José Maria Ferreira Araújo

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José Maria Ferreira de Araújo
Conhecido(a) por Aribóia / Araribóia
Nascimento 06 de junho de 1941
Fortaleza, CE
Morte 23 de setembro de 1970
São Paulo, SP
Nacionalidade Brasil brasileira
Ocupação militar, marinheiro e militante

José Maria Ferreira de Araújo (Fortaleza, 06 de junho de 1941 - São Paulo, 23 de setembro de 1970) foi um militar, marinheiro e militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) durante a época da ditadura militar no Brasil. Conhecido como Aribóia ou Araribóia, foi assassinado em São Paulo, em 1970, e enterrado no cemitério da Vila Formosa I sob a identidade falsa de Edson Cabral Sardinha.[1] O militante tinha 29 anos quando desapareceu. É um dos casos investigados até hoje pela Comissão da Verdade, que apura mortes e desaparecimentos na ditadura militar brasileira.

Juventude[editar | editar código-fonte]

Nascido no Ceará, na cidade de Fortaleza, José Maria Ferreira de Araújo começou a sua carreira no exército brasileiro como marinheiro em 1959, no Rio de Janeiro. Em 1964, logo após a deposição de João Goulart, foi preso na Ilha das Flores por 4 meses sob acusação de ser um dos organizadores da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil.[2]

Cuba e Soledad[editar | editar código-fonte]

Durante alguns anos, José Maria foi à Cuba como militante do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), onde obteve um treinamento com os guerrilheiros cubanos. Apaixonou-se pela paraguaia Soledad Barrett Viedma, que era de uma família de militantes do Paraguai e que conheceu em Cuba durante treinamento. Viveram juntos no país até 1970, quando precisou deixá-la para ir para uma missão militar no Brasil, achando que logo voltaria, o que não ocorreu. Com ela, José Maria teve sua única filha: Ñasaindi Barret de Araújo, nascida em Havana, em 1968. Sua esposa só soube de seu falecimento em 1971, ao vir para o Brasil procurá-lo, já que as cartas que ela mandava não eram respondidas.[3]

Em 1973, Soledad foi delatada por José Anselmo dos Santos, o cabo Anselmo, para as forças do regime militar. Na época, Soledad era a noiva do cabo Anselmo e esperava um filho dele. Foi brutalmente assassinada em janeiro de 1973.[4]

Morte e desaparecimento[editar | editar código-fonte]

Segundo os documentos originais do órgão de segurança da ditadura, José Maria foi morto num terminal de ônibus no Anhangabaú, no centro da capital paulista, por ter reagido a um mandato de prisão.

Um documento arquivado do 1º Congresso Brasileiro pela Anistia, realizado na PUC/SP, em 03 de novembro 1978, consta seu verdadeiro nome e se descreve a tortura no "pau-de-arara", no qual José Maria foi submetido a espancamento e choques elétricos, vindo a falecer após 30 minutos por conta dos problemas cardíacos que ele sofria.

A dúvida em relação ao verdadeiro paradeiro do morto conhecido como Edson Cabral Sardinho surgiu com um documento arquivado no DOPS/SP, uma carta do delegado Alcides Cintra Bueno Filho para o Coronel Lima Rocha, chefe da 2ª Secção do II Exército, a qual dizia: "falecido em conseqüência de violento tiroteio que travou com agentes dos órgãos de segurança".

Seu laudo necroscópico falso foi emitido pelo médico Isaac Abramovich, que no início da década de 90 foi acusado de ter feito esse tipo de atividade criminosa enquanto trabalhava no IML/SP.[5] Segundo o laudo, Edson Cabral Sardinho foi preso pela Operação Bandeirantes (OBAN) por atividades subversivas, e faleceu ao dar entrada na Delegacia Distrital por causa de mal súbito.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

1. José Maria Ferreira Araújo, Dossiê Mortos e Desaparecidos do Brasil 2. Acervo - Mortos e Desaparecidos Políticos - José Maria Ferreira de Araújo, Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos 3. Soledad, a mulher do Cabo Anselmo 4. Desaparecidos Políticos - Artigo do Estado de S. Paulo, 8 de fevereiro de 1991