José Antonio Kast

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José Antonio Kast
Kast em 2021
Presidente do Partido Republicano do Chile
Período 10 de junho de 2019
a atualidade
Deputado da República do Chile
pelo Distrito N° 24, La Reina e Peñalolén
Período 11 de março de 2014
até 11 de março de 2018
Secretário Geral da União Democrática Independente
Período 30 de março de 2012
até 10 de maio de 2014
Deputado da República do Chile
pelo Distrito N° 30, Buin, Calera de Tango, Paine e San Bernardo
Período 11 de março de 2002
até 11 de março de 2014
Conselheiro de Buin
Período 1996
até 2000
Dados pessoais
Nome completo José Antonio Kast Rist
Nascimento 18 de janeiro de 1966 (56 anos)
Santiago, Chile
Nacionalidade Chileno
Progenitores Mãe: Olga Rist Hagspiel
Pai: Michael Kast Schindele
Alma mater Pontifícia Universidade Católica do Chile
Esposa María Pía Adriasola Barroilhet
Filhos 9 filhos
Partido Partido Republicano (2019-)
Independente (2016-2019)
UDI (1996-2016)
Religião Católico apostólico romano
Profissão Advogado
Assinatura Assinatura de José Antonio Kast
Website atrevetechile.cl

José Antonio Kast Rist (Santiago, 18 de janeiro de 1966) é um advogado chileno e político que concorreu à presidência do Chile na eleição presidencial no Chile em 2021. Ele serviu como membro da Câmara de Deputados do Chile, representando o Distrito 24 de Peñalolén e La Reina. Ele era membro da União Democrática Independente até 2016 e era um político independente até 2019.[1] Kast concorreu a presidente como candidato independente na eleição presidencial no Chile em 2017,[2] Desde 2018 é o líder do movimento de extrema-direita Ação Republicana (Acción Republicana).[3] Em 2019 criou o Partido Republicano chileno, de extrema-direita,[4][5][6] e o think tank Ideias Republicanas [7]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Seus pais eram Michael Kast Schindele e Olga Rist Hagspiel, imigrantes nazistas[8] alemães da Baviera que depois de chegar na década de 1950 instalaram uma fábrica de cecinas e um restaurante. Eles tiveram 9 filhos.[9] José Antonio Kast é irmão do economista, ministro e ex-governador do Banco Central do Chile, Miguel Kast (1948-1983) e tio do senador da Evolução Política, Felipe Kast.[10]

Kast estudou Direito na Universidade Católica do Chile, onde conseguiu seu primeiro contato com o Movimento Grilista.[9] Foi candidato à presidência da Federação dos Estudantes (FEUC).

Fundou um escritório de advocacia em 1990. Na década de 1990 foi também o director de uma empresa imobiliária propriedade da sua família.[11]

Carreira política[editar | editar código-fonte]

Logotipo da campanha presidencial de José Antonio Kast de 2017
Logotipo do Partido Republicano de Chile

Entre 1996 e 2000 ele foi conselheiro de Buin. Em 2001, Kast foi escolhido como membro da Câmara dos Deputados para o Distrito 30 de San Bernardo. Ele era o Secretário Geral da União Democrática Independente, um partido do qual ele renunciou para concorrer à presidência.[12]

Em 18 de agosto de 2017, ele registrou oficialmente sua candidatura independente ao Serviço Eleitoral, apresentando 43.461 assinaturas.[13] Ele foi apoiado por grupos direitistas, conservadores, libertários, nacionalistas, pinochetistas e militares aposentados, entre outros.[14][15][16] Ele obteve 523.213 votos nas eleições presidenciais, representando 7,93% do total de votos e o 4º lugar, embora as pesquisas mostrassem apenas 2% -3%.[17] Na segunda volta da eleição, ele apoiou a campanha de Sebastián Piñera, que ganhou a eleição.

