Josef Kentenich

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José Kentenich
Presbítero da Igreja Católica
Fundador e Diretor do Movimento de Schoenstatt Schoenstatt-logo.svg
Atividade Eclesiástica
Instituto Secular de Vida Consagrada Instituto Secular dos Padres de Schoenstatt
Ordenação e nomeação
Ordenação presbiteral 8 de julho de 1910
Limburg an der Lahn, Alemanha
Dados pessoais
Nascimento Gymnich, Alemanha
18 de novembro de 1885 (130 anos)
Morte Schoenstatt, Vallendar (Alemanha)
15 de setembro de 1968 (82 anos)
Nacionalidade Flag of Germany.svg Alemã
Funções exercidas Primeiro Superior Geral do Instituto Secular dos Padres de Schoenstatt
Categoria:Igreja Católica
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo

José Kentenich, nascido em Gymnich, Alemanha, em 18 de novembro de 1885 e falecido em 15 de setembro de 1968 em Schoenstatt (Alemanha), é um padre católico fundador do Movimento de Schoenstatt, movimento católico fundado em 1914 na localidade de Schoenstatt, cidade de Vallendar, próxima de Koblenz, Alemanha.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Infância[editar | editar código-fonte]

Nascido em 18 de novembro de 1885 em Gymnich, perto de Colônia, José é o filho de José e Catarina Kentenich Koep, fruto de um relacionamento fora do casamento. Catarina, mulher muito pobre e piedosa, transmite a José sua devoção mariana profunda. No entanto, a situação de extrema pobreza, com uma avó muito idosa e de saúde debilitada levam-na a deixar o seu filho de oito anos no orfanato São Vicente em Oberhausen (Alemanha), em 1894.

Aí chegando, Catarina pendura no pescoço de uma estátua de Nossa Senhora um dos poucos objetos preciosos de sua propriedade: uma corrente de ouro com um crucifixo; ela confia à mãe de Jesus a educação de seu filho; em seguida, coloca a cruz no pescoço de José.

Esses anos de orfanato serão difíceis para a criança, com duas tentativas de fuga e numerosas travessuras. Mas ele conseguirá boas notas na escola e permanecerá profundamente marcado por sua consagração a Maria[1].

Ingresso no seminário[editar | editar código-fonte]

Em 1897, José exprime pela primeira vez o desejo de se tornar sacerdote. Dois anos depois, entra para o seminário menor de Ehrenbreitstein, dirigido pelos Padres palotinos. Em 1904, passa ao noviciado dos Palotinos de Limburg an der Lahn. Em seu diário, ele formula o seu itinerário espiritual: "Deus é o meu único objetivo, ele deve também ser a estrela que guia minha vida." No entanto, o noviço encontra grandes dificuldades por causa de seu caráter intelectualista. A questão filosófica fundamental: "Existe uma verdade, e como conhecê-la?" atormenta sua inteligência. Ele tem um forte desejo de perfeição, mas sente grande insensibilidade, uma espécie de incapacidade de amar a Deus e ao próximo. A devoção mariana lhe permite superar esta crise e a encontrar o amor pessoal de que Deus, Jesus Cristo e da Virgem Maria tem por ele, um amor que não é uma ideia abstrata, mas uma realidade viva[1].

Sacerdócio[editar | editar código-fonte]

Pe. Kentenich, quando de sua ordenação sacerdotal

Admitido à profissão religiosa em 1909, José Kentenich é ordenado sacerdote em Limburg an der Lahn, no dia 8 de julho de 1910. Jovem, ele sonha de converter pagãos. Mas seu sonho de ir para a África como missionário não pode ser realizado por haver adquirido a tuberculose.

Foi inicialmente professor no Seminário Menor de Ehrenbreistein e, em seguida, de 1912 a 1919, Diretor Espiritual no Seminário Menor dos Padres Palotinos em Vallendar-Schoenstatt, perto de Koblenz.[2] Seu carisma como educador se manifesta logo nos primeiros anos de seu sacerdócio[3].

