Juan Bautista Alberdi
| Juan Bautista Alberdi | |
|---|---|
| Nascimento | 29 de agosto de 1810 |
| Morte | |
| Nacionalidade | Argentino |
| Ocupação | Político, diplomata, escritor e ativista liberal |
| Principais trabalhos | Bases e pontos de partida para a organização política da República Argentina (1941) |
Juan Bautista Alberdi (San Miguel de Tucumán, Províncias Unidas do Rio da Prata; 29 de agosto de 1810 - Neuilly-sur-Seine, França; 19 de junho de 1884) foi um advogado, jurista, economista, político, diplomata, escritor e músico argentino, autor intelectual da Constituição argentina de 1853.[1]
É considerado um dos livre-pensadores mais influentes do Seculo XX[2] e o representante máximo do liberalismo hispano-americano, tanto por ser um dos pioneiros no idioma espanhol[3] como pelo seu grau de incursão e influência póstuma na política econômica e jurídica na História da Argentina.[4]
Biografia
[editar | editar código]Infância
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Juan Bautista Alberdi nasceu em San Miguel de Tucumán, no dia 29 de agosto de 1810. Seu pai, Salvador Cayetano de Alberdi Egaña, era um comerciante basco, nascido em 7 de julho de 1757 em Guetaria, Guipúscoa, filho de Manuel Ventura de Alberdi Elcano e Magdalena de Egaña Larzabal. Foi dono de uma importante pulpería e havia liderado uma das quatro companhias organizadas por José Ignacio Garmendia y Alurralde para a defesa de Buenos Aires nas invasões inglesas. Sua mãe, Josefa Aráoz y Balderrama, era uma crioula que faleceu em decorrência do parto de Alberdi, e que também era membro de uma das mais importantes famílias de Tucumán.[5]
Sua família apoiou a Revolução de Maio desde o início e seu pai frequentava o general Manuel Belgrano quando este estava no comando do Exército do Norte. Salvador Cayetano Alberdi Egaña faleceu em 1822, fazendo com que Alberdi, com apenas 11 anos, ficasse aos cuidados de seus irmãos mais velhos.[5]
Formação
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Após a morte do seu pai, mudou-se para Buenos Aires, onde estudou no Colégio de Ciências Morais, graças a uma bolsa de estudos concedida pela província de Buenos Aires. Abandonou prematuramente seus estudos em 1824 devido a não se adaptar às exigências do ensino. Nesses anos desenvolveu o seu gosto pela música.
Empregou-se como ajudante de comércio na casa de Juan B. Maldes, que havia sido colaborador do seu pai, e cujo negócio ficava em frente ao seu colégio. Como via diariamente os seus colegas, logo se arrependeu e retomou os estudos, cursando no departamento de jurisprudência na Universidade de Buenos Aires. Continuou seus estudos na Universidade de Córdova, embora não os tenha concluído nessa época: prosseguiu-os em Montevidéu em 1840 e obteve o seu título de doutor em jurisprudência durante a sua estadia no Chile.
Nesses anos em Buenos Aires, dedicou-se à música e compôs obras clássicas de piano, violão e flauta para seus amigos. Em 1832 escreveu o seu primeiro livro: El espíritu de la música "O Espírito da Música".
Em 1834 viajou para sua província natal, fazendo uma pausa para prestar exames em Córdova, onde obteve o título de bacharel em leis. Isso não o habilitava para exercer a profissão porque para tal devia cursar dois anos na Academia de Prática Forense e prestar um exame perante a Câmara de Apelações.
Em Tucumán colaborou com o governador Alejandro Heredia, a quem dedicou um panfleto intitulado Memoria descriptiva de Tucumán "Memória Descritiva de Tucumán". O caudilho tucumano ofereceu habilitá-lo por decreto para o exercício profissional e incorporá-lo à legislatura para que ficasse radicado em sua província, mas Alberdi se recusou, alegando que ainda não era advogado e que queria doutorar-se em Buenos Aires.
Participação na Geração de 37
[editar | editar código]No final de 1835, Alberdi regressou a Buenos Aires, onde se juntou ao chamado Salão Literário, fundado por Marcos Sastre e frequentado por Juan María Gutiérrez, José Mármol e Miguel Cané (padre), entre outros jovens, com os quais se vinculou à Geração de 37. Estes intelectuais aderiram às ideias da democracia liberal e assumiram-se como continuadores da obra da Revolução de Maio, propiciando uma organização mista do país como resposta ao confronto entre federais e unitários.
