José Júlio de Souza Pinto
| José Júlio de Souza Pinto | |
|---|---|
José Júlio de Sousa Pinto, portrait publié dans La Revista Moderna (1889). | |
| Nascimento | 15 de setembro de 1856 Angra do Heroísmo |
| Morte | 14 de abril de 1939 (82 anos) Pont-Scorff |
| Cidadania | Portugal, Reino de Portugal |
| Irmão(ã)(s) | Antônio Souza Pinto |
| Alma mater | |
| Ocupação | pintor |
| Distinções |
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| Obras destacadas | A colheita de batatas |
| Movimento estético | naturalismo |

José Júlio de Souza Pinto (Angra do Heroísmo, 15 de setembro de 1856 — Pont-Scorff, Bretanha, 14 de abril de 1939) foi um pintor português, ligado à primeira geração naturalista.[1] Foi irmão de António Souza Pinto, também pintor, ativo no Brasil.
Vida e obra
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Nascido na ilha Terceira do arquipélago de Açores mas filho de pais continentais, viveu nesta ilha, em Santa Maria e em São Miguel até aos 14 anos. Souza Pinto residiu no Porto até o fim da adolescência, onde teve seus primeiros contatos com a pintura. Frequentou a Escola de Belas-Artes desta cidade entre 1870 e 1878, onde estudou com João António Correia, Tadeu de Almeida Furtado e Soares dos Reis. Em 1880, vencendo o prêmio de viagem, partiu, ao lado de Henrique Pousão, para Paris.[1]
Na capital francesa, frequentou o estúdio de Alexandre Cabanel[2] e estudou com William-Adolphe Bouguereau e Adolphe Yvon na École des Beaux-Arts. Copiou Tiepolo e Jean-Jacques Henner. Integrou-se rapidamente à vida artística parisiense, expondo regularmente nos Salons e recebendo vários prêmios.
Em 1890, é nomeado membro do júri oficial da Legião de Honra e, em 1900, do júri acadêmico da École.[1] Em 1901, o Museu de Luxemburgo adquiriu a sua obra La Recolte des Pommes de Terre, hoje no Museu de Orsay.[3]
A 18 de junho de 1920, foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.[4]
Souza Pinto desenvolveu uma carreira de grande solidez na França, permeada por frequentes visitas a Portugal, onde expôs em mostras coletivas e individuais em Lisboa e no Porto, até 1929. Suas obras figuram nos acervos de diversos museus franceses, e foi o primeiro artista português a ter uma obra inclusa na coleção do Museu do Luxemburgo (embrião do Museu de Orsay). Apaixonou-se pela Bretanha, região francesa onde residiu da maturidade até a sua morte.[1]
Pintou obras de grande emoção, permitindo-se a utilização de alguns efeitos secundários do Impressionismo em sua vasta produção de paisagens campestres e à beira-mar, ademais de um anedotário do quotidiano rural (A colheita da batata, 1898, Museu de Orsay[2]), dos dramas vividos pelos aldeões (Barco desaparecido, 1890, Museu do Chiado), cenas de género e interiores (Interior de laboratório, 1903, Museu de Arte de São Paulo).[5]
A partir de 1907, Sousa Pinto instala-se em Neuilly-sur-Seine e aí representa muito a sua família em jardins (Praça em Levallois-Perret, 1911).
Em 1895, recebe a condecoração honorífica francesa de Oficial da Legião de Honra, dada pelo governo francês. Em 1920, recebe o Grau de Comendador da Ordem de Sant’Iago da Espada, atribuído pelo governo português.[6] A 1 de abril de 1932, foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem Militar de Cristo.[4]
Silva Gaio registra sua "tonalidade viscosa", a exemplo da de Jules Breton e Jules Bastien-Lepage.[2][5] Para José Augusto França, Souza Pinto é o artista que melhor estabelece uma conexão entre a pintura portuguesa e a Escola de Paris, definindo "as relações possíveis com as propostas do meio artístico internacional da capital francesa".[5]
Desde 2015 o seu nome está consagrado na toponímia de Lisboa através da Rua Sousa Pinto, que foi inaugurada em maio de 2017 na Urbanização Nova Amoreiras (antiga Quinta do Mineiro), na freguesia de Santo António.[6][7]
Exposições[6][8]
[editar | editar código]- Exposições da Sociedade Promotora das Belas Artes (1880, com primeiro prémio, e 1887)
- Academia Portuense de Belas Artes (1881 e 1884)
- Academia Real Inglesa (1882)
- Salon de Paris (1883) menção honrosa
- Exposição de Nice (1884), medalha de ouro
- Exposições do Grupo do Leão (1885, 1887 e 1888)
- Exposição Internacional do Porto (1887), medalha de ouro
- Centro Artístico Portuense (de 1887 a 1893)
- Exposição Universal de Paris de 1889, 2ª medalha
- Exposição do Rio de Janeiro (1895), medalha de prata, e (1908)
- Exposição Atlanta (1896), medalha de ouro
- Grémio Artístico (1898), medalha de honra
- Sociedade Nacional de Belas Artes (1901, 1910, 1918 e 1937). Exposição individual em 1916.
- Santa Casa da Misericórdia do Porto (1904)
- Salão Nobre da Fotografia União (1908)
- Sociedade de Belas Artes do Porto (1908)
- Palácio de Cristal Portuense (1911), no atelier-escola de Artur Loureiro.
- Salão Nobre do Ateneu Comercial do Porto (1927)
- Grande Exposição do Norte de Portugal, no Palácio de Cristal (1933)
- Salão Silva Porto (1935)
- Sociedade Nacional de Belas Artes, Retrospetiva póstuma (1937).
Ver também
[editar | editar código]Bibliografia
[editar | editar código]- Luciano, Migliaccio. José Júlio de Souza Pinto. In: Marques, Luiz (org.) Catálogo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand: Arte da Península Ibérica do centro e do norte da Europa. São Paulo: Prêmio, 1998. 61-62 p.
Referências
- ↑ a b c d Migliaccio, 1998, pp. 61.
- ↑ a b c «José Júlio de Souza Pinto - The Potato Harvest». Musée d'Orsay. Consultado em 6 de junho de 2009
- ↑ «La Récolte des pommes de terre - José Julio de Sousa Pinto | Musée d'Orsay». www.musee-orsay.fr. Consultado em 15 de outubro de 2025
- ↑ a b «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "José Júlio de Sousa Pinto". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 28 de julho de 2019
- ↑ a b c Migliaccio, 1998, pp. 62.
- ↑ a b c Câmara Municipal de Lisboa (CML) - Toponímia de Lisboa
- ↑ Inauguração da Rua Seara Nova e da Rua Sousa Pinto, Toponímia de Lisboa, 19.5.2017
- ↑ «José Júlio Sousa Pinto». MACAM - Museu de Arte Contemporânea Armando Martins
