José d'Assunção Barros

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José d'Assunção Barros
Informação geral
Nascimento 22 de setembro de 1967 (49 anos)
Origem Rio de Janeiro
País  Brasil

José D'Assunção Barros (Rio de Janeiro, 22 de setembro de 1967) é um historiador e musicólogo brasileiro.

Estilo historiográfico[editar | editar código-fonte]

Ao lado de seus livros na área de História - entre os quais se notabilizaram "O Campo da História" (2004), "O Projeto de Pesquisa em História" (2005), "A Construção Social da Cor" (2009) e a série "Teoria da História", em cinco volumes (2011) - José D'Assunção Barros também escreveu uma série de artigos e ensaios sobre assuntos diversos, como História da Arte, História da Música, História da Literatura, Cinema, Teoria e Metodologia da História, Historiografia, e temas ligados à História de modo geral. Entre estes, pode ser citada a série de artigos sobre as "Desigualdades e Diferenças", que principia por examinar a historicidade e a inter-relação entre estes conceitos. O artigo que deu origem a esta série foi publicado no verão de 2005, no número 175 da revista Análise Social - publicação do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa - com o título "Igualdade, Desigualdade e Diferença: em torno de três noções". Seu ponto de partida foi discutir a distinção entre 'Desigualdade' e 'Diferença' no seu contraste semiótico em relação ao conceito de 'Igualdade'. A partir daí, o autor examina o fato de que não apenas as Desigualdades, mas também muitas das Diferenças que se tornam evidenciadas em meio à vida social, são na verdade construções culturais sujeitas à historicidade. Postula que diversos processos históricos de dominação consistem de fato na transformação de determinadas Desigualdades em Diferenças e vice-versa. Nesta mesma linha, o autor escreveria depois um ensaio intitulado "A Construção Social da Cor", que mais tarde daria origem ao livro de mesmo nome, e no qual discute o problema histórico da Escravidão de africanos nos tempos do Brasil Colonial e do Brasil Império. O Escravismo Colonial, ao transportar milhões de negros para as Américas, teria consistido na sistemática reclassificação da população africana sub-saariana a partir da gradual desmontagem das diversas 'etnias de origem da África' com vistas à construção de uma nova Diferença, a noção de uma "raça negra", sendo esta ainda secundada no processo de desenvolvimento do tráfico negreiro pelas chamadas "etnias do tráfico" (classificações de acordo com áreas geográficas ou circuitos de apresamento e exportação de escravos). Para a montagem do escravismo colonial, a 'Diferença Negra' teria se combinado à Desigualdade Escrava e à prática ocidental de obter escravos de um único continente, a África. Além disto, em fases e momentos distintos, a 'Desigualdade Escrava' também teria sido alternativamente vista pela elite senhorial como uma 'Diferença Escrava' (isto é, como uma essência, e não como uma circunstância), e por isso uma das principais tarefas dos abolicionistas foi a de reconduzir a discussão da questão escrava do âmbito das diferenças para o âmbito das Desigualdades (* BARROS, 2009-c). / Em outro ensaio sobre "desigualdades e diferenças", o autor examinou também as relações entre desigualdades e diferenças sexuais, e, em um terceiro ensaio da mesma série, buscou examinar as múltiplas trajetórias históricas da noção de "Igualdade" no âmbito do pensamento político, do imaginário e da história dos movimentos sociais.

O livro "Nacionalismo e Modernismo - a música erudita brasileira nas seis primeiras décadas do século XX" foi premiado em 2005 pela União Brasileira de Escritores, no Rio de Janeiro, na categoria de "ensaios inéditos". Seu objetivo foi traçar um panorama analítico sobre a história da Música Erudita no Brasil, examinando suas realizações, as características dos diversos compositores, seu contexto histórico, sua inter-relação com as demais artes.