Em 1837, sendo ainda estudante, publicou o que pensava que seria sua tese de doutorado: o Fragmento Preliminar al Estudio del Derecho "Fragmento Preliminar ao Estudo do Direito", no qual fez um diagnóstico da situação nacional e suas possíveis soluções. Esta obra foi influenciada pela corrente historicista fundada por Friedrich Carl von Savigny na Alemanha e foi a que deu origem ao historicismo jurídico argentino, doutrina que considerava o sistema jurídico como um elemento dinâmico e continuamente progressivo da vida social.
Nesse mesmo ano editou um jornal, La moda "A Moda", do qual foram publicados no total vinte e três números. Era dedicado a divulgar a evolução da moda na Europa: vestimentas femininas e masculinas, música, poesia, literatura e costumes. Alberdi escrevia sob o apelido de «Figarillo».
Oposição a Juan Manuel de Rosas e exílio político no Uruguai e na França
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Alberdi foi um dos muitos opositores que o governador da província de Buenos Aires Juan Manuel de Rosas teve. Em novembro de 1838, Alberdi se recusou a prestar juramento ao regime do governador portenho, enfrentando o regime rosista e a perseguição parapolicial da Mazorca, criada por Rosas para reprimir e aterrorizar seus adversários. O Salão Literário foi dissolvido, formando-se uma loja chamada «La joven Argentina», cujos estatutos foram confiados a Alberdi.
A perseguição por parte de Rosas ao Salão Literário levou ao exílio da maioria dos seus membros, que se viram obrigados a se refugiar em países limítrofes. Alberdi fez o mesmo, exilando-se em Montevidéu, no Uruguai. Deixou em Buenos Aires a sua amante e o seu filho recém-nascido, o qual nunca reconheceu: chamava-se Manuel e ele o mencionou anos mais tarde no seu testamento, chamando-o de «meu parente».
Após a Batalha de Caseros, em 1852, Alberdi viajou para Londres como ministro da Confederação Argentina e conheceu Rosas pessoalmente durante um jantar na casa de um funcionário britânico. Depois de ter conversado com ele, causou-lhe boa impressão, provocando admiração ao ouvi-lo em inglês «mal, mas sem pausas, com facilidade» falar «com moderação e respeito» sobre «todos os adversários, incluindo Alsina», de modo que despertou-lhe a vergonha de tê-lo combatido para ver «a Nação sem governo» que Urquiza havia obtido «derrubando o general Rosas». Por isso, Alberdi aconselhou Rosas a escrever um breve memorial que desse a sua própria versão dos fatos do seu governo, onde deveria expor a sua defesa das acusações dos seus inimigos e separar as calúnias dos fatos verdadeiros, já que o Restaurador (como se chamava Rosas) encontrava-se na ocasião na capital inglesa para publicar o seu manifesto contra o julgamento que lhe haviam instaurado em seu país.
Alberdi levou para seu exílio em Montevidéu suas ideias de organização nacional e constitucionalismo, carregando na bagagem os estatutos da nova associação, que foram editados depois com o nome de «Dogma Socialista».[6]
Em Montevidéu, trabalhou como advogado e jornalista apoiando a intervenção francesa contra o governo de Rosas e escrevendo artigos em vários jornais, endossando as ações militares daquele país contra o seu. Também foi secretário do general Juan Lavalle, de quem se afastou depois devido a diferenças políticas. Neste período escreveu as suas duas peças de teatro: La Revolución de Mayo "A Revolução de Maio" e El gigante Amapolas "O Gigante Papoulas", sátiras sobre o regime rosista e caudilhista. Em Montevidéu também contribuiu com o jornal El Iniciador, onde escreviam outros exilados argentinos, e no jornal El Corsario, entre outros, utilizando às vezes o seu nome real e outras os pseudônimos «Figarillo» e «Um vizinho dessa cidade».[7]
Em 1843, durante o Grande Cerco de Montevidéu pelo exército comandado por Manuel Oribe, mas subvencionado por Rosas, conseguiu escapar disfarçado de marinheiro francês e viajou para a Europa acompanhado pelo seu amigo Juan María Gutiérrez.
Residiu em Paris por vários meses, onde estudou El espíritu de las leyes "O Espírito das Leis", de Montesquieu, obra que serviu de modelo para a Constituição dos Estados Unidos e para outras constituições das jovens nações americanas. Em Paris, também conheceu o general José de San Martín.