Capelão[editar | editar código-fonte]

Nesse período, uma tempestade agitava o seminário de Vallendar-Schoenstatt: os estudantes protestavam contra o novo regulamento interno, considerado por eles demasiadamente severo; as paredes são grafitadas com mensagens de protesto. Dois padres encarregados pela direção espiritual dos seminaristas renunciam. É neste ambiente que o jovem padre José Kentenich é chamado para ocupar esse cargo e restaurar a confiança dos seminaristas.

Logo em sua primeiro encontro com os jovens, ele diz: "Eu me coloco à sua disposição com tudo o que sou e tudo o que eu tenho: meu conhecimento e ignorância, minha competência e a minha incompetência, mas, principalmente, o meu coração... Vamos aprender a educar-nos sob a proteção de Maria, para nos tornarmos homens de caráter firme, livre e sacerdotal."[1]

Fundação do Movimento de Schoenstatt[editar | editar código-fonte]

O começo: a "Aliança de Amor" com Maria[editar | editar código-fonte]

Com alguns de seus alunos, em 18 de outubro de 1914, o Padre Kentenich iniciava o que seria mais tarde considerado o primeiro marco da fundação da Obra de Schoenstatt. Na antiga capela de São Miguel, então abandonada e utilizada como depósito de ferramentas, um grupo de cerca de vinte seminaristas sela com a Mãe de Deus um pacto que ele viria mais tarde a chamar de "Aliança de Amor". O que fazia este ato tão singular é que essa "Aliança" era considerada não como um símbolo piedoso, mas um contrato bilateral entre duas partes contratantes. Além disso, pela voz do jovem sacerdote, a Santíssima Virgem é solicitada a estabelecer seu trono na capela para desde aí distribuir seus tesouros espirituais. Cada membro do grupo concorda em abandonar-se inteiramente à Mãe de Deus e deixar-se guiar por ela durante toda sua vida[4].

O Pe. Kentenich com a Congregação Mariana de Schoenstatt, em outubro de 1914

Kentenich, profundamente convencido do amor de Maria por todos os homens, suplicou-lhe que, pela oração e pelo sacrifício esta pequena capela se tornasse um lugar privilegiado de graças e com isso atrair multidões de homens e educá-los para a construção do Reino de Deus[5]. O discurso que pronunciou nesta ocasião é considerado o Ato de Fundação do Movimento de Schoenstatt.

Por seu lado, os jovens seminaristas compreenderam suas intenções e testemunharam com espírito de sacrifício durante os duros anos da Primeira Guerra Mundial. Alguns deles, em meio aos perigos do fronte de combate, ofereceram o sacrifício de suas vidas pela causa de Schoenstatt. Entre estes, o Servo de Deus José Engling distinguiu-se particularmente: fervoroso defensor da paz entre as nações e um apóstolo entre os companheiros, oferece sua vida à Mãe Três Vezes Admirável para o crescimento da Obra de Schoenstatt. Em 4 de outubro de 1918, ele é morto por uma granada no norte da França, em Thun-Saint-Martin; o Pe. Kentenich o indicará como modelo. Seu processo de beatificação está em andamento[1].

A imagem chamada Mater Ter Admirabilis, entronizada em Schoenstatt em 1915 e presente em todos os Santuários de Schoenstatt do mundo

Em abril de 1915, um professor presenteia ao Padre Kentenich uma reprodução de uma gravura de Nossa Senhora tendo ao colo Jesus menino, pintada por Luigi Crosio, sob o título "Refugium Peccatorum". Apesar do reduzido valor artístico da obra, o fundador é tocado pela ternura do gesto de Maria segurando Jesus junto ao seu coração; ele entroniza essa imagem no altar da capelinha. Reverenciada como Mater Ter Admirabilis (Mãe Três Vezes Admirável)[6], ela será colocada em todas as casas e santuários do Movimento de Schoenstatt. Durante a guerra, uma revista sob esse patrocínio é enviada para os jovens que lutam na frente de batalha.

