José Joaquim Lopes de Lima

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José Joaquim Lopes de Lima
Nascimento 1797
Porto
Morte 8 de novembro de 1852
Jacarta
Cidadania Portugal
Alma mater
Ocupação oficial de marinha
Cargo Governador de Timor e Solor (1851-1852)

José Joaquim Lopes de Lima (Porto, cerca de 1797Batávia (Índias Orientais Holandesas), atual Jacarta, 8 de novembro de 1852) foi um oficial da Marinha de Guerra Portuguesa, administrador colonial e político que, entre outras funções de relevo, foi Governador da Índia Portuguesa (de 1840 a 1842)[1] e governador e comissário régio em Timor e Solor (de 1851 a 1852).[2]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Lopes de Lima estava no Brasil, quando ocorreu a Revolução Liberal de 1820.

Era intendente da Marinha e do Arsenal em Goa quando, em 1840, foi nomeado governador interino, após a morte do Barão do Candal, passando a exercer o cargo em 24 de setembro[3][4].

No governo, realizou grandes investimentos na área de educação, reformou o sistema aduaneiro, transferiu o Hospital Militar de Panelim para Pangim, renovou o Farol da Aguada, organizou o correio interno e fez outro melhoramentos[4].

Entretanto, criou várias inimizades, seja pela sua falta de justiça, seja pela sua tirania no governo. Criou vários impostos à revelia do Reino, contudo dobrou o endividamento da Colônia, por conta de algumas reformas tidas como inúteis[4]. Em 1842, ocorre uma revolta no Estado Indiano. Para seu auxílio, mandou o Reino um batalhão, mas como este servia para atrapalhar-lhe em suas coisas, retalhou o batalhão em várias companhias, mandando uma para Macau e outra para o Timor português[4]. Como os militares tiveram má vontade com esta ordem, voltaram para Pangim e juntaram-se a outras tropas revoltosas, cercando o Palácio de Governo. Assim, teve que fugir para Bombaim, onde ainda tentou a ajuda dos britânicos, sem sucesso[3][4].

Governador do Timor português[editar | editar código-fonte]

Por decreto de 25 de agosto de 1849, o visconde de Castelões, ministro dos Negócios da Marinha e Ultramar, envia a Díli, o conselheiro e capitão-de-mar-e-guerra José Joaquim Lopes de Lima, antigo governador do Estado Português da Índia, para proceder à inspeção de todas as possessões coloniais e negociar com os holandeses, a demarcação das fronteiras dos territórios de Timor. Em 23 de junho de 1851, Lopes de Lima foi nomeado Governador de Timor e Solor português, que na época ainda incluía o arquipélago de Flores e Sunda. Assim, deu início às tratativas para um acordo fronteiriço com os Países Baixos, que dominava o restante do Arquipélago Indonésio[5].

Mais uma vez, marca seu governo pelas reformas impostas ao local, aliadas a uma forma tirânica de governo. Como endividou-se da mesma forma como ocorrera na Índia Portuguesa antes, acabou por vender as ilhas de Flores, Alor, Pantar e Solor por cerca de 200 mil florins[6], sem a anuência do Reino. Por fim, seria assinado o Tratado de Lisboa de 1859, estabelecendo as fronteiras entre o Timor Neerlandês e o Timor Português, com a perda daquelas ilhas. Pelo referido tratado, Portugal cedeu Larantuca, Sicca e Payas, na ilha das Flores, Wouré, na ilha de Adonara, e Pamung Kaju, na ilha de Solor. Em contrapartida, os Países Baixos cederam o reino de Maubara e renunciaram a Ambeno, na ilha de Timor, assim como renunciaram a Ataúro.[carece de fontes?]

Seu sucessor, Manuel de Saldanha da Gama, chegou em 8 de setembro de 1852 com ordens de prender Lopes de Lima e mandar levá-lo para Lisboa. Com as mudanças políticas em Portugal, o grupo ao qual Lopes de Lima pertencia foi defenestrado do poder, o que explica as medidas mais duras contra ele. Veio a falecer em Batávia, atual Jacarta, de uma febre, no dia 8 de novembro de 1852.[carece de fontes?]

Colaborou no jornal Jornal da Sociedade dos Amigos das Letras [7] (1836).

Referências

  1. «Lista de Governadores da Índia Portuguesa» 
  2. «Lista de Governadores do Timor Português» 
  3. a b José Joaquim Lopes de Lima, Francisco Maria Bordalo (1862). Ensaios sobre a statistica das possessões portuguezas na Africa occidental e oriental; na Asia occidental; na China, e na Oceania. escriptos. [S.l.]: Imprensa Nacional. 131 páginas 
  4. a b c d e Manoel José Gabriel Saldanha (1990). História de Goa: História política 2.ª ed. [S.l.]: Asian Educational Services. pp. 270–272. ISBN 9788120605909 
  5. Monika Schlicher (1996). Portugal in Ost-Timor (em alemão). 4. [S.l.]: Abera. ISBN 9783931567088 
  6. «TELES, Miguel Galvão. Timor Leste in Separata do II Suplemento do Dicionário Jurídico da Administração Pública» (PDF) 
  7. Helena Roldão (16 de Abril de 2013). «Ficha histórica: Jornal da Sociedade dos Amigos das Letras (1836)» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 2 de Dezembro de 2014 

Precedido por
19.º Conselho de Governo do Estado da Índia
Lesser coat of arms of Portuguese India.svg
Governador Interino da Índia Portuguesa

1840 - 1842
Sucedido por
20.º Conselho de Governo do Estado da Índia
Precedido por
António Olavo Monteiro Tôrres
Lesser coat of arms of Portuguese Timor.svg
Governador de Timor e Solor

18511852
Sucedido por
Manuel de Saldanha da Gama