Estadia no Chile
[editar | editar código]Em 1843 regressou à América instalando-se na cidade de Valparaíso, no Chile, onde revalidou o seu título e exerceu a profissão de advogado, ganhando um enorme prestígio. Lá apresentou a sua tese de doutorado, que levou o título Sobre la conveniencia y objetos de un Congreso General Americano "Sobre a Conveniência e Objetivos de um Congresso Geral Americano", onde Alberdi expôs a ideia de uma união americana por meio de ferramentas como uma união aduaneira. Adquiriu a fazenda Las Delicias e entrou em contato com Domingo Faustino Sarmiento, líder da emigração argentina no Chile. Da mesma forma que fez em Montevidéu, escreveu numerosos artigos de costumes nos jornais chilenos utilizando o pseudônimo de «Figarillo».
No Chile, dedicou-se a estudar a Constituição dos Estados Unidos, com a ideia de copiar o que fosse possível para a da Argentina, quando chegasse a hora de sancioná-la. Queria estar preparado para quando voltasse a ser discutida a constituição argentina à qual o regime rosista se opunha. No entanto, utilizou uma tradução ruim, de modo que interpretou erroneamente várias passagens.[8]
Criação da Constituição de 1853
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Durante a sua estadia no Chile, soube da derrota de Juan Manuel de Rosas como consequência da Batalha de Caseros, em 3 de fevereiro de 1852, e Alberdi de imediato começou a escrever um tratado sobre a futura constituição da Argentina.
Após demorar apenas algumas semanas para escrevê-lo, Alberdi publicou em maio desse mesmo ano Bases y puntos de partida para la organización política de la República Argentina "Bases e Pontos de Partida para a Organização Política da República Argentina". O livro foi editado pela gráfica do jornal El Mercurio de Valparaíso e levou-o à fama. Meses depois, reeditaria a obra com ampliações, incluindo um projeto de Constituição, baseado na Constituição Argentina de 1826 e na dos Estados Unidos.
Em 1853 publicou um tratado complementar chamado Elementos de derecho público provincial argentino "Elementos de Direito Público Provincial Argentino". As obras tinham como fundamento o liberalismo, tanto político como econômico.
Diante de um país quase despovoado, a sua principal preocupação era a sua população. Para esse fim, favoreceu a imigração europeia, especialmente dos povos do norte. Ele escreveu:
Citação: Mesmo que se passem cem anos, os pobres, os indígenas ou os gaúchos não se tornarão trabalhadores ingleses... Em vez de deixar essas terras para os índios selvagens que as possuem hoje, por que não povoá-las com alemães, ingleses e suíços?... Quem entre nós conhece um cavalheiro que se vanglorie de ser índio de sangue puro? Quem casaria sua irmã ou filha com um nobre da Araucanía e não mil vezes com um sapateiro inglês?
Nas Bases escreveu seu lema central:
Citação: Governar é povoar.
Criticou o estatismo da herança colonial hispânica, a principal barreira, em sua opinião, ao progresso da América independente.
Citação: Em matéria econômica, a Constituição é o que é em todos os ramos do direito público: a expressão de uma revolução pela liberdade, a consagração da revolução social da América. E, de fato, a Constituição consagrou o princípio da liberdade econômica, assim como a tradição política da Revolução de Maio de 1810 contra o domínio espanhol, que fez dessa liberdade o principal motivo da guerra contra o sistema colonial ou proibicionista.
No seu livro Sistema económico y rentístico de la Confederación Argentina "Sistema Econômico e Rentístico da Confederação Argentina", que também foi uma obra complementar das Bases, expressou claramente o seu pensamento como jurista e como economista:
Vistam com orgulho a pobreza de hoje, argentinos; suportem-na com a satisfação do mineiro que, maltrapilho e orgulhoso, se ergue sobre seus palácios de prata enterrados na montanha, porque sabe que seus trapos de hoje serão substituídos amanhã por tecidos da Caxemira e de Sedan.
A Constituição é um título de propriedade que os convida a desfrutar da opulência de amanhã. Quem não sabe ser pobre em seu tempo não sabe ser livre, porque não sabe ser rico.
Os constituintes que se reuniram em Santa Fé, entre cujos redatores estava o seu amigo Juan María Gutiérrez, sancionaram a Constituição argentina de 1853 com base no texto das Bases de Alberdi.
Nessa época, cruzou com Domingo Faustino Sarmiento em uma polêmica ideológica —limitada dentro do liberalismo— expressa nas Ciento y una "Cento e Uma" do sanjuanino e nas Cartas quillotanas "Cartas Quillotanas" do tucumano. Neste debate entre os dois mais importantes juristas de direito público argentinos, ambos mostraram os seus dotes de estadistas, as suas semelhanças e as suas diferenças políticas.[9] Ambos foram os pais da Constituição Argentina de 1853/60 que culminou com o poder constituinte originário desse estado.
