José Fontana

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Retrato de José Fontana.

José Fontana (Cabbio, Ticino, Suíça, 28 de Outubro de 1840[1]Lisboa, 2 de Setembro de 1876),[2] de seu nome completo Giuseppe Silo Domenico Fontana, foi um publicista, intelectual e activista cujo idealismo romântico entusiasmava multidões. Foi um dos organizadores das Conferências do Casino e um dos fundadores do Partido Socialista Português.

Biografia[editar | editar código-fonte]

José Fontana era suíço, nascido e criado em Valle di Muggio, um vale perdido do Cantão de Ticino, no sul do território suíço, na actual fronteira com a Itália. Ainda muito jovem, veio para Portugal e fixou-se em Lisboa onde, em 1854, já aparece como relojoeiro.[2]

Sendo operário, foi um dos defensores das classes trabalhadoras, tornando-se propagandista e dedicando-se à propagação dos ideais do Socialismo e do Associativismo.[2] Destacou-se na luta pela melhoria das condições de vida e trabalho do operariado, promovendo o associativismo e o cooperativismo. Influenciado pelas ideias de Bakunine, em 1872 redigiu os estatutos da Associação Fraternidade Operária, organismo que impulsionou o movimento operário português e que, mais tarde, daria origem ao Partido Socialista Português, do qual é considerado um dos fundadores e do qual foi Primeiro Secretário.[2] Grande amigo de Antero de Quental, colaborou na redacção dos estatutos do Centro Promotor dos Melhoramentos das Classes Laboriosas. Ainda com este esteve ligado à fundação da Cooperativa do Povo Portuense, actualmente, Cooperativa de Solidariedade Social do Povo Portuense - onde actualmente se conserva uma fotografia sua, ao lado de Antero de Quental.

Escreveu em vários jornais operários, colaborou assiduamente nos periódicos "Pensamento Social", de 1872 a 1873, e "O Protesto]]", de 1875 a 1876,[2] e dirigiu cartas a Karl Marx e a Friedrich Engels. É Subscritor (na realidade o terceiro subscritor, logo por debaixo de Marx e de Engels), do "Manifesto do Partido Comunista".

Nos últimos anos da sua vida filiou-se na Maçonaria. Foi iniciado em data e em Loja afecta ao Grande Oriente Lusitano desconhecidas e com nome simbólico desconhecido, sabendo-se que, pouco antes de morrer, frequentava uma Loja cujas sessões tinham lugar na zona do Jardim do Regedor, em Lisboa.[2]

Quem o conheceu descreveu-o como bom, sensível, de uma inteligência brilhante, com um poder de comunicação e de persuasão invulgares, notável como orador, sagaz como analista das situações, dotado de uma intuição fora do comum….[3] Um contemporâneo escreveu: As Conferências do Casino, aquelas célebres conferências que iniciaram o movimento democrático em Portugal, foram obra sua e de Antero de Quental […]. No Centro Promotor dos Melhoramentos das Classes Laboriosas eclipsava Fontana os maiores oradores do seu tempo.[4]

Antero de Quental, seu amigo inseparável, escreveu: A Revolução convivia no Cenáculo. E em meio àquele punhado de revolucionários utópicos, contava-se José Fontana, empregado da Livraria Bertrand, muito alto, muito magro, sempre vestido de preto..[5]

Atormentado pela tuberculose, suicidou-se a 2 de Setembro de 1876. Com apenas 35 anos de idade, era sócio-gerente da Livraria Bertrand, onde tinha começado a sua vida profissional como empregado em meados da década de 1860.[2]

O seu funeral teve a participação de uma enorme multidão, perante a qual discursaram Eduardo Maia e Azedo Gneco.

Entre 1977 e Junho de 2008 o Partido Socialista teve uma instituição denominada Fundação José Fontana[6] com a finalidade promover o desenvolvimento do associativismo e do sindicalismo e em particular à formação de quadros sindicais. A Fundação José Fontana foi o embrião da UGT, que teria o seu primeiro congresso na cidade do Porto, em Janeiro de 1979. A extinção das fundações Antero de Quental e José Fontana, em Junho de 2008, deu lugar à criação da Fundação Respública.

Tendo como tema a vida de Fontana foi publicada em 2008 a obra La prossima settimana, forse, um romance histórico da autoria do escritor suíço Alberto Nessi.

José Fontana é lembrado na toponímia de Lisboa, onde a Praça José Fontana marca o lugar onde esteve prevista a construção de um monumento desenhado por Azedo Gneco que nunca chegou a materializar-se. Outras povoações também o lembram nas suas ruas e praças, nomeadamente Oeiras, Cascais, Loures, Almada, Moita, Setúbal e Sintra.

Notas

  1. A maioria das biografias dão-o, erradamente, como nascido em 1841. Cf. Cenni biografici su José Fontana.
  2. a b c d e f g António Henrique Rodrigo de Oliveira Marques. Dicionário de Maçonaria Portuguesa. [S.l.: s.n.] pp. Volume I. Coluna 599 
  3. Maria Manuela Cruzeiro, Vida e acção de José Fontana, Lisboa: Fundação José Fontana, 1990, p. 16.
  4. Luís de Figueiredo, Almanaque José Fontana, Lisboa, 1855.
  5. In Memoriam de Antero de Quental, Lisboa, 1896.
  6. A Fundação foi constituída em Outubro de 1977, por 25 fundadores, com um capital inicial de 1000 contos. Dirigida por Maldonado Gonelha, recebeu vultosas ajudas financeiras oriundas de partidos e organizações sindicais da Alemanha, Suécia, Noruega e Estados Unidos. Foi apoiada pela federação sindical americana AFL/CIO.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Luís de Figueiredo, Almanaque José Fontana, Lisboa, 1855.
  • Maria Manuela Cruzeiro, Vida e acção de José Fontana, Lisboa: Fundação José Fontana, 1990.
  • Gabriele Rossi, José Fontana en Suisse, Bellinzona, Fondazione Pellegrini-Canevascini, 1990.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]