Kaizen

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
A palavra Kaizen em japonês.

Kaizen (改善?), (do japonês, "melhoria" ou "mudança para melhor"), refere-se a filosofia ou práticas que incidem sobre a melhoria contínua dos processos de manufatura, engenharia, gestão de negócios ou qualquer processo como até mesmo na área da saúde,[1][2] psicoterapia,[3] life-coaching, governos, bancos e outras indústrias. Quando usado no sentido de negócio e aplicado ao local de trabalho, o kaizen refere-se a atividades que melhorem continuamente todas as funções e envolve todos os funcionários desde o CEO até os trabalhadores da linha de montagem. Também se aplica a processos, como compra e logística, que cruzam fronteiras organizacionais da cadeia de suprimentos.[4] Ao melhorar as atividades e processos padronizados, kaizen tem como objetivo eliminar o desperdício (ver manufatura enxuta). O kaizen foi implementado pela primeira vez em várias empresas japonesas depois da Segunda Guerra Mundial. Desde então, se espalhou por todo o mundo[5]

História[editar | editar código-fonte]

Após a Segunda Guerra Mundial, o Japão se encontrava com sérios problemas econômicos. Novas leis trabalhistas que foram introduzidas pela ocupação norte-americana contribuíram para reforçar a posição dos trabalhadores nas negociações de condições mais favoráveis ​​de emprego. Os sindicatos usaram sua força para alcançar acordos duradouros, tendo conquistado uma participação nos lucros da empresa para os trabalhadores, como forma de um bônus pago além do salário básico. Além disso, não era o caso de existir, no Japão desta época, nem imigrantes dispostos a trabalhar em más condições de trabalho em troca de altos salários ou tampouco minorias com oportunidades de emprego limitadas.

Assim, nos anos 50, os japoneses retomaram as ideias da administração clássica de Fayol e as críticas delas decorrentes para renovar sua indústria e desenvolveram o conceito de aprimoramento contínuo, Kaizen. Essa prática (exprimindo uma forte filosofia de vida oriental e sendo, por sua vez também, uma filosofia, uma cultura) visa o bem não somente da empresa como do homem que trabalha nela. As empresas são municiadas com ferramentas para se organizarem e buscarem sempre resultados melhores. Partindo do princípio de que o tempo é o melhor indicador isolado de competitividade, atua de forma ampla para reconhecer e eliminar os desperdícios existentes na empresa, sejam em processos produtivos já existentes ou em fase de projeto, produtos novos, manutenção de máquinas ou, ainda, processos administrativos.

Conceitos[editar | editar código-fonte]

'Hoje melhor do que ontem, amanhã melhor do que hoje!'

Para o Kaizen, é sempre possível fazer melhor, nenhum dia deve passar sem que alguma melhoria tenha sido implantada, seja ela na estrutura da empresa ou no indivíduo. Sua metodologia traz resultados concretos, tanto qualitativamente, quanto quantitativamente, em um curto espaço de tempo e a um baixo custo (que, consequentemente, aumenta a lucratividade), apoiados na sinergia gerada por uma equipe reunida para alcançar metas estabelecidas pela direção da empresa.

O Sistema de produção Toyota (Lean Manufacturing) é conhecido pela sua aplicação do princípio do Kaizen.

Uma analogia conhecida é a de uma história chamada "O Tesouro de Bresa", na qual um pobre alfaiate compra um livro com o segredo de um tesouro. Para descobrir o segredo, ele tem que decifrar todos os idiomas escritos no livro. Ao estudar e aprender estes idiomas, começam a surgir oportunidades, e ele lentamente (de forma segura) começa a prosperar. Depois, é preciso decifrar os cálculos matemáticos do livro. É obrigado a continuar estudando e se desenvolvendo, e a sua prosperidade aumenta.

Kaizen é uma palavra de origem japonesa que significa mudança para melhor, usada para transmitir a noção de melhoria contínua na vida em geral, seja ela pessoal, familiar, social e no trabalho. “Segundo Aragon (2005), o Kaizen está pautado na eliminação de desperdícios, com base no bom senso, no uso de ferramentas baratas que se apoiem na motivação e criatividade dos colaboradores para melhorar a prática de seus processos.” No contexto empresarial, o kaizen é uma metodologia que permite baixar os custos e melhorar a produtividade. “Segundo Costa Leite (2007), existem habilidades específicas, comportamentos e ações que precisam ser desenvolvidas para que o melhoramento seja sustentado ao longo do prazo, necessitando de uma melhoria contínua”. Além disso, o envolvimento de todos os colaboradores da empresa é essencial no kaizen, porque é uma metodologia que não se concentra nas elites.

“Segundo SHIBA (1997), a melhoria contínua significa envolvimento de todas as pessoas da organização no sentido de buscar, de forma constante e sistemática, o aperfeiçoamento dos produtos e processos empresariais, e ainda, que a melhoria contínua pressupõe mudanças no hábito da organização e grandes mudanças com maior planejamento.”

Conforme o kaizen, é sempre possível fazer melhor, nenhum dia deve passar sem que alguma melhoria tenha sido implantada, seja ela na estrutura da empresa ou no indivíduo. As mudanças feitas devem ser graduais e nunca bruscas, para não perturbar o equilíbrio da estrutura. “Segundo Costa Leite (2007), Kaizen significa melhoramento de todas as áreas, seja melhoramento na vida pessoal, na vida doméstica, na vida social, e no trabalho.”

Para o kaizen, trabalha-se e vive-se de forma mais equilibrada e satisfatória possível, se pelo menos três quesitos forem atendidos: estabilidade financeira e emocional ao empregado, clima organizacional agradável e ambiente simples e funcional.

O conceito tem sua origem no meio industrial. Surgiu após a Segunda Guerra Mundial, quando várias empresas japonesas passaram a aplicar práticas que depois foram englobadas pelo termo. Desde então, os princípios do Kaizen se espalharam por todo o mundo, e hoje são utilizados em diversas outras áreas que não apenas a de produtividade. “Segundo Martins e Laugeni (2012), o termo Kaizen é formado a partir de KAI, que significa modificar e ZEN, que significa para melhor.”

Referências

  1. Michael T. Goodrich; Roberto Tamassia (2013), Hospitais Lean - 2ed, p. 223, ISBN 978-85-8260-007-8
  2. Julie Weed (10 de julho de 2010). «Factory Efficiency Comes to the Hospital» (em inglês). The New York Times. Consultado em 29 de junho de 2014 
  3. M. M. Feldman (10 de julho de 2010). «Audit in psychotherapy: the concept of Kaizen» (pdf) (em inglês). Psychiatric Bulletin pp. 334–336. Royal College of Psychiatrists. Consultado em 29 de junho de 2014 
  4. Imai, Masaaki (1986). Kaizen: The Key to Japan's Competitive Success. New York: Random House 
  5. Michael Colenso (2000), Kaizen Strategies for Improving Team Performance: How to Accelerate Team Development and Enhance Team Productivity, Financial Times Prentice Hall (Pearson Education), ISBN 978-0-273-63986-2


Ver também[editar | editar código-fonte]