Diplomacia na Europa
[editar | editar código]Após assumir a presidência da Confederação em 1854, o presidente Justo José de Urquiza ofereceu a Alberdi o cargo de Ministro da Fazenda da Argentina, mas Alberdi rejeitou-o. Em vez disso, aceitou funções diplomáticas na Europa a partir de 1855. Urquiza encarregou-lhe a missão de obter na Europa o reconhecimento da Confederação Argentina sob a nova Constituição e evitar o reconhecimento do Estado de Buenos Aires, cindido da Confederação, como nação independente, missão que Alberdi cumpriu com sucesso e que lhe valeu a inimizade do general Bartolomé Mitre e de Domingo Faustino Sarmiento, rancor aprofundado depois pela oposição frontal de Alberdi à guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai, atitude pela qual foi qualificado como «traidor».
Como representante plenipotenciário da Confederação Argentina na Espanha, conduziu as negociações que culminaram com a assinatura, em 9 de julho de 1859, do Tratado de Reconhecimento, Paz e Amizade, pelo qual a Espanha reconheceu a independência argentina. O acordo foi ratificado no ano seguinte, mas recebeu a oposição do Estado de Buenos Aires devido às suas disposições sobre a nacionalidade dos filhos de espanhóis nascidos no país. Após a reunificação nacional, o governo de Bartolomé Mitre negociou a modificação dessas cláusulas e assinou um novo tratado com a Espanha em 1863.[10][11]
Em 1862, Alberdi publicou na França sua obra De la anarquía y sus dos causas principales, del gobierno y sus dos elementos necesarios en la República Argentina, con motivos de su reorganización por Buenos Aires "Da Anarquia e Suas Duas Causas Principais, do Governo e Seus Dois Elementos Necessários na República Argentina, com Motivos de Sua Reorganização por Buenos Aires", onde analisava a problemática situação do país e suas raízes históricas.
Mandato como deputado pela província de Tucumán
[editar | editar código]As gestões de Alberdi como diplomata no exterior foram interrompidas a partir da organização da República, em 1862, quando assumiu a presidência Bartolomé Mitre, triunfador sobre Urquiza na Batalha de Pavón, e ele não chegou a receber os salários que lhe deviam. A partir de então, sua única fonte de renda foi o dinheiro obtido pelo aluguel de uma propriedade que possuía no Chile.[10]

Regressou para se estabelecer na Argentina em 16 de setembro de 1878 ao ser eleito como deputado no Congresso Nacional pela sua província, Tucumán. Em seu regresso, reconciliou-se com Sarmiento. Nessa qualidade, assistiu à luta pela sucessão presidencial desencadeada em 1880 quando o governador de Buenos Aires, Carlos Tejedor, sublevou-se contra o então presidente Nicolás Avellaneda. Este último transferiu a sede do governo para a vila de Belgrano sendo seguido por parte do Congresso, atitude que não foi partilhada por Alberdi. Ao vencer Avellaneda na contenda, Buenos Aires foi declarada Capital Federal da República Argentina por uma lei que foi referendada pela legislatura provincial. Os deputados que não haviam acompanhado o presidente foram destituídos. Durante esta época foi designado doutor honoris causa pela Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires e nesse caráter compareceu à colação de grau celebrada em 24 de maio de 1880, evento no qual estava convidado a discursar, mas, não podendo fazê-lo em virtude da sua delicada saúde, entregou o seu discurso a um dos graduados, Enrique García Merou, que mais tarde seria o seu biógrafo. A dissertação foi intitulada e depois editada sob o título de La omnipotencia del Estado es la negación de la libertad individual "A Onipotência do Estado é a Negação da Liberdade Individual", na qual resumia as suas ideias sobre a doutrina do Estado onipotente à qual opunha a tese cristã que consagra o valor inviolável da liberdade e a personalidade humana, base do progresso e da civilização.
Mitre, rancoroso devido à oposição crítica de Alberdi ao conflito bélico com o Paraguai, empenhou-se em desacreditá-lo por meio do jornal La Nación, de sua propriedade, opondo-se à iniciativa de imprimir suas Obras completas "Obras Completas" por parte do Estado Nacional –mediante um projeto de lei que o presidente Julio Argentino Roca, sucessor de Avellaneda, enviou ao Congresso– e à sua nomeação como embaixador na França. As Obras foram editadas, mas no Senado não se obteve o consenso necessário para a nomeação diplomática. Oprimido por essa circunstância, Alberdi partiu novamente para a França.
