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José de Sousa Cintra

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Sousa Cintra
Nome completoJosé de Sousa Cintra
Nascimento
26 de outubro de 1944 (81 anos)

Nacionalidadeportuguesa
OcupaçãoEmpresário e dirigente desportivo

José de Sousa Cintra (Vila do Bispo, Raposeira, 26 de outubro de 1944[1]) é um empresário e antigo dirigente desportivo português.[2] [3]

Biografia

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Infância e juventude

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Proveniente de um meio rural do concelho de Vila do Bispo, no Algarve, José Sousa Cintra construiu um percurso empresarial baseado na sua intuição e capacidade empreendedora[4].

O seu primeiro emprego foi a auxiliar a entrega da correspondência da Câmara Municipal de Vila do Bispo[5].

Contudo, já em criança, Sousa Cintra costumava sair da escola para andar pelos campos na mira de caracóis para vender[4].

Aos 15 anos mudou-se para Almada, vivendo em casa de familiares[5].

Graças à intervenção de conhecidos do seu Algarve natal[5], arranjou emprego no Hotel Tivoli Lisboa[6].

Quase ao mesmo tempo, iniciava-se também na compra e venda de obras de pintura[5].

A seguir, aos 16 anos, ingressava como voluntário na Marinha de Guerra; nessa qualidade esteve colocado em Vila Franca de Xira, no Grupo n.º 1 de Escolas da Armada (G1EA), de novo em Lisboa, no Ministério da Marinha, e, depois, na Estação Radionaval de Sagres, a meia dúzia de quilómetros da sua terra natal[5].

Cumprido o tempo de tropa, casava com uma professora de Lagos, e dessa ligação nascia o seu único filho, Miguel (7 de agosto de 1969)[4].

Percurso empresarial

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José Sousa Cintra surgiu como empresário na área do imobiliário; começou a ganhar dinheiro como intermediário na compra e venda de terrenos[6], fazendo-o entre pequenos proprietários na Costa Vicentina e grandes investidores.[6]

Os proveitos acumulados permitiriam lançar-se como promotor imobiliário ainda antes do 25 de abril de 1974, sendo atingido, no período revolucionário, pela expropriação de cerca de 5000 fogos licenciados para construção[7].

Ainda assim, o empresário continuou a investir em terrenos, aproveitando, sobretudo, a ida de grandes proprietários para o Brasil que procuravam desfazer-se dos seus bens; Sousa Cintra comprava para vender mais tarde.[8]

Além disso, ainda no fim dos anos 1970, o empresário chegaria a lançar um empreendimento turístico em Aljezur, mais precisamente no Vale da Telha, a cargo da Somundi - Sociedade Turística do Algarve. O projeto envolvia centenas de lotes para construção, bem como a criação de 16 mil camas, entre outras infraestruturas, numa área de 500 hectares de território. Apesar da venda de vários lotes, a iniciativa acabaria por soçobrar[9].

Setor das bebidas

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Vidago, Melgaço & Pedras Salgadas

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Também depois da revolução, Sousa Cintra conseguiu adquirir (1982) à família de Bernardo Mendes de Almeida, representante do título de Conde de Caria, as águas Vidago, Melgaço & Pedras Salgadas[10][6].

Iniciava então a sua ligação ao setor das bebidas, o qual seria, juntamente com o imobiliário e, mais tarde, com os combustíveis, uma das seus principais áreas de atividade.

Adquirindo a VMPS numa delicada situação financeira, o empresário viria a alienar a empresa, por 12 milhões de contos, em finais da década de 1990 (1997) à Jerónimo Martins — a operação de venda, porém, tornar-se-ia particularmente mediática por ter levado o filho Miguel (administrador não executivo da empresa) a ser condenado por um crime de insider trading, em 2003[10][8].

Águas do Alardo

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Em 1997 — dois anos depois de deixar a liderança do Sporting Clube de Portugal — Sousa Cintra acrescentava ao portfólio das bebidas a Águas do Alardo, de Castelo Novo (Fundão), que comprou igualmente em difícil situação financeira[11]. Comprou esta produtora de águas fundada em 1916, aos belgas do Grupo Spadel, no que foi chamado o negócio de 1 escudo — em contrapartida do preço simbólico, o empresário assumia o passivo de cerca de 600 mil contos da empresa, na moeda da época[12].

