Jorge Pixley

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Jorge V. Pixley (Chicago, 1937) é um teólogo cristão estadunidense.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho de missionários batistas, viveu durante sua infância e parte de sua juventude na América Central. Estudou no Colégio Batista de Manágua, onde se terminou o ensino médio em 1955. Realizou seus estudos universitários no Wheaton College de Illinois e em Kalamazoo, onde se casou com Jayne Babcock. Na Faculdade de Teologia da Universidade de Chicago obteve o Doutorado em Estudos Bíblicos. Foi ordenado como pastor batista em 1963.[1][2]

Em 1963, foi nomeado professor de Bíblia no Seminário Evangélico de Porto Rico. Em 1969-1970 foi convidado a ministrar aulas magistrais en el Instituto Superior Evangélico de Estudos Teológicos ISEDET. de Buenos Aires, onde viveu e também foi professor da Faculdade Luterana de Teologia. Entre 1975 y 1984 foi professor no Seminário Batista de México, assim como professor de História de Israel no Instituto Teológico de Estudos Superiores de la Cidade de México. Em 1985 retornou aos Estados Unidos, porem, decidiu ir a viver a Manágua, onde esteve ministrando aulas no Seminário Batista, entre 1986 y 2002.[2] Em outubro de 2002, ele e sua esposa se aposentaram e foram a residir em Califórnia,[3] onde é diretor do Projeto América Latina, do Centro de Estudos Processuais na Escola de Teologia de Claremont.[4]

Teologia[editar | editar código-fonte]

Autor de numerosos trabalhos sobre a teologia da libertação. Seu artigo "A opção pelos pobres e o Deus bíblico" foi incluído dentro da antologia Sobre a Opção pelos Pobres, junto com textos de José María Vigil, Leonardo Boff, Pedro Casaldáliga, Julio Lois, Giulio Girardi y Jon Sobrino.[5]

Para Franz Hinkelammert, os recentes trabalhos de Pixley sobre la teologia y la filosofia do processo de Alfred North Whitehead demostram que la teologia da libertação tem entrado em um processo de renovação. Pixley se abre à dimensão de Deus, ao "drama de Deus na história", que se faz apremiante quando trata sobe o livro de Jó. Mantém um fio condutor em toda sua argumentação: a opção pelos pobres. Pero, lhe da um carácter específico: Deus é Deus de todos, ricos e pobres, e por isso tem que fazer a opção pelos pobres, no por parcialidade, "se não tivesse a opção pelos pobres, seria um Deus parcial, a favor de los ricos", seria opção contra os pobres.[6]

O poder econômico e político olha a Deus diferente de como o olham os pobres. Este "desdobramento de Deus" o trata Jorge Pixley em sua interpretação do final do livro de Jó: Deus diz aos amigos de Jó, que não têm falado "com verdade" sobre Ele, em quanto que Jó sim falou de Deus "com verdade". Aos deuses falsos só se lhes pode refutar desde a opção pelos pobres. Assim, o processo de libertação inclui ao ser humano e a Deus, ao mesmo tempo.[6]

Pixley, Hugo Assmann y Sergio Arce Martínez, são considerados os mais destacados exponentes da linha acadêmica radical da teologia da libertação.[7] Pixley tem elaborado uma síntese dos estudos bíblicos, la teologia da libertação e a filosofia do processo,[8] de modo que para ele, a teologia mais adequada à mensagem da Bíblia é a da libertação e seu melhor suporte filosófico es o processual. Partindo da leitura do texto bíblico como tal, considera que Deus responde e incide na história, o que pode se entender desde a teologia do processo proposta por Charles Hartshorne e leva a considerar, como Whitehead, dos "polos" divinos: o "primordial" (é sempre o mesmo) e o "consequente" (age na história e interage com a humanidade). A vida de Jesus Cristo foi um ministério vivo, viveu y morreu para nos libertar do pecado.[9]

Livros[editar | editar código-fonte]

  • Pluralismo de tradiciones en la religión biblica. Buenos Aires: La Aurora, 1971.
  • El libro de Job: comentario bíblico latinoamericano. San José, Costa Rica: Seminario Bíblico Latinoamericano, 1982.
  • O Reino de Deus. São Paulo: Edições Paulinas, 1986.
  • Êxodo. São Paulo: Edições Paulinas, 1987.
  • Biblia y liberación de los pobres: ensayos de teología bíblica latinoamericana. México: Centro Antonio de Montesinos, 1986.
  • La mujer en la construcción de la iglesia: una perspectiva bautista desde America Latina y el Caribe. San José, Costa Rica: DEI, 1986.
  • Opção pelos pobres (com Clodovis Boff). Petrópolis: Editora Vozes, 1986.
  • Hacia una fe evangélica latinoamericanista: una perspectiva bautista (con Israel Belo de Azevedo). San José, Costa Rica: DEI, 1988.
  • A História de Israel a partir dos pobres. Petrópolis: Editora Vozes, 1991.
  • Vida no espírito: o projeto messiânico de Jesus depois da ressurreição. Petrópolis: Editora Vozes, 1999.
  • La resurrección de Jesús, el Cristo : una interpretación desde la lucha por la vida. San José, Costa Rica: DEI, 1999.
  • Por una iglesia laica: historia de los y las creyentes que se congregan en la Convención Bautista de Nicaragua. Managua: CBN, 1999.
  • Por um Mundo Diferente - Alternativas para o Mercado Global coordenador. Petrópolis: Editora Vozes, 2003.
  • Jeremiah. St. Louis, Missouri: Chalice Press, 2004.
  • O Deus libertador na Bíblia: Teologia da libertação e Filosofia processual. São Paulo: Paulus, 2011.

Referências

  1. Bosch Navarro, Juan y Juan José Tamayo Acosta (eds.) 2001. Panorama de la teología latinoamericana: 449-463. Estella: Verbo Divino.
  2. a b Saranyana, Josep Ignasi (dir.) y Carmen-José Alejos Grau (coord.) 2002. Teología en América Latina Volumen III "El siglo de las teologías latinoamericanistas (1899-2001)": 494-499. Madrid: Iberoamericana.
  3. Almada, Lucas (2006) "Jorge Pixley, atuais desafios latinoamericanos"; Metodistas & Ecuménicos, 9 de octubre de 2006.
  4. Latin America Project; The Center for Process Studies. Consultado el 6 de enero de 2017.
  5. Vigil, José María (1991) Sobre la Opción por los Pobres: 19-31. Santander: Sal Terrae. Colección «Presencia teológica» nº 64. Managua: Nicarao 1991. Santiago de Chile: Rehue, 1992. Bogotá: Paulinas, 1994. Quito: Abya Yala, 1989.
  6. a b Hinkelammert, Franz (2009) "Apresentação"; em J. Pixley O Deus libertador na Bíblia: Teologia da libertação e Filosofia processual: 7-12. São Paulo: Paulus, 2011.
  7. Escobar, Samuel (1987) La fe evangélica y las teologías de la liberación: 192-195. El Paso, Texas: Casa Bautista de Publicaciones.
  8. Pixley, George V. (2003) "Creativity and Struggle: Process Philosophy and Liberation Theology". Seminar paper, Claremont School of Theology, 2 december 2003.
  9. Romero García, Gorgias (2009) "Reseña"; RIBLA 62: 105-109.