Joaninha

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaCoccinellidae
Joaninha, exibindo corpo redondo típico da família Coccinellidae.
Joaninha, exibindo corpo redondo típico da família Coccinellidae.
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Sub-reino: Eumetazoa
Filo: Arthropoda
Subfilo: Hexapoda
Classe: Insecta
Subclasse: Pterygota
Superordem: Endopterygota
Ordem: Coleoptera
Subordem: Polyphaga
Infraordem: Cucujiformia
Superfamília: Cucujoidea
Família: Coccinellidae
Géneros

Joaninha é o nome popular dos insetos coleópteros da família Coccinellidae. Geralmente têm o corpo redondo e colorido, com muitas espécies predadoras de pragas agrícolas e com grande importância na agricultura, pois atuam como controle biológico[1][2]. Muitas espécies podem ser confundidas com outro grupo de besouros pequenos e coloridos, da família Chrysomelidae.

Características[editar | editar código-fonte]

Joaninha em voo, exibindo as asas que ficam geralmente escondidas sobre sua carapaça colorida.

Os cocinelídeos possuem corpo geralmente bem redondo ou semiesférico, cabeça pequena e antenas curtas, 6 patas e asas membranosas bem desenvolvidas, mas protegidas por uma carapaça quitinosa (chamada élitro) que geralmente apresenta cores vistosas (vermelho, verde, amarelo, entre outras cores)[2]. Podem medir de 0,8 milímetros (como as espécies muito pequenas de Carinodulinka) até 1,8 centímetros de comprimento (como as espécies Megalocaria)[1].

Como os demais coleópteros, passam por uma metamorfose completa durante seu desenvolvimento. As larvas, geralmente, têm corpo achatado e longo, com tubérculos ou espinhos e faixas coloridas ao seu longo. Possuem duas antenas curtas (com 8 a 11 segmentos) que servem para sentir o cheiro e o gosto. Há cerca de 6000 espécies na família[1], distribuídas por mais de 350 gêneros, distinguíveis pelos padrões de cores e pintas da carapaça, além de outras características.

Alimentação[editar | editar código-fonte]

Joaninha se alimentando de pulgões de plantas.

A maioria das espécies são predadoras, no entanto também existem algumas espécies de joaninhas que comem folhas, pólen ou até fungos[1]. As espécies predadoras se alimentam de afídios, moscas da fruta, cochonilhas, ácaros e outros tipos de invertebrados, a maioria deles nocivos para as plantas[2][1]. Uma vez que a maioria das suas presas causa estragos às colheitas e plantações, as joaninhas destacam-se por serem benéficas pelos agricultores[2]. Apesar da grande utilidade, estes insetos sofrem ameaça dos agrotóxicos utilizados pelos agricultores em suas plantações, embora a maioria das espécies não seja considerada como ameaças.[3]

São relativamente poucas as espécies herbívoras de joaninhas, sendo todas elas classificadas dentro do grupo conhecido como Epilachnini, se alimentando principalmente de plantas das famílias Solanaceae e Cucurbitaceae[2].

Defesa[editar | editar código-fonte]

Certas espécies de joaninha têm a capacidade de soltar líquido de cheiro desagradável, através de glândulas localizadas na pernas, que servem principalmente como defesa contra predadores[1][2].

Crenças populares[editar | editar código-fonte]

Popularmente as joaninhas tem crenças populares de darem felicidade, sorte, serenidade.[4]

Papel regulador no ecossistema[editar | editar código-fonte]

Larva de joaninha se alimentando de pulgão, uma praga agrícola.

A maioria das joaninhas são excelentes predadores, em suma maioria,  alimentam-se de ovos e larvas de outros insetos, influindo de forma direta neste ecossistema. Em algumas culturas agrícolas, são consideradas como papel regulador, agem no controle biológico, proporcionando, então, proteção à diversidade, contribuindo também para a fertilidade do solo. Nos dias atuais, a busca por alimentos orgânicos apresenta considerável aumento porcentual, o que acarreta em uma maior produção, assim, para conseguir  excelência em  resultados. Pesquisadores e cultivadores tem usado como prática tecnológica o uso desses animais no papel de controladores naturais, no contexto do uso de recursos naturais para equilíbrio bioecológico. Desta maneira, há uma necessidade de conhecimento das fases vitais deste animal (ovo, larva, pupa e adulto). Fontes de pesquisas mostram a eficácia que as mesmas apresentam.[5]

Ciclo de vida da joaninha[editar | editar código-fonte]

Larva de joaninha em seu formato típico, de corpo alongado e com pequenos "espinhos".

As joaninhas são organismos dioicos, ou seja, existem fêmeas e machos, que são morfologicamente diferentes. A fecundação é interna e pode ocorrer diversas vezes ao ano, sendo que em cada ciclo reprodutivo, a fêmea pode colocar de 150 a mais de 200 ovos por postura.[6] As fêmeas colocam os ovos em diversos locais, mas preferem aqueles colonizados pelas presas que são alimentos de suas larvas. Da sua eclosão até atingir a forma adulta, as joaninhas sofrem metamorfose completa.