Cerca de uma década depois (2009), Cintra ver-se-ia, porém, na contingência de se desfazer da empresa, a qual viria a ser declarada insolvente pouco depois (2009), pelo Tribunal do Comércio de Lisboa[11], encerrando a fábrica. Dois anos mais tarde (2011), a empresa reabriria pelas mãos da WaterBunkers, a dona da Água de Monchique, que por sua vez também cederia o controlo da empresa ao Grupo Nabeiro - Delta Cafés (2019)[12].

Drink In - Cerveja Cintra

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Entretanto, ainda nos anos 1980, Sousa Cintra passaria de novo pelo Brasil, dedicando-se ao imobiliário e investindo, de novo, na área das bebidas; começou por adquirir uma participação minoritária numa empresa produtora de cerveja, seguindo-se o seu controlo total, alguns anos depois[5].

No mesmo país, em 1998, formaria uma nova sociedade, a Drink In, após adquirir uma fábrica desativada da Kaiser em Mogi Mirim, no interior do Estado de São Paulo[13]. A partir daqui lançaria a marca de cerveja Cintra no Brasil, seguindo-se a abertura de uma nova fábrica, em Piraí, no Estado do Rio de Janeiro[13].

Os investimentos realizados seriam bem sucedidos — a Cintra tinha um preço competitivo junto do consumidor e em apenas dois anos, daria à Drink In o quarto lugar na tabela das maiores fabricantes de cerveja no Brasil[13][14].

O sucesso alcançado no Brasil faria o empresário apostar na introdução da marca Cintra em Portugal[15]. Com a Drink In, investiu 75 milhões de euros na criação de uma fábrica de tecnologia de topo em Santarém, em 2002[14].

O investimento em Portugal não conseguiria, porém, fazer face ao domínio das grandes marcas, Super Bock e Sagres, e o empresário acabaria por vender o negócio à Iberparteners (uma sociedade participada pelos empresários Jorge Armindo, Vasco Pereira Coutinho, Esmeralda Dourado, António Bernardo, a família Amorim e Estela Barbot) (2006)[16].

A Iberpartners, por sua vez, também acabaria por vender a empresa à espanhola Font Salem (depois absorvida pela sua entidade matriz, o Grupo Damm (2024)). Nas mãos dos espanhóis, a fábrica, que manteve a marca Cintra, direcionada para alguns mercados africanos e asiáticos, seria objeto de um investimento de mais 40 milhões para duplicar a sua capacidade de produção, alargada agora a um conjunto variado de marcas de bebidas, incluindo refrigerantes[17].

Pouco depois (2007), Sousa Cintra resolveria vender também a operação da Drink In no Brasil — a compradora foi a brasileira Ambev, que pagou cerca de 150 milhões de dólares pelo negócio, correspondente a cerca de 112,4 milhões de euros[18].

De acordo com a imprensa, as fábricas da Cintra no Brasil detinham então uma capacidade instalada para a produção de cerca de 420 milhões de litros de cerveja/ ano, movimentando um total de 8,2 mil milhões de litros de cerveja/ ano, no mercado brasileiro[18]. De resto, as fábricas tinham também atividade na produção de refrigerantes[18].

Uma década depois (2017), o negócio acabaria nas mãos da Heineken[13].

A venda da Drink In no Brasil à Ambev viria a espoletar um longo contencioso judicial com o Grupo Petrópolis, do brasileiro Walter Faria. Este veio invocar a celebração de um contrato com Sousa Cintra, antes deste fechar o negócio com a Ambev, devendo-lhe uma indemnização de 25 milhões de dólares, pela desistência da venda[19].

Águas de Fontenova

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De novo no setor das bebidas, Sousa Cintra surge em princípio do ano de 2025 a anunciar a reabertura das Águas de Fontenova, de Verim, na Galiza. O empresario anunciou um investimento de sete milhões de euros para reabrir a fábrica e retomar a produção dessa marca com mais de um século de tradição, fundada em 1904, e que encerrara portas no ano de 2014[20].