O desenvolvimento da Obra[editar | editar código-fonte]

O projeto, inicialmente puramente local, expandiu-se rapidamente após a Primeira Guerra Mundial. Foi englobando gradualmente, sem plano preconcebido, muitas categorias; jovens, sacerdotes, mulheres, irmãs, peregrinos. Eles são estruturados de acordo com o espírito prático alemão, em ligas, uniões e institutos seculares, segundo o grau de comprometimento de cada um.

Um retiro para sacerdotes pregado pelo Pe. Kentenich em Schoenstatt

O Pe. Kentenich passa a percorrer toda a Alemanha, Áustria, Tchecoslováquia e Suíça, para pregar retiros e sessões de formação. A afluência aos seus retiros é grande. Entre 1928 e 1935, a cada ano mais de 2.000 sacerdotes participam de suas conferências, sem contar os participantes leigos.

Batalha contra o nazismo[editar | editar código-fonte]

Prisão pela Gestapo[editar | editar código-fonte]

Kentenich observa com preocupação o crescimento do nazismo, o qual ele considera como um dos subprodutos daquilo que ele denomina "pensamento idealista e mecanicista" que invadiu a Europa a partir do século XIX como um câncer.

Em 1933, quando os nazistas tomam o poder na Alemanha e são fechados diversos conventos um após o outro, ele não tardou em enviar grupos de religiosas para a África do Sul, Brasil, Argentina, Chile e Uruguai a fim de permitir o Movimento de sobreviver caso a perseguição da Igreja na Alemanha aumentasse[7].

Sua oposição ao nazismo atrai a atenção e a perseguição das autoridades. Padre Kentenich diz sobre a suástica: "Para nós, é a Cruz de Cristo que devemos seguir". E sobre o nazismo, "Não vejo nenhum lugar por onde aí poderia passar a água do batismo".[7]

Uma vez no poder, os nazistas não tardam a pôr Schoenstatt entre os principais adversários a destruir. Após diversas ameaças e vexações, no dia 20 de setembro de 1941, Kentenich é convocado pela Gestapo; ele é acusado pelo teor de uma frase, pronunciada em privado, mas denunciada por um delator: "Minha missão é revelar o vazio interior do nacional-socialismo, a fim de assim poder derrotá-lo." A polícia aprisiona o religioso durante um mês em um quarto sem ventilação, a fim debilitá-lo psicologicamente[1]. Trata-se de um cubículo todo em concreto, cuja única abertura era uma porta blindada. Nesse local a "polícia secreta do Estado" destrói os de caráter mais duro. Padre Kentenich é mantido por quatro semanas nesse bunker escuro e sem ar, que era antes o cofre de uma filial do Reichsbank.[7] É daí transferido fisicamente debilitado mas calmo e tranquilo como antes de sua prisão. É enviado para a prisão de Koblenz, um antigo convento carmelita, onde passa outros 5 meses. Em seguida é o "inferno de Dachau".

Enviado para o campo de concentração de Dachau[editar | editar código-fonte]

Em março de 1942, o Padre Kentenich é enviado ao campo de concentração de Dachau, justo no momento em que as condições de vida nesse campo estavam em franca deterioração. Dos 12.000 presos, existem 2.600 sacerdotes. Ele é o prisioneiro n. 29.392.[7] Os alemães são agrupados em um bloco onde eles têm o direito de assistir à missa celebrada diariamente por um deles; somente no dia 19 de março de 1943 Kentenich poderá celebrar sua primeira missa no campo de concentração. À cada noite ele apresenta uma palestra sobre algum tema espiritual a seus companheiros prisioneiros, graças à proteção do "kapo" (prisioneiro chefe do bloco) Guttmann, um comunista muito violento, mas fascinado pelo comportamento do Padre: ele o viu compartilhar a sua quota diária de pão e sopa rala com um preso em necessidade. Guttmann vai salvar a vida do fundador de Schoenstatt, destinado à câmara de gás por causa de sua saúde debilitada: no dia da visita de seleção por um médico da SS, Kapo Guttmann esconde o Padre Kentenich. Após isso, ele é designado ao grupo de desinfecção, podendo circular dentro do campo.[1]

