Juqueri

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Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Juqueri (desambiguação).
Um dos edifícios do complexo hospitalar do Juqueri

Juqueri era a denominação de um antigo município do estado de São Paulo, no Brasil, formado pelos atuais municípios de Mairiporã, Franco da Rocha, Caieiras e Francisco Morato. Em 1948, foi, oficialmente, renomeado como Mairiporã, sendo, posteriormente, desmembrado nas autonomias municipais anteriormente citadas.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Existem duas origens possíveis para o topônimo "Juqueri":

  • é proveniente do tupi yu-ker-i-y, "o rio do espinheiro que dorme, propenso a dormir", em alusão às folhas do juqueri, que, quando tocadas, se deitam.[1][2]
  • provém do tupi antigo îukeri, que designa as plantas do gênero Mimosa.[3]

História[editar | editar código-fonte]

O povoamento de origem europeia da região começou com pequenos núcleos nas cercanias da vila de São Paulo de Piratininga em fins do século XVI, como ligação entre o planalto e o sertão inexplorado. O primeiro nome do povoamento foi Nossa Senhora do Desterro de Juqueri, tendo sido elevado à categoria de vila em 1696. Em vista disso, administrativamente, Juqueri foi um distrito do município de São Paulo até 1880, quando passou a fazer parte do município de Guarulhos.

Em 1696 é constituído o povoado de Nossa Senhora do Desterro de Juqueri, palavra tupi que designa uma planta leguminosa, conhecida também como dormideira. No ano de 1783 passou a ser paróquia; a capela transformou-se em igreja e passou por diversas modificações (1841, década de 1940 e 1982). A última reforma descaracterizou o antigo templo, conservando apenas a torre. A Vila de Juqueri adentrou o século XVIII como fonte de produtos agrícolas para São Paulo, chegando a produzir algodão e vinho para exportação. Não prosperou como outras localidades inseridas nas regiões das lavras de ouro e pedras preciosas, caracterizando-se como pouso de tropeiros que faziam o abastecimento das Geraes.

Em 1769, a Câmara paulistana determinou a abertura de uma estrada entre Juqueri e São Paulo. O "Caminho de Juqueri" transformou-se mais tarde na Estrada Velha de Bragança. Antes Distrito da Capital (1874 a 1880) e de Nossa Senhora da Conceição de Guarulhos (1881 a 1888), Juqueri passou a ser município por meio da Lei Provincial 67, de 27 de março de 1889. Um ano antes da emancipação, a São Paulo Railway (Estrada de Ferro Santos-Jundiaí) construiu a Estação do Juqueri. Em 1898, o Governo do Estado inaugurou o Hospital-colônia de Juqueri para doentes mentais, dirigido pelo médico Franco da Rocha. A associação do nome de Juqueri ao hospital, causando confusão na entrega de correspondências e desconforto entre os juquerienses, criou um movimento para mudar o nome do município.

Situava-se, em Juqueri, um dos mais célebres hospitais psiquiátricos do Brasil, o Hospital Psiquiátrico do Juqueri,[4] o que fez com que a palavra "juqueri" se tornasse sinônimo de "loucura", ou de doença mental de forma geral. Por este motivo, o nome do município foi modificado por lei estadual aprovada em 24 de dezembro de 1948.[carece de fontes?] Entre os novos nomes sugeridos, foi adotado "Mairiporã", termo formado artificialmente pela junção do termo da língua geral setentrional mauri, "cidade", e do termo guarani porã, "bonita", significando, portanto, "cidade bonita".[5]

Referências

  1. Confraria do IHGRS (1925). Revista do Instituto Histórico e Geográphico do Rio Grande do Sul, Volumes 5-6. [S.l.]: O Instituto 
  2. Revista do Arquivo Municipal de São Paulo, Edições 15-16. [S.l.]: Diretoria do Protocolo e Arquivo da Prefeitura. 1935 
  3. NAVARRO, E. A. Dicionário de Tupi Antigo: a Língua Indígena Clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 583.
  4. Evelin Naked de Castro Sá, e Cid Pimentel (1991). Juqueri, o espinho adormecido. [S.l.]: Editora Hucitec. ISBN 8527101211 
  5. NAVARRO, E. A. Dicionário de Tupi Antigo: a Língua Indígena Clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 584.

Ver também[editar | editar código-fonte]