José de Vasconcelos Correia

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José de Vasconcelos Correia
Nascimento 8 de julho de 1804
Torres Novas
Morte 7 de novembro de 1883 (78 anos)
Porto
Nacionalidade Portugal Português
Ocupação Militar

José de Vasconcelos Correia GCTEComCGCACvNSC (Torres Novas, 31 de Agosto de 1804 - Porto, 23 de Julho de 1883), 2.º Conde de Torres Novas, foi um militar português.

Família[editar | editar código-fonte]

Filho de António Narciso de Vasconcelos Correia (bap. Torres Novas, Santa Maria, 3 de Abril de 1759 - ?), grande Proprietário, e de sua mulher (Torres Novas, Santa Maria, 4 de Março de 1791) Joana Bárbara da Costa de Faria e Sande,[1] neto paterno de Joaquim Inácio Correia de Carvalho (filho de Luís Correia de Carvalho) e de sua mulher Isabel Maurícia Leite de Vasconcelos (filha de Raimundo António Leite de Vasconcelos), neto materno de António José Leitão (Torres Novas - ?) e de sua mulher Albana Helena da Costa de Faria (Santarém, São Vicente do Paul - ?), e irmão mais novo de António César de Vasconcelos Correia, 1.º Visconde de Torres Novas e 1.º Conde de Torres Novas, Joaquim de Vasconcelos Correia (? - 1823), Guilherme de Vasconcelos Correia, General, casado com Antónia Emília de Vasconcelos,[2] João de Vasconcelos Correia, morto durante o Cerco do Porto a 29 de Janeiro de 1832, e de Albana de Vasconcelos Correia e Maria do Carmo de Vasconcelos Correia, ambas casadas com Francisco de Sales da Silveira.[3][4] Trisavô de Helena Duarte antiga chefe dos correios de Arruda dos Vinhos.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Assentou praça a 6 de Setembro de 1820, como Cadete de Cavalaria, e desde logo tomou parte na guerra acesa entre os partidários da Constituição Portuguesa de 1822 e os Absolutistas que combatiam aquele estatuto político. No recontro da Batalha de Arronches, a 14 de Novembro de 1826, houve-se de modo tão notável que foi promovido a Alferes, por distinção. Fazia parte da Guarnição do Porto quando se deu naquela cidade o levantamento contra o Governo de D. Miguel I de Portugal, a Belfastada, em 1828, tendo tomado parte nos combates da Cruz de Morouços e da Ponte do Cabeço do Vouga. Refugiou-se com seus irmãos na Grã-Bretanha e Irlanda, donde passou à Ilha Terceira. Tomou parte no combate da Batalha da Praia da Vitória e embarcou depois com a força que veio a desembarcar no Mindelo. Entrou nos vários combates travados em torno do Porto e na Batalha de Souto Redondo, já com os galões de Tenente. Foi um dos defensores da posição da Serra do Pilar, violentamente atacada por forças superiores a 8 de Setembro de 1832. Durante esses dias dramáticos, não só revelou o maior valor em combate mas também executou, como voluntário, uma arriscadíssima missão, que consistiu em passar o Rio Douro debaixo de fogo de Artilharia para ir ao Quartel-General receber ordens de que o Comando carecia. Organizado o Regimento de Cavalaria N.º 10 sob o comando do General João Nepomuceno de Macedo, depois 1.º Barão de São Cosme, foi escolhido para Ajudante do Regimento, tendo nessa qualidade entrado nos combates do Sítio do Pasteleiro, junto à Foz do Douro, e de Valongo, a Batalha de Ponte Ferreira. Veio depois para o Sul sob o comando de João Carlos de Saldanha Oliveira e Daun, depois 1.º Conde de Saldanha, 1.º Marquês de Saldanha e 1.º Duque de Saldanha, e, indo depois sobre Torres Novas, bateu-se energicamente com forças Miguelistas das quais fazuiam parte os famosos Dragões de Chaves. Nesse combate foi ferido, e chegou a estar alguns minutos prisioneiro dos adversários, mas foi restituído à liberdade num esforço heróico dos seus Soldados. Distinguiu-se notavelmente ainda na Acção da Torre do Bispo, onde o ataque denodado do Regimento de Cavalaria N.º 10 conseguiu desfazer um quadrado formado pelo Regimento de Infantaria N.º 17, ao serviço da Causa Absolutista. Foi, entretanto, promovido a Capitão e a Major.[5]