A fundação da Obra Internacional de Schoenstatt em Dachau[editar | editar código-fonte]

Em 16 de julho de 1942, foram criados dois novos ramos de Schoenstatt em Dachau, sob a responsabilidade de dois leigos prisioneiros: o Instituto Secular das Famílias e o Instituto dos Irmãos de Maria. Transferidos várias vezes a outros blocos, o Fundador recomeça a cada vez o seu apostolado, apesar dos riscos que corre.Durante os últimos três meses de 1944, o endurecimento do regime nazista e as epidemias causam a morte de dez mil prisioneiros em Dachau. É neste ponto que, em um ato de fé cheio de esperança, dentro desse lugar infernal, o Padre Kentenich funda com um grupo de discípulos a Obra Internacional, estendendo a fundação de Schoenstatt no mundo inteiro. Sob condições materiais inimagináveis, e com perigo à sua vida, ele escreve diversos tratados de espiritualidade, orações e um poema de mais de 20.000 versos. Em dezembro de 1944, Dom Gabriel Piguet, um bispo francês prisioneiro no campo, ordena sacerdote no mais estrito segredo um seminarista de Schoenstatt, o Beato Carlos Leisner. Doente de tuberculose e muito enfraquecido, ele só conseguirá celebrar uma missa antes de morrer; é beatificado por João Paulo II no dia 23 de junho de 1996.[1]

Em 6 de abril de 1945, com a chegada dos americanos os prisioneiros são libertados. No dia 20 de maio, dia de Pentecostes, o Padre Kentenich regressa a Schoenstatt. Ele retorna imediatamente ao seu trabalho; visando estabelecer uma barreira contra dois perigos que o fundador discerne com muita lucidez: o comunismo no Leste, e o materialismo prático no Ocidente. A experiência da prisão irá ajudá-lo a ensinar aos seus discípulos a manter a liberdade interior. Os Padres Alberto Eise, morto doente em Dachau e Franz Reinisch, executado pelos nazistas, serão invocados como protetores celestiais por todos os membros do Movimento.

Desenvolvimento Internacional da Obra[editar | editar código-fonte]

Um dos mais de 100 Santuários de Schoenstatt construídos pelo mundo

Em março de 1947, o Padre Kentenich, é recebido em audiência privada pelo Papa Pio XII, e agradece ao Papa pela publicação, dois dias antes, da Constituição Apostólica Provida Mater Ecclesia, que cria os Institutos Seculares.

Em outubro de 1948, a Santa Sé erige em Instituto Secular as Irmãs de Maria de Schoenstatt. Ao mesmo tempo, o fundador viaja ao, Brasil, Chile, Argentina e Uruguai, à África e os Estados Unidos, para a implantação de sua Obra, com a construção de réplicas do Santuário de Schoenstatt, de casas de retiro e casas de religiosas.

Exílio[editar | editar código-fonte]

No entanto, as oposições continuam a se manifestar contra o Movimento cuja solidez e extensão geram ciúmes. Eles não se concentram em pontos de doutrina, mas principalmente em termos usados ​​em certas orações e sobre o papel do fundador, considerado muito exacerbado. O bispo de Tréveris, em cuja diocese está localizado Schoenstatt, ordena uma visita canônica. Elogioso no geral, no entanto o relatório do visitador faz algumas críticas menores às quais o Padre Kentenich é convidado a responder. Ele se sente obrigado em elevar o debate, escrevendo um longo documento sobre a Obra de Schoenstatt, que é apresentada como uma cura para a doença do pensamento ocidental, o idealismo.[1]

Para o fundador, Schoenstatt pode ser um antídoto para este veneno, porque não é uma teoria abstrata, mas uma aplicação prática da doutrina cristã. No entanto, sua resposta irritou o Visitador Apostólico, que envia o caso para o Santo Ofício em Roma. Em 1951, o Pe. Tromp, jesuíta holandês, foi nomeado inspetor apostólico com amplos poderes. Desconcertado pela terminologia pouco convencional utilizada pelo Padre Kentenich, ele o considera um agitador, um inovador e mesmo um sectário. Depois de removê-lo de todas as suas funções na direção da Obra, ele o transfere ao convento dos Palotinos de Milwaukee (Estados Unidos); Toda a correspondência com os responsáveis pela obra lhe é proibida.

