José Rodrigues dos Santos

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José Rodrigues dos Santos
José Rodrigues dos Santos, Paris, 2016.
Nascimento 1 de abril de 1964 (52 anos)
Portugal Beira, Moçambique Colonial
Nacionalidade  Portugal
Ocupação Jornalista, correspondente de guerra, professor universitário e escritor
Prémios Prémio Clube Literário do Porto 2009

José António Afonso Rodrigues dos Santos (Beira, África Oriental Portuguesa, 1 de Abril de 1964) é um jornalista, correspondente de guerra, professor universitário e escritor português nascido na antiga colónia portuguesa de Moçambique. Atualmente, apresenta o Telejornal. Em 2016 foi eleito o melhor escritor português, por 28 000 portugueses.[1]O último livro que escreveu foi o Vaticanum.

Anos iniciais em África[editar | editar código-fonte]

Natural da província de Sofala, Cidade da Beira, na antiga colónia de Moçambique do Império Português, filho de José da Paz Brandão Rodrigues dos Santos (Penafiel, 13 de Outubro de 1930 - Janeiro de 1986), médico, e de sua mulher Maria Manuela de Campos Afonso Matos,[2] e mudou-se ainda bebé para a cidade de Tete onde permaneceu até aos nove anos, convivendo com a Guerra Colonial. Tal como a esmagadora maioria dos portugueses, alguns dos seus antepassados estiveram envolvidos na Primeira Guerra Mundial, na Flandres e na Guerra Colonial em África, sendo que o seu segundo romance, intitulado A Filha do Capitão é assumido como um tributo que lhes é prestado.

Percurso durante a adolescência[editar | editar código-fonte]

Após a separação dos seus pais, vai para Lisboa onde vive com a mãe. No entanto, as dificuldades económicas da mãe levam-no a mudar-se para a residência do pai, em Penafiel, no norte de Portugal. A difícil adaptação do pai a terras lusas motivou a partida para Macau. Já no oriente, participa na elaboração de um jornal escolar, que desperta o interesse dos responsáveis da rádio local e leva o jovem estudante a ser entrevistado por uma jornalista que acabara de chegar a Macau: Judite de Sousa, hoje outra bem conhecida jornalista portuguesa, atual funcionária da TVI. Em 1981, aos 17 anos, o jovem José Rodrigues dos Santos inicia-se verdadeiramente no Jornalismo, ao serviço da Rádio Macau.

Família[editar | editar código-fonte]

Casou, em 1988, com Florbela Cardoso. Tem duas filhas, Catarina Cardoso Rodrigues dos Santos (1991) e Inês Cardoso Rodrigues dos Santos (1998).[2]

Carreira como jornalista[editar | editar código-fonte]

Em 1983, regressa a Portugal para frequentar o curso de Comunicação Social da Universidade Nova de Lisboa. Terminado o curso, candidata-se a um estágio na BBC, (British Broadcasting Corporation), a bem conhecida emissora britânica de televisão. A resposta é positiva mas não lhe é concedido qualquer financiamento. Aplica então a herança do pai, entretanto falecido, em três meses de experiência profissional em Inglaterra.

Regressa a Portugal, onde obtém duas distinções: o Prémio Ensaio do Clube Português de Imprensa, em 1986 e o Prémio de Mérito Académico do American Club of Lisbon, em 1987. Devido a essas credenciais é convidado pela BBC World Service para trabalhar em Londres, onde fica durante três anos, até 1990.

Da BBC seguiu para a RTP, onde começou a apresentar o noticiário "24 Horas". Em 16 de Janeiro de 1991, as forças coligadas de 28 países liderados pelos Estados Unidos dão início ao bombardeio aéreo de Bagdad, no Iraque, dando início à Primeira Guerra do Golfo. José Rodrigues dos Santos protagoniza então uma maratona televisiva de cerca de 10 horas, sobre o ataque americano ao Iraque, acabando posteriormente por se tornar o rosto mais conhecido da televisão pública.

Em 1991 passou para a apresentação do diário "Telejornal", o principal jornal diário da televisão portuguesa, no ar já por quarenta anos, e tornou-se colaborador permanente da CNN (Cable News Network), a cadeia norte-americana de informação em contínuo, de 1993 a 2002. Hoje continua a apresentar o Telejornal, em conjunto com João Adelino Faria e Cristina Esteves.

Doutorado em Ciências da Comunicação, com uma tese sobre reportagem de guerra, é professor da Universidade Nova de Lisboa e jornalista da RTP, ocupando por duas vezes o cargo de Director de Informação da televisão pública portuguesa. É um dos mais premiados jornalistas portugueses, tendo sido galardoado, além dos prémios já referidos, com o Grande Prémio de Jornalismo, em 1994, atribuído pelo Clube Português de Imprensa. Internacionalmente, venceu três prémios da CNN: o Best News Breaking Story of the Year, em 1994, pela história "Huambo Battle" relacionada com a Guerra de Angola; o Best News Story of the Year for the Sunday, em 1998, pela reportagem "Albania Bunkers"; e o Contributor Achievement Award, em 2000, pelo conjunto do seu trabalho, aquele que é considerado o Pullitzer do jornalismo televisivo.

