José Miaja

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José Miaja Menant
Nascimento 20 de abril de 1878
Oviedo
Morte 1958 (80 anos)
Cidade do México
Nacionalidade espanhol
Serviço militar
Patente General-de-exército

José Miaja Menant (Oviedo, 20 de abril de 1878 - México, 1958) foi um militar espanhol. Foi a pessoa chave na defesa de Madrid em novembro e dezembro de 1936, durante a Guerra Civil Espanhola. Combateu até o final da Guerra, após cujo final teve de partir para o exílio.

Carreira militar[editar | editar código-fonte]

Ingressou na Academia de Infantaria de Toledo em 1896. Seu primeiro destino foi o Astúrias, desde onde solicitou translado a Melilha, em 1900, com 22 anos de idade.

Na guerra de Marrocos destacou-se reorganizando a linha em Sidi Musa e no assalto à baioneta de Talusit Baixo, sendo-lhe concedido o emprego de comandante de Infantaria por méritos de guerra.[1][2]

Embora fosse considerado homem pouco afeiçoado à cultura, destacou-se como estudioso da língua árabe.

Segunda República[editar | editar código-fonte]

Ascendido a geral em agosto de 1932, conferiu-lhe o comando da 2ª Brigada de Infantaria da Primeira Divisão Orgânica, aquartelada em Badajoz. Posteriormente, em 1932, o governo presidido por Diego Martínez Barrio outorgaria-lhe o comando da 1ª Brigada de Infantaria da Primeira Divisão Orgânica, de guarnição em Madrid.

Apesar do seu possível pertença à direitista União Militar Espanhola (UME), em 1935, durante o ministério de José María Gil Robles, é enviado para Lérida, um dos destinos afastados da capital que costumavam dar aos militares que não gozavam da plena confiança do governo. O motivo: má apresentação no desfile dos seus regimentos[3]

Eleições de 1936[editar | editar código-fonte]

Ao formar governo Manuel Azaña designou o general Masquelet como Ministro da Guerra, mas ao estar ausente chamou a Miaja para se encarregar de tal função, embora por pouco tempo. Voltou para a sua brigada e ocupou também a chefia da Primeira Divisão Orgânica por doença do seu intitular Virgilio Cabanellas.

Guerra Civil[editar | editar código-fonte]

Em julho de 1936, ao começar a rebelião militar que terminaria na Guerra Civil Espanhola, estava no comando da 1ª Brigada de Infantaria da Primeira Divisão Orgânica, de guarnição em Madrid. Muitos dos seus subordinados estavam implicados na sublevação e, ele próprio, num primeiro momento, não adota uma atitude decidida, provavelmente pelo fato de a sua família estar na zona controlada pelos sublevados. Porém, decide permanecer leal ao governo e é designado ministro da Guerra no fugaz gabinete de Diego Martínez Barrio, na madrugada de 18 a 19 de julho de 1936. Não aceita o mesmo cargo no governo formado por José Giral.

A coluna de Córdova[editar | editar código-fonte]

A 25 de julho de 1936 é nomeado Chefe de Operações do Sul, partindo a 28 de julho de Albacete no comando de uma força de 5 000 homens com a que chega às portas de Córdova, mas vacilou e a sua indecisão deu tempo para a atuação da aviação dos sublevados, sofrendo uma grande derrota a 5 de agosto.[4]

Defensor de Madrid[editar | editar código-fonte]

Teiras o insucesso é transladado a Valência, onde toma o comando da Terceira Divisão Orgânica. No fim de outubro volta para Madrid como chefe da Primeira Divisão Orgânica. Em novembro de 1936, ao evacuar o governo a capital frente da iminente chegada das tropas franquistas, foi designado presidente da Junta de Defesa de Madrid. Com o tenente-coronel Rojo como Chefe de Estado-Maior, logra deter o inimigo no rio Manzanares após feroces combates na Cidade Universitária, atingindo grande popularidade entre o povo madrilenho. Sem Miaja não se impediria a entrada de Franco em Madrid.

Guadalajara e Brunete[editar | editar código-fonte]

Comandante do Exército do Centro (fevereiro de 1937) e da Agrupação de Exércitos da zona Centro-Sul (abril de 1938), dirigiu as batalhas de Guadalajara e Brunete, sendo um dos militares republicanos com mais poder.

Após a captura de Biscaia e perante a iminência do ataque sobre Santander, a República lançou um ataque diversivo sobre Brunete, empregando dois corpos de exército, com 85 000 homens, 300 aviões e 220 peças de artilharia, todos sob o comando supremo de Miaja.

O Consello Nacional de Defensa[editar | editar código-fonte]

No transcurso da guerra concentrou mais poder militar do que nenhum outro general republicano.[5] Considerando que a negativa de Franco a aceitar negociações era devida à participação comunista no governo,[6] Miaja não duvidou em secundar o golpe de Estado contra o governo de Juan Negrín, encabeçado pelo coronel Casado em março de 1939, presidindo o Conselho Nacional de Defensa que deslocou pela força o governo de Negrín do poder republicano, sem conseguir a "paz honrosa" que visavam.

Exilado[editar | editar código-fonte]

A 26 de março de 1939 exilou-se embarcando em Gandía num barco britânico que o levou para Argélia, depois para França, e finalmente para o México, onde faleceu em 1958 com oitenta anos.

Referências

  1. Real Ordem de 18 de dezembro de 1911
  2. Antonio López Fernández, General Miaja, defensor de Madrid. Editorial Gregorio del Toro, Madrid 1975, página 27
  3. Hugh Thomas, La guerra civil española, Madrid 1976, páginas 437-438.
  4. Hugh Thomas, La guerra civil española, Madrid 1976, páginas 754-755.