Tomou parte activa nas lutas contra o Governo de António Bernardo da Costa Cabral, depois 1.º Conde de Tomar e 1.º Marquês de Tomar, e, a 19 de Abril de 1847, foi promovido a Tenente-Coronel. A 29 de Abril de 1851, depois de vitorioso o movimento de Saldanha, foi promovido a Coronel e colocado como Comandante do Regimento de Cavalaria N.º 4, aquartelado em Santarém. Foi o 12.° Comandante-Geral da Guarda Municipal de Lisboa entre 27 de Dezembro de 1861 e 23 de Dezembro de 1868 e o 1.° Comandante-Geral da Guarda Municipal entre 24 de Dezembro de 1868 e 22 de Setembro de 1869. A 5 de Junho de 1866 era General de Brigada e Comandante-Geral das Guardas Municipais. Nesse posto reprimiu duramente a sedição do Batalhão Expedicionário destinado à Zambézia, aquartelado no Quartel de Alcântara. Comandou depois a Divisão Militar do Porto, conquistando grandes simpatias naquela cidade. A 21 de Janeiro de 1876 foi promovido a General de Divisão, continuando naquele Comando.[6]

Foi Ajudante-de-Campo do Rei D. Luís I de Portugal, Conselheiro de Sua Majestade Fidelíssima, Grã-Cruz da Real Ordem Militar de São Bento de Avis, 174.º Grã-Cruz da Real Ordem Militar da Torre e Espada em 1875, e Excelentíssimo Senhor Grã-Cruz da Real Ordem de Isabel a Católica de Espanha, Comendador da Real Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo, Cavaleiro da Real Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e condecorado com a Medalha N.º 9 das Campanhas da Liberdade.[7]

O título de 2.º Conde de Torres Novas foi-lhe renovado por Decreto de D. Luís I de Portugal de 2 de Julho de 1877.[8]

Casamentos e descendência[editar | editar código-fonte]

Casou primeira vez em Angra, depois Angra do Heroísmo, Nossa Senhora da Conceição, a 16 de Junho de 1831, com Gertrudes Carlota de Vasconcelos (Angra do Heroísmo, Nossa Senhora da Conceição, 24 de Novembro de 1809 - ?), filha de Luís José de Vasconcelos e de sua mulher Antónia Ludovina da Fonseca,[9] da qual teve um filho:

  • Júlio César de Vasconcelos Correia (Angra, depois Angra do Heroísmo, 13 de Junho de 1831 - 9 de Março de 1879), casado com Sabina Gomes da Silva, sem geração

Casou segunda vez com Helena Margarida Mackonelt, natural de Lisboa, filha de José Maria Gomes Mackonelt e de sua mulher Maria Felizarda Maia,[10] da qual teve uma filha:

  • Palmira da Conceição de Vasconcelos (? - 1869), solteira e sem geração

Referências

  1. "Nobreza de Portugal e do Brasil", Direcção de Afonso Eduardo Martins Zúquete, Editorial Enciclopédia, 2.ª Edição, Lisboa, 1989, Volume Terceiro, p. 447
  2. Pais de Maria Amélia de Vasconcelos Correia, que em Monarquia seria Representante do Título de Condessa (antes Viscondessa) de Torres Novas), casada em Santarém, Marvila, com Ricardo Peyroteo de Subiates (Madrid - ?), Engenheiro dos Caminhos-de-Ferro, com geração, e de Guilherme Xavier de Vasconcelos Correia, Representante do Título de Conde (antes Visconde) de Torres Novas, solteiro e sem geração.
  3. "Nobreza de Portugal e do Brasil", Direcção de Afonso Eduardo Martins Zúquete, Editorial Enciclopédia, 2.ª Edição, Lisboa, 1989, Volume Terceiro, p. 448
  4. "Resenha das Famílias Titulares e Grandes de Portugal", Albano da Silveira Pinto e Augusto Romano Sanches de Baena e Farinha de Almeida Portugal Silva e Sousa, 1.º Visconde de Sanches de Baena, Fernando Santos e Rodrigo Faria de Castro, 2.ª Edição, Braga, 1991, Volume II, p. 695
  5. "Nobreza de Portugal e do Brasil", Direcção de Afonso Eduardo Martins Zúquete, Editorial Enciclopédia, 2.ª Edição, Lisboa, 1989, Volume Terceiro, p. 448
  6. "Nobreza de Portugal e do Brasil", Direcção de Afonso Eduardo Martins Zúquete, Editorial Enciclopédia, 2.ª Edição, Lisboa, 1989, Volume Terceiro, p. 448
  7. "Nobreza de Portugal e do Brasil", Direcção de Afonso Eduardo Martins Zúquete, Editorial Enciclopédia, 2.ª Edição, Lisboa, 1989, Volume Terceiro, p. 448
  8. "Nobreza de Portugal e do Brasil", Direcção de Afonso Eduardo Martins Zúquete, Editorial Enciclopédia, 2.ª Edição, Lisboa, 1989, Volume Terceiro, p. 448
  9. "Nobreza de Portugal e do Brasil", Direcção de Afonso Eduardo Martins Zúquete, Editorial Enciclopédia, 2.ª Edição, Lisboa, 1989, Volume Terceiro, p. 448
  10. "Nobreza de Portugal e do Brasil", Direcção de Afonso Eduardo Martins Zúquete, Editorial Enciclopédia, 2.ª Edição, Lisboa, 1989, Volume Terceiro, p. 448