É docente e pesquisadora na Escola Técnica Estadual (ETEC) Prof. Carmelino Corrêa Júnior, em Franca, cidade do interior de São Paulo. Atua em pesquisas envolvendo reaproveitamento e aplicação de couro e pele suína entre outros.[1]

A docente é conhecida por sua suposta história de superação, segundo a qual, vindo de família pobre teria conseguido realizar um pós-doutorado em Harvard e recebido dezenas de prêmios acadêmicos. Seu relato foi indicado para ser representado em um filme. No entanto, apresentou diploma falso de pós-doutorado pela Universidade de Harvard, além de uma série de incosistências em seus relatos acerca de sua trajetória acadêmica [2][3].

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascida em Franca, cidade do estado de São Paulo, filha de empregada doméstica e de um profissional de curtume, aprendeu a ler aos 4 anos, sempre incentivada pelos pais a seguir o caminho da educação.[4] Concluiu o ensino médio na Escola Estadual Torquato Caleiro. Influenciada pelo trabalho do pai, optou pelo curso de Química, sendo aprovada nos vestibulares da USP, Unesp e Unicamp, aos 19 anos de idade.[5]

Ingressou na Unicamp, onde fez iniciação científica durante a graduação, tendo sido a primeira da família a concluir o ensino superior.[4] Na mesma universidade concluiu seu mestrado e doutorado, este último concluído em 1994.[6]

Desde 1999 atua como docente e pesquisadora na Escola Técnica Prof. Carmelino Corrêa Júnior, em Franca, onde desenvolve pesquisas cimento ósseo, que usa o colágeno do couro e a hidroxiapatita extraída da escama de peixes além a em soluções para que os resíduos do couro não afetem o meio ambiente.[7]

Foi agraciada com o Prêmio Kurt Politzer de Tecnologia em 2014, da Associação Brasileira da Indústria Química (Abquim), como reconhecimento aos projetos de inovação tecnológica na área, especialmente a pesquisa que desenvolveu a aplicação da pele suína em transplantes de pele em seres humanos.[8][9][10]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Inconsistências no currículo[editar | editar código-fonte]

Diploma falsificado produzido pela docente Joana D'Arc e encaminhando ao jornal O Estado de São Paulo. É possível verificar a presença de erro gráfico na redação do conteúdo do suposto documento.

Em maio de 2019, uma reportagem do jornal O Estado de São Paulo trouxe a tona uma série de inconsistências no currículo da docente. De acordo com a reportagem, a professora apresentou um certificado de pós-doutorado falso da Universidade Harvard, além de informar que entrou aos 14 anos na graduação de química na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), dado que não corresponde com a realidade, segundo a reitoria da Universidade.[3][11]

Um dia após o surgimento das dúvidas acerca de sua trajetória, Joana D'Arc admitiu ter mentido sobre sua formação:

Nunca fui efetivada como aluna, porque não podia me ausentar por muito tempo, por conta dos problemas de saúde de minha mãe. Não tenho diploma de pós-doutorado em Harvard. Peço desculpas por esse transtorno. Foi uma falha minha e deveria ter dito antes que não tinha o certificado"

O próprio ex-orientador de Joana fez críticas à ex-aluna em uma entrevista, segundo o pesquisador, Professor Titular do Departamento de Química Orgânica da UNICAMP. Nas palavras do cientista: "Não confio nos resultados dela. Ela fala muito, mas comprova muito pouco".[12]

Dívida com a Fapesp[editar | editar código-fonte]

A Sousa também foi condenada pela Justiça a devolver 278 mil reais à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) por não prestar contas de auxílios recebidos em uma pesquisa de 2007. A sentença contra Joana é de fevereiro de 2013. Na decisão, além da ausência da prestação de contas, o juiz Randolfo Ferraz de Campos ainda aponta irregularidades prestadas pela pesquisadora. O ressarcimento dos valores foi cobrado pela Justiça em sete oportunidades entre 2013 e 2016 sem que a ré se manifestasse. Em maio de 2017, a ação foi suspensa porque Joana não possuía bens no valor da ação para serem penhorados.[13]

Escritos[editar | editar código-fonte]

  • Sintese total de (+)-cularina, (+)-sarcocapnina, (+)-sarcocapnidina (+)-crassifolina (1994). Tese de doutorado.[14]

Referências

  1. Eduardo Carneiro (23 de maio de 2017). «PhD em Harvard, brasileira supera fome e preconceito e soma 56 prêmios na carreira». Consultado em 10 de outubro de 2017 
  2. «Em 'Roda Viva' inédito, Joana D'Arc reafirmou que entrou na Unicamp aos 14». VEJA.com. Consultado em 15 de maio de 2019 
  3. a b «Professora que vai virar filme tem diploma falso de Harvard.». 14 de maio de 2019. Consultado em 15 de maio de 2019 
  4. a b «Joana D'Arc superou a pobreza e hoje acumula prêmios». Encontro com Fátima Bernardes. Globoplay. 31 de maio de 2017 
  5. «Personalidade 2017: JOANA D'ARC FÉLIX». O Globo. 14 de fevereiro de 2018. Cópia arquivada em 22 de janeiro de 2019 
  6. Tainá Manna (23 de maio de 2017). «'Passei fome, mas tracei meta de conseguir vencer', diz mulher que enfrentou preconceitos e se tornou cientista». Consultado em 10 de outubro de 2017 
  7. G1 (2 de agosto de 2015). «Jovem é premiado por criar fertilizante a partir de resíduos de couro em SP». Consultado em 10 de outubro de 2017 
  8. Giovana Girardi (31 de outubro de 2012). «Pele artificial é criada com derme de porco». Consultado em 10 de outubro de 2017 
  9. Veja (6 de maio de 2016). «Brasileira cria pele artificial com tecido de porco». Consultado em 10 de outubro de 2017 
  10. CRQ4 (2014). «Reconhecimento - Empresas querem investir em trabalho ganhador do Prêmio CRQ-IV». Consultado em 10 de outubro de 2017 
  11. «Cientista nega falsificação de diploma de pós-doutorado em Harvard». 15 de maio de 2019. Consultado em 15 de maio de 2019 
  12. EPTV. «Orientador de cientista que forjou diploma critica ex-aluna». ACidade ON Campinas. Consultado em 16 de maio de 2019 
  13. «Professora Joana Félix foi condenada por não prestar contas à Fapesp». ISTOÉ Independente. 17 de maio de 2019. Consultado em 17 de maio de 2019 
  14. SOUSA, Joana D'Arc Felix de. Sintese total de (+)-cularina, (+)-sarcocapnina, (+)-sarcocapnidina (+)-crassifolina. 1994. [310]f. Tese (doutorado) - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Química, Campinas, [SP. Disponível em:http://www.repositorio.unicamp.br/handle/REPOSIP/250613.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]