No campo da História da Arte, José D'Assunção Barros escreveu também alguns ensaios, incluindo "Arte Moderna e Alteridade", no qual busca mostrar como o diferencial da Arte Moderna, a partir de fins do século XIX e sobretudo no decorrer do século XX, estabeleceu-se precisamente a partir da capacidade que os artistas ocidentais modernos desenvolveram no sentido de renovarem seus próprios padrões criativos e suas práticas artísticas a partir do que puderam aprender da arte de outros povos de sua época e de outras épocas - as artes orientais (japonesa, chinesa, islâmica), as artes da África negra, a arte do Antigo Egito, a arte bizantina, as artes dos nativos das três Américas. Ao deixar de perceber a arte de outros povos meramente como "arte exótica" ou com o limitado interesse dos estudos antiquários, tal como faziam os românticos, o homem ocidental pôde utilizar estas artes oriundas da alteridade como fonte de recursos para renovar e recriar a sua própria arte, daí originando-se os vários movimentos da Arte Moderna que vão desde o Impressionismo até o Fauvismo, o Cubismo, a Arte Noveau e outros. Outros aspectos da História da Arte Moderna (BARROS, 2008-a), ou questões relacionadas à metodologia do estudo das obras de arte (BARROS, 2003) também atraíram a atenção do autor.

O livro que o tornou mais conhecido, na verdade o seu primeiro livro publicado na área de História, foi O Campo da História - especialidades e abordagens" (2004) - obra na qual José D'Assunção Barros logrou elaborar um panorama crítico das diversas modalidades em que se organiza nos dias de hoje o conhecimento histórico, examinando campos históricos como a História Política, a História Cultural, a Micro-História, a História Econômica, a História Serial, entre inúmeros outros. Sua hipótese central nesta obra é a de que qualquer bom trabalho historiográfico não pode se limitar a uma única modalidade historiográfica, mas, sim, deve chamar a si uma determinada conexão de modalidades diversas conforme o objeto de estudo e o problema histórico examinado pelo historiador (BARROS, 2004, p.17-35). Segundo o autor, existiriam três critérios principais de acordo com os quais os historiadores estabelecem subdivisões no campo disciplinar da História: (1) as 'dimensões', critério que preside a divisão da História em campos como a História Econômica, a História Cultural, a História Política, a História Social, e alguns outros, e que se relaciona ao aspecto de uma sociedade que o historiador examina em primeiro plano (mas sendo na verdade possível combinar duas ou mais dimensões numa apreensão historiográfica); (2) as 'abordagens', critério que estaria relacionado ao "fazer histórico", gerando modalidades como a História Oral, a História Serial, a Micro-História, e outras; e (3) os 'domínios', relacionados às inúmeras temáticas ou campos temáticos que se abrem ao historiador (A História da Mulher, a História da Arte, a História do Direito, a História Rural, a História Urbana, e uma infinidade de outros). No mínimo, um trabalho de história qualquer deveria combinar pelo menos uma 'dimensão', uma 'abordagem' e um 'domínio', mas na verdade as conexões historiográficas poderiam combinar mais de uma modalidade também no mesmo campo de critérios (BARROS, 2005-b). Outra proposta de "O Campo da História" é ultrapassar o nível mais limitador da especialização histórica, investindo na intradisciplinaridade (diálogo interno entre os campos históricos) e na interdisciplinaridade (diálogo da História com outras disciplinas e campos do saber). A preocupação com a complexidade e interconexão dos campos históricos dá-se a perceber em diversos artigos do autor (História Política e História do Imaginário). Para além do estudo sobre os campos históricos, o âmbito da Teoria e Metodologia da História mostra-se uma constante na produção de José D'Assunção Barros, particularmente atenta ao emprego historiográfico de categorias como espaço, tempo)ou a aspectos como a A Operação Genealógica.

