Joseph Franz Seraph Lutzenberger

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Disambig grey.svg Nota: Se procura o filho deste, o agrônomo e ecologista brasileiro, veja José Lutzenberger.

Detalhe da fachada da Igreja São José, em Porto Alegre
Assunção da Virgem, na Igreja São José

Joseph Franz Seraph Lutzenberger (Altötting, 13 de janeiro de 1882Porto Alegre, 2 de agosto de 1951), também conhecido como José Lutzenberger Pai, foi um artista plástico, arquiteto e professor teuto-brasileiro que emigrou para o Brasil em 1920.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Formou-se engenheiro-arquiteto em 1906, pela Universidade Técnica Real da Baviera, em Munique, mas desde cedo interessou-se pela pintura e pelo desenho. Antes de emigrar trabalhou como arquiteto nas cidades de Rixford (1908), Dresden (1909) e Wiesbaden (1912-1913), e estudou arte com os professores Polivka (1910), em Praga, e Reinhardt e Sessenguth (1911), em Berlim.

Com a explosão da Primeira Guerra Mundial, ele serviu às forças alemãs como projetista de armamentos, combatendo na França e na Bélgica. Nos intervalos das lutas desenhava e pintava à aquarela cenas militares e paisagens, parte das quais ainda se encontra no Museu Militar de Munique.

Tendo chegado a Porto Alegre, foi trabalhar para a construtora Weis & Cia e projetou prédios importantes, tais como a Igreja São José, o Palácio do Comércio e o Instituto Pão dos Pobres. A partir de 1938, deu aulas no antigo Instituto de Belas Artes, ensinando nas cadeiras de arte decorativa e mural, geometria descritiva, perspectiva e sombras. Avesso a publicidade, em vida só realizou uma mostra de seus trabalhos de arte, durante a exposição comemorativa do Centenário da Revolução Farroupilha, em 1935.

Como artista plástico é considerado hoje um dos maiores expoentes na arte gaúcha nas técnicas da aquarela e desenho, com um traço preciso e um impecável senso de forma, além de ser um finíssimo observador da natureza e dos costumes do povo. Entre seus temas prediletos estão a cidade com seus casarios e habitantes, a guerra, a vida campeira, e o auto-retrato. Também deixou uma série de pinturas murais retratando cenas sacras diversas no interior da Igreja São José, embora segundo a bibliografia consultada os painéis tenham sido realizados por seus alunos, sob sua supervisão e a partir de projetos originais seus.

Como arquiteto, seu estilo se caracteriza pela sobriedade e funcionalidade, com soluções formais muitas vezes arrojadas, empregando um estilo eclético com tendência ao déco, e eliminando ornamentações supérfluas. Além da Igreja São José, do Palácio do Comércio e do Pão dos Pobres, seus projetos mais conhecidos, também criou os projetos para o Sanatório Leprosário Rio-Grandense (1929), o Colégio Nossa Senhora das Dores (1926-36), o Colégio Nossa Senhora do Carmo (1927), o Liceu de Artes Luis Palmeiro (1928), o Edifício Bastian Pinto (1928) e o Renner/Jung/Nedel Hermann & Cia e A. J. Renner (1928), o Clube Caixeiral (1922), a Fábrica de Calçados Adams & Cia (1925), e muitos outros, além de prédios em Caxias do Sul, Lajeado, Santa Cruz do Sul, Cachoeira do Sul, Novo Hamburgo e Caçapava do Sul.

Com sua esposa, Emma Kroeff, ele teve duas filhas e o famoso agrônomo e ecologista, José Antônio Lutzenberger.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Vargas, Élvio. Torres da Província: História e Iconografia das Igrejas de Porto Alegre. Porto Alegre: Pallotti, 2004.
  • Baptista, Maria Teresa Paes Barreto. José Lutzenberger no Rio Grande do Sul: Arquitetura, Ensino e Pintura (1920-1951). Porto Alegre: PUC, 2007. [1]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]