Mais de três décadas depois, quando foram ouvidas testemunhas para uma possível beatificação de Kentenich, um padre de 78 anos declarou: "José Kentenich nunca recebeu qualquer ato oficial de acusação. Ele não tinha advogado oficial e nunca foi levado perante um juiz, muito menos diante de uma denúncia ou de uma testemunha."[7] Seu exílio durou quatorze anos.

No entanto, o exilado escreve: "Deus não fala claramente pelos acontecimentos? A Igreja quer testar nossa obediência, para verificar se a Obra e o seu iniciador são marcados por Deus". Em 1959, o Padre Kentenich é encarregado responsável da paróquia alemã de Milwaukee, região com muitos imigrantes dessa nação. "Ele nos falava do Pai celeste, dirá um de seus paroquianos, como nós nunca tinha ouvido ninguém fazê-lo."

Em 1953, o Papa Pio XII, a quem lhe haviam sugerido esta medida, se recusa a dissolver Schoenstatt. Há todavia o problema do estatuto da Obra: deve ela ser integrada na Congregação dos Palotinos ou tornar-se autônoma? Os superiores da Ordem recomendam a primeira solução, mas outros palotinos pensam, como o Padre Kentenich, que Schoenstatt deve ser totalmente autônoma, sob pena de morrer. Em 1962, após a intervenção de vários bispos, o Papa São João XXIII confia a questão à Congregação dos Religiosos.[3]

O fim do exílio[editar | editar código-fonte]

Em dezembro de 1963, Paulo VI nomeia o arcebispo de Münster, Dom Höffner, moderador e protetor de Schoenstatt. Um novo visitador apostólico é designado, o qual apresenta um relatório favorável. Em 1964, com aprovação unânime dos bispos alemães, um decreto papal pronuncia a separação de Schoenstatt dos Palotinos.

Em outubro de 1965, o Padre Kentenich é reintegrado na direção da Obra. Agora com oitenta anos, é recebido por Paulo VI alguns dias após o encerramento do Concílio Vaticano II. Ele irá prever que o concílio "vai dar frutos, mas, antes, terá efeitos negativos, por causa da incerteza de grandes partes da hierarquia, de clérigos e leigos sobre a imagem da Igreja... Esta incerteza pode ser superada dirigindo o olhar a Maria, a primeira imagem e Mãe da Igreja."[1]

Novos desenvolvimentos na Obra de Schoenstatt[editar | editar código-fonte]

No Natal de 1965, o Padre Kentenich é recebido com entusiasmo em Schoenstatt. Seu trabalho agora inclui cinco institutos seculares: os Padres de Schoenstatt, os Sacerdotes Diocesanos envolvidos, os Irmãos de Maria, as Irmãs de Maria, as Senhoras de Schoenstatt (leigas consagradas) e as Famílias. Também existem Uniões e Ligas de sacerdotes, leigos e famílias. O fundador agora dedica sua força para exercer para com todos a sua paternidade espiritual.

Uma teologia influente nesses anos após o Concílio chamou a uma "fé adulta", à autonomia do indivíduo, à aplicação do princípio democrático na Igreja. Em oposição a essas ideias em moda, o Padre Kentenich ressalta a paternidade de Deus e sobre aquela que o sacerdote deve exercer na Igreja, especialmente através do episcopado.Vinda da caridade, essa paternidade é também princípio da autoridade e implica a obediência. O acompanhamento materno de Maria é outro carisma essencial da Obra; a forma prática para vivê-la é a Aliança de Amor com a Mãe Três Vezes Admirável.[1]