Em março de 2018, durante uma turnê em algumas universidades chilenas, Kast estava programado para dar uma palestra na Universidade Arturo Prat em Iquique, mas foi fisicamente agredido por manifestantes que se opunham a suas opiniões políticas.[18] Kast também afirmou "censura" da Universidade de Concepción[19] e da Universidade Austral do Chile.[20]

Em abril de 2018, José Antonio Kast revelou o movimento político de direita chamado Ação Republicana.[3]

Kast confirmou suas intenções de ser candidato nas eleições presidenciais no Chile em 2021.[21]

Em maio de 2019, criou o think tank Ideias Republicanas e em junho de 2019 criou o Partido Republicano chileno.

Durante os protestos chilenos de 2019, ele rejeitou os violentos tumultos e a destruição da propriedade privada e pública, defendendo o conceito de lei e ordem.

No plebiscito nacional do Chile de 2020 sobre a mudança da Constituição chilena, ele apoiou a opção de Rejeição que perdeu para a Aprovação tendo 21,72% a primeira e 78.28% a segunda e foi uma das principais faces da opção.

Na eleição para Convenção Constitucional Chilena de 2021, ele fez um pacto político com a coligação de centro-direita Chile Vamos ter uma lista conjunta de candidatos para a eleição chamada Vamos por Chile. A lista obteve 20,6% de votos e representou menos de 1/3 da Convenção. Kast propôs um dos principais candidatos do pacto (que alinha com suas opiniões políticas), Teresa Marinovic, que não foi bem recebida por partes do centro-direita, porém Marinovic venceu com uma alta porcentagem e graças ao método D'Hondt muitos outros candidatos puderam entrar na Convenção com seu triunfo.

No mesmo dia foram realizadas as eleições municipais chilenas de 2021 e o Partido Republicano de Kast não formou uma coalizão com o centro-direita.

Em junho do mesmo ano aconteceram as eleições primárias presidenciais de 2021 no Chile Vamos, nas quais Sebastián Sichel venceu. Meses antes Joaquín Lavín estava ganhando nas urnas, e na esquerda Apruebo Dignidad, o primário presidencial Gabriel Boric também ganhou de surpresa contra Daniel Jadue.

Campanha presidencial de 2021[editar | editar código-fonte]

Kast na campanha presidencial de 2021

Após as eleições de 2017, ele deixou claro que se candidataria novamente à presidência na próxima eleição. Em 2021 ele concorreu com seu partido formado e com candidatos à Câmara dos Deputados e ao Senado, em contraste com a candidatura anterior de quatro anos antes. Kast formou a Frente Social Cristão, um pacto político para apresentar uma lista de candidatos com o Partido Conservador Cristão.

Fez um avanço nas sondagens algumas semanas antes da primeira volta, beneficiando da fraca campanha do candidato liberal de direita Sebastián Sichel, enfraquecido pelos casos de corrupção que afectam a sua coligação e a impopularidade do Presidente Sebastián Piñera, e da radicalização de parte do eleitorado de direita em reacção ao movimento de protesto social de 2019-2020 e ao afluxo de migrantes da Colômbia, Haiti e Venezuela. Procurando reunir para além da extrema-direita, tem um discurso menos radical do que em 2017, nomeadamente ao deixar de se apresentar como herdeiro do General Pinochet. Alguns candidatos do Chile Vamos começaram a apoiá-lo ao invés de Sichel e espera-se que ele vá para o segundo turno das eleições contra Gabriel Boric, de esquerda[22][23] apesar dele já ter reconhecido a derrota.[24]

Posições políticas[editar | editar código-fonte]

Kast promoveu um "menos impostos, menos governo, pró-vida",[25] bem como programa anti-imigração[26] do governo. Seu apoio à Governo Militar gerou muita controvérsia durante sua campanha, especialmente sua proposta de perdoar os condenados por violações dos direitos humanos nas violações dos direitos humanos de Pinochet no Chile por parte do governo de Pinochet que têm doenças associadas ao envelhecimento[25] Ele propõe reintroduzir as aulas de religião nas escolas, acreditando que "os chilenos precisam de Deus e o Estado deve promover a religião nas escolas".

