Judensau

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Uma Judensau ("porca judia"),[1][2] é uma imagem de arte folclórica[3] de judeus em contato obsceno com uma grande porca (porco fêmea), que no judaísmo é um animal impuro, que apareceu durante o século 13 na Alemanha e alguns outros países europeus; sua popularidade durou mais de 600 anos.[4] Na Alemanha nazista, classes de crianças alemãs foram enviadas para ver a Judensau em igrejas alemãs[5] e o termo permanece como um insulto neonazista.

Antecedentes e imagens[editar | editar código-fonte]

Xilogravura da Kupferstichkabinet, Munique, ca. 1470, mostrando um Judensau. Os judeus (identificado pelos Judenhut) estão se amamentando de um porco e comendo seus excrementos. As bandeirolas exibem rimas zombando os judeus.

A proibição judaica de comer carne de porco vem da Torá, no livro de Levítico, capítulo 11, versículos 2 a 8.[6][7] A disposição dos judeus ao redor, amamentando-se e tendo relações sexuais com o animal (por vezes considerado como o diabo[3]), é uma zombaria do judaísmo e exemplo de propaganda antissemita.[8]

A imagem aparece na Idade Média, principalmente em esculturas nas paredes de igrejas ou catedrais, frequentemente no lado de fora onde poderia ser visto da rua (por exemplo, em Wittenberg e Regensburg), mas também em outras formas. A primeira aparição conhecida parece estar na parte de baixo de um assento de madeira na catedral de Colônia, datado de cerca de 1210. O primeiro exemplo em pedra data de cerca de 1230 e está localizado no claustro da catedral de Brandemburgo. Por volta de 1470, a imagem apareceu em forma de xilogravura e, depois disso, foi frequentemente copiada em gravuras populares, muitas vezes com comentários antissemitas. Uma pintura de parede na torre da ponte de Frankfurt am Main, construída entre 1475 e 1507, perto da porta de entrada para o gueto judeu e demolida em 1801, foi um exemplo especialmente notório e incluiu uma cena do ritual de assassinato de Simão de Trento[9]

Judensau em Wittenberg[editar | editar código-fonte]

O Judensau em Wittenberg.

A cidade de Wittenberg contém uma Judensau de 1305, na fachada da Stadtkirche, a igreja onde Martinho Lutero pregou. Retrata um rabino que olha por baixo da cauda da porca e outros judeus bebendo de suas tetas. Uma inscrição diz "Rabini Schem HaMphoras,", jargão que presumivelmente degrada o "shem ha-meforasch" (veja Shemhamphorasch). A escultura é um dos últimos exemplos remanescentes na Alemanha de activo antissemitismo medieval. Em 1988, por ocasião do 50º aniversário da Kristallnacht, surgiu um debate sobre o monumento, que resultou na adição de uma placa comemorativa no solo, cuja inscrição afirma que seis milhões de judeus foram assassinados "sob o sinal da cruz". Billie Ann Lopez comenta que a placa memorial "reconhece os séculos de hostilidade da Igreja contra os judeus, que até certo ponto contribuíram para o assassínio dos judeus pelos nazis" no Holocausto. [10]

Em Vom Schem Hamphoras (1543), Lutero comenta sobre a escultura da Judensau em Wittenberg, ecoando o antissemitismo da imagem e localizando o Talmude nas entranhas da porca:

Em julho de 2016, o Dr. Richard Harvey, um teólogo judeu messiânico do Reino Unido, iniciou uma petição no site change.org para remover a Judensau de Wittenberg.[11]

Em fevereiro de 2020, um tribunal alemão rejeitou um caso no qual se pedia que fosse retirada da parede da igreja a imagem. Os magistrados consideraram que a imagem “não prejudica a reputação dos judeus”, estando “inserida” num contexto mais amplo[12].

Lista parcial[editar | editar código-fonte]

Lista de mapas (em Alemão) da presença de imagens de Judensau em igrejas da Europa central; em vermelho, as que foram removidas

Algumas dessas esculturas ainda podem ser encontradas em algumas igrejas hoje.

Galeria de imagens[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b Wolffsohn, Michael (1993). Eternal Guilt?: Forty Years of German-Jewish-Israeli Relations. [S.l.]: Columbia University Press. p. 194. ISBN 978-0-231-08275-4 
  2. Shachar, Isaiah (1974). The Judensau : a medieval anti-Jewish motif and its history. [S.l.]: Warburg Institute, University of London. ISBN 0854810498 
  3. a b «Zionism and Israel - Encyclopedic Dictionary: Judensau». zionism-israel.com. Consultado em 7 de Fevereiro de 2015 
  4. Madigan, Kevin (2005). «Judensau». In: Richard S. Levy. Antisemitism: a Historical Encyclopedia of Prejudice and Persecution. Vol 1: A-K. [S.l.]: ABC-CLIO. pp. 387–88. ISBN 978-1-85109-439-4 
  5. Wolfram Kastner, Feuerwehr löscht das Wort 'Judensau': Die staatliche Sau-Skulptur bleibt ohne Kommentar, haGalil.com, 5 August 2003. [1]
  6. Authorized King James Bible. [S.l.: s.n.] 1611. Consultado em 7 de Fevereiro de 2015. Speak unto the children of Israel, saying, These [are] the beasts which ye shall eat among all the beasts that [are] on the earth. Whatsoever parteth the hoof, and is clovenfooted, [and] cheweth the cud, among the beasts, that shall ye eat. Nevertheless these shall ye not eat of them that chew the cud, or of them that divide the hoof: [as] the camel, because he cheweth the cud, but divideth not the hoof; he [is] unclean unto you. And the coney, because he cheweth the cud, but divideth not the hoof; he [is] unclean unto you. And the hare, because he cheweth the cud, but divideth not the hoof; he [is] unclean unto you. And the swine, though he divide the hoof, and be clovenfooted, yet he cheweth not the cud; he [is] unclean to you. Of their flesh shall ye not eat, and their carcase shall ye not touch; they [are] unclean to you. 
  7. «Leviticus - Chapter 11 (Parshah Semini) - Tanakh Online - Torah - Bible». chabad.org. Consultado em 7 de Fevereiro de 2015 
  8. Mellinkoff, Ruth (1988). The Devil at Isenheim: Reflections of Popular Belief In Grünewald's Altarpiece. [S.l.]: University of California Press. pp. 64–66. ISBN 0-520-06204-3 
  9. Schreckenburg, Heinz (1996). The Jews in Christian Art. New York: Continuum. pp. 331-337, Cologne illustrated p. 332, Frankfurt pp. 335-7. ISBN 0-8264-0936-9.
  10. Lopez, Billie; Peter Hirsch (1997). Traveler's Guide to Jewish Germany. [S.l.]: Pelican Publishing Company. pp. 258–60. ISBN 978-1-56554-254-9 
  11. Nitz, Corinna. «Evangelische Akademie: Kritiker von Schmähplastik „Judensau" kommt nach Wittenberg». Mitteldeutsche Zeitung (em alemão) 
  12. «Tribunal alemão rejeita pedido para remoção de uma escultura antissemita de igreja» 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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