Falecimento
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Nos seus últimos anos sofreu de uma úlcera gástrica que deteriorou o seu estado de saúde. Decidiu mudar-se novamente para a França, mas durante a travessia marítima sofreu um acidente vascular cerebral que lhe provocou a paralisia de um braço e uma perna.[10]
Acompanhado por Angelina, a sua governanta de muitos anos, instalou-se em um apartamento localizado num segundo andar da rua Richepanse. Conservava ainda grande parte do seu cabelo liso, já grisalho, e devido às sequelas do acidente caminhava com dificuldade, arrastando uma perna. Como era habitual na época, frequentava estabelecimentos termais para receber tratamentos. Com o passar do tempo, começou a apresentar sintomas de deterioração cognitiva e foi internado em um asilo de Neuilly-sur-Seine, onde a sua governanta era praticamente a sua única visitante. Nos últimos dias de vida, o governo concedeu-lhe uma pensão; no entanto, faleceu antes de tomar conhecimento dessa decisão.[10]
Morreu em Neuilly-sur-Seine, subúrbio de Paris, em 19 de junho de 1884, aos 73 anos de idade, sendo inicialmente sepultado no cemitério da referida localidade. O político havia adquirido previamente um túmulo, com busto e lápide incluídos, no cemitério parisiense do Père Lachaise, mas, por decisão dos seus testamenteiros, os seus restos mortais nunca chegaram a ocupá-lo.[12] Embora vazio, este túmulo de Paris permanece de pé, o que às vezes continua a ser motivo de confusão, apesar de não constar nos guias oficiais da famosa necrópole.[13]
Em 27 de abril de 1889, os seus restos mortais foram exumados para serem repatriados por decreto do presidente Miguel Juárez Celman. Embarcados em 28 de maio de 1889 a bordo do vapor «Azopardo», foram levados a princípio para a catedral de Buenos Aires, onde lhe renderam honras até 5 de junho, data em que os seus restos mortais foram colocados no jazigo da família Ledesma no Cemitério da Recoleta, que os abrigou até serem depositados no mausoléu erguido num terreno doado pela Municipalidade de Buenos Aires.
Atualmente, Alberdi possui dois cenotáfios, em nenhum dos quais está sepultado: desde 1991 os seus restos mortais repousam em um nicho na Casa de Governo de Tucumã.
Obra
[editar | editar código]Alberdi escreveu principalmente sobre direito, economia e história. Entre as suas obras mais importantes, destacam-se:
- Fragmento Preliminar al estudio del derecho "Fragmento Preliminar ao Estudo do Direito" (1837)
- Predicar en desiertos "Pregar em Desertos" (1838)
- Reacción contra el españolismo "Reação Contra o Espanholismo" (1838)
- La generación presente a la faz de la generación pasada "A Geração Presente Face à Geração Passada" (1838)
- La Revolución de Mayo "A Revolução de Maio" (1839)
- El gigante Amapolas y sus formidables enemigos, o sea fastos dramáticos de una guerra memorable "O Gigante Papoulas e Seus Formidáveis Inimigos, ou seja, Fastos Dramáticos de uma Guerra Memorável" (1842)
- Ideas para presidir a la confección del curso de filosofía contemporánea "Ideias para Presidir a Confecção do Curso de Filosofia Contemporânea" (1842)
- Memoria sobre la conveniencia y objetos de un Congreso General Americano "Memória Sobre a Conveniência e Objetivos de um Congresso Geral Americano" (1844)
- Acción de la Europa en América "Ação da Europa na América" (1845)
- Bases y puntos de partida para la organización política de la República Argentina "Bases e Pontos de Partida para a Organização Política da República Argentina" (1852)
- Cartas sobre la prensa y la política militante de la República Argentina Arquivado em 24 de junho de 2021, no Wayback Machine. "Cartas Sobre a Imprensa e a Política Militante da República Argentina" (1853) mais conhecidas como Cartas quillotanas "Cartas Quillotanas", nas quais polemiza com Sarmiento.
- Elementos de derecho público provincial argentino "Elementos de Direito Público Provincial Argentino" (1853)
- Sistema económico y rentístico de la Confederación Argentina "Sistema Econômico e Rentístico da Confederação Argentina" (1854)
- De la anarquía y sus dos causas principales, del gobierno y sus dos elementos necesarios en la República Argentina, con motivos de su reorganización por Buenos Aires "Da Anarquia e Suas Duas Causas Principais, do Governo e Seus Dois Elementos Necessários na República Argentina, com Motivos de Sua Reorganização por Buenos Aires" (1862)
- La Monarquía como mejor forma del gobierno en Sud América "A Monarquia como Melhor Forma de Governo na América do Sul" (1863-1867), de publicação póstuma em 1896.