Relativamente às relações internacionais, deseja fechar a fronteira com a Bolívia, acreditando que esta medida permitiria uma luta mais eficaz contra o tráfico de droga. Em 2018, apelou ao governo para que interrompesse as relações diplomáticas com a França em retaliação pelo asilo concedido ao ex-guerrilheiro Ricardo Palma Salamanca.[27] Em nas eleições gerais no Brasil de 2018, Kast apoiou a Jair Bolsonaro.[28]

Em questões económicas, propõe reduzir a despesa pública, reduzir os impostos, dar a máxima liberdade aos mercados financeiros e quer aumentar a idade da reforma. Citando o economista americano Milton Friedman, que inspirou os Chicago Boys no Chile, como modelo, ele acredita que a redução das desigualdades sociais não deve ser uma prioridade, pois "uma sociedade que favorece a igualdade em detrimento da liberdade não terá nenhuma delas".[29]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Kast é casado com María Pía Adriasola e tem nove filhos.[30] Ele é católico e membro do Movimento Apostólico de Schoenstatt.[9]

O proprietário de várias empresas registadas no Panamá, é multimilionário em dólares.[11]

Historial eleitoral[editar | editar código-fonte]

Eleições presidenciais de 2017[editar | editar código-fonte]

Resultados[editar | editar código-fonte]

P. Candidato Part. Apoio político 1º Turno 2º Turno
Votos Votos
Sebastian Pinera (2010) 4x3 cropped.jpg Sebastián Piñera
Ind.
Chile Vamos 2 418 540
 
36,64%
3 795 896
 
54,57%
Alejandro Guillier (2017) 4x3 cropped image.jpg Alejandro Guillier
Ind.
A Força da Maioria 1 498 040
 
22,70%
3 160 225
 
45,43%
Beatriz Sánchez (2016) 4x3 cropped.jpg Beatriz Sánchez
Ind.
Frente Ampla 1 338 037
 
20,27%
José Antonio Kast (2009) 4x3 cropped.jpg José Antonio Kast
Ind.
Independente 523 375
 
7,93%
Carolina Goic 2011 4x3 cropped.jpg Carolina Goic
PDC
PDC 387 784
 
5,88%
Marco Enríquez-Ominami 2018 (4x3).jpg Marco Enríquez-Ominami
Progressista
Progressista 376 871
 
5,71%
Ficheiro:Eduardo Artés 2017 (cropped).jpg Eduardo Artés
União Patriótica
UP 33 665
 
0,51%
Alejandro Navarro 2015 (4x3).jpg Alejandro Navarro
País
País 23 968
 
0,36%
Total de votos válidos 6 594 022 98,42% 6 951 512 98,91%
Votos nulos 65 814 0,98% 56 374 0,80%
Votos em branco 39 791 0,59% 20 032 0,29%
Total de votos emitidos 6 600 280 100% 7 027 988 100%
Total eleitoral 14 347 288 100% 14 347 288 100%
Participação 46,72% 48,98%
Resultados: 99,94% das mesas apuradas (Servel)[31]