A partir da eclosão, as larvas se dispersam pela planta à procura de alimento, crescem e desenvolvem-se; após a fase larval, transformam em pupa e quando adultos, se dispersam à procura de um novo habitat, mostrando boa mobilidade entre agrossistemas. O ciclo de vida das joaninhas depende muito de cada espécie e da sua dieta, mas no geral, após período que varia entre 2 a 5 dias da postura, as larvas eclodem e começam a se alimentar[7]. Elas em nada se parecem com as joaninhas adultas. São alongadas e podem apresentar uma coloração escura.

Após um período que pode variar de uma semana até cerca de 10 dias, a larva se fixa a um local que pode ser a superfície de uma folha e se transforma na pupa, que irá resultar no indivíduo adulto[7]. O estágio de pupa pode durar até cerca de 12 dias[7]. Após este período, a parede da pupa se abre e emerge a forma adulta da joaninha. Assim que sai da pupa, o exoesqueleto do inseto é mole e vulnerável, por isso, a joaninha adulta permanece imóvel durante alguns minutos, até que ele endureça e ela possa voar. No estado adulto, as joaninhas estão prontas para a reprodução.[7]

Foi estudado em laboratórios de pesquisas a joaninha Cycloneda sanguinea . Notando maior longevidade e fertilidade em relação as fêmeas deste predador. Outro fator importante, foi levantado em experimentos, quando notou-se em gaiolas fechadas a capacidade em reprodução, produzindo descentes em maior larga escala, quando sua dieta era baseada com pulgões (Hyadaphis foeniculi). [8]

Taxonomia[editar | editar código-fonte]

A classificação dos diferentes grupos (taxonomia) de joaninhas têm mudado de acordo com os avanços científicos. Por muito tempo foram consideradas 6 a 7 subfamilias de joaninhas[1]. No entanto, em 2011, após uma extensa pesquisa genética com várias espécies de joaninhas, foi determinada a seguinte classificação[1]:

Subfamília Microweiseinae Leng, 1920[editar | editar código-fonte]

Subfamília Coccinellinae Latreille, 1807[editar | editar código-fonte]

Algumas espécies[editar | editar código-fonte]

  • Rodolia cardinalis, originária da Austrália, que apresenta élitros de coloração vermelho-sanguínea decorados com manchas pretas. Foi introduzida em várias partes do mundo para combater cochonilhas que atacam os pomares. Também é conhecida pelo nome de joaninha-australiana.[2]
  • Cycloneda sanguinea, de ampla distribuição nas Américas, que apresenta corpo quase redondo, coloração geral vermelha clara, com a cabeça e o protórax pretos. Também é conhecida pelo nome de joaninha-vermelha.[2]
  • Coccinella septempunctata, da Europa, que apresenta geralmente de uma a sete manchas pretas sob fundo vermelho em cada élitro. Sua larva é azul com pintas amarelas. Também é conhecida pelo nome de joaninha-de-sete-pontos. Existem também joaninhas de cor amarela e verde.
  • Eurydema dominulus, apresenta cor em tons laranja ou vermelho, possui manchas pretas ou verde metálico. Apresenta asas membranosas, amanho de 10 mm, e o seu habitat em sua maioria costuma ser em terrenos cultivados. [9]

Referências

  1. a b c d e f g h SEAGO, Ainsley; et al. (2011). «Phylogeny, classification and evolution of ladybird beetles (Coleoptera: Coccinellidae) based on simultaneous analysis of molecular and morphological data» (PDF). Molecular Phylogenetics and Evolution 60(1):137-51. Consultado em 31 de dezembro de 2018 
  2. a b c d e f g h COSTA LIMA, A. (1953). Insetos do Brasil - Tomo 8: Coleópteros - Parte 2. Rio de Janeiro: Escola Nacional de Agronomia. pp. Página 283 em diante 
  3. «Embrapa Agrobiologia - Portal Embrapa». www.embrapa.br. Consultado em 17 de agosto de 2017 
  4. GUERREIRO, Julio César (5 de junho de 2014). «A IMPORTÂNCIA DAS JOANINHAS NO CONTROLE BIOLÓGICO DE PRAGAS NO BRASIL E NO MUNDO» (PDF). REVISTA CIENTÍFICA ELETRÔNICA DE AGRONOMIA. Consultado em 17 de agosto de 2017 
  5. Cividanes, Terezinha Monteiro (1 de janeiro de 2014). «CONTROLE BIOLÓGICO COM JOANINHAS: UMA TECNOLOGIA DE SUCESSO». Pesquisa & Tecnologia, vol. 11. Consultado em 16 de agosto de 2017 
  6. «Embrapa Agrobiologia - Portal Embrapa». www.cnpab.embrapa.br. Consultado em 13 de julho de 2017 
  7. a b c d "Cividanes"," Freitas", "Suguino", "Terezinha", "Anielly", "Eduardo" (2014). «CONTROLE BIOLÓGICO COM JOANINHAS: UMA TECNOLOGIA DE SUCESSO». Pesquisa & Tecnologia, vol. 11, n. 1,". Consultado em 17 de agosto de 2017 
  8. Wanderley, Paulo Alves; et al. (2003). «"Reprodução de Joaninhas Alimentadas com Pulgões e Néctar de Erva-Doce."». ENCONTRO TEMÁTICO MEIO AMBIENTE E EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA UFPB 2. Consultado em 17 de agosto de 2017 
  9. Michael, Marylene Pinto (1999). Insects- ecologia animal. São Paulo: Nobel. 17 páginas 
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