- El crimen de la guerra "O Crime da Guerra" (1870)
- Peregrinación de Luz de Día en América "Peregrinação de Luz de Dia na América" (1871)
- La vida y los trabajos individuales de William Wheelwright en la América del Sud "A Vida e os Trabalhos Individuais de William Wheelwright na América do Sul" (1876)
- Grandes y pequeños hombres del Plata "Grandes e Pequenos Homens do Prata" (1879)
- La República Argentina consolidada en 1880 "A República Argentina Consolidada em 1880" (1881)
- Obras completas "Obras Completas" (1886 - 1887), 8 volumes
- Obras selectas "Obras Seletas" (1920)
Escritos póstumos
[editar | editar código]Em 1895, onze anos após a morte de Juan Bautista Alberdi, o seu filho Manuel iniciou a publicação dos Escritos póstumos "Escritos Póstumos", depois continuada por Francisco Cruz, que em 1901 publicou o volume XVI com o qual se encerra esse empreendimento. Diferente das Obras completas, os volumes dos Escritos póstumos recebiam títulos. Desde a sua edição, esses textos se converteram em um material bibliográfico imprescindível para o estudo do itinerário político-intelectual do autor.[14]
- I. Estudios económicos "Estudos Econômicos" (1895)
- II. El crimen de la guerra "O Crime da Guerra" (1895)
- III. Política exterior de la República Argentina "Política Externa da República Argentina" (1896)
- IV. Del gobierno en Sudamérica según las miras de su revolución fundamental "Do Governo na América do Sul Segundo as Visões de sua Revolução Fundamental" (1896)
- V. Belgrano y sus historiadores. Facundo y su biógrafo "Belgrano e Seus Historiadores. Facundo e Seu Biógrafo" (1897)
- VI. Ensayos sobre la sociedad, los hombres y las cosas de Sudamérica "Ensaios Sobre a Sociedade, os Homens e as Coisas da América do Sul" (1898)
- VII. América "América" (1899)
- VIII. América "América" (1899)
- IX. Ensayos sobre la sociedad, los hombres y las cosas de Sudamérica "Ensaios Sobre a Sociedade, os Homens e as Coisas da América do Sul" (1899)
- X. Ensayos sobre la sociedad, los hombres y las cosas de Sudamérica "Ensaios Sobre a Sociedade, os Homens e as Coisas da América do Sul" (1899)
- XI. Ensayos sobre la sociedad, los hombres y las cosas de Sudamérica "Ensaios Sobre a Sociedade, os Homens e as Coisas da América do Sul" (1900)
- XII. Ensayos sobre la sociedad, los hombres y las cosas de Sudamérica "Ensaios Sobre a Sociedade, os Homens e as Coisas da América do Sul" (1900)
- XIII. Miscelánea. Propaganda revolucionaria "Miscelânea. Propaganda Revolucionária" (1900)
- XIV. Correspondencia diplomática "Correspondência Diplomática" (1900)
- XV. Memorias y documentos "Memórias e Documentos" (1900)
- XVI. Memorias y documentos "Memórias e Documentos" (1901)
Homenagens póstumas
[editar | editar código]Dia do Advogado
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Em 1958, sob a presidência de Arturo Frondizi, a Federação Argentina de Colégios de Advogados (FACA) definiu o dia 29 de agosto como o Dia do Advogado na Argentina, em homenagem ao nascimento de Alberdi.[15]
Colocação da sua imagem no papel-moeda
[editar | editar código]Outro reconhecimento a Alberdi por parte do Estado foi a colocação da sua imagem em notas, cartões-postais e selos.
A nota de 5000 pesos argentinos (ARP, período 1983-1985) exibiu a sua imagem no anverso e os constituintes de 1853 no reverso. Foi junto a José de San Martín e Manuel Belgrano os únicos a aparecer nas notas da referida moeda.[16]
Anos depois, entre 2001 e 2002, ele apareceu nas notas da quase-moeda Lecop (bônus de emergência emitido pelo BCRA).
Por último, no ano de 2024, começou a circular a nota de maior denominação do país, a de 20 000 pesos (ARS, 1992-), com a sua imagem no anverso e a sua casa natal no reverso. [17]
Em todas elas, foi usada a mesma efígie de Alberdi nos seus anos de velhice.