Setor dos combustíveis

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Em 1989, Sousa Cintra entrou no setor dos produtos petrolíferos, fundando a Cipol - Companhia Internacional de Petróleos, S.A.. A empresa, que abosorveria, nos anos 2000, 50 postos da rede da Galp (2001)[21], seria responsável por um total de cerca de 100 postos de combustíveis por todo o país[22].

Em 2015, Sousa Cintra regressaria às manchetes dos jornais, após a sua empresa Portfuel ter obtido, a 25 de setembro desse ano, uma autorização do Estado Português para pesquisar petróleo no Algarve[23][24].

Em dezembro de 2016, viria a público uma supreendente decisão de rescisão dos contratos celebrados com o Estado[25]. Em ação judicial instaurada, pedindo uma indemnização pela rescisão, o tribunal arbitral veio a dar razão ao Estado, com fundamento na circunstância de que a empresa tinha incumprido o momento em que contratou um seguro obrigatório pelo contrato[26].

Liderança do Sporting Clube de Portugal

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Mandatos de 1989-91, 1991-93 e 1993-95

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No fim dos anos 1980, o Sporting Clube de Portugal viu-se mergulhado numa grave crise[27].

A presidência de Jorge Gonçalves não conseguiu os recursos financeiros que perspectivava, ao mesmo tempo que adotara uma postura hostil face às alas mais tradicionais do clube, associadas ao antigo presidente João Rocha. Em resultado, surgiu uma enorme divisão interna no clube, que culminou numa Assembleia Geral dramática em outubro de 1988, onde houve intervenção policial devido a confrontos e agressões físicas[27].

Sem dinheiro e com o plantel em revolta, o Sporting entrou numa das maiores crises da sua história[27].

Associado do Sporting Clube de Portugal, Sousa Cintra defendeu então uma candidatura de Carlos Monjardino à liderança do clube, contra uma candidatura rival de António Simões e de uma possível candidatura de Pedro Santana Lopes[28][29].

Depois de se anunciar candidato, e de se retirar, devido à hesitação de Carlos Monjardino, Sousa Cintra acabou por entrar na corrida eleitoral, contra as candidaturas de António Simões, o anterior presidente Jorge Gonçalves e Miguel Catela[30].

Apesar de só ter ido a tempo de fazer seis dias de campanha, acabou por vencer o sufrágio com uma maioria clara (com 65% de 15.299 votantes), a 1 de julho de 1989[30].

Na liderança dos leões, o empresário tornar-se-ia uma figura bem conhecida dos portugueses[31].

Nos anos seguintes, seria reeleito duas vezes, em 1991 e 1993, em ambos os casos sem oposição, prolongando assim o seu mandato até à data de 2 de junho de 1995[31].

Os três mandatos de Sousa Cintra vieram dar estabilidade ao clube depois de um período de crise, sendo marcado por sucessos nas modalidades e investimentos sucessivos no plantel de futebol[15].

Foi também Sousa Cintra quem inaugurou o Museu do Sporting no Estádio José Alvalade, a 1 de fevereiro de 1994[31].

Foram seis anos que ficaram marcados pelo estilo popular deste empresário, muito diferente daquilo que havia sido, até então, a matriz habitual dos dirigentes do Sporting[32].

No campo do futebol, a Direção de Sousa Cintra começou por segurar no plantel de futebol os jovens Luís Figo e Peixe, que ao que se dizia estavam a caminho do Benfica, e apostou na contratação de alguns grandes jogadores, tentando tudo para que o Sporting voltasse a ser Campeão Nacional de futebol.

Para o comando técnico, Cintra contratou treinadores de prestigio, como Marinho Peres, que levou o Clube a uma meia-final da Taça UEFA; Bobby Robson, que seria dispensado após uma decepcionante derrota na Áustria — uma decisão que mais tarde Sousa Cintra considerou como o seu maior erro na liderança dos leões —; e Carlos Queiroz, que conseguiria elevar o nível técnico de futebol, mas sem alcançar a vitória nas competições decisivas[31].