Ao longo dos últimos três anos de sua vida, apesar de sua idade avançada, o Padre Kentenich continuou trabalhando zelosamente para o amadurecimento de sua obra. Através de diversas conferências, ele tomou uma posição clara e inequívoca face à confusão de certas doutrinas teológicas, assim como a uma crise de autoridade na Igreja.[3]

Em um discurso no Congresso Anual dos Católicos Alemães, em 1967, o Padre Kentenich disse: "Estamos vivendo tempos apocalípticos ... Poderes celestiais e diabólicos se confrontam nesta terra ... Este afrontamento tem por objetivo o domínio do mundo; hoje isso é claramente visível". A solução é recorrer à Virgem Maria, "arma privilegiada nas mãos do Deus vivo ".[1]

Túmulo do Pe. Kentenich na sacristia da Igreja da Adoração

Falecimento: "Dilexit Ecclesiam"[editar | editar código-fonte]

Durante seu último ano de vida na Terra, neste ano de 1968 marcado pelo espírito de contestação na Igreja e no mundo, o Kentenich constantemente retorna ao tema: "A tarefa de Maria é de levar Cristo ao mundo e o mundo a Cristo... Estamos convencidos de que as grandes crises do tempo presente não podem ser superadas sem Maria" (12 de Setembro 1968).[1]

No dia 15 de setembro de 1968, o Padre Kentenich celebra a Missa na Igreja da Adoração, em Schoenstatt, inaugurada recentemente. Seiscentas Irmãs de Maria participaram da cerimônia. Ao retornar à sacristia para a oração de agradecimento logo após a Missa, o celebrante de repente tem um ataque cardíaco; ele recebe os últimos sacramentos e expira minutos depois.

Seus restos mortais estão sepultados no lugar onde ele deu seu último suspiro. Em seu túmulo figura, de acordo com seu desejo, a inscrição: Dilexit Ecclesiam (Ele amou a Igreja, Ef 5:25.), inspirada do epitáfio do Cardeal Gaspar Mermillod, bispo de Genebra no final do século XIX, exilado de sua própria Pátria. Sua causa de beatificação foi aberta em 1975.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • ALESSANDRI, Hernán. Um Fundador, Um Pai, Uma Missão, Padre José Kentenich. 2ª ed. Santa Maria, 2005.
  • KENTENICH, José. Linhas Fundamentais de uma Pedagogia Moderna para o educador católico. Santa Maria: Movimento Apostólico de Schoenstatt, 1984.
  • MONNERJAHN, Engelbert. Pe. José Kentenich: uma vida pela Igreja. São Paulo: Instituto Secular Padres de Schoenstatt, 2004.
  • _____. Schoenstatt: uma introdução. Santa Maria: [s.e.].
  • WOLF, Peter (org). Unido com o Pai. Textos escolhidos do P. José Kentenich. Trad. do alemão por Manuel R. Alves. Braga: [s.e.], 2014. http://www.schoenstatt.pt/images/stories/Mediateca/dossiers/livros/Unido_com_o_Pai_Peter_Wolf.pdf

Notas e referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b c d e f g h i j k l «Lettre du 4 novembre 2012: Père Joseph Kentenich». www.clairval.com. Consultado em 2016-01-16. 
  2. «Vida Padre Kentenich». schoenstatt.pt. Consultado em 2016-01-16. 
  3. a b c «Le Père Joseph Kentenich 02 - Spiritualité Chrétienne». spiritualitechretienne.blog4ever.xyz. Consultado em 2016-01-16. 
  4. «Le Père Joseph Kentenich - Spiritualité Chrétienne». spiritualitechretienne.blog4ever.xyz. Consultado em 2016-01-16. 
  5. «Padre José Kentenich - O Fundador do Movimento de Schoenstatt». www.santuariodojaragua.com.br. Consultado em 2016-01-16. 
  6. «A Mãe Três Vezes Admirável de Schoenstatt- A imagem de graças». Schoenstatt.org. Consultado em 2016-01-16. 
  7. a b c d e Feldmann, Christian (2013). Rebelde de Dios: José Kentenich y su visión de un mundo nuevo Nueva Patris [S.l.] ASIN B00GJYZLBY. 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]