Romancista[editar | editar código-fonte]

José Rodrigues dos Santos é hoje um dos jornalistas mais influentes para as novas gerações e no panorama informativo nacional. No entanto, além da sua mais conhecida faceta como jornalista, José Rodrigues dos Santos é também um ensaísta e romancista. Especialmente nesta última vertente, tornou-se dos escritores portugueses contemporâneos a alcançar maior número de edições com livros que venderam mais de cem mil exemplares cada. Até ao final de 2012 publicou quatro ensaios e dez romances. O romance de estreia, intitulado A Ilha das Trevas foi reeditado pela Gradiva, em 2007, actual editora do autor.

Em 2005, José Rodrigues dos Santos estabeleceu um acordo com uma das principais editoras a operar nos Estados Unidos, a Harper Collins, com o objectivo de lançar naquele país a obra O Codex 632. O livro foi apresentado na Book Fair America de 2007 como um dos principais lançamentos daquela editora, estando agendada a sua publicação para o dia 1 de Abril de 2008 sob a chancela da William Murrow, um dos principais selos do grupo. O livro estará à venda na Barnes & Noble e na Borders, as duas principais livrarias dos EUA. Entretanto, outro acordo foi obtido pelo autor e pela Gradiva com o Gotham Group, uma empresa de Los Angeles ligada às principais produtoras de Hollywood, tal como a Paramount, Twentieth Century Fox ou a Universal Studios, com o objectivo de adaptar O Codex 632 ao cinema. A acontecer, José Rodrigues dos Santos será o segundo autor português, a seguir a José Saramago com Ensaio sobre a Cegueira, a ver uma obra ser transposta para o cinema pelos estúdios de Hollywood.

Conforme é descrito no site da RTP, José Rodrigues dos Santos é um homem que perante os sérios problemas de um mundo em constantes convulsões não perde o sentido de humor, sendo-lhe atribuída a frase irónica: "Ainda não percebo porque é que o meu boneco do Contra Informação tem as orelhas tão grandes…"

Controvérsia[editar | editar código-fonte]

José Rodrigues dos Santos anunciou publicamente que não votava, dizendo que o fazia para manter a independência. (1. http://perfildojornalista.eusou.com/pt/entrevista.asp?id=1878&mid=277) Isso não o impediu de se envolver em várias polémicas.

A primeira colocou-o em conflito com o centro-direita em 2004, quando era diretor de Informação da RTP sob o governo PSD/CDS de Durão Barroso. O Expresso noticiou em outubro que o ministro da Presidência, Morais Sarmento, que tutelava a RTP, considerava que a manutenção de José Rodrigues dos Santos à frente da Informação da televisão pública era “algo a avaliar”. Questionado sobre o assunto pelo deputado do PS, Arons de Carvalho, Morais Sarmento afirmou que “há limites” para a independência da RTP e que “no fim do dia não são os jornalistas que vão responder perante o povo. Quem depois responde pelas opções políticas e pelo gasto do dinheiro público não são os jornalistas doutorados”, uma aparente referência a José Rodrigues dos Santos, jornalista doutorado. (2. http://www.tvi24.iol.pt/sic/tvi/morais-sarmento-considera-que-independencia-da-rtp-tem-que-ter-limites) Duas semanas depois, num concurso interno para selecionar o novo correspondente da RTP em Madrid, a Administração escolheu o 4º classificado em detrimento dos três primeiros classificados. José Rodrigues dos Santos demitiu-se do cargo de diretor de Informação, alegando “interferência” na área editorial. O inquérito levado a cabo pelo regulador dos media, a AACS, concluiu ter havido de facto “ingerência ilegítima” da administração no processo. (3. http://www.jornalistas.eu/?n=2772)

Em 2007, depois de ter reiterado as suas acusações de 2004, José Rodrigues dos Santos foi alvo de um processo disciplinar para despedimento. No final desse processo, os inquiridores internos da RTP concluíram que não havia matéria para despedimento. (4. https://www.publico.pt/media/noticia/rtp-quer-despedir-jose-rodrigues-dos-santos-por-justa-causa-1310551)

Em 2009, quando da publicação de O Último Segredo, um romance sobre Jesus Cristo, foi acusado pela Igreja de “intolerância”. O escritor respondeu, sublinhando que na crítica da Igreja “não é contestado um único facto que apresentei” no livro. (5. https://www.publico.pt/sociedade/noticia/igreja-catolica-arrasa-o-ultimo-romance-de-jose-rodrigues-dos-santos-1518107)

