Josiah Royce

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Josiah Royce
Retrato de Josiah Royce
Nascimento 20 de novembro de 1855
Grass Valley, Califórnia, Estados Unidos
Morte 14 de setembro de 1916 (60 anos)
Cambridge (Massachusetts), Massachusetts, Estados Unidos
Residência Estados Unidos
Nacionalidade Americano
Cônjuge Katherine Head
Alma mater Universidade da Califórnia em Berkeley
Universidade Johns Hopkins
Magnum opus The problem of Christianity
Assinatura
Royce-Signature.png
Campo(s) Filosofia
Lógica

Josiah Royce (Grass Valley, 20 de novembro de 1855Cambridge, 14 de setembro de 1916) foi um filósofo americano. Royce normalmente é visto sob influência tanto do pragmatismo de seus colegas William James e Charles Sanders Peirce quanto do idealismo absoluto de Hegel.[1] Em seu pragmatismo absoluto, Royce incorporou o significado de signo de Peirce, considerando-o uma “teoria geral de interpretação”.[2]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Royce nasceu em Grass Valley (Califórnia) em 1855 e se graduou em 1875 na Universidade da Califórnia em Berkeley. Ele fez sua pós-graduação na Alemanha, onde estudou em Göttingen, sob orientação de Rudolf Hermann Lotze. Lá ele teve contato com autores alemães, como Kant, Fichte, Schelling, Hegel e Schopenhauer. Em 1876, retornou para Universidade Johns Hopkins, onde o filósofo William James o incentivou a seguir uma carreira acadêmica em filosofia. Royce doutorou-se em 1878, e migrou para Universidade Harvard, substituindo James, que estava de licença. Em 1885 – ano em que publicou seu primeiro grande tratado, e em 1892 se tornou professor regular em Harvard, aos 37 anos. Dentre seus alunos, destacaram-se George Herbert Mead e Clarence Irving Lewis.[3]

Pensamento[editar | editar código-fonte]

Peirce e Hegel[editar | editar código-fonte]

Royce analisou a interpretação sob a influência da filosofia de Peirce, desdobrando sua estrutura triádica. Para ele, a interpretação é tida como o processo de comparação e diferenciação, como uma forma de aprender na qual a negação, preservação e reintegração são os elementos constitutivos, remetendo ao método de Hegel. De acordo com Royce, a lógica da interpretação de Sanders Peirce não é apenas fundamental para qualquer metodologia filosófica, como é também importante nos processos de pesquisa científica.[4] Royce vê na filosofia de Peirce a possibilidade de resolução das aporias deixadas por Hegel: “Não há inconsistência essencial entre os motivos lógicos e psicológicos que estão na base da tríade da interpretação de Peirce, e o interesse hegeliano no jogo de tese, antítese e uma síntese mais elevada”, diz Royce. Contudo “a teoria de Peirce, com sua origem explicitamente empírica e sua resolução lógica muito exata, promete nova luz sobre assuntos que Hegel deixou profundamente problemáticos”.[5]

Lógica[editar | editar código-fonte]

Royce pode ser considerado o fundador da Harvard School of Logic. Ele desenvolveu a álgebra booleana paralela à lógica matemática. Seus aluno Clarence Irving Lewis inaugurou a lógica modal, ao passo que seu outro aluno, Edward Vermilye Huntington, foi o primeiro a ter tentado axiomatizar a álgebra booleana. Por fim, Henry M. Sheffer, também aluno de Royce, ficou conhecido por seu conceito epônimo de conjunção oposta. Suas próprias ideias sobre lógica, filosofia da lógica e filosofia da matemática foram influenciadas por Charles Sanders Peirce e Alfred Kempe. As ideias de Royce influenciaram Brand Blanshard e Timothy Sprigge.

Religião[editar | editar código-fonte]

O pensamento de Royce é influenciado por sua educação religiosa protestante. Ele sempre respeitou as convenções do cristianismo reformado e seus escritos referem-se às escrituras com regularidade. Ele vê a Igreja Cristã em particular como um paradigma de comunidade, contudo, critica muitas igrejas cristãs históricas que acredita terem perdido de vista o espírito que as guia, e, inversamente, ele se refere às "comunidades da graça" como comunidades não-cristãs ou não-religiosas. Em particular, demonstra grande respeito pelo budismo, aprendendo sânscrito para estudá-lo em profundidade. No entanto, ele argumenta que apenas o modelo cristão da "comunidade leal" consegue combinar o verdadeiro espírito de comunidade com a valorização intransigente do indivíduo.[6]

Trabalhos selecionados[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. RORTY, Richard. “Some American Uses of Hegel: Royce on Religion, Dewey on Politics, Brandom on Language”
  2. Josiah Royce for the Twenty-first Century p. 112
  3. Bruce Kuklick, The rise of American philosophy, Cambridge, Massachusetts, 1860-1930, New Haven and London 1977.
  4. ALÉM DO “PRAGMATISMO ABSOLUTO”: O CONCEITO DE “COMUNIDADE” NA FILOSOFIA MADURA DE JOSIAH ROYCE, por LUDWIG NAGL do Institut für Philosophie, Universität Wien –Österreich
  5. Josiah Royce, Lecture VII, “Hegel”, in: The Spirit of Modern Philosophy. Boston, 1892, p. 226 seq.
  6. « Josiah Royce », New Worl Encyclopedia. Encyclopédie en ligne.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre Josiah Royce:
Commons Imagens e media no Commons