José Sebastião de Almeida Neto

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José Sebastião de Almeida Neto, O.F.M. Disc.
Cardeal da Santa Igreja Romana
Patriarca de Lisboa

Título

Cardeal-presbítero de Santos XII Apóstolos
Atividade Eclesiástica
Ordem Ordem dos Frades Menores
Diocese Patriarcado de Lisboa
Ordenação e nomeação
Ordenação presbiteral 1 de abril de 1865
Ordenação episcopal 18 de abril de 1880
Igreja de São Julião, Lisboa
por Dom Gaetano Cardeal Aloisi Masella
Nomeado Patriarca 9 de agosto de 1883
Cardinalato
Criação 24 de março de 1884
por Papa Leão XIII
Ordem Cardeal-presbítero
Título Santos XII Apóstolos
Brasão
José Sebastião de Almeida Neto Cardeal.JPG
Lema SOLI DEO OMNIS HONOR ET GLORIA
Dados pessoais
Nascimento Flag Portugal (1830).svg Lagos
8 de fevereiro de 1841
Morte Espanha Villarino
7 de dezembro de 1920 (79 anos)
Nacionalidade português
Cardeais
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo

José Sebastião de Almeida Neto, O.F.M. Disc. (Lagos, 8 de Fevereiro de 1841Sevilha, Villarino, 7 de Dezembro de 1920) foi o décimo-segundo Patriarca de Lisboa com o nome de D. José III (função para que foi designado em 6 de Abril de 1883). Anteriormente exercera o cargo de bispo de Angola e Congo (1879).

Biografia[editar | editar código-fonte]

Era filho de Raimundo José Neto, que participou da Guerra Peninsular,[1] e de sua mulher Catarina Lúcia de Almeida. Realizou seus primeiros estudos religiosos no Seminário Episcopal de Faro.

Vida religiosa[editar | editar código-fonte]

Recebeu as primeiras ordens como sub-diácono em 20 de Setembro de 1862 e foi feito diácono em 21 de Maio de 1864. Em 1 de Abril de 1865 foi ordenado Padre.

Entrou para a Ordem dos Frades Menores Descalços em 15 de Agosto de 1875, adoptando o nome de José do Sagrado Coração. Em 1897, sua Ordem foi incorporada pela Ordem dos Frades Menores.

Foi indicado bispo de Angola e Congo pelo rei Dom Luís I de Portugal em 30 de Julho de 1879.[1]

Episcopado[editar | editar código-fonte]

Eleito bispo de Angola e Congo em 22 de Setembro de 1879, sendo consagrado em 18 de Abril de 1880, na Igreja de São Julião, Lisboa, por Gaetano Aloisi Masella, Arcebispo-titular de Neocesareia e núncio apostólico em Portugal, assistido por Aires de Ornelas e Vasconcelos, arcebispo de Goa, e por José Lino de Oliveira, bispo-emérito de Angola.[1][2]

Ele foi indicado pelo rei de Portugal para o Patriarcado de Lisboa em 12 de Julho de 1883, sendo sua nomeação como patriarca em 9 de Agosto.[1]

Cardinalato[editar | editar código-fonte]

D. José Neto mais novo, após a ascensão ao cardinalato

O Papa Leão XIII conferiu-lhe a dignidade de cardeal no consistório de 24 de Março de 1884, recebendo o chapéu vermelho e o título dos Santos XII Apóstolos no consistório de 10 de Junho de 1886.[1][2]

Presidiu ao casamento do infante D. Carlos com D. Amélia de Orleães, na Igreja de São Domingos, em Lisboa, em 22 de Maio de 1886.[1]

Em Novembro de 1907 resignou ao Patriarcado e retirou-se para um convento de sua ordem, em Leiria e em Janeiro de 1909, ele passou a viver no convento de Varatojo. Devido à perseguição religiosa com a implantação da República Portuguesa, foi expulso de Portugal em 9 de Outubro de 1910 e foi viver no convento franciscano de Fuente del Maestre, Badajoz, na Espanha e a partir de 30 de Maio de 1913, residiu no convento de Villarino de Ramallosa.[1] Em 4 de Setembro de 1913, em Sigmaringen, casou o rei Dom Manuel II de Portugal, que havia batizado, dado a primeira comunhão e a confirmação, com sua prima, a princesa Augusta Vitória de Hohenzollern-Sigmaringen.[1]

Em Setembro de 1914, durante o conclave para eleger o sucessor de Pio X, o cardeal José Neto foi involuntariamente envolvido numa divertida questão jornalística. Os assessores do ministro português Bernardino Machado pregaram uma partida ao jornal O Mundo, dirigido pelo republicano França Borges. Na presença de um repórter do jornal, fingiram receber um telegrama oriundo de Roma, confirmando a eleição do cardeal José Neto para papa. A brincadeira prosseguiu com telefonemas de congratulações, pelo que o repórter acreditou na história. Os intrujões nunca pensaram que O Mundo ainda iria a tempo de refazer a sua primeira página, pelo que, no dia 2 de Setembro, o jornal de França Borges publicou a sua manchete mais embaraçosa, noticiando a eleição do papa português que, afinal, nunca o viria a ser.[3]

Morte e funerais[editar | editar código-fonte]

Morreu em 7 de Dezembro de 1920, à 1h30min, em Villarino, perto de Sevilha. Em 9 de Dezembro, seu corpo foi transferido para Tui, na Galiza, onde chegou às 5 horas. O corpo foi recebido pelo Bispo Manuel Lago de Tui, por vários cânones do capítulo da catedral e pela comunidade franciscana do "Colegio de San Antonio". O caixão foi colocado em um catafalco elevado no meio da catedral. Em 10 de Dezembro, às 11h, a missa de réquiem solene foi cantada por Dom Manuel Vieira de Matos, Arcebispo de Braga.

O rei Afonso XIII de Espanha ordenou honras militares para o cardeal. Após a missa, o bispo de Tuy entregou a oração fúnebre. Os restos mortais foram sepultados na cripta da capela de San Telmo, o túmulo dos bispos de Tuy. Em 28 de Abril de 1928, o corpo foi exumado e solenemente trasladado para Lisboa, onde foi enterrado em 30 de Abril na tumba dos patriarcas da Igreja de São Vicente de Fora.[1]

Conclaves[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


Precedido por
Tomás Gomes de Almeida
Brasão episcopal
Bispo de Angola e Congo

18791883
Sucedido por
António Leitão e Castro
Precedido por
D. Inácio do Nascimento
Morais Cardoso
Brasão cardinalício
12.º Cardeal-Patriarca de Lisboa

18831907
Sucedido por
D. António Mendes Bello
Precedido por
Antonio Maria Panebianco, O.F.M. Conv.
Brasão cardinalício
Cardeal-presbítero de Santos XII Apóstolos

18861920
Sucedido por
Pietro La Fontaine