A obra do autor sobre Cinema também tem sido relevante. Entre as contribuições, José D'Assunção Barros desenvolveu o conceito de Cidade-Cinema, que corresponde a qualquer cidade produzida por uma criação fílmica que, dotada de forte singularidade, desempenhe um papel essencial ou estruturante para a trama, não importando se a cidade-cinema em questão é uma cidade totalmente imaginada pelo autor-cineasta, ou se é uma cidade criada com base em uma referência que exista na realidade atual ou que já tenha existido, em algum momento, na realidade histórica. Com base neste conceito, o autor dispôs-se ao estudo de algumas das "cidades imaginárias" do Cinema, em especial as distopias futuristas ("A Cidade-Cinema Pós-Moderna", in NÓVOA, Jorge - org., Cinematógrafo: um olhar sobre a história)

Ao mesmo tempo em que desenvolveu sua carreira de escritor e ensaísta, José D'Assunção Barros também atuou simultaneamente no Ensino de História e no Ensino de Música, e suas teses de Mestrado e Doutorado combinam estes dois campos de saber (a História e a Música) conjuntamente com a Literatura, dando origem a estudos sobre os Trovadores do período medieval ("A Arena dos Trovadores", UFF,1995) e sobre a expressão do Imaginário Político na música, na literatura e nas genealogias medievais ("As Três Imagens do Rei - o imaginário régio na poesia trovadoresca e nos livros de linhagens da Idade Média Portuguesa", UFF, 1999).

A última série de livros - "Teoria da História", em 5 volumes - discute os fundamentos e paradigmas da teoria da história. A novidade maior da série é o quarto volume, no qual D'Assunção Barros introduz um novo conceito, o de "acorde teórico". Trata-se de uma proposta para a análise complexa do pensamento e identidade teórica de historiadores, filósofos, sociólogos e pensadores/pesquisadores de maneira geral. A partir da metáfora do "acorde teórico" - ou do "acorde historiográfico", para o caso da História - Barros procura apreender as identidades teóricas complexas. Um autor dificilmente se encaixaria em um paradigma, e seria mais adequado pensar em sua identidade teórica como formada por uma conexão de muitos elementos. A conexão com este ou com aquele paradigma poderia entrar na identidade teórica de um autor apenas como um de seus muitos elementos, ou como uma de suas "notas", para empregar o vocabulário musical utilizado por Barros. Com esta leitura acórdica da historiografia e da filosofia da história, D'Assunção Barros empreende uma análise complexa de autores como Walter Benjamin, Ranke, Droysen, Max Weber, Paul Ricoeur, Koselleck e Karl Marx. O método também pode ser utilizado para a análise de identidades filosóficas, e outras.

Em 2013, Barros publica "O Tempo dos Historiadores", uma obra que se destina a examinar em diversos âmbitos a relação entre a História e o Tempo, e "A Expansão da História", uma série de seis conferências sobre historiografia, examinando temas como o da escrita da história, a relação entre História e Espaço, as relações entre historiadores com fontes históricas, entre outras temáticas. Em 2014 é publicado "História Comparada", obra que se destina a examinar a modalidades historiográficas amparadas em procedimentos relacionais - entre as quais a História Comparada, propriamente dita, e modalidades como a das Histórias Cruzadas, Histórias Interconectadas e Histórias Compartilhadas.  Em 2016, retoma o tema das desigualdades sociais com o livro "Igualdade e Diferença". Além da produção ensaística e acadêmica, José D'Assunção Barros também escreveu obras de literatura, estreando neste campo com os contos reunidos no livro "O Avesso do Pau-de-Arara" (1988).

Obras[editar | editar código-fonte]

  • "Teoria da História - 5 volumes" (Petrópolis: Vozes, 2011)
  • "Igualdade e Diferença" (Petrópolis: Vozes, 2016)
  • "História Comparada" (Petrópolis: Vozes, 2014)
  • "A Expansão da História" (Petrópolis: Vozes, 2013)
  • "O Tempo dos Historiadores" (Petrópolis: Vozes, 2013)
  • "O Campo da História - especialidades e abordagens" (Petrópolis: Vozes, 2004)
  • "O Projeto de Pesquisa em História" (Petrópolis: Vozes, 2005)
  • "Arte Moderna e Alteridade" (Vassouras: LESC, 2006)
  • "Cidade e História" (Petrópolis: Vozes, 2007)
  • "A Construção Social da Cor" (Petrópolis: Vozes, 2009)
  • "Raízes da Música Brasileira" (São Paulo: Hucitec, 2011)
  • "Nacionalismo e Modernismo - a Música Erudita Brasileira nas seis primeiras décadas do século XX" (Rio de Janeiro: CBM, 2003)
  • "O Avesso do Pau de Arara" (Rio de Janeiro: Achiamé, 1987).