Apesar de sucessivos investimentos, porém, Sousa Cintra não conseguiu cumprir o seu objetivo, de alcançar a vitória no Campeonato Nacional de futebol - a equipa de futebol conquistaria apenas Taça de Portugal, no ano de 1995/96, e, mesmo assim, com o jogo final da competição a realizar-se sendo já Santana Lopes o presidente[15].

Modalidades além-futebol

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Nas modalidades, a Direção do empresário alcançou várias conquistas; desde logo, conseguiu estancar parcialmente o êxodo dos principais atletas do Clube. Em termos de títulos, o clube alcançou, pela terceira vez, a Taça das Taças de Hóquei em Patins; recuperou a hegemonia no Corta-Mato, ganhando pela segunda vez seis Taças dos Campeões Europeus desta especialidade, consecutivas, numa altura em que os irmãos Domingos e Dionísio Castro eram as grandes figuras do atletismo leonino; conquistou um tri-Campeonato Nacional em voleibol[31].

Liderança interina em 2018

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No ano de 2018 o Sporting voltou a viver um dos perídos mais críticos da sua história[33].

O então Presidente Bruno de Carvalho foi destituído da presidência do clube a 23 de junho desse ano, durante uma Assembleia Geral Extraordinária realizada na Altice Arena, em Lisboa, na sequência de uma grave crise, sendo aprovada por 71,36% dos sócios votantes, face a 28,64% de votantes contra[33].

Após a destituição, Sousa Cintra assumiria a presidência interina do clube de Alvalade durante cerca de dois meses e meio (78 dias)[34].

O empresário assegurou a estabilidade do clube e o seu saneamento financeiro, reduzindo a massa salarial da SAD em 10 milhões de euros e garantindo o pagamento de salários e serviços a fornecedores[34].

Outras atividades

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Em 1975 Sousa Cintra foi eleito presidente da Assembleia-Geral da Associação Industrial Portuguesa.[35]

Em 2010 criou a Fundação Sousa Cintra[36], uma «instituição de desenvolvimento e solidariedade social», tendo como áreas de atuação principal «a cinegética, as ciências e a economia do mar». À data da sua legalização, o património dessa entidade estava avaliado em cerca de 20 milhões de euros[37].

Polémicas

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Contencioso com a cervejeira Petrópolis

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Em 2012 Sousa Cintra foi condenado por uma decisão do Tribunal Arbitral da Câmara de Comércio Brasil - Canadá a pagar 25 milhões de dólares de indemnização (cerca de 20,4 milhões euros) à empresa de cervejas brasileira Petrópolis, de Walter Faria[38].

Por detrás da decisão, esteve o facto de a Petrópolis contestar a venda da Drink In no Brasil à Ambev, com fundamento num contrato celebrado anteriormente com a Petrópolis. Este previa uma compensação pesada para uma eventual desistência da transação. A venda das fábricas à Petrópolis nunca chegou a concretizar-se, pois o empresário acabaria por fechar o negócio a Ambev, em 2007.

Em consequência da decisão, o recheio da casa de Sousa Cintra, que incluía obras de arte de Vieira da Silva e João Cutileiro, foi arrestado por ordem dos tribunais cíveis de Lisboa[38]; os bens continuariam na vivenda do Restelo onde Sousa Cintra mora e ficariam à guarda de um fiel depositário nomeado pelo tribunal[38].

Em 2022 a decisão de condenação no pagamento da indemnização à Petrópolis seria confirmada, sendo igualmente noticiado que os 25 milhões de dólares da quantia originária equivaleriam agora, com juros, a 70 milhões de euros[39].

Insider trading na venda da VMPS

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Nos anos 1990 o negócio da venda da VMPS à Jerónimo Martins levantou algumas suspeitas de ilicitude, levando o admistrador não-executivo da VMPS Miguel Sousa Cintra, filho do empresário, a tribunal[40].

Em 1996 José Sousa Cintra controlava 53,88/% da Vidago e o seu filho, Miguel, detinha uma participação de 11,4%. Sousa Cintra lançaria então uma OPA sobre a empresa para "proteger os pequenos accionistas", já que previa para os próximos anos grandes investimentos, não estando, por isso, perspectivada a distribuição de dividendos.