Em 2014, a polémica foi com a esquerda. José Rodrigues dos Santos confrontou José Sócrates sobre a austeridade que introduziu em 2010 em Portugal. A entrevista suscitou controvérsia. (6. http://www.dn.pt/politica/interior/socrates-irritase-nao-vinha-preparado-para-isto-3774270.html) Em 2015, durante a cobertura das eleições gregas, José Rodrigues dos Santos fez uma reportagem em que abordava as quatro principais causas internas da crise grega, ilustrando com exemplos. Falou na grande corrupção (o exemplo foi a casa do ministro da Defesa, preso no negócio dos submarinos), na pequena corrupção (o exemplo dos “muitos gregos” que subornavam médicos para obterem atestados de paralisia que lhes davam acesso a “mais um subsidiosinho”), no Estado Social generoso (o exemplo foi o programa estatal grego de pagar férias aos pobres em hotéis de três e quatro estrelas) e na fuga massiva ao fisco (o exemplo foi a ocultação de piscinas para não se pagarem impostos). (7. https://www.youtube./watch?v=Rojzt2Ssrzk) A reportagem foi contestada pelo dirigente do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, que acusou o jornalista de dizer que “os gregos” fingiam serem paralíticos para obterem subsídios ilegítimos. (8. http://www.cmjornal.xl.pt/tv_media/detalhe/rodrigues_dos_santos_criticado.html) José Rodrigues dos Santos respondeu, dizendo que nunca dissera “todos os gregos”, mas “muitos”, e que de facto “muitos gregos” estavam envolvidos nessa fraude, conforme confirmado pelo governo grego, incluindo o governo do Syriza, e pela Transparency International, uma ONG contra a corrupção. (8. http://ionline.sapo.pt/263203) Dois inquéritos, um do Provedor do Espectador e outro da ERC, não detetaram fundamento nas acusações contra o jornalista. (9. http://www.cmjornal.xl.pt/tv_media/detalhe/provedor_da_razao_a_rodrigues_dos_santos.html)

Em outubro de 2015, na introdução de uma notícia sobre o deputado mais velho no novo parlamento, José Rodrigues dos Santos disse “eleito, ou eleita”. O deputado em causa era Alexandre Quintanilha, deputado gay do PS. O PS e a associação de defesa dos homossexuais ILGA acusaram-no de homofobia. O jornalista esclareceu que se tratara de um engano, pois o texto que o repórter lhe entregara dizia que o deputado mais velho era uma reformada de 69 anos eleita pelo Bloco de Esquerda, quando na verdade se tratava de Quintanilha, de 70, eleito pelo PS. O secretário-geral do PS, António Costa, exigiu um pedido público de desculpas. José Rodrigues dos Santos pediu desculpas pelo lapso de ter dito que o deputado mais velho era a reformada de 69 anos, mas não pediu desculpas por homofobia, alegando que um engano não é um ato de homofobia. (10. http://www.jn.pt/nacional/media/interior/rodrigues-dos-santos-para-corrigir-um-erro-cometi-um-erro-4822998.html Três inquéritos ao caso, levados a cabo pela ERC, pela Comissão da Carteira dos Jornalistas e pelo Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas, não encontraram indícios de intenção homofóbica, concluindo ter havido de facto um erro involuntário. (11. http://www.tvi24.iol.pt/media/carteira-profissional-de-jornalista/carteira-considera-erro-involuntario-declaracoes-de-jose-rodrigues-dos-santos) (12. http://expresso.sapo.pt/sociedade/2016-01-20-Jose-Rodrigues-dos-Santos-ilibado-no-caso-eleito-ou-eleita) (13. http://www.cmjornal.xl.pt/tv_media/detalhe/cdsj_considera_um_lapso_erro_de_jose_rodrigues_dos_santos.html)

Obras publicadas[editar | editar código-fonte]

Ensaio[editar | editar código-fonte]

  • Comunicação, Difusão Cultural, 1992; Prefácio, 2001
  • Crónicas de Guerra I - Da Crimeia a Dachau, Gradiva, 2001; Círculo de Leitores, 2002
  • Crónicas de Guerra II - De Saigão a Bagdade, Gradiva, 2002; Círculo de Leitores, 2002
  • A Verdade da Guerra, Gradiva, 2002; Círculo de Leitores, 2003

Ficção[editar | editar código-fonte]

Prémios[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. http://www.noticiasaominuto.com/cultura/532394/jose-rodrigues-dos-santos-eleito-o-melhor-escritor-de-portugal
  2. a b "Raízes e Memórias", Instituto Português de Genealogia, Lisboa, N.º 14, p. 46
  3. «Clube Literário do Porto da Fundação Dr. Luís de Araújo». Clubeliterariodoporto.co.pt. 


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