Joshua Slocum

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Capa do livro de Joshua Slocum

Joshua Slocum (Nova Escócia, 20 de fevereiro de 1844 – Desaparecido no mar em data próxima a 14 de novembro de 1909) foi um marinheiro, escritor e aventureiro, cidadão dos Estados Unidos da América, embora nascido no Canadá. Escreveu livros sobre suas aventuras e se notabilizou por ser o primeiro a velejar em solitário ao redor do mundo.

Infância e começo de carreira[editar | editar código-fonte]

Joshua foi o quinto filho de John e Sara Jane Slocum, nascido na localidade de Wilmot, Nova Escócia, Canadá. Saiu de casa aos doze anos para ser aprendiz de marinheiro com os pescadores na Baía de Fundy. Aos dezesseis navegou para a Inglaterra onde embarcou como marinheiro no navio Tanjore, servindo nas rotas para o oeste, transportando carvão e cereais para São Francisco, subindo na escala até se tornar chefe da tripulação. Em 1869, fixou residência nesta cidade, tornando-se cidadão americano. Finalmente em 1869, com 25 anos, ganhou o comando de uma escuna, navegando na rota SeattleSão Francisco.

Uma vida no mar[editar | editar código-fonte]

Slocum passou a maior parte de sua vida no mar. Quando seu barco, o Aquidneck, naufragou na costa do Brasil no ano de 1887, ele vendeu os salvados e construiu, no litoral do Paraná, na antiga cidade de Guaraqueçaba, um barco de 35 pés chamado Liberdade (assim mesmo, em língua portuguesa) em homenagem à abolição da escravatura no Brasil[1] assinada no mesmo dia que o barco foi para o mar. Com ele, Slocum voltou com a família para Washington, DC, navegando 5.500 milhas. Em 1894 publicou seu primeiro livro, Viagem do Liberdade onde descreve esta aventura, mas que não teve muita repercussão.[1]

Primeira circunavegação solitária[editar | editar código-fonte]

O veleiro Spray

Encontrava-se em Boston quando reformou um pesqueiro de 37 pés (11,2m) e 9t armado em sloop (um mastro, uma vela grande e uma bujarrona avante) batizado Spray. Foram precisos 13 meses para reconstruir o barco.[1] Em 24 de abril de 1895 partiu de Boston para só retornar em 27 de junho de 1898, ancorando em Newport, tendo dado a volta ao mundo sozinho, uma distância de 46 mil milhas (85.192km)[1], em pouco mais de três anos. Tinha reformado o barco, agora armado em iole (um mastro maior avante e um menor atrás da madre do leme), após enfrentar problemas no Estreito de Magalhães.

Slocum partiu com menos de US$ 50, provisões para alguns meses e uma espingarda para se proteger de piratas. O roteiro era cruzar o Atlântico em direção à Europa e depois seguir para a Terra do Fogo, atravessar o oceano Pacífico até a Oceania, contornar o Cabo da Boa Esperança pelo oceano Índico e voltar pelo Atlântico para o ponto de partida. A viagem teve várias dificuldades. Pouco depois do início da aventura, em 24 de julho de 1895, Slocum já enfrentava a primeira tempestade. Ao passar pelo Estreito de Magalhães, enfrentou duas tentativas de invasão. Em 1897, ao passar pela Grande Barreira de Corais, por pouco não encalhou. Nos locais onde parava, buscava realizar palestras, geralmente recebendo pagamento em produtos de subsistência. À bordo do Spray, alimentava-se de batatas, bacalhau salgado, biscoitos e de peixes que caíam no barco.

Em 1899, descreveu sua viagem no livro Sailing Alone Around the World (Navegando solitário ao redor do mundo), publicado em 1900 com 5 mil exemplares, um livro de sucesso instantâneo, hoje considerado um clássico da literatura de viagens. É uma maravilhosa aventura no ocaso da idade das viagens a vela e serviu de inspiração para muitos que vieram depois. Com o que ganhou dos direitos autorais, comprou sua primeira casa. No entanto, não ficou muito tempo em terra firme. Em 1905 partia para as Índias Ocidentais, voltando no ano seguinte. Depois, partiria para sua última viagem, à Amazônia.[2]

Navegando em solitário[editar | editar código-fonte]

Não podendo contar com equipamentos eletrônicos ou lemes de vento, comuns hoje em dia mas inexistentes na época, Slocum utilizava um conjunto composto por cabos e polias para controlar o leme e manter o barco sempre alinhado no vento, uma vez que não podia alternar turnos com companheiros de viagem. Um lado da cana do leme era amarrado à escota da genoa e o outro no cabo da vela grande, com o auxilio de polias corretamente colocadas. Podia então dormir por breves períodos ou cuidar do restante do barco sem ter que permanecer ao leme todo o tempo. Dependendo do lado em que o vento variava, alterava diferentemente uma das velas, que pelo cabo atado ao leme, corrigiam a posição e evitavam que o barco virasse. Solução simples e engenhosa que aprendera com antigos pescadores, do tempo em que todos os barcos eram à vela.

Desaparecimento[editar | editar código-fonte]

Em novembro de 1909, Joshua Slocum foi visto pela ultima vez saindo pelo Rio Orinoco no Spray, tendo desaparecido. Presumiu-se que tenha naufragado por uma colisão com uma baleia ou outro barco maior. Foi declarado legalmente morto em 1924.

Referências

  1. a b c d Prado, Ricardo (Dezembro de 2018). «O capitão sem tripulantes». São Paulo: Custom Editora. MIT: 96-101 
  2. João Lara Mesquita (17 de abril de 2019). «Joshua Slocum, mestre dos mares». Mar Sem Fim. Consultado em 30 de abril de 2019 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]