«Hino de Alberdi»
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Com a letra de Manuel Lizondo Borda e a música de Enrique Mario Casella, a música Alberdi "Alberdi" foi registrada oficialmente como uma canção em 14 de julho de 1934 e foi no ano de 1985 que seria nomeada como o Himno oficial a Alberdi "Hino Oficial a Alberdi", por meio de uma resolução do Ministério da Educação e Justiça presidido por Carlos Alconada Aramburú, a qual esclarecia através de 2 artigos o seu fomento e a sua oficialização com a sua incorporação ao Repertório Escolar nas escolas de ensino fundamental e médio.[18] Transcorridos os 70 anos exigidos pela lei argentina desde 14 de julho de 2006, o Himno a Alberdi "Hino a Alberdi", sua música e sua letra, passaram para o domínio público.[19]
Cidade de Alberdi (Paraguai)
[editar | editar código]Alberdi é uma localidade paraguaia localizada no departamento de Ñeembucú, a 144 km de Assunção, às margens do rio Paraguai, em frente à cidade argentina de Formosa. Seu nome presta homenagem ao escritor argentino Juan Bautista Alberdi, por se pronunciar a favor do Paraguai durante a Guerra contra a Tríplice Aliança.[20]
Além disso, no ano de 2010, a República do Paraguai concedeu-lhe em caráter póstumo a nacionalidade paraguaia honorária.[21]
Bibliografia
[editar | editar código]- Alberdi y su tiempo "Alberdi e Seu Tempo", Jorge M. Mayer, Buenos Aires, Eudeba, 1963.
- Historia Argentina "História Argentina", José Luis Busaniche, Buenos Aires, Solar-Hachette, 1973.
- Historia de la Argentina "História da Argentina", John Lynch e outros, Buenos Aires, Crítica, 2002.
- Las ideas políticas en la Argentina "As Ideias Políticas na Argentina", José Luis Romero, Buenos Aires, Fondo de Cultura Económica, 1975.
- Alberdi, la proyección sistemática del espíritu de Mayo "Alberdi, a Projeção Sistemática do Espírito de Maio", Canal Feijoó, Bernardo, Buenos Aires, Losada, 1961
- Alberdi. Ensayo crítico" "Alberdi. Ensaio Crítico", García Merou, Buenos Aires, Rosso, 1939
- Alberdi, Sarmiento y el 90" "Alberdi, Sarmiento e o 90", Peña, Milicades. Buenos Aires, Fichas, 1972
- Alberdi" "Alberdi", Popolizio, Enrique. Buenos Aires, Losada, 1946
- Que fue Alberdi" "O Que Foi Alberdi", Speroni, Miguel A. Buenos Aires, Plus Ultra, 1973
- Alberdi póstumo" "Alberdi Póstumo", Terán, Oscar. Buenos Aires, Puntosur, 1988
- El Salón literario de 1837" "O Salão Literário de 1837", Weinberg, Félix. Buenos Aires, Hachette, 1977
- Fragmento preliminar al estudio del derecho" "Fragmento Preliminar ao Estudo do Direito", reedição fac-similar c/notícia preliminar de Jorge Cabral Texo, Facultad de Derecho y Ciencias Sociales. Instituto de Historia del Derecho Argentino, Buenos Aires, 1942.-
- Alberdi" "Alberdi", Salvadores, Antonino, Ed. Nova, Buenos Aires, 1948
- Alberdi ante la filosofía y el derecho de gentes" "Alberdi perante a Filosofia e o Direito das Gentes", Díaz Cisneros, César, La Plata, 1930
- Alberdi y el historicismo" "Alberdi e o Historicismo", Orgaz, Raúl A., Córdova l937
- Alberdi, constructor en el desierto" "Alberdi, Construtor no Deserto", Palacios, Alfredo L., Buenos Aires, 1944
- Alberdi. Su vida y escritos" "Alberdi. Sua Vida e Escritos", Pelliza, Mariano A., Buenos Aires, Casavalle, 1874
- El pensamiento internacional de Alberdi" "O Pensamento Internacional de Alberdi", Ruiz Moreno, Isidoro (h), Buenos Aires, 1945
- La polémica de Alberdi con Sarmiento" "A Polêmica de Alberdi com Sarmiento", Sáenz Hayes, Ricardo, Buenos Aires, 1926
- Las bases de Alberdi. Edición crítica con una noticia preliminar". "As Bases de Alberdi. Edição Crítica com uma Notícia Preliminar", Mayer, Jorge M., Buenos Aires, Sudamericana, 1979.-
- Alberdi. El ciudadano de la soledad" "Alberdi. O Cidadão da Solidão", Rojas Paz, Pablo, Buenos Aires, Losada, 1952
- Tucumán, Una historia para todos "Tucumán, Uma História para Todos", Rex Bliss, Santiago, Edições La feria del libro, 2010, ISBN 978-987-26455-0-2