Nos dois meses seguintes surgem rumores sobre a hipótese de ser lançada uma OPA concorrente, a 8,97 euros. O empresário Joe Berardo, que controlava 9% por cento da Vidago, era apontado como um dos interessados.

A OPA de Sousa Cintra, prevista para maio desse ano, acaba por fracassar, e o empresário ficaria a partir de então inibido de comprar acções da VMPS.

Alegadamente, segundo a tese do Ministério Público ("MP"), a Jerónimo Martins, através de Alexandre Soares dos Santos, propusera nessa altura a Sousa Cintra a compra da Vidago[41].

Já em julho Miguel Sousa Cintra compra um lote de 322.776 acções da VMPS, a 10,97 euros (2.200 escudos), na sequência de uma proposta de uma corretora; trata-se da posição da Metalgest, empresa de Joe Berardo, e do Banco Sigma de João Rendeiro. Miguel Cintra pede ao Banco Pinto & Sotto Mayor nessa data um empréstimo no montante de 4,5 milhões de euros para comprar aquelas acções, e dá-as ao banco como penhor.

De novo de acordo com o MP, Miguel Sousa Cintra ter-se-ia apercebido do interesse da JM na VMPS e da intenção de vender de seu pai "em data indeterminada de Julho de 1996", e daqui nasceria a tese de que o filho do ex-presidente do Sporting seria detentor de informação privilegiada.

A tese do MP seria sempre negado por Miguel Sousa Cintra, cuja defesa sustentaria que apenas em novembro de 1996, tivera conhecimento da possibiidade de concretização da compra pela Jerónimo Martins[41][42].

Alegadamente, Miguel Cintra ainda teria — na sequência da comunicação de intenções da Jerónimo Martins sobre o preço a pagar pelas açoes correspondentes a 90% da VMPS — procurado adquirir mais ações, embora tivesse cancelado a ordem de compra, após ter informação de que a intenção da Jerónimo Martins era definitiva.

Ainda assim, entre julho e outubro de 1996, de acordo com a acusação, Miguel Cintra comprara 379.976 acções da VMPS, e realizara "mais-valias brutas de 3,9 milhões de euro (800,8 mil contos)"; ou seja, num ano, Miguel Cintra aumenta a participação de 11,41 para 22,23 por cento.

Quando, a 11 de novembro de 1996, se torna público o anúncio preliminar do lançamento pela Jerónimo Martins de uma OPA sobre a VMPS, ao preço de 21,44 euros (3.400 escudos) por acção, os seus três maiores accionistas - José e Miguel Sousa Cintra e Amadeu Dias - controlavam mais de 90 por cento do capital e direitos de voto.

A 19 de Dezembro era feito o anúncio definitivo da compra da Jerónimo Martins, acabando a OPA a realizar-se em sessão especial de bolsa, no dia 23 de Janeiro de 1997, e os três accionistas alienam a sua posição[42].

A 25 de julho de 2003, o Tribunal Criminal de Lisboa, no primeiro julgamento de crime de mercado realizado em Portugal, virá a condenar Miguel Cintra a uma pena de prisão de 18 meses, suspensa pelo período de três anos, e subordinada ao dever de entregar 499 mil euros, a distribuir por partes iguais a quatro instituições de solidariedade, acrescido de uma multa de 120 dias, à taxa diária de 295 euros[43].

Rapto de Miguel Sousa Cintra

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Em junho de 1998 um grupo criminoso planeou extorquir dinheiro a Sousa Cintra sequestrando o seu filho. O esquema foi montado por um economista que conhecia bem as rotinas de Miguel Sousa Cintra e que o atraiu à Pousada de Sousel, no Alentejo, sob o pretexto de fazer um negócio com um puro-sangue lusitano. A um quilómetro do suposto encontro, os criminosos simulam um acidente e acabam por raptar o jovem empresário. Este esteve em cativeiro durante três dias e só foi libertado quando a família entrega os 60 mil contos exigidos. Contudo, dias depois os raptores acabaram por ser detidos pela Polícia Judiciária[44].

Referências

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Precedido por
Jorge Manuel Alegre Gonçalves
Presidente do Sporting Clube de Portugal
1 de Julho de 1989 – 2 de Junho de 1995
Sucedido por
Pedro Miguel de Santana Lopes