José Maurício Bustani

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José Maurício Bustani
Nascimento 5 de junho de 1945
Porto Velho  Brasil
Nacionalidade brasileira
Cônjuge Janine-Monique Bustani
Filho(s) Camilla, Diogo, Lourenço

José Maurício de Figueiredo Bustani (Porto Velho, 5 de junho de 1945) é um ex-diplomata brasileiro.

Carreira diplomática[editar | editar código-fonte]

Filho de Maurício José Bustani e Guajá de Figueiredo Bustani, ingressou no curso de preparação à carreira de diplomata do Instituto Rio Branco em 1966. Formou-se em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), em 1967. Ingressou na carreira diplomática no mesmo ano, sendo nomeado terceiro-secretário em novembro. No mesmo ano, assumiu o posto de assistente na Secretaria-Geral para Organismos Internacionais. Em 1970, foi enviado para a embaixada em Moscou e, em 10 de novembro, foi promovido a segundo-secretário. Em 1973, foi transferido para a embaixada em Viena, sendo nomeado assistente do Departamento de Organismos Internacionais dois anos depois.[1]

Em dezembro de 1976, foi promovido a primeiro-secretário. No ano seguinte, assumiu posto em missão junto à ONU, em Nova Iorque. Em dezembro de 1979, foi promovido a conselheiro. Retornou ao Brasil em 1981, quando ingressou no curso de altos estudos do Instituto Rio Branco e escreveu A pesquisa científica de Genebra a Caracas, uma ciência sob suspeita.[1]

Em junho de 1983, foi promovido a ministro de segunda classe. No ano seguinte, tornou-se ministro-conselheiro na embaixada brasileira em Montevidéu. Em 1987, foi removido para Montreal, onde atuou como cônsul-geral. Em 1992, assumiu a chefia do Departamento de Política Tecnológica, Financeira e de Desenvolvimento do Ministério das Relações Exteriores. Posteriormente, tornou-se diretor-geral do Departamento de Organismos Internacionais.[1]

Foi promovido a ministro de primeira classe em junho de 1995 e, dois anos depois, licenciou-se do Imatarati por ter sido eleito o primeiro diretor-geral da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) para o período 1997-2000.[1]

Atuação na Organização para a Proibição de Armas Químicas[editar | editar código-fonte]

A OPAQ, organização internacional independente afiliada à ONU, havia sido criada em 29 de abril de 1997, com sede nos Países Baixos, com o objetivo de implementar a Convenção sobre a Proibição do Desenvolvimento, Armazenagem, Produção e Uso de Armas Químicas e sua Destruição, o primeiro acordo multilateral de desarmamento do mundo a prever a eliminação de toda uma categoria de armas de destruição em massa dentro de um prazo determinado.[2]

Reeleito em 2000, por unanimidade, para o período 2001-2005, não completou esse segundo mandato em decorrência de pressões do governo dos Estados Unidos, que, em março de 2002, propôs, na reunião do conselho executivo do órgão, uma moção de desconfiança, o que implicaria a remoção do diplomata brasileiro da diretoria-geral da Organização. Por não conseguirem os votos necessários,[3] os Estados Unidos - através do seu embaixador John Bolton, em total sintonia com o então presidente George W. Bush - defenderam a realização de uma conferência especial para tratar do assunto. No final de abril de 2002, Bustani - que defendia a adesão do Iraque à OPAQ a fim de possibilitar as inspeções de armas no país - foi destituído, com 48 votos a favor de sua demissão, sete contra e 43 abstenções. Um ano depois, os Estados Unidos invadiram o Iraque, a pretexto de destruir armas de destruição em massa, que jamais foram encontradas.[4][5][6]

Especialistas defenderam a gestão de Bustani e acusaram os Estados Unidos de se opor à tentativa dele de ampliar o alcance da OPAQ de modo a incluir países como Iraque e Líbia, cujos regimes, à época, eram tidos como hostis ao governo americano. Meses após seu afastamento, Bustani acusou os Estados Unidos de promover um esvaziamento da entidade e de proteger os países ricos, onde está a grande indústria química, concentrando suas inspeções no Hemisfério Sul, onde as empresas químicas não são tão importantes. Segundo os críticos de seu afastamento, os Estados Unidos também estariam insatisfeitos com as tentativas de Bustani de promover inspeções em instalações militares americanas com o mesmo rigor aplicado às inspeções em outros países signatários da Convenção sobre Armas Químicas.[7]

Final da carreira[editar | editar código-fonte]

Após sua destituição, Bustani ocupou provisoriamente o posto de cônsul-geral do Brasil em Londres. Ainda em 2002, publicou o artigo "O Brasil e a OPAQ: diplomacia e defesa do sistema multilateral sob ataque".[8] Em 2003, tornou-se embaixador do Brasil no Reino Unido e, em 2008, passou a chefiar a representação diplomática brasileira em Paris,[9][1] antes de sua aposentadoria compulsória, em 2015.

Em 2013, a OPAQ recebeu o Nobel da Paz.[7]

Referências

  1. a b c d e Biografia de José Maurício Bustani. CPDOC-FGV
  2. Origins of the Chemical Weapons Convention and the OPCW, Fact Sheet nº 1. Organisation for the Prohibition of Chemicl Weapons.
  3. Brasileiro segue na chefia de agência contra armas químicas. BBC, 22 de março de 2002.
  4. 'Lamento não ter podido evitar a guerra no Iraque'. Entrevista com José Maurício Bustani. Por Andrei Netto. O Estado de S.Paulo, 12 de outubro de 2013.
  5. Faça o que eu mando. Pressão dos EUA e desinteresse brasileiro tiram Bustani do controle de armas químicas. ISTOÉ, 1º de maio de 2002.
  6. LOPES, DAWISSON BELÉM; VALENTE, MARIO SCHETTINO (17 de setembro de 2013). «Não fossem os EUA, brasileiro poderia ter barrado uso de gás sarin por Damasco». Consultado em 23 de setembro de 2013 
  7. a b Brasileiro foi 1º diretor de organização premiada com Nobel da Paz. BBC/G1, 11 de outubro de 2013.
  8. O Brasil e a OPAQ: diplomacia e defesa do sitema multilateral sob ataque. Estudos Avançados vol.16 nº 46 São Paulo set.- dez. 2002 ISSN 1806-9592
  9. CRE aprova indicação de José Maurício Bustani para Embaixada do Brasil na França. Senado Notícias, 25 de outubro de 2007

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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