Referências

  1. «José Antonio Kast renuncia a la UDI» (em espanhol). La Tercera 
  2. «J. A. Kast anuncia inscripción de candidatura presidencial para el 17 de agosto y presenta comando con figuras de la UDI» (em espanhol). Emol. 27 de julho de 2017. Consultado em 27 de agosto de 2017 
  3. a b «José Antonio Kast lanza su movimiento Acción Republicana "para despertar a la gran mayoría silenciosa"» (em espanhol) 
  4. «Partido Republicano en el mapa de la política» (em espanhol). La Tercera. 15 de junho de 2019 
  5. «NACIONAL POLÍTICA Partido Republicano: José Antonio Kast inscribe nuevo referente en el Servel». Diario U Chile. 10 de junho de 2019. Consultado em 23 de junho de 2019 
  6. «Se lanzó el nuevo Partido Republicano de José Antonio Kast». T13. 10 de junho de 2019. Consultado em 23 de junho de 2019 
  7. «José Antonio Kast lanza el Instituto de Ideas Republicanas» (em espanhol). Radio Agricultura. 24 de maio de 2019. Consultado em 23 de junho de 2019 
  8. «Periodista Mauricio Weibel revela acta de afiliación del padre de Kast al partido nazi» (em espanhol). El Desconcierto 
  9. a b c Ibarra, Valeria (31 de julho de 2011). «Historia del clan Kast mezcla negocios, política y religión» (em espanhol). El Mercurio. Consultado em 18 de outubro de 2017 
  10. «¿José Antonio o Felipe?: "Es lo que nos preguntamos en los almuerzos familiares"» (em espanhol). La Segunda. 7 de abril de 2017. Consultado em 27 de agosto de 2017 
  11. a b G, Juan Manuel Ojeda (1 de setembro de 2019). «La ruta de los dineros de José Antonio Kast». La Tercera 
  12. Political Handbook of the World 2015 no Google Livros
  13. «Servicio Electoral vive jornada de formalización de pacto y declaraciones de candidaturas – Servicio Electoral de Chile». www.servel.cl (em espanhol) 
  14. «José Antonio Kast: "Yo sí defiendo con orgullo la obra del gobierno militar"» (em espanhol). The Clinic. 11 de agosto de 2017. Consultado em 27 de agosto de 2017 
  15. «Out From the Shadow of Pinochet: A Guide to Chile's Election». Bloomberg News. 7 de julho de 2017. Consultado em 27 de agosto de 2017 
  16. Jiménez, Marcela. «Kast y la irrupción de la ultraderecha: avanza el ejército en las sombras». El Mostrador (em espanhol). Consultado em 22 de dezembro de 2017 
  17. «Una sorpresa llamada Kast - Revista Qué Pasa». Revista Qué Pasa (em espanhol). 20 de novembro de 2017. Consultado em 22 de dezembro de 2017 
  18. «José Antonio Kast por agresión en Iquique: "No puedo permitir que me caricaturicen"» 
  19. «J.A. Kast invoca Ley Zamudio contra Universidad de Concepción por no poder realizar una charla a estudiantes» 
  20. «Organizadores cancelan charla de J.A. Kast en la Universidad Austral: Ex diputado acusa censura por amenazas de grupos de izquierda» 
  21. «Kast anuncia carrera presidencial para elecciones de 2021 en seminario llamado "Marxismo Cultural"». BioBioChile. 16 de dezembro de 2018. Consultado em 16 de dezembro de 2018 
  22. https://www.pagina12.com.ar/378922-jose-antonio-kast-el-bolsonaro-chileno-revive-a-la-derecha
  23. https://www.rfi.fr/fr/am%C3%A9riques/20211115-%C3%A9lection-pr%C3%A9sidentielle-au-chili-jos%C3%A9-antonio-kast-candidat-ultraconservateur-donn%C3%A9-favori
  24. «Chile: José Antonio Kast, candidato da extrema direita, reconhece derrota». noticias.uol.com.br. Consultado em 13 de janeiro de 2022 
  25. a b Montes, Rocío (13 de novembro de 2017). «El presidenciable chileno que reivindica a Pinochet». El País (em espanhol). ISSN 1134-6582. Consultado em 23 de abril de 2018 
  26. «José Antonio Kast: No queremos que otros se aprovechen y vengan pensando que van a salvar sus vidas» (em espanhol). 11 de outubro de 2017. Consultado em 23 de abril de 2018 
  27. «Polémique après l'asile accordé par la France à un ex-guérillero chilien». Les Echos (em francês). 6 de novembro de 2018. Consultado em 26 de abril de 2021 
  28. «José Antonio Kast se reúne con Bolsonaro y le regala camiseta de la Selección Chilena». 24Horas.cl. 18 de outubro de 2018. Consultado em 14 de janeiro de 2019 
  29. «¿Qué proponen los candidatos presidenciales para cambiar tres décadas de neoliberalismo?». BioBioChile - La Red de Prensa Más Grande de Chile (em espanhol). 18 de novembro de 2021 
  30. «Un día con Pía Adriasola, esposa de J.A. Kast: "Dios me compensó por tener menos marido con 9 hijos"» (em espanhol). El Dínamo. 4 de agosto de 2017. Consultado em 27 de agosto de 2017 
  31. «SERVEL» (em espanhol)