José Pereira Filgueiras

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

José Pereira Filgueiras (Bahia, 1758 (263 anos) — São Romão, 1825) foi um militar e proprietário de terras brasileiro[1].

Participou da Revolução Pernambucana de 1817, sendo chefe das forças expedicionárias de D. Pedro I e transformando-se em um dos líderes revoltosos ao regime imperial brasileiro, ajudando a depor o governo legal do Ceará e tornou-se o Governador das armas deste estado.

Biografia

Filho do português José Quezado Fylgueiras Lima, “Urucubaca”, degredado por problemas políticos, e da baiana Maria Pereira de Castro, mudou-se para o Cariri Cearense aos seis anos.

Filgueiras casou-se em primeiras núpcias com Joaquina Parente, filha do mestre de campo baiano Manuel Gonçalves Parente, e passou a residir no Sítio São Paulo, herança do sogro, em Barbalha-CE. Em meados de 1803, casa-se com sua segunda esposa, Maria de Castro Caldas e substitui o primeiro Capitão-mor do Crato-CE, Arnau de Holanda Correia. Uma grande seca gerou instabilidade e a rivalidade com o sargento-mor José Alexandre Correia Arnaud causando a morte de um sobrinho, Gonçalo de Oliveira Rocha Júnior. Na disputa entre os dois, Filgueiras foi apoiado pelo governador, Manuel Inácio de Sampaio. José Arnaud conseguiu da corte no Rio de Janeiro a criação da capitania-mor de Jardim, com metade da jurisdição sobre a região do Cariri. Ele mesmo foi nomeado como o primeiro capitão, em 1816, mas morre antes de assumir a função.

Durante a Revolução Pernambucana, em 1817, foi mandado como espião ao Cariri o subdiácono José Martiniano de Alencar, filho da heroína do Ceará, Barbara de Alencar, irmão de Tristão de Alencar Araripe e pai do escritor José de Alencar. Acompanhado por Miguel Joaquim Cesar, o jovem religioso entrou em contato com Filgueiras, considerado pela população local um bruxo cruel, provavelmente por algum costume criptojudeu ou templário, já que sua família em Portugal associou-se pelo casamento a burguesia Cristã-Nova e deteve títulos da Ordem de Cristo, criada dos espólios da Ordem do Templo após a extinção desta.

O capitão-mor recusou-se a participar da empresa, mas prometeu não interferir. Confiantes, os revolucionários reuniram-se para planejar o ataque a Fortaleza, quando surgiu a figura do temido Filgueiras, os presentes apresaram-se em se retirar, enquanto Martiniano procurava acalmá-los acreditando que o mesmo decidira aderir à causa. Por ordem de Manuel Inácio de Sampaio, seu aliado e governador da província do Ceará, Filgueiras prendeu os principais rebeldes, incluindo Dona Bárbara e os enviou para a prisão em Fortaleza, onde conta-se que se podiam escutar os lamentos da nobre senhora.

Batalha do Jenipapo[2]

Com a proclamação a independência, os portugueses tentaram em vão retomar o norte da colônia. A vila de São João da Parnaíba apressou-se a aderir a esta e tornou-se alvo de uma tropa portuguesa. Apressaram-se a recorrer ao Cariri Cearense, de onde partiu, em 1822, Filgueiras no comando de cerca de 2 mil homens, número acrescido em Jardim e outras vilas, para comandar os rebeldes Piauienses. O “incrível exército de Filgueiras” era composto por jagunços, camponeses, índios e escravos armados com bacamartes, espadas e facas peixeiras. Do lado português uma pequena tropa de soldados profissionais bem armados e treinados, vindos do Maranhão e comandados pelo major João José da Cunha Fidié. A luta prometia ser dura, mas após a primeira salva de canhões a jagunçada debandou. Cercado e sem apoio Fidié capitulou, entregando armas em troca de salvo conduto. O comandante de armas Filgueiras, “Napoleão das matas”, voltou para Barbalha com status de herói nacional.

A corte havia prometido um título de nobreza ao “vencedor de Fidié”, mas logo esqueceu a promessa e o título de marques foi concedido a um estrangeiro, Lorde Cocharane, enfurecendo Filgueiras.

Movimento da Confederação do Equador

A constituição do Império foi muito centralizadora o que provocou a Confederação do Equador, proclamada por Pernambuco. Insatisfeito com o governo Provincial, Tristão Araripe e Filgueiras, reconciliados, aderiram a Confederação e com as tropas reunidas usando as armas tomadas dos portugueses, eles tomaram e saquearam Fortaleza. Tristão foi nomeado presidente e Filgueiras comandante militar. Com a derrota do movimento em Recife, os dois partiram para o interior, Tristão foi morto pelos próprios soldados, teve a mão cortada e seu cadáver foi apedrejado e Filgueiras preso e levado para a Capital do Império, mas veio a falecer de febre palustre em São Romão-MG.

Referências

  1. História Colonial Arquivo Nacional
  2. FARIAS, Aírton. História do Ceará:Dos índios à geração cambeba. Fortaleza; Tropical editora, 1997. ISBN 8585332038