- Palabras de un Ausente "Palavras de um Ausente", Estudo Introdutório, Javier Adrián Cubillas, Buenos Aires, Grupo Unión Editorial, 2019, ISBN 978-987-46038-7-6
- Sistema Económico y Rentístico de la Confederación "Sistema Econômico e Rentístico da Confederação", Estudo Introdutório, Javier Adrián Cubillas (Et. al), Buenos Aires, Grupo Unión Editorial, 2021, ISBN 9789878391120
Referências
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- ↑ Pozas, Mario A. (2006). El liberalismo hispanoamericano en el siglo XIX (PDF). [S.l.: s.n.] p. 301. Consultado em 22 de junho de 2020
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- ↑ Scarone, Arturo (1942). Diccionario de seudónimos del Uruguay. [S.l.]: Claudio García. Consultado em 23 de janeiro de 2017
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Alberdi, que no sabía inglés (8), tomó el texto de la constitución federal de Estados Unidos en la mala, pésima, traducción de Manuel García de Sena, militar venezolano que tradujo en 1811 a Payne, y a modo de apéndice había añadido entre otros documentos la Constitución Federal traducida a su buen saber y entender. Ni sus conocimientos de inglés ni su versación jurídica lo capacitaban, como él confiesa, para una versión aproximadamente correcta.
- ↑ Brega, Nazareno (19 de junho de 2019). «19 de junio». Radio Cultura (em espanhol). Consultado em 16 de março de 2020
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- ↑ «Tratado de Reconocimiento, Paz y Amistad celebrado entre la Confederación Argentina y España en Madrid el 21/9/1863» (em espanhol). 12 de outubro de 2011. Consultado em 23 de julho de 2026
- ↑ Dujovich, Adolfo (1986). Visto, oído, leído, y vivido sobre el pueblo eterno. Buenos Aires: [s.n.] Consultado em 19 de novembro de 2012
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- ↑ Escritos póstumos de J. B. Alberdi Universidad de Quilmes
- ↑ «Por qué se celebra hoy el Día del Abogado». Infobae. 29 de agosto de 2019. Consultado em 22 de junho de 2020 • «Hoy se celebra el Día del Abogado en Argentina ¿A qué se debe la fecha?». La Voz. 29 de agosto de 2018. Consultado em 22 de junho de 2020
- ↑ «Breve historia de los billetes argentinos (y de la inflación)». Clarín. 9 de fevereiro de 2020. Consultado em 22 de junho de 2020
- ↑ «Alberdi vuelve a ser billete: el ejemplar de 1882 y el nuevo de $20.000». Diario Crónica (em espanhol). Consultado em 18 de setembro de 2024
- ↑ «Resolución N°385» (PDF). Ministerio de Educación. 14 de fevereiro de 1985. Consultado em 22 de junho de 2020. Arquivado do original (PDF) em 31 de agosto de 2021
- ↑ «Ley 11.723 art. 5». servicios.infoleg.gob.ar. Consultado em 22 de junho de 2020
- ↑ «Ministerio de Educación y Cultura - Paraguay » Fechas Especiales » Aniversario de fundación del distrito de Alberdi». www.mec.gov.py. Consultado em 28 de março de 2022
- ↑ «Nacionalidad Paraguaya póstuma al argentino Juan Bautista Alberdi». Paraguay, mi país. 11 de junho de 2010 • «Ley Nº 4062 / Concede nacionalidad paraguaya honoraria, en carácter póstumo, al ilustre jurisconsulto argentino Juan Bautista Alberdi». Biblioteca y Archivo del Congreso de la Nación (Paraguay)
Ligações externas
[editar | editar código]- Bases y puntos de partida para la organización política de la República Argentina "Bases e Pontos de Partida para a Organização Política da República Argentina" (ebook)
- Prêmio Juan Bautista Alberdi da HACER
- Biografia e pensamentos
- Biografia de Juan Bautista Alberdi
- Juan Bautista Alberdi e sua oposição à guerra contra o Paraguai
- Ensaios jurídicos sobre a obra de Juan Bautista Alberdi
- Ensaios de Juan Bautista Alberdi
- La Omnipotencia del Estado es la Negación de la Libertad Individual "A Onipotência do Estado é a Negação da Liberdade Individual" (1880)
- Centro de Estudos Institucionais Juan Bautista Alberdi
- Obra musical de Juan Bautista Alberdi
- Nascidos em 1810
- Mortos em 1884
- Mortos em 1844
- Embaixadores da Argentina no Chile
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