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BARROS, José. Igualdade e Diferença. Petrópolis: Vozes, 2016.
  • BARROS, José. História Comparada. Petrópolis: Vozes, 2014.
  • BARROS, José. O Tempo dos Historiadores. Petrópolis: Vozes, 2013.
  • BARROS, José. A Expansão da História. Petrópolis: Vozes, 2013.
  • BARROS, José. Raízes da Música Brasileira. São Paulo: Hucitec, 2011.
  • BARROS, José D'Assunção. Teoria da História. 5 volumes. Petrópolis: Vozes, 2011.
  • BARROS, José D'Assunção. A Construção Social da Cor. Petrópolis: Vozes, 2009.
  • BARROS, José D'Assunção. Cidade e História. Petrópolis: Vozes, 2007.
  • BARROS, José. O Projeto de Pesquisa em História. Petrópolis: Vozes, 2005.
  • BARROS, José. O Campo da História. Petrópolis: Vozes, 2004.
  • BARROS, José D'Assunção. O Avesso do Pau-de-Arara. Rio de Janeiro: Achiamé, 1988.
  • BARROS, José D'Assunção.“Igualdade, Desigualdade e Diferença – rediscutindo três noções” in Análise Social (Revista do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa). n.175, volume 11, verão de 2005, p.345-366.
  • BARROS, José D'Assunção. “Os campos da História no século XX” in Revista Ler História (Revista do ISCTE – Lisboa, Portugal). dezembro de 2005. n 49, p.77-104.
  • BARROS, José D'Assunção.“História Cultural e História das Idéias – diálogos historiográficos” in ‘Cultura. Revista de História e Teoria das Idéias’ (Revista do Centro de Cultura, Faculdades de Ciências Sociais e Humanas – Lisboa, Portugal). março de 2006. p.259-266.
  • BARROS, José D'Assunção.“Poesia e Poder – o trovadorismo galego-português no século XIII” in Portuguese Studies Review (Toronto, Canadá). volume 12, nº 2, fevereiro 2006.
  • BARROS, José D'Assunção. “Cinema e História – as funções do Cinema como fonte, agente e representação da História” in Revista Ler História (Revista do ISCTE – Lisboa, Portugal). 2007. n 52, p.127-159.
  • BARROS, José D'Assunção.“Emancipacionismo e Abolicionismo – tensões de um debate no Brasil escravista” in Cultura, Revista de História e Teoria das Ideias, IIª. Série, vol.25, Lisboa, Centro de História da Cultura da Universidade Nova de Lisboa, II/2007.
  • BARROS, José D'Assunção. “Cidade, Espacialidade e Forma – Considerações sobre a articulação de três noções fundamentais para a História Urbana” in Lusíada – História (Revista da Universidade Lusíada – Lisboa, Portugal), 2007. série 2, n°6, p.3-20.
  • BARROS, José D'Assunção.“As Hipóteses nas Ciências Humanas – considerações sobre a natureza, funções e usos das hipóteses” in Sísifo (Revista de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa – Lisboa, Portugal). ISSN. 1646-4990. 2008. n° 7, p.151-162.
  • BARROS, José D'Assunção.“O discurso da História – o Historiador e seus modos de escrita” in Lusíada – História (Revista da Universidade Lusíada – Lisboa, Portugal). 2009. série 2, n 5/6, p.127-148.
  • BARROS, José D'Assunção.“Arte Moderna e Arte Japonesa – assimilações da Alteridade” in Revista de Estudos Japoneses – Revista do CEJAP (Centro de Estudos Japoneses da USP), Universidade de São Paulo, USP. ISSN: 1413-8298. n° 27, jan/dez de 2007, p.41-64.

ligações externas[editar | editar código-fonte]


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